sexta-feira, janeiro 23, 2009

24 HORAS DE SEXO EXPLÍCITO / 24 HORAS DE SEXO ARDENTE



E vai chegando ao fim a minha peregrinação pela obra de José Mojica Marins. Infelizmente, depois de O DESPERTAR DA BESTA (1969/1983), Mojica não lançou mais nada à altura do que realizou nos anos 60. Ver os filmes que ele realizou nos 70 foi uma baita decepção. E olha que eu não cheguei a ver tudo, mas vi os principais. Dessa safra, o que mais gostei foi EXORCISMO NEGRO (1974), mas ainda assim é um filme que vai perdendo a força e o interesse do meio para o fim. O fundo do poço foi atingido com coisas como A ESTRANHA HOSPEDARIA DOS PRAZERES (1976) e, principalmente, DELÍRIOS DE UM ANORMAL (1978). Com o suspense-erótico ESTUPRO (1979), Mojica passou a trilhar um caminho que parecia inevitável: o de se submeter ao mercado lucrativo e barato dos filmes de sexo explícito produzidos na Boca do Lixo. E se nos anos 70, as coisas não estavam nada bem para ele, nos 80, então, a tendência foi piorar. O que o salvou de passar fome foram mesmo os filmes pornôs, que eram sucesso de bilheteria na época. Principalmente porque o videocassete ainda não havia se tornado um ítem tão popular nos lares. E é exatamente por isso que esses filmes pornôs dos anos 80 ainda investiam num fiapo de trama e no bom humor. No caso de 24 HORAS DE SEXO EXPLÍCITO (1985), segunda incursão de Mojica na pornografia - a primeira havia sido A 5ª DIMENSÃO DO SEXO (1984) -, humor havia de sobra.

E é justamente por causa desse humor que o filme ganha pontos. Uma das melhores piadas do filme está na cena dos dois astros de filmes pornôs que decidem fazer uma maratona de 24 horas de sexo initerrupto para saber quem é o "rei do sexo". Conversando na praia, sobre as mulheres que conseguiram arranjar para a tal maratona, um deles comenta: "onde é que você arrumou esse bagulhos? Parecem figurantes do Zé do Caixão!". E o humor grotesco toma conta do filme e faz com que as cenas de sexo se tornem menos importantes e até dignas de um fast forward do controle remoto de vez em quando, já que o filme tem poucos momentos realmente excitantes. É um filme que envelheceu. E a cópia ripada do VHS que rola pela internet também não ajuda muito. Tem momentos em que não vemos nada na tela, especialmente nas cenas exteriores, na praia, onde a fotografia parece estar estourada. 24 HORAS DE SEXO EXPLÍCITO é também famoso pelas mulheres feias. Tanto que, conversando com Mário Lima, o produtor do filme, Mojica chegou à conclusão de que o filme teria que ter um outro atrativo para chamar a atenção da audiência. Daí surgiu a idéia de colocar uma cena de sexo de uma mulher com um cachorro. E realmente a cena foi um sucesso. Mojica não apenas foi pioneiro do gênero "sexo com animais", que assolou o cinema pornô brasileiro nos anos 80 e se tornou ítem de exportação, como lotou uma grande sala de cinema de São Paulo, o Cine Marabá, que ficou com o filme em cartaz durante 20 semanas! Quem se deu bem com isso foi Mário Lima, já que Mojica só ganhou o seu salário de diretor e mais nada.

A cena de sexo com o pastor alemão não chega a ser explícita, até por imposição da performer, que aceitaria fazer a cena contanto que não houvesse penetração. E de fato o filme não mostra nenhuma cena de penetração do animal com a mulher, mas o cão parecia tão entusiasmado (inclusive, com direito a umas lambidas bem voluptuosas), que a cena ganhou realismo e se tornou o grande destaque do filme. Inclusive, por se utilizar mais uma vez do humor, quando o namorado da mulher a pega no flagra, dando para o cachorro, e tem um acesso de ciúme. No livro "Maldito - A Vida e o Cinema de José Mojica Marins, o Zé-do-Caixão", conta-se que o cachorro, que ficou famoso depois desse trabalho e passou a ser convidado para outros filmes de zoofilia, morreu envenenado. E isso pode ter sido obra do próprio dono, que resolveu matar o animal depois que o bicho começou a querer pegar a sua mulher por trás enquanto ela tomava banho. Depois do sucesso estrondoso do filme nos cinemas (e posteriormente nas locadoras), Mojica dirigiu uma continuação: 48 HORAS DE SEXO ALUCINANTE (1987), onde o cineasta aparece como ele mesmo, utilizando mais uma vez do recurso da metalinguagem, como já havia feito antes com O DESPERTAR DA BESTA, EXORCISMO NEGRO e DELÍRIOS DE UM ANORMAL. 48 HORAS... deve ser bem melhor. Até por ser uma super-produção nacional do gênero. Pena que é difícil de encontrar na internet.

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