segunda-feira, junho 16, 2008

O INCRÍVEL HULK (The Incredible Hulk)























Felizmente, O INCRÍVEL HULK (2008), a segunda tentativa da Marvel de trazer com sucesso o Gigante Esmeralda para os cinemas, me agradou bem mais do que o HOMEM DE FERRO, de Jon Favreau. Tudo bem que o novo filme não tem a mesma sofisticação visual do HULK (2003) de Ang Lee, mas o diretor francês Louis Leterrier foi uma boa e eficiente escolha para que a Marvel possa deslanchar nesse projeto de trazer para o cinema os principais personagens da Casa de Idéias. Desde criança que eu sou apaixonado pelo universo Marvel, mas na maioria das vezes fiquei frustrado com as adaptações para o cinema, que costumam pecam por querer colocar muitos elementos e muitas subtramas no mesmo filme, entre outros equívocos.

O INCRÍVEL HULK de Leterrier, diretor de filmes de ação bem legais como os dois CARGA EXPLOSIVA (2002, 2005) e CÃO DE BRIGA (2005), é uma sucessão de acertos. A começar por esquecer esse negócio de contar a origem do personagem, preferindo mostrar isso em poucos minutos durante os créditos iniciais. A origem do Hulk, além de já ter sido contada - e de maneira um pouco complexa - no trabalho de Ang Lee, já é bastante conhecida do público. Em segundo lugar, o filme já começa com ação, com Bruce Banner escondido na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, trabalhando gerenciamento de raiva com um instrutor brasileiro, sendo perseguido pelos homens do General Ross (William Hurt) e inevitavelmente se transformando na criatura. Aliás, é muito divertido ver um filme de um super-herói da Marvel se passando no Brasil. Eis o segundo ponto positivo do filme. O terceiro ponto, e justamente o que eu acreditava que seria o mais arriscado, foi a escalação de Edward Norton para viver o atormentado Banner. Como não via Norton como um sujeito de aspecto suficientemente fraco para viver o personagem, tinha minhas dúvidas se daria certo, por mais talentoso que seja o ator. Mas eis que o filme vem com uma idéia genial: por que Banner tem que ser tão fraco assim? Ou "fracote", como diz o Hulk dos quadrinhos? Desse modo, vemos o Banner saltando pelos telhados das favelas com uma agilidade digna dos heróis dos filmes de ação de Leterrier.

Quanto a Liv Tyler, se não é nem tão bela nem tão convincente como cientista quanto Jennifer Connelly, ela desempenha bem o papel de mulher apaixonada, principalmente no momento em que ela reencontra o sumido Banner, depois de meses sem vê-lo. Outra bola dentro de O INCRÍVEL HULK está em homenagear a série dos anos 70/80, inclusive com uma participação especial e divertida de Lou Ferrigno e com direito a um trecho da melancólica música-tema da série. Mas como todo filme do Hulk tem que ter um super-vilão, o da vez foi o Abominável, uma criatura monstruosa, nascida de experiências com o personagem de Tim Roth. Por mais que esse terceiro ato não seja tão bom quanto os outros dois, pra mim foi bem mais divertido do que a briga do Homem de Ferro com o Monge de Ferro. E melhor que a briga do Hulk com o Homem-Absorvente no longa do Ang Lee.

No final, O INCRÍVEL HULK ainda conta com a participação especial de Tony Stark (Robert Downey Jr.), o que não chega a ser uma surpresa, mas que foi agradável de ver. Esperava mais uma aparição do Nick Fury (Samuel L. Jackson), mas não foi dessa vez - ou então a cena foi cortada. Quanto à apresentação do Hulk em CGI, ela sofreu uma melhora substancial com um visual mais sujo. Outra coisa: os roteiristas até arranjaram uma explicação lógica e plausível para que Banner não ficasse pelado sempre que se transformasse no monstro: primeiro, diferente do longa de Ang Lee, esse Hulk aqui fica num tamanho fixo; e segundo, Bruce Banner está sempre comprando umas calças enormes pra não passar vexame por aí. Lembrando desse detalhe das calças, lembrei agora do sempre simpático Stan Lee, que dizia que esse problema das calças do Hulk que não se rasgavam era só um detalhe. No fim das contas, começo a achar que a opção dos produtores da Marvel tenha sido a mais acertada mesmo: colocar cineastas eficientes no lugar de verdadeiros autores. Pelo menos por enquanto.

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