terça-feira, abril 11, 2006

V DE VINGANÇA (V for Vendetta)



Minha lembrança de "V de Vingança", a HQ de Alan Moore e David Lloyd, não é muito viva. Já faz mais de quinze anos que eu tomei contato com essa e outras obras de Moore através de um amigo dos tempos do ensino médio - foi ele quem me apresentou belezuras como "Watchmen" e "A Piada Mortal", só pra citar os Moores. Acho que "V de Vingança" foi uma das obras do escritor que eu menos gostei, mas gostaria muito de reler. Agora que a Panini está republicando em encadernação única a obra, vou ter a chance de reavaliar.

Quanto a V DE VINGANÇA (2005), de James McTeague, trata-se de um belo filme. Elegante, com um texto subversivo e uma heroína de dar gosto. Interessante como a presença de uma bela mulher contribui para que vejamos um filme com bons olhos. Mas não diria que o mérito do filme está apenas na beleza e no carisma de Natalie Portman. V DE VINGANÇA se diferencia dos outros blockbusters que a gente está acostumado a ver nos cinemas por não rechear o filme com cenas de ação à Michael Bay ou efeitos especiais desnecessários. Os efeitos visuais mais visíveis são poucos e usados a seu favor, como nas cenas em que V corta a garganta de seus inimigos ou naquela bela cena da chuva com a Natalie Portman olhando pra cima.

A controvérsia toda está no fato de o herói do filme (V, interpretado por Hugo Weaving, de máscara o tempo todo) guardar semelhança com um terrorista. Sua missão é se vingar dos chefões do governo totalitário que mata homossexuais ou pessoas com credos diferentes (o corão é livro proibido). Depois de conseguir entrar em rede nacional, ao invadir uma rede de televisão, ele promete que em um ano, no dia 5 de novembro, ele explodirá o Parlamento inglês. Sua intenção é destruir o símbolo do atual governo e, dentro desse período de um ano, convencer a população da Inglaterra a aceitar a sua causa. O filme é narrado pelo ponto de vista de Evey (Natalie), mas vez ou outra também acompanhamos as investigações do policial vivido por Stephen Rea, o ator fetiche de Neil Jordan.

Apesar de o filme se passar na Inglaterra, é praticamente impossível não pensar no atual governo de George Bush, nos EUA pós-11 de setembro e ver o filme como uma provocação. Mas acredito que um filme que convida à reflexão é sempre bem vindo. O curioso é ver Natalie Portman, de família israelense, e que até já trabalhou em filme de Amos Gitai, num filme que tem mais sintonia com a causa dos palestinos. Outra curiosidade é que V DE VINGANÇA mostra a população inteira da Inglaterra dependente da televisão. As pessoas parece que não fazem outra coisa na vida.

Provavelmente, quando eu reler a obra de Alan Moore, o filme vai ficar bem pequenininho, a exemplo do que ocorreu com DO INFERNO (2001). Mas independente da comparação com os quadrinhos, V DE VINGANÇA é uma experiência das mais agradáveis.

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