quinta-feira, abril 06, 2006

A DONA DA HISTÓRIA



Meu estoque de filmes aqui pro blog está se acabando. Se eu continuar no ritmo da semana passada, quando vi apenas dois filmes, o Diário de um Cinéfilo vai ter bem menos atualizações do que costuma ter. O problema é que tenho trabalhado muito e o tempo para os filmes diminuiu nos últimos dias. Mas é possível que essa situação se reverta e eu consiga ver mais filmes nesse fim de semana e nos feriados que vêm por aí para, assim, poder abastecer isso aqui. Enquanto isso, vamos em frente, ignorando o "déficit técnico".

A DONA DA HISTÓRIA (2004) é o caso de filme que conquistou a minha antipatia desde os trailers. Eu odiava aqueles trailers. E me recusei a ver o filme no cinema, apesar de ouvir de alguns amigos que ele era legal. Aí, dia desses, a minha irmã chegou com o DVD do filme lá em casa. E como era de graça, lá fui eu assistir. Levando em consideração o pré-conceito que eu tinha com o filme, até que ele se mostrou bem melhor do que eu esperava. Não que seja um grande filme - no fim das contas, parece uma mini-série da Globo exibido na telona -, mas é bem divertido e mantém o interesse até o final.

O que o filme tem de mais interessante é exatamente a história das escolhas que se faz na vida e das repercussões que elas trazem pra gente. O que aconteceria se eu, em vez de ter terminado o namoro com aquela menina, continuasse com ela até hoje? É possível que eu já estivesse casado. Isso seria bom ou ruim? O filme brinca com essas possibilidades, meio como O EFEITO BORBOLETA, só que de um ponto de vista mais feminino, mais leve.

Uma das coisas que mais me incomoda é essa mania de mostrarem a juventude dos anos 60 do mesmo jeito. Será que se eu entrasse numa máquina do tempo e fosse parar nessa década, eu daria de cara com um bando de jovens com todos os estereótipos da época e gritando "o povo unido, jamais será vencido" e levando cacetada dos policiais? Duvido que minha mãe freqüentasse essas passeatas. Ela devia trabalhar muito e ouvir "aquela canção do Roberto". Não digo que isso não tenha acontecido, mas é que isso fica muito a cara de ANOS REBELDES (a mini-série da Globo).

Já uma das coisas que eu gostei no filme foi a fotografia, a cargo de José Roberto Eliezer (A DAMA DO CINE SHANGAI, NINA). Em alguns momentos, a fotografia até que compensa um pouco o estilo de dramaturgia "Rede Globo" que o Daniel Filho impõe. Débora Falabela está igualzinha à Lisbela do filme de Guel Arraes e os outros três atores (Rodrigo Santoro, Marieta Severo e Antonio Fagundes) também não se esforçam pra fazer algo diferente do que se vê nas novelas.

O roteiro é de João Falcão, baseado numa peça sua. O Falcão que está estreando na direção com A MÁQUINA. Comparando os dois filmes (mesmo sem eu ter visto A MÁQUINA ainda, apenas o trailer), parece que Falcão gosta muito de viagens no tempo, esse tipo de coisa. Bom, eu gosto também. E vou tentar ver A MÁQUINA antes que ele saia de cartaz.

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