sábado, abril 22, 2006

INSTINTO SELVAGEM 2 (Basic Instinct 2: Risk Addiction)



INSTINTO SELVAGEM (1992), o clássico filme de Paul Verhoeven, foi revolucionário ao subverter o film noir dos anos 40, levando a figura da femme fatale às últimas conseqüências e trazendo cenas de sexo que se aproximavam do explícito dentro do cinemão americano. Quem assistiu e lembra com saudade desse filme, de sua violência brutal, da famosa cruzada de pernas de Sharon Stone, do sexo selvagem entre Michael Douglas e Jeanne Tripplehorn, da música de Jerry Goldsmith, entre outras várias coisas, quem curtiu o primeiro INSTINTO SELVAGEM vai querer ver de novo um pouco daquilo, embora o cheiro de bomba esteja no ar o tempo inteiro. É a tal coisa: a gente sabe que o filme não vai ser grande coisa, mas como resistir ao ver as pernas desnudas de Sharon Stone no cartaz? Como, meu Deus, como? Só se eu entrasse para um mosteiro ou algo do tipo. E como dizia Oscar Wilde, eu resisto a tudo, menos às tentações. Resolvi correr risco e caí na armadilha: INSTINTO SELVAGEM 2 (2006) não vale o tempo que se gasta o assistindo, quanto mais o caro valor do ingresso.

O filme começa com Catherine Tramell (Sharon Stone) dirigindo um carro luxuoso com um homem ao lado. Ela dirige em alta velocidade e o homem, visualmente afetado por drogas, a masturba. Ela goza e o carro sai de linha e cai num lago. Ela não se esforça muito para tirá-lo do carro e salva apenas a si mesma. Tramell é acusada de assassinato, mas é inocentada, graças ao diagnóstico de um psiquiatra (David Morrissey), que diz que ela é uma viciada em riscos. Ela se aproxima do médico e pede para fazer um tratamento com ele. Ele aceita, mesmo sabendo que pode ser tudo um jogo.

Embora já soubesse da inferioridade desse filme em relação ao original, ainda esperava que se tratasse de um bom exploitation, um desses filmes que não têm vergonha de apelar para o erotismo e para a violência. Ora bolas, era isso mesmo que a gente quer ver. Ao menos Sharon Stone continua linda. Ela já é uma mulher quase chegando na casa dos cinqüenta, mas nem parece. Rosto lindo, corpo belíssimo. Pena que o filme não soube aproveitar o que tinha de melhor. O ritmo é modorrento, o protagonista (Morrissey) não tem o menor carisma, Sharon Stone não aparece matando ninguém, a fotografia é mal cuidada, os diálogos são toscos, o músico contratado é outro, mas o tema de Goldsmith continua lá tentando empurrar com a barriga uma suposta emoção. Mas o pior de tudo é o sexo: mais fraco que os soft porns pasteurizados do Cine Privê. Há ainda uma chance de se ver cenas cortadas numa versão "do diretor", lançada em DVD. Mas quem viu esse negócio no cinema, não vai querer perder tempo vendo uma versão estendida.

Que saudade dos filmes do Verhoeven. O homem está sumido desde O HOMEM SEM SOMBRA (2000). Já são longos seis anos sem sua presença nas telas. Ah, e eu nem falei: o diretor desse fiasco é Michael Caton-Jones, diretor pau mandado de filmes medianos. Seu melhor trabalho talvez seja O CHACAL (1997).

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