domingo, abril 23, 2006

16 QUADRAS (16 Blocks)



Richard Donner foi um dos mais importantes diretores de filmes de ação de Hollywood. O homem é mais veterano do que se imagina. Ele começou dirigindo seriados de televisão no final dos anos 50. Só nos anos 70 é que ele ficaria famoso, dirigindo os sucessos A PROFECIA (1976) e SUPERMAN (1978). Nos anos 80, ele atingiu o auge com O FEITIÇO DE ÁQUILA (1985), OS GOONIES (1985) e a bem sucedida franquia MÁQUINA MORTÍFERA (1987), que se estendeu para a década seguinte. Foi com essa série estrelada por Mel Gibson e Danny Glover que Donner mostrou o seu potencial como mestre dos filmes de ação. Pena que depois do quarto filme da série (1998), Donner não fez mais nada digno de nota. 16 QUADRAS (2006) é meio como um retorno ao grande estilo. Bom, ao menos, é um bom filme policial, coisa que está faltando no cinema made in Hollywood. Os americanos sabem que estão perdendo território para os seriados de televisão e para as produções de Hong Kong e da França. Tanto que estão exportando cineastas de fora para darem novo ânimo ao cinemão. O próprio Bruce Willis estreou um filmaço dirigido por um francês, o subestimado REFÉM, de Florent Emilio Siri.

16 QUADRAS é uma espécie de atualização de ROTA SUICIDA, de Clint Eastwood. A história de um policial que luta contra outros policiais a fim de defender suas crenças. O filme não dá tudo de bandeja para o espectador. Só aos poucos vamos sabendo as reais motivações do personagem de Willis e dos vilões, chefiados por David Morse. Willis faz o papel de um tira deprimido e beberrão que, num dia de ressaca, recebe a tarefa de levar um presidiário (Mos Def) para o tribunal. No meio do caminho, obviamente, as coisas se complicam.

O personagem de Bruce Willis é uma pequena variação dos tipos que ele têm apresentado recentemente. É a figura do tira meio desanimado. Dessa vez, tem até o detalhe do cabelo e do bigode grisalhos e da barriga de cerveja. Em certo momento, quando ele conversa no carro com Mos Def, ele chega a dizer que a vida é longa demais. Parece que esse tipo de personagem, meio zumbi, começou na carreira de Willis com os filmes de Shyamalan, O SEXTO SENTIDO (1999) e CORPO FECHADO (2000). Desde então, ele parece não conseguir fugir disso. Willis nunca foi mesmo um bom ator, mas é com certeza um astro de carisma. E boa parte do sucesso de 16 QUADRAS se deve a ele, embora as cenas de tiroteio e dos carros se espatifando nas ruas, a cargo de Donner também contem pontos. Mas sei lá, sou mais o Jack Bauer.

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