sexta-feira, março 10, 2006

CALVAIRE



O cinema de gênero na França está em alta. Ao menos, essa é a impressão que se tem quando se vê obras como HAUTE TENSION, de Alexandre Aja, IRREVERSÍVEL, de Gaspar Noé, PACTO DOS LOBOS, de Christophe Gans, ou SINAIS DO MAL, de Eric Valette. A maioria desses filmes são difíceis de serem vistos nos cinemas, mas com sorte alguns são lançados de forma discreta nas locadoras por selos pequenos. CALVAIRE (2004), do belga Fabrice du Welz, é uma produção Bélgica-França-Luxemburgo que me interessou muito depois da dica do amigo Fábio Ribeiro.

CALVAIRE guarda semelhanças com os filmes de horror rurais da década de 70, como O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA e QUADRILHA DE SÁDICOS, e seus derivados, como o australiano WOLF CREEK - VIAGEM AO INFERNO. A primeira diferença a se notar é que CALVAIRE é um filme que demora mais a mostrar a sua verdadeira face. No começo, o filme parece um drama convencional. Só depois de uma hora é que o horror e a tragédia se instalam na vida do protagonista (Laurence Lucas). Ele é um cantor decadente que se apresenta para uma platéia de senhoras coroas ou idosas que enlouquecem por ele.

Como já é comum nesse tipo de filme, tudo desmorona a partir do momento em que seu trêiler quebra num lugar desolado. Ele é auxiliado por um doido local que lhe apresenta a um velho solitário que promete consertar o seu carro e lhe oferece um quarto pra dormir em seu albergue vazio. Desde PSICOSE, de Hitchcock, que as pessoas já deveriam ter aprendido que não é uma boa idéia se hospedar em hotéis ou albergues vazios em locais desolados. Esse povo não aprende mesmo. Não acho uma boa idéia contar o que acontece depois disso, mas já adianto que não é nada agradável.

Talvez por ter esperado algo mais chocante para o final, acabei me decepcionando um pouco. Mesmo assim, trata-se de uma obra que merece ser descoberta. A fotografia em scope é lindona com seu cinza acentuado e tenho certeza que ver o filme na tela grande seria uma experiência bem mais interessante. E, pensando bem, o que o protagonista passa não é mole não.

Visto em divx.

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