terça-feira, maio 10, 2005

A QUEDA! AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER (Der Untergang)



Costumo sempre dizer que o nosso estado físico e psicológico é muito importante para influenciar nossa percepção de um filme (ou um livro, ou uma canção). Por isso, pra mim que estava um pouco doente quando fui ver A QUEDA! AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER (2004), foi de certa forma mais fácil de entender a desesperança e a decadência do império alemão e a simples vontade de desistir da vida. Não senti aquele prazer sádico de ver Hitler sofrendo, prestes a meter uma bala na cabeça. Por isso, ver A QUEDA! foi, pra mim, uma experiência bem desagradável e cansativa, até pela duração do filme. Resta saber como teria sido se eu tivesse ido ao cinema com saúde 100%.

Mesmo sabendo da importãncia do filme, desconfio de suas qualidades fílmicas, principalmente se compararmos com grandes filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, como O PIANISTA, A LISTA DE SCHINDLER ou EUROPA, EUROPA, mas não resta dúvida que se trata de um filme diferente. Não estruturalmente falando, já que a narrativa é clássica e convencional, não havendo nem originalidade ou inventividade, mas simplesmente pelo fato de o filme centrar a trama diretamente em Hitler, e com a coragem de mostrá-lo como um ser humano, ainda que nem um pouco digno de pena. Será que ele teve piedade de si mesmo quando viu que não tinha mais escapatória e planejou sua morte e da esposa? Acho que não. Ele dizia que o mundo não era feito para os fracos, que a própria natureza já tratava de exterminar os fracos.

Por falar em Eva Braun, a mulher de Hitler, a atriz que interpretou a personagem, Juliane Köhler, é tão digna de nota quanto Bruno Ganz, que encarnou com brilhantismo o Hitler decadente e com problemas nervosos. Juliane fez uma "primeira dama" simpática e fiel ao marido até a morte. As cenas mais fortes do filme são as da morte do casal Hitler - o antes, o durante e o depois - e a cena da morte das crianças de Goebbels pela própria mãe, que acreditava que elas não podiam viver num país sem o Nacional-Socialismo dos nazistas.

Antes dos créditos subirem, vemos os letreiros contando sobre o destino dos vários personagens ligados a Hitler. Alguns deles viveram bastante. No final, a verdadeira secretária de Hitler aparece dando um depoimento, meio que se desculpando, dizendo que era totalmente alheia ao que estava acontecendo na Europa. Não é de se duvidar, já que os campos de extermínio só foram descobertos perto do fim da guerra e a juventude alemã tinha sofrido uma espécie de lavagem cerebral, tendo desenvolvido o ódio aos judeus por causa de Hitler e do nazismo.

Interessante que o filme pouco ou nada fala dos outros países do bloco dos aliados (EUA, França, Inglaterra etc). São os russos os maiores inimigos dos alemães, já que foram eles que cercaram com a artilharia a cidade de Berlim. Foram também os russos que mais tiveram baixas durante a Guerra.

Pra terminar, sou só eu ou tem mais alguém que odeia subtítulos? Na maioria das vezes eles são ignorados pelo público. No caso de A QUEDA!, eu estava na dúvida se o subtítulo era "As últimas horas de Hitler" ou "Os últimos dias". Já tinha lido sobre o filme na imprensa com essas duas opções. Há também o caso daqueles filmes que adotam o título original, como SIDEWAYS ou KINSEY e colocam um subtítulo estúpido ("Entre umas e outras" e "Vamos Falar de Sexo", respectivamente) apenas para chamar a atenção das pessoas pouco ligadas aos filmes ou à língua inglesa. Lembro que na época de ERIN BROCKOVICH, tinha gente que só reconhecia o filme pelo subtítulo ("Uma Mulher de Talento"). Pior que eles estão sendo cada vez mais adotados.

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