domingo, novembro 18, 2007

CLINT EASTWOOD EM TRÊS FILMES



Acho que já devo ter falado isso aqui, que quando eu crescer, quero ser que nem o Clint Eastwood. Acredito que na história do cinema não exista uma persona que tenha um apelo tão forte tanto em relação ao público masculino quanto ao feminino. Os homens o admiram, querem ser iguais a ele, talvez por quererem ter a mesma auto-confiança de seus personagens; as mulheres suspiram por ele, tanto dentro quanto fora das telas. E como diretor, se hoje ele é considerado um dos grandes até pela Academia, nos anos 80, as coisas não eram bem assim. Ao que parece, essa "canonização" surgiu a partir de BIRD (1988) ou de CORAÇÃO DE CAÇADOR (1990), mas a verdade é que Clint Eastwood, o diretor, já começou arrebentando. Afinal, qual outro cineasta tem o talento e a sorte de mandar uma obra-prima já em seu segundo trabalho de direção? Em sua carreira de diretor constam 27 filmes até o momento e mais dois sendo produzidos ou preparados. Poder ver filmes dos primeiros momentos de sua carreira é bom para ajudar a enaltecer tanto o carisma do ator quanto o talento e a sensibilidade do autor.

O ESTRANHO SEM NOME (High Plains Drifter)

Bebendo da fonte de Sergio Leone e do western spaghetti em geral, Clint retoma aqui a figura do pistoleiro sem nome que chega numa cidade estranha. O clima sinistro, inclusive com aquela música que mais parece saída de um filme de terror, também lembra bastante os melhores westerns realizados na Itália. Em O ESTRANHO SEM NOME (1973), Clint é um pistoleiro que chega numa cidade que carrega sobre si um clima opressor. Ele, na maior tranqüilidade do mundo, pede para lhe fazerem a barba e oferecerem-lhe um banho. Mas é só ele chegar na cidade que três sujeitos mal encarados mandam o homem cair fora do lugar. E ele se protege dos caras armados, mandando bala nos três. Logo após esse incidente, ele fica logo famoso na cidade e o xerife, meio covarde, lhe oferece uma proposta: ajudá-lo a matar três pistoleiros perigosos que estão prestes a sair da prisão. De tão desesperados que estão com a chegada dos três bandidos, os cabeças da cidade acabam oferecendo tudo de graça para o estranho, em troca de seus serviços. Inacreditável o que acontece em seguida. O ESTRANHO SEM NOME é provavelmente o filme mais explicitamente sombrio da carreira de Clint e lida com a temática da culpa como sentimento coletivo como poucos. E o bom é que o dvd da Universal valoriza a janela original do filme, em scope, e fica aquela imagem linda, de dar gosto. Pra quem curte a trilogia dos dólares de Leone, esse filme é essencial e talvez até tão bom quanto os do mestre italiano. Obra-prima.

ESCALADO PARA MORRER (The Eiger Sanction)

Esse eu já vi faz tempo. Esperava a oportunidade de ver outros filmes de Clint para resenhá-lo junto, mas o tempo foi passando e só agora rolou a chance. Trata-se de um trabalho menor do diretor/ator, mas ainda assim é um bom filme. Em ESCALADO PARA MORRER (1975), Clint interpreta um professor de arte e colecionador que também trabalha como agente secreto do governo americano. Um dos velhos amigos dele morreu ao escalar uma montanha e a agência secreta sabe que uma pessoa do grupo dos escaladores foi o responsável. Daí, "convidam" Clint a apanhar o responsável, se infiltrando no grupo. Há realmente pouca coisa que eu lembro do filme, o que acaba não sendo um ponto muito positivo, mas é, com certeza, ao menos um bom entretenimento. Gravado da Globo.

O CAVALEIRO SOLITÁRIO (Pale Rider)

Nos anos 80, o western havia "saído de moda", mas ainda assim O CAVALEIRO SOLITÁRIO (1985) foi um dos mais bem sucedidos filmes do gênero na época. Clint faz novamente um estranho sem nome que aparece como salvador de um grupo de pessoas necessitadas, mas dessa vez sem os tons sombrios de O ESTRANHO SEM NOME. Por usar um daqueles acessórios brancos ao redor do pescoço, o povo acredita que ele é um padre, tratam-no como um padre. Mas um padre muito estranho, desses que enfrentam três homens sozinho e com habilidades no gatilho invejáveis. Destaca-se também no filme Michael Moriarty, como o líder do grupo de mineradores de ouro que são constantemente atacados por um rico proprietário de terras local. Uma cena em particular me emocionou: a cena em que a jovem de quinze anos (Sydney Penny) declara-se apaixonada pelo "padre". O clímax final - um tiroteio, claro - é também muito bom, mas a cena de Moriarty ajudando a salvar Clint me pareceu copiada do final de O ESTRANHO SEM NOME. Mas são clichês do gênero que acabam sendo difíceis de evitar. O CAVALEIRO SOLITÁRIO homenageia o clássico OS BRUTOS TAMBÉM AMAM, de George Stevens (1953).

Agradecimentos especiais à amiga Socorro Araújo, que fez a gentileza de me emprestar os dvds de O ESTRANHO SEM NOME e O CAVALEIRO SOLITÁRIO.

sexta-feira, novembro 16, 2007

THE WHIP AND THE BODY (La Frusta e il Corpo / Le Corps et le Fouet)



Meio que influenciado pelo debate que rolou no blog do Heráclito, notei que precisava começar a ver alguns filmes do Mario Bava que tinha comigo. Comecei, então, com o belo THE WHIP AND THE BODY (1963), estrelado pelo inglês Christopher Lee e pela palestina Daliah Lavi. Trata-se de uma estória de amor sinistra, que já começa a encantar a partir dos créditos, com um vermelho forte e a bela música tema de Carlo Rustichelli, o que acaba remetendo um pouco aos melodramas de Douglas Sirk. E que também me fez lembrar obras de David Lynch como VELUDO AZUL e TWIN PEAKS - OS ÚLTIMOS DIAS DE LAURA PALMER. O estranho é ver todos os envolvidos no filme com pseudônimos "americanizados". A intenção era vender a obra para o mercado internacional como se fosse um filme americano. Até o próprio Bava aparece com o pseudônimo de John M. Old. A presença de um astro internacional e conhecido mundialmente pelo papel de Drácula nas produções da Hammer ajudava a "enganar" o público preconceituoso com produções estrangeiras. Naquela época, apenas diretores mais respeitados como Fellini, Antonioni ou Visconti conseguiam abertura no mercado americano mesmo com seus filmes dublados em italiano. Por sorte, consegui, em divx, uma cópia dublada em italiano de THE WHIP AND THE BODY, com legendas em inglês.

Christopher Lee já havia trabalhado antes com Bava, no peplum HÉRCULES NO CENTRO DA TERRA (1961) no papel de um feiticeiro. Em THE WHIP AND THE BODY, ele é o filho pródigo e maligno que retorna ao castelo de sua família para buscar o que acredita ser seu de direito. Ele não é bem vindo por seus familiares, já que ele seria o responsável pela morte de uma pessoa da casa. A mãe da moça assassinada, inclusive, guardava dentro de uma redoma de vidro o punhal ainda ensangüentado, esperando o dia em que ela poderia se vingar de Kurt (esse é o nome de Lee no filme). Kurt tem uma atração pela sua cunhada, Nevenka (Daliah Lavi). E apesar de a mesma dizer que o odeia, na verdade ela também é apaixonada por ele. São sentimentos contraditórios que a perturbam. E ela é daquelas mulheres que gostam de apanhar, de sentir dor. E quando ele a chicoteia até sangrar, ela parece gozar de prazer numa cena ao mesmo tempo excitante e perturbadora num praia, que acabou gerando polêmica na época. Não era comum assistir uma cena tão explícita de sadomasoquismo.

A ambientação de THE WHIP AND THE BODY lembra muito "Il Wurdulak", o segmento mais marcante do meu filme favorito de Bava: BLACK SABBATH (1963), ainda que não consiga ser tão apavorante quanto. Talvez por dar mais ênfase à relação romântica e doentia de Kurt e Nevenka. Em certa altura do filme, Kurt é assassinado e depois reaparece para assombrar todos da casa, principalmente sua amada Nevenka. E tome mais chicotadas. O filme também é um dos mais ricos de Bava no que se refere à direção de arte, com o uso de cores estranhas ao usual. Um diretor qualquer não teria, por exemplo, usado tantos tons esverdeados e azulados em cenas dentro de um castelo. Outros momentos marcantes acontecem sempre que vemos Nevenka ao piano, como que convidando o amado morto a se fazer presente naquela casa. São detalhes como esse que não nos deixa dúvida que estamos vendo uma obra especial.

P.S.: E PRISON BREAK entrou em hiato, deixando um gancho que pode mudar todo o rumo dos acontecimentos da série. O que me faz admirar essa série é a maneira como ela se mantém viva quando todos acreditam que ela está pra morrer.

quarta-feira, novembro 14, 2007

LEÕES E CORDEIROS (Lions for Lambs)























Nessa semana consegui emendar quatro bons filmes no cinema em quatro dias seguidos. De sábado a terça. Hoje acho que vou tirar uma folguinha, por que ninguém é de ferro, certo? O filme de ontem, com a sala quase vazia, foi LEÕES E CORDEIROS (2007), reflexão sobre a atual situação dos Estados Unidos em relação ao Iraque e aos Talibãs, dirigida por Robert Redford, que também atua como um dos protagonistas. Não é de hoje que Redford é envolvido em causas políticas. Ele foi produtor de um dos filmes políticos mais importantes dos anos 70, TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE (1976), de Alan J. Pakula, sobre o escândalo watergate. Em LEÕES E CORDEIROS, o atuante ator, diretor, produtor e mentor do Festival de Sundance faz um filme bem estranho ao tipo de cinema "espetáculo" que Hollywood se acostumou a produzir nos últimos anos. Boa parte da ação, por exemplo, são conversas entre quatro paredes e com diálogos nebulosos sobre responsabilidades, ações políticas, coisas do tipo.

Num lugar, temos a jornalista vivida por Meryl Streep no gabinete de um Senador da República, interpretado por Tom Cruise, em sua habitual persona mista de arrogância com simpatia. O político anuncia uma ação estratégica e militar que estaria acontecendo naquele exato momento. Ao convidar a jornalista, ele estaria dando um generoso "furo de reportagem" para ela, embora ela suspeite que se trata, no mínimo, de mera propaganda do Governo. Em outro local, temos um professor universitário (Robert Redford) oferecendo a um de seus alunos uma chance de mudar de vida e fazer algo importante. Ambas as conversas, tanto a do gabinete do Senador, quanto a da sala do professor são nebulosas, pouco claras e por isso mesmo intrigantes. Talvez seja esse o motivo de esse filme não ter me feito dormir, coisa que eu sinceramente suspeitava que iria acontecer. Os diálogos são muito bem escritos e o responsável por isso é Matthew Michael Canahan, também roteirista de O REINO, outro filme político que deve estrear no Brasil nos próximos dias. Mas nem tudo no filme são salas com ar condicionado e cadeiras confortáveis. Vemos também os esforços de dois soldados que caem feridos em pleno território talibã e esperam resgate do exército.

Dá pra notar que o filme foge do lugar comum. Por isso, ter a chance de ver LEÕES E CORDEIROS no cinema é até um privilégio, diante de tanta produção burra passando nas telas. A impressão que se tem é que a temporada de candidatos ao Oscar já começou. Agora, como sou muito ingênuo para entender os jogos e artimanhas políticas, além de pouco informado com o que acontece na mídia - essa minha mania de só ler os cadernos de cultura dos jornais está me deixando cada vez mais alienado -, fiquei sem entender muita coisa do filme. Mesmo assim, trata-se de uma obra intrigante e elegante. E aquela cena perto do final, com a Meryl Streep passando de carro em frente ao cemitério onde foram enterrados os soldados mortos nas últimas guerras é uma bofetada nos governantes americanos.

P.S.: Vi ontem o trailer de O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA e por mais que digam que o filme é ruim e que a trilha é da Shakira (so what?), ver a Giovanna Mezzogiorno, ainda que só por alguns minutos, fez o meu coração bater mais forte.

terça-feira, novembro 13, 2007

MANDANDO BALA (Shoot'Em Up)



Uma bela surpresa este MANDANDO BALA (2007), principalmente pra quem entra no clima bem humorado e cheio de excessos do filme. A primeira cena já entrega uma homenagem a Sergio Leone, com um grande close dos olhos de Clive Owen enchendo a tela scope. Depois, close no seu rosto de Owen, comendo uma cenoura, como o Pernalonga. Lá pelo meio do filme, percebemos que essa semelhança não é gratuita, já que as cenouras continuarão a ser uma marca - e um "utensílio" - para o personagem. Além do mais, a clássica pergunta "what's up, doc?" ("o que é que há, velhinho?") também será mencionada em certa ocasião. Isso de colocar um protagonista imitando o coelho da Warner não é novidade. Já vimos isso antes em ESSA PEQUENA É UMA PARADA, de Peter Bogdanovich, mas a intenção aqui é outra, já que apesar de ser um filme digno de ser classificado como uma comédia, trata-se de um filme de ação tão ou mais eletrizante e nervoso quanto o recente ADRENALINA, só que ainda mais absurdo e com menos respeito às regras da física. Aliás, "verossimilhança" é uma palavra que deve ser riscada do dicionário no momento em que entramos na sessão de MANDANDO BALA.

Na trama, Clive Owen está sentado num banco de uma rua deserta à noite, quando vê passar uma mulher grávida chorando e apavorada. Em seu encalço, um homem armado. Owen - até então, ainda não o conhecemos como "Mr. Smith" - dá de ombros, liga o botão do "foda-se" e vai lá proteger a pobre mulher das garras daquele covarde. O que não se espera é que no momento do quebra-pau dele com o bandido, a mulher esteja prestes a dar a luz e que outros homens apareçam e ele tenha que se defender e atirar em todos, ao mesmo tempo em que ajuda a mulher a parir, com direito a corte do cordão umbilical na bala. No meio do tiroteio, a mulher morre e Mr. Smith carrega a criança em seus braços. Ele sai em busca de uma mulher que possa amamentar a criança e lembra de uma prostituta que poderia ajudá-lo nessa tarefa, uma italiana interpretada pela gostosíssima Monica Bellucci. O grande vilão do filme é Paul Giamatti, no papel de um caricato gângster que tem estranhas razões para querer a criança morta. E a brincadeira está apenas começando.

Durante as cenas de tiroteio, ouvimos muito rock pesado e barulhento. No primeiro tiroteio, ouvimos "Breed", do Nirvana, o que fez meu espírito noventista (alguém já está usando esse adjetivo?) vibrar de entusiasmo. Ouvir "Breed" no cinema não tem preço. Ainda mais assistindo as façanhas de um herói invencível com o Sr. Smith de Clive Owen. O engraçado é que o bebezinho fica tão acostumado com a barulheira, que só consegue dormir ou descansar ouvindo heavy metal ou um rock mais pesado. Em certa altura do filme, a platéia urrava de alegria, misturada com gargalhadas com os aburdos de certas cenas, como aquela em que Owen pula de pára-quedas de um avião e sai atirando em seus inimigos em pleno ar. E quando o filme termina, senti no ar uma euforia poucas vezes vista numa sessão. Parecia show de rock. Trata-se de um filme totalmente desprensioso e cuja única função é divertir. E tenho impressão que todo mundo saiu do cinema com um sorriso de satisfação no rosto.

segunda-feira, novembro 12, 2007

ANTES SÓ DO QUE MAL CASADO (The Heartbreak Kid)



Levei sorte no cinema esse final de semana. Além de me divertir a valer com PLANETA TERROR, tive o prazer de ver mais uma pérola de Peter e Bobby Farrelly, esses sim os verdadeiros mestres da comédia americana contemporânea. Não tem pra ninguém. Nem a turma de Judd Apatow nem o "Frat Pack" conseguem fazer comédias melhores que esses dois irmãos. Claro que a cada filme que passa eles vêm se mostrando mais suaves, mais românticos, o que tem sido motivo de algumas reclamações por parte de alguns críticos ou fãs mais radicais da primeira fase da dupla, mas eu não me importo. Pelo contrário, eu adoro comédias românticas e os Farrellys, ainda que continuem exercitando suas piadas "nojentas" ou de "mau gosto", já conseguiram me fazer chorar em pelo menos duas ocasiões: na cena da garotinha de pele queimada em O AMOR É CEGO (2001) e no clímax de AMOR EM JOGO (2005). O novo filme, ANTES SÓ DO QUE MAL CASADO (2007) quase me pegou de novo. É bastante envolvente, principalmente pra quem é solteiro e se identifica ao menos um pouco com o personagem.

O filme é uma refilmagem de CORAÇÕES EM ALTA (1972), de Elaine May. Como não vi o original, não sei o quanto os Farrellys modificaram, mas acredito que muita coisa foi mexida, já que o nome dos dois irmãos aparecem nos créditos de roteiro. Uma cena, por exemplo, como aquela do close da genitália da noiva do protagonista escondida por uma tarja preta não devia estar no filme original. Talvez nem mesmo as piadas relativas ao desvio de septo da moça, que tanto renderam momentos engraçados ao filme. Enfim, apesar de ser um remake, ANTES SÓ DO QUE MAL CASADO é um autêntico Farrelly movie.

O filme já me conquistou logo na seqüência inicial, com Ben Stiller passeando na rua ao lado de seu pai, Jerry Stiller. (E só agora eu soube que Jerry Stiller, mais conhecido pelo papel do pai de George Constanza em SEINFELD, é pai de Ben Stiller! Pra mim foi uma surpresa!) E não tem como não gostar desses dois atores, cada um à sua maneira. O pai chega para o filho e pergunta sobre as "novidades". Na verdade ele quer saber se o filho anda "traçando" alguém. Ele desconversa e diz que está apenas saindo com algumas moças de vez em quando. Mas na verdade, ele está mesmo é sozinho e ainda por cima vai para a cerimônia de casamento de sua ex-noiva em pleno Dia dos Namorados (Valentine's Day). E só pra passar vergonha. Mas o destino tem planos para o rapaz de quarenta anos. Sua vida muda quando ele conhece uma bonita loira (Malin Akerman) e os dois começam a namorar. Devido a uma eventualidade, ele acaba antecipando o casamento e os dois vão passar a lua-de-mel em Los Cabos, México. Mas aos poucos, ele vai percebendo que a mulher é meio louca e que acabou se precipitando com o casamento. Ela toma uma insolação violenta e, em plena lua-de-mel, ele acaba se descobrindo apaixonado por outra mulher, vivida pela encantadora Michelle Monaghan.

ANTES SÓ DO QUE MAL CASADO é muito bem equilibrado, tanto nas cenas escatológicas - se é que o termo se aplica ao filme - quanto nas cenas mais ternas e românticas. Eu diria que é um dos filmes mais redondos e bem acabados dos Farrellys, embora seja também o que mais se utiliza dos clichês mais básicos das comédias românticas para conquistar o público comum. Uma das cenas mais bonitas do filme é aquela em que Stiller e Monaghan estão sentados na praia, dividindo um baseado e conversando sobre discos voadores. Na verdade, pouco importa sobre o que eles estão conversando. Estarem juntos e sentindo-se bem um ao lado do outro é que é o importante. É esse tipo de relação que todos buscam e que não existe apenas nos filmes. Ainda bem. Os Farrellys acabam fazendo, mais uma vez, um filme sobre a força do acaso, ou do destino, como elo de união para aqueles que procuram alguém. E de bônus, garante muitas risadas, coisa rara na comédia atual americana. Salve os Farrellys!

sábado, novembro 10, 2007

PLANETA TERROR (Planet Terror)



Fico feliz em notar a evolução de Robert Rodriguez na direção com esse belo trabalho que ele fez ao lado do amigo e parceiro Quentin Tarantino. No começo, quando soube que GRINDHOUSE não passaria no Brasil como programa duplo e sem aqueles trailers falsos e divertidos no meio, como aconteceu nos Estados Unidos, fiquei desapontado, mas depois, quando soube da possibilidade de ver os dois filmes em separado, mas em versões estendidas, fiquei um pouco mais tranqüilo. E é bom notar que, apesar de ser a versão estendida, PLANETA TERROR (2007) não tem "gorduras". É um filme que passa rápido, diverte e é extremamente bem sucedido no que se propõe a ser, isto é, uma homenagem aos filmes de gênero de baixo orçamentos dos anos 70.

E por mais que Rodriguez esteja longe de ser um cineasta da excelência do seu amigo Tarantino e de ter uma filmografia bastante irregular, ele é um diretor que tem o seu talento. Assim como John Carpenter, além de escrever e dirigir, ele ainda compõe a trilha sonora do filme. Pra começar, já fiquei satisfeito ao ver que, no início do filme, passa ao menos um dos trailers falsos incluídos na versão GRINDHOUSE: o de "Machete", que tem potencial para virar filme de verdade. Aliás, vi agora no IMDB que o próprio Rodriguez está providenciando MACHETE e que a julgar pela data de lançamento do filme no site, MACHETE deve sair antes mesmo que a continuação de SIN CITY (2005). Deve ser um projeto rápido e barato, talvez com uso de câmera digital, que ele tanto gosta.

Comparado com À PROVA DE MORTE, do Tarantino, que ainda não vi, mas que faço questão de esperar pra ver no cinema em 2008, por mais ridículo que isso seja, o filme do Rodriguez já tinha a vantagem de ser mais atraente. Afinal, não é todo dia que a gente vê um filme em que a protagonista tem uma metralhadora no lugar de uma perna. O filme começa com a Rose McGowan dançando sensualmente num bar ao som de uma música contagiante numa fotografia cheia de riscos, falsamente envelhecida, causando uma agradável sensação de deslocamento temporal. Algo parecido com o que acontece em alguns filmes do Tarantino, como PULP FICTION ou JACKIE BROWN. É como se estivéssemos ao mesmo tempo nos anos 70 e no momento atual. E antes que me esqueça: não posso deixar de elogiar a beleza, a gostosura e o desempenho de Rose McGowan. Aliás, Rodriguez é talvez o diretor que mais aproveita a beleza das mulheres no cinema atual.

A trama envolve a explosão de uma arma biológica que transforma pessoas em zumbis canibais raivosos. McGowan é uma ex-go-go girl que resolve largar a vida de dançarina e encontra um ex-namorado (Freddie Rodríguez) pelo caminho. Há também o casal de médicos interpretados por Josh Brolin e Marley Shelton. Ele suspeita que a esposa o está traindo e depois acaba revelando seus instintos psicóticos. E ela acaba revelando sua preferência por mulheres. Depois da explosão dessa arma biológica, começam a aparecer no hospital pessoas com feridas e bolhas bem estranhas e gosmentas. E haja gosma e gore oitentista à medida que o filme vai se aproximando do final. Tudo muito divertido. Mas o que me empolgou mesmo foi quando o grupo de resistência liderado por Freddie Rodríguez e Rose McGowan se junta para matar os zumbis canibais. Só a cena da Rose pulando o muro com o auxílio de sua perna-metralhadora já torna o filme imperdível. De bônus, Bruce Willis aparece sem seu nome nos créditos e Naveen Andrews, o Sayid, de LOST, faz o papel de um sujeito que tem como diversão preferida arrancar os testículos de seus adversários. Rodriguez soube aproveitar a fama de torturador que Andrews ganhou na série.

Pra completar, meu top 5 do "tex-mex".

1. PLANETA TERROR
2. PROVA FINAL (1998)
3. UM DRINK NO INFERNO (1996)
4. ERA UMA VEZ NO MÉXICO (2003)
5. REVANCHE REBELDE (1994)

sexta-feira, novembro 09, 2007

PONTE PARA TERABÍTIA (Bridge to Terabithia)



Eu meio que esnobei PONTE PARA TERABÍTIA (2007) quando o filme passou nos cinemas daqui. Culpa do trailer que vendia um filme exclusivamente de fantasia e bastante juvenil, valorizando mais os efeitos especiais do que o aspecto humano. E culpa também das cópias dubladas que acabam me afastando dos filmes, como aconteceu com STARDUST recentemente. Mas depois vi que alguns blogueiros de respeito começaram a levantar a bola do filme e comecei a ficar interessado em assistí-lo. Aí um dia desses um amigo aqui do trabalho apareceu com uma cópia do filme em dvd e me emprestou. E realmente trata-se de um belo filme sobre amor, amizade, fuga e fantasia. Mas aquela fantasia que a gente inventa porque a vida nos maltrata ou porque a gente acha a realidade no mínimo tediosa. Não que eu tenha me identificado com o tipo de fantasia que a garotinha criava, já que eu nunca tive o menor interesse por trolls ou fadas ou coisas do tipo. No entanto, há uma beleza toda particular no modo como as brincadeiras daquele casal de crianças vai se tornado cada vez mais real em suas mentes.

O filme conta como um garoto (interpretado por Josh Hutcherson, o garotinho de ABC DO AMOR, dois anos mais velho) tem a sua vida mudada no momento em que conhece uma menina (Anna Sophia Robb, do recente A COLHEITA DO MAL). Como ambos eram solitários e pouco populares na escola, ela acaba fazendo amizade com o menino e inventando lugares mágicos para eles passarem suas horas vagas brincando. Eles inventam Terabítia, um lugar que fica depois de um riacho perto da casa onde eles moram e que para chegar lá é preciso atravessar com a ajuda de um cipó, pois não existe uma ponte.

PONTE PARA TERABÍTIA, baseado no livro homônimo de Katharine Paterson, é a estréia do húngaro Gabor Csupo na direção de longas-metragens e a julgar pelo seu próximo trabalho, THE SECRET OF MOONACRE, ainda em fase de filmagem, parece que ele vai se especializar em filmes ligados à fantasia. E como seu trabalho em PONTE PARA TERABÍTIA foi bem bonito e por vezes tocante, acho que ele é um cineasta que merece atenção. Os efeitos especiais foram encomendados pela WETA, a produtora de Peter Jackson.

P.S.: E a greve dos roteiristas já chegou nas nossas séries preferidas. THE OFFICE, por exemplo, só vai ter mais uns três episódios e depois só Deus sabe quando voltará. Felizmente, DEXTER está com a segunda temporada toda prontinha e garantida. Já não sei como ficará PRISON BREAK. E LOST e 24 HORAS já estão com a data de estréia das próximas temporadas do inicio de 2008 adiadas pra não se sabe quando.

quarta-feira, novembro 07, 2007

MY SASSY GIRL (Yeopgijeogin Geunyeo)



Há quem pense que a indústria cinematográfica da Coréia do Sul é boa apenas em filmes de ação (filmes de vingança, de guerra, de monstros), mas vendo MY SASSY GIRL (2001), do cineasta Kwae Jae-yong, vi que eles estão bem mais evoluídos do que a gente imagina, inclusive, dentro também do gênero "comédia romântica". O grau de encantamento que MY SASSY GIRL proporciona é impressionante. Só sinto falta dos beijos e dos abraços. Para nós, ocidentais, namoro sem beijo não é namoro. Mas o povo oriental parece que é asssim mesmo, arredio no que se refere a demonstrações de afeto, especialmente em público.

Na estória de MY SASSY GIRL, Gyeon-woo, um garoto meio bobalhão, conhece uma garota numa estação de metrô. Acontece que a menina está tão bêbada que mal consegue se sustentar em pé na linha amarela de segurança do metrô e ele salva a vida dela segundos antes da chegada do trem. Durante o trajeto, a menina bêbada, briga com um rapaz que não oferece o assento para um senhor de idade e depois acaba vomitando na cabeça de um senhor que estava sentado. Como o homem "vomitado" acha que Gyeon-woo está com ela, o garoto acaba tendo que limpar toda a sujeira e, sem ter como saber onde a menina mora, leva-a para um motel, o que acaba gerando uma série de confusões para o pobre rapaz. Mas a menina é uma graça e quando está sóbria é apaixonante. E os dois acabam criando um vínculo especial, algo entre o namoro e a amizade.

O filme é dividido em dois atos. O primeiro é mais centrado na comédia e lembra bastante os animes japoneses. A menina, por exemplo, tem o hábito de bater no garoto, muitas vezes sem razão nenhuma e chega a fazer com que ele troque de calçados com ele - sendo que o calçado que ela estava usando era um sapato de salto alto. Mas com o tempo ele começa a gostar até de quando ela bate nele, que seria uma espécie de demonstração estranha de afeto. Mas o bonito mesmo acontece no segundo ato, quando o filme vai ganhando mais seriedade e mais emoção. A "cápsula do tempo", inventada pela garota - o filme nunca menciona o nome dela -, me fez lembrar ANTES DO AMANHECER, de Richard Linklater, no sentido de mostrar a fé no amor resistindo depois de um longo tempo de ausência. Uma das cenas mais bonitas é uma lá do final, quando a garota encontra um velho sentado debaixo da árvore, a escolhida para ser a árvore deles, localizada no topo de um monte. De arrepiar esse momento.

E como o pessoal de Hollywood não é bobo, já existe um remake na agulha, estrelado pela Elisha Cuthbert, a exemplo do que aconteceu com A CASA DO LAGO, que também é a adaptação de um filme coreano e que curiosamente também conta com a mesma bela e adorável atriz de MY SASSY GIRL, Jun Ji-hyun - ou Gianna Jun, como aparece no IMDB e deve ser o seu nome artístico internacional. Ela também está no filme seguinte do diretor de SASSY GIRL: WINDSTRUCK (2004).

Agradecimentos especiais ao amigo Renato, que me enviou a cópia em divx. Se ele não tivesse elogiado tanto o filme eu provavelmente não teria assistido tão cedo. Curiosamente, MY SASSY GIRL é o filme de destaque no blog dele também. :-)

terça-feira, novembro 06, 2007

PIAF - UM HINO AO AMOR (La Môme / Edith Piaf / The Passionate Life of Edith Piaf )



Uma vez disseram aqui no blog: - acho que foi o Bruno Amato - "o Ailton gosta de tudo". Bom, se vocês verem os últimos posts, excetuando COISAS SECRETAS, até que eu ando bem "ranzinza" com quase tudo que tenho visto. Mas acho que não se trata de ser ranzinza. São os filmes recentes que vi que não são lá muito bons mesmo. Não recebi com bons olhos nem mesmo os últimos vistos de Hitchcock e Ford. Querem ver textos sobre filmes ótimos, visitem o blog do David, que anda vendo cada filmão na Mostra. Querem ver textos sobre filmes ruins, sintam-se em casa, pois hoje eu estou aqui pra falar de mais uma experiência desagradável: a cinebiografia PIAF - UM HINO AO AMOR (2007), de Olivier Dahan, diretor de RIOS VERMELHOS 2 - ANJOS DO APOCALIPSE (2004) e do clipe de "Salvation", dos Cranberries.

Vendo o filme e não sentindo absolutamente nada além de tédio, sono, impaciência ou vontade de ir embora - ainda por cima que são 140 minutos de duração -, me peguei pensando: acho que os franceses são bons mesmo é em filmes modernos, filmes de vanguarda. Dificilmente eles acertam quando fazem filmes clássico-narrativos à moda hollywoodiana. Tudo bem que o filme não é inteiramente francês - é uma co-produção com a Inglaterra e a República Tcheca - mas como o elenco principal e o diretor são franceses eles são os responsáveis por esse xaropada, por desperdiçar a chance de se fazer um bom filme para contar a vida trágica e passional de Edith Piaf, a cantora mais conhecida da França, cujos hits "La vie en rose" (1945) e "Non, je ne regrette rien" (1956) são tão conhecidos no mundo quanto as canções dos Beatles ou como "Garota de Ipanema", de Tom e Vinicius.

Inclusive, eu comecei a ficar interessado na vida de Piaf assistindo ao filme inglês MEU AMOR DE VERÃO, onde a personagem de Emily Blunt chega a dizer que Piaf chegou a matar um de seus amantes, mas que não foi presa, pois na França crime passional é tratado de maneira diferente. Mas pelo visto ela estava inventando estórias. Pelo que eu vi no filme, não teve nada disso. Na verdade, se ela matou o amor de sua vida foi de forma indireta, já que ele morreu num acidente de avião quando vinha se encontrar com ela.

O filme é narrado com idas e vindas no tempo. Começa com Piaf já velha (Marion Cotillard) caindo no palco durante uma apresentação. E com esse vai-e-vem temporal, vemos momentos da sua infância, quando foi abandonada pela mãe e foi criada num prostíbulo, passando pelo início da carreira, cantando pelas ruas por alguns trocados, até a fama internacional em grandes casas de espetáculos. Emmanuelle Seigner aparece como uma das prostitutas que cuidaram de Edith. Ela aparece distante da beleza e da voluptuosidade dos bons tempos de LUA DE FEL. E o grande Gérard Depardieu, em sua generosidade, faz uma participação pequena, como que para dar apoio ao filme.

P.S.: Legal foi na fila pra comprar o ingresso para o filme. Um velhinho pediu ingresso para a pré-estréia de VIRA-LATA, aquele filme do cachorro que imita o Super-Homem. Ele perguntava para a moça da bilheteria: "esse filme é bom mesmo? o cachorro vira a lata mesmo?". E ela dizia algo como: "não sei lhe informar, senhor". Ele devia estar tirando onda com a moça e saiu rindo. E deve ter se divertido bem mais do que eu.

segunda-feira, novembro 05, 2007

1408



Fiquei desapontado com 1408 (2007), adaptação de um conto de Stephen King dirigida pelo sueco Mikael Håfström. Diferente de grande parte da crítica e do público, eu fui um dos que gostaram do menosprezado thriller anterior do diretor, FORA DE RUMO (2005), que prendia muito mais a atenção e mexia muito mais com nossos nervos do que esse terror psicológico que depende demais do carisma de John Cusack para conseguir se manter. Isso porque a maior parte do filme se passa dentro do assombrado apartamento 1408 do Hotel Dolphin, em Nova York. (Alguém sabe se existe mesmo esse hotel?)

1408 começa bem. O personagem de Cusack é um escritor que ganha a vida compondo livros do tipo "Os dez cemitérios mais assustadores do país" ou algo do tipo. Atualmente ele prepara um livro chamado "Dez Noites em Quartos de Hotel Mal-Assombrados" e o filme começa em clima hitchcockiano, emulando PSICOSE. A chuva, o quarto de hotel, a expectativa quanto ao que poderá acontecer naquele quarto contribuem para criar um clima ao mesmo tempo amedrontador e agradável. Mas apesar de todo esse clima - já falei que adoro chuva em filmes? - não vai ser esse o apartamento que abalará o ceticismo do escritor.

Sim, ele é cético e simplesmente inventa as assombrações de seus livros, já que ele mesmo nunca viu fantasma nenhum em toda sua vida. Até o dia em que ele recebe em sua caixa postal um cartão com os dizeres "não visite o quarto 1408 do Hotel Dolphin". Mas a palavra "não" não tem o poder de nos impedir de fazer certas coisas, muito pelo contrário, como podemos ver no documentário O SEGREDO. Além do mais, como minha parceira de sessão muito bem lembrou: as crianças também não absorvem o "não". Assim, o personagem de Cusack ficou obviamente instigado a visitar o tal quarto.

O filme ainda conta com Samuel L. Jackson como o gerente do hotel, que tenta a todo custo evitar que o seu teimoso hóspede entre naquele quarto amaldiçoado que já deixou um bom saldo de mortes e outros tantos de traumas naqueles que por lá passaram. Como se percebe, o começo do filme é promissor. Mas talvez o problema de 1408 esteja no fato de que ele estende muito o material original, uma short story, além de frustrar as expectativas do espectador no quesito "sustos". Não tomei um susto sequer o filme inteiro, apesar das tentativas do filme de assustar através do som. Nem mesmo as referências claras a O ILUMINADO valorizam o trabalho de Håfström. Aliás, referência a bons filmes não é sinal de qualidade quando o trabalho em si não é digno o suficiente. Ainda assim, além do início promissor, 1408 tem os seus momentos. Sem falar que ele consegue driblar o final falso que faria qualquer espectador odiar o filme com todas as suas forças.

P.S.: Ontem, depois de um bom tempo longe dos shows - aquele de blues com o guitarrista do Sepultura não conta - , fui a um show de um artista que nem curto: o Frejat. Fui mais pela vontade de ver os amigos e de sair de casa. Aceitei o convite do amigo Clauber, que iria com suas primas e outras meninas, todas solteiras. :-) Só que eu era o único sem ingresso, que pelo preço baixo era muito provável de que já tivesse se esgotado. Mas não tinha importância. Sair de casa e voltar pra casa sem ver o show era algo que eu estava disposto a aceitar na boa. Chegando lá, como esperado, os ingressos estavam esgotados. Aí eu encontrei uma amiga minha, a Jamie, que estava com o seu marido, dispostos a vender os dois ingressos que haviam comprado. Mas eu não queria dois ingressos, apenas um. E eles não me venderiam só um, já que é mais fácil vender dois e as pessoas costumam ir a shows juntos. Senti-me como o personagem do Steve Martin em O RAPAZ SOLITÁRIO. Lembram desse filme? Pois bem. Sorte que uma outra senhora estava vendendo também e eu comprei dela, mesmo tendo que pagar preço de inteira. Pra mim, o show foi frio e sem graça com alguns poucos momentos razoáveis, como quando ele fez cover de "Ainda é cedo" ou quando cantava uns clássicos do Barão. Mas ter que ouvir "Carinhoso" na voz do Frejat foi quase uma tortura. Mas foi uma noite boa e agradável ao lado do Clauber, da Kelvilene (ainda encaramos um sanduba no final) e das outra meninas que acabei não conhecendo direito. Encontrei também a Valéria, a Elis e a Juliana. Mas o importante pra mim é estar me sentindo confortavelmente bem nesses ambientes cheios de gente, coisa que não acontecia comigo há tempos.

domingo, novembro 04, 2007

CREPÚSCULO DE UMA RAÇA (Cheyenne Autumn)



E com o cansativo épico de três horas de duração CREPÚSCULO DE UMA RAÇA (1964), eu finalizo por aqui a minha peregrinação pela obra de John Ford. Ainda tornarei a falar dele em breve assim que assistir o documentário de Peter Bogdanovich, mas devo passar um tempão sem ver outro filme do diretor. Faltaram alguns filmes importantes a serem vistos como O JUIZ PRIEST (1934), O DELATOR (1935) e CARAVANA DE BRAVOS (1950), mas acredito que pela quantidade de filmes que vi (33, no total), tornou-se possível entender um pouco do homem e do cineasta John Ford. Pena que, diferente de seu amigo Howard Hawks, Ford não tenha encerrado sua carreira com obras-primas.

CREPÚSCULO DE UMA RAÇA foi seu último western e uma espécie de pedido de perdão aos índios, que sempre foram mostrados em seus filmes como os vilões, os inimigos perversos dos brancos. Depois desse filme, Ford ainda faria O REBELDE SONHADOR (1965) e SETE MULHERES (1966), que eu infelizmente não consegui cópias e que devo ver, quem sabe, em outra oportunidade. O tom épico de CREPÚSCULO DE UMA RAÇA já se percebe de início, já que antes do filme temos um overture, como era comum nos épicos produzidos nos anos 60 e que meio que envelheceram. O overture é uma forma de preparar os espectadores para o clima do filme, ouvindo-se durante alguns minutos apenas música. Como o filme é longo, há também uma pausa lá pelo meio, chamada de intermission e um retorno, também com música por alguns minutos, enquanto o público volta aos seus lugares, chamada de entr'act. O filme foi fotografado em technicholor e em scope 70 mm. Todo esse luxo, além da presença de coadjuvantes do porte de James Stewart e Edward G. Robinson, dá uma dimensão da grandiosidade e da pretenção do projeto.

O protagonista é Richard Widmark, que se comporta e fala no filme como se estivesse imitando John Wayne. Ele é o Capitão Thomas Archer, encarregado de tomar de conta de uma reserva indígena de uma tribo Cheyenne. Como naquela época, boa parte dos índios haviam sido mortos pelos brancos, esses cheyennes viviam sob os cuidados desses militares, além de receberem aulas de inglês e matemática de uma professora quaker, interpretada pela bela loira Carroll Baker, sex symbol nos anos 60 que chegou a trabalhar em alguns gialli na Itália também. Mas voltando aos índios, o problema é que eles estavam passando fome e completamente insatisfeitos com o tratamento dado pelos militares. Por isso, eles resolvem sair de lá. E é aí que começam os problemas, já que o Capitão Archer tem ordens de mantê-los lá e vai ao encalço dos danados. Pra completar, como os índios ainda eram vistos como inimigos em grande parte do território americano, mesmo mendigando pão, eles acabam recebendo bala de alguns caubóis.

Suspeito que se o filme legendasse as falas da língua indígena, teríamos uma melhor visão do pensamento deles. Por isso, apesar da tentativa de equilibrar os pontos de vista dos brancos e dos índios, a narração em tom solene de Widmark não nega que o ponto de vista é mesmo dos brancos. Vai ver a idéia foi mesmo essa, pois logo no começo do filme Widmark diz que o objetivo do filme é mostrar um acontecimento que aparecia apenas como nota de rodapé nos livros de História. De todo modo, apesar de um atraso de 14 anos em relação a FLECHAS ARDENTES, de Delmer Daves, o filme de Ford, ainda que com certo esforço, homenageia a bravura de uma raça. No mais, o filme é bem irregular e o personagem de James Stewart, no papel de Wyatt Earp, parece não ter função na trama, apesar de roubar a cena quando aparece, dando um sopro de alegria ao filme, que no geral é bem triste. Mas o que se podia esperar de um filme crepuscular de um diretor como John Ford?

sábado, novembro 03, 2007

O ESTRANHO DE CINCINNATI (John from Cincinnati)



Série de tv é uma coisa que a gente só acompanha quando gosta. É diferente de um filme que, quando é ruim, agüenta-se até o final pois só tem cerca de duas horas de duração. Série, não. Quando a série é ruim, ou melhor, quando a gente não está mais curtindo a série, o melhor a fazer é parar de acompanhá-la. Como eu fiz com essa segunda temporada de HEROES, por exemplo. Dois episódios foram suficientes pra eu ver que não dava mais. O ESTRANHO DE CINCINNATI (2007) é um belo exemplo de série chata. Mas como ela começou a ficar muito chata lá pela metade e eu sabia que ela iria durar apenas dez episódios, resisti bravamente e fui até o final, devagarinho, até porque estava curioso para saber como aquela confusão toda ia acabar.

Confusão, eu digo no pior sentido, já que a série não faz o menor sentido. Deve fazer sentido para o criador da série, David Milch, também criador de DEADWOOD (2004-2006), série que eu, "coincidentemente", desisti de ver depois de alguns poucos episódios. Achava-a chata e monótona, apesar de ter personagens lendários da história americana e de mostrar o velho oeste de uma maneira original. Mas de que adianta ser original se a estória se arrasta como uma lesma e as coisas parece que não chegam a lugar nenhum? No caso de O ESTRANHO DE CINCINNATI, então, Milch quis dar uma de David Lynch e se ferrou legal. Só existe um David Lynch. E lá pelo final, Milch e sua turma parece que resolveram chutar o pau da barraca de vez. Se no começo, ao menos os diálogos familiares tinham algum sentido, lá pelo final, nada mais fazia sentido. Talvez eles tenham feito isso depois que souberam que a série seria cancelada e quiseram se vingar dos executivos da HBO, fazendo episódios que todos iriam odiar.

No começo, até que a série era intrigante. Tinha esse John (Austin Nichols), um rapaz que apareceu do nada e ficava dizendo que o fim estava próximo e coisas como "some things I know, some things I don't". Inclusive, eu até gostei dessa frase, deu até pra adotar em algumas ocasiões. Esse tal John repetia frases que os outros diziam feito um papagaio. Butchie Yost (Brian Van Holt), um junkie cuja carreira de surfista profissional havia ido para o brejo, logo o adotou como amigo da família e passeava pelos cantos com ele. A influência de John nas pessoas que o rodeavam começava a ser sentida. Butchie perdeu o vício na heroína, seu pai (Bruce Greewood) passou a levitar (!) e o filho de Butchie, Shaun, adquire a estranha capacidade de ressucitar passarinhos (!). A matriarca da família e primeiro nome nos créditos é Rebecca De Mornay. Quem diria que ela já estaria fazendo papel de avó. Mas uma avó jovem, encrenqueira e briguenta, é bom esclarecer. Tem mais uma série de outros personagens, mas a maioria deles são muito chatos, como aqueles dois carecas que moram juntos, ou aquele milionário gay, ou o advogado, ou o latino (Luiz Guzman). Até o personagem de Luke Perry é chato pra cacete. Uma das poucas personagens que eu gostei foi a videomaker Cass, interpretada por Emily Rose. Ela aparece sempre com aquele olhar de inocência ou de tristeza que me faz lembrar a Carolina Dieckmann. A personagem da mãe de Shaun também é interessante, talvez por ser uma atriz pornô.

A grande quantidade de personagens sem função e que vão aumentando com os episódios dá a impressão de que a intenção inicial de David Milch era de criar uma série que durasse mais temporadas. Não faz sentido criar um monte de personagens - a maioria deles, muito chatos - numa trama nonsense para durar apenas dez episódios de uma hora de duração. Um detalhe interessante é que dificilmente eu conseguia ver um episódio inteiro sem dar uma cochilada. Mas bastava eu trocar de programa, colocando um episódio do HOUSE ou de BIG LOVE no lugar que logo eu acordava. Tudo leva a crer que Milch queria fazer uma espécie de TWIN PEAKS na praia, no sentido de que havia um mistério e haviam muitos personagens e muitas coisas pareciam não ter sentido algum. Mas é isso aí, importante é que eu consegui chegar ao final dessa série chata e modorrenta. Eu merecia uma medalha.

P.S.: Tem link novo na lateral esquerda: o Sweet Shirts, da Socorro Araújo, fotolog com várias estampas para camisetas. Eu já providenciei duas pra mim. :)

sexta-feira, novembro 02, 2007

COISAS SECRETAS (Choses Secrètes)



Tem coisa mais excitante do que ver duas mulheres se beijando, se acariciando? E tem coisa mais bonita do que ver uma mulher tendo um orgasmo, mesmo que ela esteja fingindo? Pode até ter mas ao se pensar nessas duas coisas fica difícil - para os homens - imaginar algo mais belo. Digo, do ponto de vista mundano, carnal. E nesse sentido, COISAS SECRETAS (2002) é um dos filmes mais "elevadores" que eu já assisti - se é que vocês me entendem. Mais até do que os filmes de Tinto Brass, já que Brass é meio "bagaceira" e Jean-Claude Brisseau é um cineasta sofisticado, com movimentos de câmera elegantes, travellings deslumbrantes e as atrizes são apaixonantes. O filme ganhou fama por causa de um processo judicial sofrido por Brisseau. Ele havia contratado outras duas atrizes, que começaram a se sentir usadas, como se estivessem participando de um filme pornô degradante. As atrizes, ele despediu. E talvez tenha sido melhor assim, já que as duas que ele conseguiu para o filme são maravilhosas.

Coralie Revel, a morena, é Nathalie. O filme começa com ela dançando nua de maneira muito sensual. Vez ou outra ela toca sua genitália como se estivesse se masturbando. Com a câmera se posicionando para a direita, notamos que ela está num bar e aquilo ali é um espetáculo. Sabrina Seyvecou é Sandrine, a loira, que trabalha como barwoman e admira Nathalie, tanto pelo seu belo corpo, quanto pela sua coragem em se expor de maneira tão explícita para uma multidão de homens tarados e famintos por sexo. Depois de uma confusão no bar, as duas são expulsas do lugar e Sandrine passa a conhecer melhor Nathalie. Durante uma conversa na casa de Nathalie, ela lhe conta que algumas vezes chegou a gozar durante as apresentações, de tão excitada que ficava com o fato de estar sendo observada. E a partir daquela noite, Nathalie se torna uma espécie de professora para Sandrine. A primeira lição é masturbar-se em frente a ela. A cena é de alta voltagem. Mas isso é só o começo. Uma das minhas cenas preferidas que viria logo a seguir é a cena do metrô.

O filme muda de rumo quando as duas, sabendo de seu potencial de encantar - leia-se "enlouquecer" - os homens, passam a trabalhar numa empresa com o objetivo de seduzir os donos. A partir daí, tanto o filme quanto o destino dessas duas mulheres muda de forma radical, com direito lá pelo final a uma cena de orgia equivalente àquela mostrada por Stanley Kubrick em DE OLHOS BEM FECHADOS. Mas é sempre bom avisar que não se trata de um filme apenas sobre sexo, mas sobre dominador e dominado, sobre sujeito e objeto.

COISAS SECRETAS foi eleito pela revista Cahiers du Cinéma como o melhor de 2002. Foi meu primeiro filme de Brisseau, cineasta que já havia mostrado seu talento em obras como BODA BRANCA (1989) e ANJO NEGRO (1994). Não sei se esses filmes também trazem essa forte carga erótica ou sequer se chegaram a ser lançados no circuito comercial, mas tenho certeza de que se trata de cinema de primeira grandeza. Baixei COISAS SECRETAS para ir me preparando para o filme seguinte do diretor, OS ANJOS EXTERMINADORES (2006), e fiquei encantado. Infelizmente, por causa do processo judicial citado no primeiro parágrafo e que se arrastou até 2005, o diretor demorou esse tempo todo entre um filme e outro. Agora é esperar que OS ANJOS EXTERMINADORES ao menos passe num dos cinemas da cidade. Pode ser que aos poucos, vendo outros filmes do diretor, eu comece a identificar traços entre um filme e outro e assim passe a conhecer melhor o cinema de Brisseau.

P.S.: Cadê PLANETA TERROR, do Rodriguez, que estava prometido para estrear hoje? O que houve?

quarta-feira, outubro 31, 2007

O HOMEM QUE SABIA DEMAIS (The Man who Knew Too Much)



Tudo indica que está na hora de eu voltar a ver Hitchcock. Tudo começou quinta-feira passada quando a Bia (Beatriz Saldanha) ligou pra mim me convidando pra participar com ela de um debate num programa na TV União. Pra quem não é do estado, a TV União é uma emissora local que começou exibindo apenas videoclipes, tem uma proposta de falar ao público jovem e agora está ampliando mais os seus horizontes. E como a MTV praticamente parou de passar clipes, a grande pedida pra quem quer ver os clipes por aqui é a TV União. Pois bem. O tal convite seria para um debate sobre Alfred Hitchcock, num programa para homenageá-lo. No começo eu disse 'não', achei que não teria condições emocionais de falar em frente às câmeras, mas pensei melhor e aceitei participar. Dei uma geral nos textos que havia escrito para o blog sobre os filmes do Hitch para ir lembrando de alguma coisa e mandei ver. E graças a Deus tudo correu bem.

Mediado pelo Rodrigo Vargas, sujeito muito gente-fina, participou também do bate-papo, além da Bia e eu, a Socorro Araújo, uma cinéfila apaixonada pelo Hitchcock. Ela ficou conhecida por gerenciar durante um bom tempo os cinemas do Shopping Benfica. O programa teve uma hora de duração, contando os intervalos, e eles passaram trechos de um documentário sobre o diretor e uma cena de OS PÁSSAROS (1963). Pena que menos de uma hora é pouco pra se conversar sobre o maior de todos os cineastas. Quando terminou, pareceu final de entrevista boa do programa do Jô Soares, com todo mundo dizendo "aaahh". Bom, nós que estávamos lá gostamos, não sei é se os espectadores gostaram e se por acaso alguém que não conhece o trabalho do diretor passou a ficar interessado a partir do programa. Nunca se sabe. De todo modo, já registro aqui o meu agradecimento à Bia pelo convite.

Nesse final de semana, aproveitando que ia passar mesmo um bom tempo pensando em Hitchcock, aproveitei pra ver em dvd a primeira versão de O HOMEM QUE SABIA DEMAIS (1934), que comprei por menos de dez pilas num balaio nas Americanas dias atrás. Tinha tido a chance de ver em vhs, mas como não era nem muito fã da versão americana (1956), que diziam ser melhor, resolvi "pular". E só agora vi essa primeira versão, que apesar de não ter a mesma sofisticação, a mesma segurança de um filme dirigido por um cineasta amadurecido, é mais compacta, mais ágil. A cena da tentativa de assassinato que se passa num concerto de música erudita também aparece na versão inglesa, mas o clímax de verdade acontece no final, com um tiroteio entre polícia e bandidos. Ficou parecendo mais um filme policial ou um western moderno. O grande destaque do filme acaba sendo a performance como vilão de Peter Lorre, ator que já havia dado um show pouco tempo atrás na obra-prima M., O VAMPIRO DE DÜSSELDORF, de Fritz Lang.

Interessante que na entrevista que Hitchcock deu para Peter Bogdanovich, quando perguntado sobre o significado da cena do suéter que se desfia, ele respondeu que pretendia mostrar o fio da vida que se rompe. Poético, hein. Outra curiosidade diz respeito ao fato de o filme mostrar policiais armados, já que na Inglaterra, a polícia não usa (ou não usava, pelo menos) armas de fogo. No final, o censor acabou cedendo e aceitando a cena, já que Hitchcock fez uma pequena concessão: os policiais poderiam usar os fuzis, contanto que fossem armas velhas, conseguidas numa loja de antigüidades. No livro de entrevistas de Truffaut, a conversa sobre o filme se estende muito mais e termina com a conhecida frase de Hitchcock, comparando as duas versões: "Digamos que a primeira versão foi feita por um amador de talento, ao passo que a segunda foi feita por um profissional."

terça-feira, outubro 30, 2007

JOGOS MORTAIS 4 (Saw IV)



Juro que é a última vez que vou ao cinema pra ver algo dessa franquia nojenta. A não ser que algum diretor de renome e que eu respeite muito se aventure num filme dessa série. Eu saí do cinema com a mesma convicção que eu saí depois de ver o segundo filme do Shrek e o segundo dos Piratas do Caribe. JOGOS MORTAIS 4 (2007) , de Darren Lynn Bousman, não é apenas um dos piores filmes do ano, mas uma falta de respeito até com os fãs da série, fãs que se confudem às vezes com sádicos. Se bem que chamar de sádico o fã da série - ou de filmes como O ALBERGUE - é até um pouco hipócrita da nossa parte. Há na própria natureza humana esse prazer - ainda que inconsciente - em ver o sofrimento e a tortura humana. E como não vivemos mais nos tempos em que as pessoas tinham suas cabeças decepadas pela guilhotina, ou enforcadas em praça pública ou deixadas morrendo numa cruz, como na época do Império Romano, nos resta o cinema para saciar a sede de sangue. E eu diria que é uma maneira bem mais saudável, já que a gente sabe desde o começo que aquilo ali é "de mentirinha", são efeitos especiais.

E falando em efeitos especiais, se há uma coisa que se pode dizer que foi caprichada nesse quarto filme da série foi a cena da autópsia de Jigsaw. Mas o filme é tão incapaz de provocar asco ou nojo ou medo que essa cena acaba gerando apenas indiferença. Como se todos na platéia fossem velhos e entediados cirurgiões. Entram, a seguir, os velhos e cansativos jogos de Jigsaw e sua amante, Amanda, que morreram na terceira parte da série, mas deixaram antes de morrer alguns joguinhos espalhados por aí, em várias fitinhas de áudio endereçadas a certas pessoas. Entre elas, um obstinado agente da SWAT. Aliás, que personagem mais ridículo o desse policial (Lyric Bent). E eu nem me lembrava mais dele nos episódios 2 e 3 da série, nem dos outros que também haviam aparecido nos anteriores de tão "marcantes" que foram. Apenas Jigsaw (Tobin Bell) é um vilão difícil de esquecer. E, apesar de estar morto, esse é o filme em que ele mais aparece, em flashbacks contados por sua ex-esposa. Mas quem se importa com o passado do Jigsaw? Talvez isso tenha sido usado mais para evitar a repetição e esconder a falta de criatividade de se criar mais jogos sádicos para preencher a já curta duração do filme e garantir uns bons trocados para os produtores.

Claro que pra quem é fã da série o filme ainda pode agradar, já que mantém de certa maneira o espírito dos anteriores, dá mais informações sobre o vilão metido a moralista, e oferece mais do mesmo, isto é, cenas sangrentas, ainda que sem o mesmo impacto de antes. Eu, pelo menos, não destacaria nenhuma cena em especial como memorável. E o filme perde ainda mais se compararmos com o ótimo e tenso primeiro filme, o único dirigido pelo malásio James Wan, que fez a coisa certa em abandonar a direção da série para se dedicar a outros trabalhos, entre eles SENTENÇA DE MORTE, thriller estrelado por Kevin Bacon e que deve pintar no circuito comercial nos próximos dias.

segunda-feira, outubro 29, 2007

O AVENTUREIRO DO PACÍFICO (Donovan's Reef)



Essa minha peregrinação por John Ford acabou caminhando a passos de tartaruga. Nem parece aquela do Hitchcock. Mas acho que o que aconteceu foi que com o Hitch, eu pulei vários filmes e na época não tinha como baixar tão facilmente filmes pela internet. Já com Ford, eu consegui muito material pela internet. O AVENTUREIRO DO PACÍFICO (1963), porém, não é fruto da internet. Assisti-o de uma antiga gravação que tinha feito da Band, do tempo em que a emissora passava clássicos legendados todos os domingos. Toda semana eu já ficava ligado pra saber qual filme iria passar. Não sei se a Band ainda continua fazendo isso. Acho que não.

Quanto ao filme, acho que para tirar um pouco do peso solene de O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA (1962), Ford optou por fazer um daqueles dramas/comédias leves estilo VENDAVAL DE PAIXÕES (1952). Pra ficar ainda mais parecido, só se o diretor escalasse de novo a Maureen O'Hara como o interesse amoroso de John Wayne. Na verdade, pra quem se habituou aos filmes do diretor, O AVENTUREIRO DO PACÍFICO é uma colagem de vários outros trabalhos dele. De O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA, Ford trouxe de volta Lee Marvin, como um sujeito briguento, mas nem tanto; de O FURACÃO (1937), Ford trouxe a ambientação, numa ilha do pacífico, com direito àquelas moças dançando e àqueles colares que eles entregam aos visitantes.

Como o filme se passa num tempo contemporâneo, a ilha é então um lugar de paz, mas cujos habitantes, pelo menos alguns deles, foram combatentes na Segunda Guerra Mundial. Nessa ilha, além dos nativos de pele mais escura, habitam também americanos (os donos da ilha), franceses e japoneses. Se há um conflito no filme, esse é de natureza familiar. Na trama, Elizabeth Allen é Amelia, uma moça rica que chega de Boston, influenciada pelos seus consultores da empresa a ir até a ilha e pegar o que seria seu de direito: sua parte nos negócios da família. Seu pai, ela sequer o conheceu. Depois da guerra, ele preferiu continuar longe do resto da civilização naquele lugar paradisíaco e acabou não conhecendo a filha. E nem a filha sabe que tem outros irmãos que o pai arranjou pela ilha. Chegando lá, Amelia aos poucos acaba se afeiçoando ao jeitão meio grosseiro de Donovan (John Wayne) e aos próprios habitantes da ilha.

O filme em si é bastante irregular, arrastado e custou a me agradar, mas tem um momento em especial bem poderoso: a cena da festa de natal, tanto por eu me emocionar sempre que ouço "Noite Feliz"("Silent Night"), como pelo estrago que uma tempestade repentina faz à festa, lembrando os bons tempos de O FURACÃO. Mas, no geral, posso dizer que o filme não me agradou e que o considero um dos mais fracos da filmografia do Ford. Pelo menos ele deve ter se divertido com a cena das brigas gratuitas e desopilantes no bar do Donovan. Ah, e vale lembrar de Cesar Romero, que aparece no papel do ambicioso Marquês Andre de Lage. Romero se tornaria famoso como o Coringa da série camp do Batman nos anos 60.

sexta-feira, outubro 26, 2007

VERMELHO COMO O CÉU (Rosso come il Cielo)



Quando eu era criança, um dos meus maiores medos era acordar de madrugada no escuro, me levantar para ir até o banheiro, ligar o interruptor e as luzes não acenderem. Uma cena semelhante acontece em VERMELHO COMO O CÉU (2006), quando o garotinho, já com cerca de 95% da sua visão totalmente perdida, acende o interruptor e suspeita, na sua ingenuidade, que as luzes deviam estar com problema. Sempre achei o ato de poder enxergar uma das maiores dádivas que nós temos. E sempre fico bastante comovido quando assisto filmes que lidam com o tema. Agora, por exemplo, lembro-me de RAY, de Taylor Hackford, e de SUBLIME OBSESSÃO, uma das obras-primas do mestre Douglas Sirk.

Ficar cego é um pesadelo para os capazes de enxergar, mas como diz em "Vida Diet", a canção do Pato Fu: "a tudo a gente se habitua." E um dos méritos desse filme de Cristiano Bortone é o de conseguir mostrar um aspecto mais ou menos positivo de se perder a visão, que é o de aguçar os demais sentidos, que acabam ficando em segundo plano por causa da visão. Claro que isso não é lá uma troca muito justa e nem o fã mais ardoroso do Demolidor vai querer passar por esse tipo de experiência.

Curiosamente, o filme não me emocionou tanto quanto eu imaginava e não chega a ser um grande filme, mas claro que há momentos realmente muito bonitos. De chorar mesmo, pra mim, só a cena em que o garotinho abraça a mãe, que ele não "via" já há alguns dias (ou meses), e fala pra ela que da próxima vez que ele voltar pra casa, nas férias, não vai querer ver os seus amiguinhos, vai preferir ficar o tempo todo perto dela. Impressionante como esse tipo de cena que lida com o lado maternal mexe comigo. E acontece em praticamente qualquer filme - lembro que em CARANDIRU eu chorava mais por causa das mães dos presos do que propriamente por causa deles. Provavalmente isso vem do meu lado canceriano, signo bem ligado à maternidade.

Pra quem não sabe, VERMELHO COMO O CÉU conta a estória de um garotinho de 10 anos que sofre um acidente e perde a visão. O mais triste de tudo é que já naquela idade ele era fã de cinema. Devido à sua deficiência visual, ele não é aceito na escola e é enviado para um escola para cegos, localizada longe de sua cidade e de sua família. Lá, ele aprende a lidar - com muito sacrifício, claro - com a sua deficiência, a mostrar sua criatividade e sensibilidade artística, conseguindo contar estórias com o uso da edição de som e de um velho gravador. De quebra, ele ainda conquista o coração de uma jovem menina. O filme é inspirado na história verdadeira de Mirco Mencacci, um dos mais renomados editores de som da Itália. Só não lembro - nem encontrei informações na internet - com quais cineastas ele já trabalhou.

quarta-feira, outubro 24, 2007

UM LONGO CAMINHO (Qian Li Zou Dan Qi / Riding Alone for Thousands of Miles / Tanki, Senri o Hashiru)



Enquanto os paulistas se divertem até cansar na orgia cinematográfica da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, os cinéfilos das outras cidades acabam tendo que se contentar com uma programação comercial bem mixuruca. Até tentei ontem ir ao cinema ver STARDUST, achando que no Shopping Aldeota estavam exibindo legendado, mas quando liguei pra lá e me informaram que era dublado, desanimei e não fui mais. Por outro lado, acho até bom não ter tanto filme bom pra ver no cinema, pois sobra tempo pra eu diminuir a cada vez maior lista de fimes e séries que me esperam em casa. Aliás, até poderia estar assistindo alguma coisa agora, mas como lá no trabalho o bicho tá pegando e não me deixam quieto nem no horário do almoço, que é quando eu normalmente páro para postar para o blog, aí resolvi escrever em casa à noite nessa semana. E hoje vai ser mais um daqueles exercícios de memória, já que UM LONGO CAMINHO (2005) eu assisti nas minhas férias de julho em dvd.

Depois do maravilhoso épico de artes marciais O CLÃ DAS ADAGAS VOADORAS (2004), Zhang Yimou resolveu voltar ao já conhecido território do melodrama, tão querido por ele e por seus fãs mais antigos. Lembremos que no comecinho dos anos 90, o cinema chinês estava na moda. E seus principais representantes eram Yimou e Chen Kaige. Havia outros diretores cujo nome não lembro, mas Yimou foi um dos poucos a sobreviver ao hype e manter uma filmografia de valor e com garantia de sucesso tanto em festivais quanto nos circuitos de arte. Com HERÓI (2002) e O CLÃ... Yimou mostrou que seu talento ia além dos melodramas. Seus filmes de artes marciais são vistos mais como um estiloso ballet, mas é tão bonito de ver e tão empolgante que pouco me importa se aquilo é dança, não é luta. Aliás, são as dus coisas juntas. Mas enquanto A MALDIÇÃO DA FLOR DOURADA (2006) não chega ao circuito comercial, falemos de seu trabalho anterior.

UM LONGO CAMINHO é um filme sobre a tentativa de um pai (o japonês Ken Takakura) de resgatar o amor de seu filho. O personagem de Takakura é um homem que viveu longe da família há muitos anos e não teve a oportunidade de conviver com seu filho. E seu filho, agora adolescente, foi diagnosticado com câncer em fase terminal. Quando o velho vai visitá-lo no hospital, o filho não aceita vê-lo. Assistindo uma fita de vídeo de uma viagem de seu filho para uma região remota da China, ele fica sabendo que o garoto tinha um especial fascínio pelo teatro tradicional chinês e que na viagem anterior ele não havia conseguido ver determinado espetáculo protagonizado pelo melhor artista local. Assim, ele parte do Japão até a China para filmar o espetáculo que o filho queria ver e trazer a fita de volta a tempo, antes que o garoto já estivesse morto. Ao chegar na China, porém, ele enfrenta uma série de dificuldades.

Quem já está acostumado com os melodramas de Yimou, sabe que as lágrimas são quase sempre inevitáveis. Não cheguei a entrar em prantos como na época que vi TEMPOS DE VIVER (1994), mas os momentos tocantes de UM LONGO CAMINHO chegam perto disso. A beleza plástica, que já se tornou mais do que uma marca, uma obsessão para Yimou, comparece novamente, dessa vez, valorizando a bela paisagem da provincia de Yunnan. Yimou utilizou atores amadores nas seqüências na China e teve um resultado muito bom. Mas quem conquista a platéia e o coração do velho japonês é o garotinho Yang Yang, que eleva o grau de ternura do filme perigosamente, no limite do excesso.

terça-feira, outubro 23, 2007

O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA (The Man who Shot Liberty Valence)



"Quando a lenda se torna fato, imprima-se a lenda." Essa é uma das frases mais famosas do cinema e a frase chave de O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA (1962), talvez a última das grandes obras-primas de John Ford - não sei ainda se os filmes seguintes do diretor chegam a tanto, mas tenho uns três ainda pra ver, pelo menos. Os teóricos costumam citar o ano de 1962 como um ano chave para o cinema americano, que pode ser dividido em antes e depois desse ano. Não custa lembrar que nesse mesmo ano, o grande Howard Hawks realizou a mais bela aventura de todos os tempos: HATARI! Simbolicamente, o ano de '62 separaria a velha Hollywood da nova. Uma nova geração de cineastas surgiria nos anos seguintes e mudaria os rumos do cinema americano. Mas isso aí já é outra história. Fiquemos com o bom e velho Ford e seu belo registro sobre a força da memória no velho oeste.

O filme se inicia com a chegada do respeitado senador Ranse Stoddard (James Stewart) e sua esposa (Vera Miles) a uma cidade que um dia foi importante para eles. Eles chegam para um funeral. Um funeral de um homem respeitado por eles, mas que já havia se tornado um velho anônimo para os mais jovens da cidade. Os jornalistas de lá ficam logo ouriçados com a presença do senador naquela cidade e querem saber mais sobre sua presença. E assim, o personagem de James Stewart conta em flashback para eles - e para nós - como tudo começou, quando ele chegou naquela cidade numa diligência, quando foi atacado por um fora-da-lei perverso chamado Liberty Valance (Lee Marvin, perfeito em sua maldade), quando conheceu a sua futura esposa, como também um homem forte e generoso de nome Tom Doniphon (John Wayne), o sujeito mais rápido no gatilho da cidade, um homem que sonhava em se casar com Hally (Vera Miles). Stoddard era, ainda, naquele tempo, um advogado, profissão ainda não muito comum naquelas cidades do oeste selvagem onde o que valia mesmo era o revólver e a coragem. Stoddard, porém, representava o progresso: trouxe não apenas o Direito, mas também alfabetizou muitas pessoas do vilarejo.

A dicotomia velho versus novo é um dos eixos fundamentais do filme. Para Tom, desafiar o "facínora" só mesmo na bala. Já Ranse preferia que o bandido fosse julgado, condenado e preso. Matá-lo seria assassinato. O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA, assim como RASTROS DE ÓDIO (1956), tem muito pouco dos habituais alívios cômicos dos filmes de Ford. Talvez o único esteja na figura do xerife gordo, covarde, glutão e de voz aguda vivido por Andy Levine. Nos créditos iniciais já se sente que se trata de um filme especial. A placa de madeira escrita com o título do filme remete diretamente a uma das melhores obras de Ford: PAIXÃO DE FORTES (1946). Era John Ford de volta ao preto e branco. No elenco, pela primeira vez juntos, dois grandes astros: Wayne e Stewart. Como o pivô de um triângulo amoroso no qual só um sairá ganhando, a bela e expressiva Vera Miles. Outro nome conhecido no elenco é o de Woody Strode, como o ajudante de Wayne. Para os fãs do western spaghetti vale mencionar a pequena participação de Lee Van Cleef (TRÊS HOMENS EM CONFLITO) como um dos bandidos do bando de Liberty Valance.

Pode-se considerar O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA como uma homenagem aos mortos, aos homens que tiveram que morrer e lutar no ambiente hostil do oeste selvagem, dominado por bandidos foras-da-lei e índios valentes e cruéis para que as novas gerações, mais confortáveis com os benefícios do progresso, pudessem ter um pouco mais de paz. Eu havia assistido esse filme há muito tempo num Corujão da Rede Globo, mas nunca tinha me passado pela cabeça que poderia existir alguma dúvida quanto a quem matou Liberty Valance. Mas hoje li um texto interessante no site Images Journal, no qual o autor se pergunta: e se o tiro que matou Valance não foi mesmo do personagem de Stewart? E se na hora do duelo, ele não precisasse das presenças de Wayne e Strode às escondidas para ajudá-lo? Achei interessante esse questionamento e não sei se Ford chegou a ponderar sobre isso. Mas como Ford era muito mais profundo e enigmático do que muitos imaginam, não duvido nada.

segunda-feira, outubro 22, 2007

SUPERBAD - É HOJE (Superbad)



Nos anos 80, quando comédias como PORKY'S e A VINGANÇA DOS NERDS faziam sucesso, tenho a impressão de que naquela época esse tipo de filme era desprezado pela crítica e considerado apenas diversão escapista até para os fãs. No entanto, hoje em dia, esse tipo de comédia que mistura sentimentos de amizade com piadas de "mau gosto" são bem mais respeitados. Talvez isso seja culpa dos irmãos Farrelly, mas que bom que isso tem acontecido. A comédia é um gênero que merece ter a total liberdade de fazer piada com o que bem entender. E SUPERBAD - É HOJE (2007), que é dirigido por Greg Mottola, mas que todo mundo só lembra que é produzido por Judd Apatow e escrito por Seth Rogen, está recebendo o respeito merecido, pelo menos por boa parte da crítica. Comparações com o recente LIGEIRAMENTE GRÁVIDOS acabam sendo inevitáveis. Qual é o melhor dos dois? Bom, eu diria que LIGEIRAMENTE GRÁVIDOS é um pouco melhor, mas que SUPERBAD é bem mais engraçado. Já gostei de cara de uma das primeiras piadas do filme, envolvendo os peitos da mãe de um dos dois amigos.

O filme mostra o desespero de dois jovens amigos, Seth (Jonah Hill) e Evan (Michael Cera), para conseguir "comer alguém" numa das festas de fim de curso. Seth - o personagem, não o ator - é um sujeito gordo que tem obsessão por sites pornôs e que encara as mulheres apenas como uma necessidade para transar; já Evan é um sujeito mais respeitador, mais romântico e é apaixonado por uma das meninas da sua sala de aula. Eles são virgens, bem pouco populares na escola e precisam mudar essa situação. Na cabeça deles, entrar na faculdade sem ter uma razoável experiência sexual seria o fim. E a chance deles está numa das festas promovidas pelos alunos no final do curso. Eles acreditam que só conseguirão "traçar" alguma menina se ela estiver bêbada. O problema é que como eles ainda são menores de idade - e as meninas também -, eles não podem comprar bebida alcóolica. E quem consegue uma carteira falsa é o outro amigo deles, Fogell (o estreante Christopher Mintz-Plasse), o estereótipo perfeito de um nerd. Ele consegue uma carteira de identidade falsa mas com o nome "McLovin", nome que é motivo de riso em diversas ocasiões, principalmente quando dito pelos dois policiais trapalhões (Seth Rogen e Bill Hader) que levam o menino pra passear em sua viatura.

O legal do filme é que ele é autenticamente adolescente, já que a estória começou a ser escrita por Seth Rogen e Evan Goldberg - não por acaso o nome dos personagens - quando eles tinham treze anos de idade. Além do mais, os três jovens protagonistas do filme são mesmo adolescentes e não adultos se fingindo de adolescentes. Um fato curioso diz respeito aos desenhos de pênis que aparecem no filme. Soube que a MPAA (Motion Picture Association of America, a companhia que dita a classificação indicativa dos filmes nos Estados Unidos) não achou de bom gosto aquilo, principalmente por ter uma cena de uma garotinha vendo e se assustando com um desenho de um pênis. Apesar da censura 16 anos que o filme pegou aqui - Rated R nos EUA - praticamente não há cenas de nudez no filme, embora sexo seja o "Ponto G" de SUPERBAD. Nos EUA a censura pesou mais também por causa do excesso de palavrões, em especial, aquela famosa palavrinha que começa pela letra "f". Pra completar, tem cena de uma criança segurando um revólver com fascínio. Por isso, não deixa mesmo de ser uma classificação razoável. Censuras à parte, no fim das contas, SUPERBAD é mais um filme para meninos, que são os que mais riem nas sessões. Já as meninas, em sua maioria, devem achar o filme de uma grosseria sem tamanho.

P.S.: Infelizmente o Festival Varilux de Cinema Francês sofreu uma triste alteração: AS TESTEMUNHAS, de André Téchiné, não está mais na programação. Uma pena.