segunda-feira, março 31, 2003

SPIDER E OS FILMES DO FIM DE SEMANA

As coisas andam meio brabas aqui no trabalho. Já sabia antes de chegar aqui que hoje seria um dia de cão. O último dia útil de cada mês geralmente é assim. Mas estou dando um tempinho nos serviços pra escrever sobre o final de semana. No cinema, apenas um filme: SPIDER, do Cronenberg, visto num sábado chuvoso e melancólico; em vídeo, alguns filmes bem legais. No domingo ensolarado fui conhecer a Blockbuster, recém inaugurada aqui. Aluguei dois DVDs. Um deles (SEM DESTINO), estava com defeito e vou ver se consigo trocar hoje. Outra coisa ruim do fim de semana foi que a porcaria do PC que eu comprei já está com defeito. Uma merda. Seguem os comentários dos filmes:

SPIDER - DESAFIE SUA MENTE (Spider)

O novo Cronenberg é de dar sono. Me esforcei muito pra conseguir ficar acordado até o fim do filme. Sei que isso não é lá critério pra se dizer se um filme é bom ou ruim, mas pelas experiências que eu tive anteriormente com o cinema de David Cronenberg, acredito que isso até pode ser um critério. EXISTENZ e CRASH dão um prazer enorme em se assistir, A MOSCA e GÊMEOS: MÓRBIDA SEMELHANÇA, idem. Até THE NAKED LUNCH, que foi um filme que me deu uma sensação bastante incômoda, eu respeito mais do que esse SPIDER, insosso que só ele. Li recentemente o livro "Spider", de Patrick McGrath, e é um livro muito interessante. A parte do meio do livro, que é quando acontece o assassinato da mãe de Dennis, é empolgante e faz com que a gente grude na história como poucos livros fazem. Sem falar na narração em primeira pessoa, que é um delícia. No filme, isso foi bem desperdiçado. Cronenberg preferiu não pôr uma narração em off, pra que o filme fosse mais "cinema" e menos literatura, mas a maneira como ele compensou isso não foi feliz. Ele colocou Ralph Fiennes de corpo presente em todas as cenas de recordações que ele teve. E ainda fez a besteira de colocar ele balbuciando certas palavras pra que o público "voador" não confunda, achando que ele está visível para os outros personagens. O maior destaque do filme é Miranda Richardson, fazendo papel duplo - de mãe do menino Dennis e de amante de seu (Gabriel Byrne). De Cronenberg, fiquei curioso pra ver CAMERA, um curta-metragem bastante elogiado por muita gente boa. Difícil é conseguir conseguir vê-lo. Alguém tem esse filme?

A NOIVA DO RE-ANIMATOR (The Bride of the Re-Animator)

Já vi esse filme faz mais de uma semana e esqueci de comentar. É bastante conhecido e costuma passar várias vezes na Band. É um filme de terror cheio de humor negro de Brian Yuzna, feito com o mesmo elenco de RE-ANIMATOR, de Stuart Gordon. É tão cheio de sangue quanto o primeiro. O filme é uma versão moderna de A NOIVA DE FRANKESTEIN. O problema é que sempre achei a história de Mary Shelley, ou pelo menos, as adaptações para o cinema bem inverossímeis. Por que diabos, o cientista maluco tem que pegar partes de corpos totalmente diferentes ? Deve ser porque ele é maluco mesmo. Heheheh. Nesse filme a coisa não é diferente. Mas o tom de humor compensa um pouco.

FEITIÇO DO RIO (Blame it on Rio)

Por falar em tranqueiras, imperdível esse filme com sabor de chanchadas brasileiras, com direito a meninas andando de top less nas praias. Bacana. Outro atrativo do filme é ver Demi Moore, lindinha nos anos 80. Esse filme (de 1984) ainda não traz ela no auge - ela pegou um papel fraco no filme - mas vale ver. No filme, Michael Caine e um amigo viajam para o Rio de Janeiro para passar as férias com suas respectivas filhas. As meninas, ao chegarem na praia, tratam logo de tirar as partes de cima dos bikinis, para desespero dos pais. A coisa fica engraçada mesmo quando uma das meninas se envolve com o pai da outra. A garota que faz a amiga de Demi Moore (Valerie Harper) dá um show de sensualidade. E, a título de curiosidade, o filme traz alguns atores brasileiros fazendo pontas e José Lewgoy como coadjuvante. Gravado da TNT, que - milagre! - não cobriu com bolinhas os seios das moças.

SUBLIME DEVOÇÃO (Call Northside 777)

Ótimo filme de Henry Hathaway, um dos grandes cineastas americanos de estilo narrativo clássico, como John Ford. Aqui no Brasil parece que ele é um pouco subestimado, mas dos filmes que vi dele (TORRENTES DE PAIXÃO, com Marilyn Monroe e FÚRIA NO ALASKA, com John Wayne), gostei bastante e não pretendo perder os próximos que passarem na tv. Esse filme, de 1948, trazendo James Stewart como um jornalista que investiga e reabre um caso de um assassinato de mais de dez anos, é emocionante e prende a atenção do começo ao fim. Eis um filme prazeiroso que equilibra bem o lado dramático e o suspense. É filme pra se ganhar o dia. Uma obra-prima? Gravado da Band.

AS COISAS SIMPLES DA VIDA (Yi-Yi)

Sensível filme de Edward Yang, co-produção Taiwan-Japão, que foi sucesso de crítica em todo o mundo. O filme esteve nas listas de melhores do ano de vários críticos brasileiros. É mesmo um filme muito bonito. Mostra a sociedade de Taiwan, já bem desenvolvida economicamente e que lida com outros problemas, como o vazio e a insatisfação de seus habitantes. São várias histórias realistas interligadas num filme de quase 3 horas de duração. Tem a história do pai de família que reencontra a paixão da adolescência, o garotinho que experimenta fotografias estranhas, a menina que se apaixona pelo namorado da amiga, a velhinha em coma. Um grande destaque do filme é a música, quase sempre no piano, trazendo composições de Bach e Beethoven. A fotografia enche os olhos. Interessante como o cinema oriental tem uma fotografia tão bonita atualmente. Uma beleza plástica impressionante. A cena mais emocionante é a parte final, com o garotinho recitando o que escreveu durante o funeral da avó. O DVD da Europa está em fullscreen, mas a imagem está cristalina e o som de ótima qualidade.

terça-feira, março 25, 2003

8 MILE - RUA DAS ILUSÕES (8 Mile)



Ontem saí do trabalho e fui conferir 8 MILE. Gostei do filme. O filme tem um probleminha: a história que leva a lugar algum. Quer dizer, até leva, mas deixa aquela sensação de "só isso?" ou "e daí?". Mas, por outro lado, revela o talento de Curtis Hanson em saber contar uma história e dirigir atores muito bem. Eminem está ótimo, assim como Kim Basinger (está meio velha, hein?) e Brittany Murphy, muito gata com aquele visual desleixado. Aliás, ela consegue ser sexy até mostrando o dedo indicador. A cena de sexo entre ela e o Eminem também ficou boa. Uma utilidade do filme é apresentar para pessoas de fora do meio o habitat dos rappers. Inclusive, achei muito parecido com os repentes dos cantadores aqui do nordeste do Brasil, com seus duelos verbais e à base de muito talento e criatividade. Tem que ser muito talentoso mesmo pra arranjar rimas e palavras certeiras e amedrontar o adversário. Todo mundo saiu do cinema com as batidas da oscarizada "Lose Yourself" e balançando um pouco a cabeça, ou o corpo, com vontade de dançar como os rappers. Se bem que se tirar a música, o final se torna decepcionante. Mas quem liga pra isso, com aquelas batidas?

segunda-feira, março 24, 2003

UM JACK VALE MAIS QUE DOIS CAGES

O final de semana foi um pouquinho diferente. Menos angustiante que o anterior, mas teve também as suas perturbações. No sábado, fui com minha irmã comprar um computador. (Não dá mais pra ficar sem, quando a gente é viciado.) Vão ser muitas preocupações futuras pra pagar as parcelas, mas eu consigo. Já venci obstáculos maiores. No sábado, um amigo dos tempos do 1º grau ligou pra mim. Há tempos não o via, mas sei que ele andava com a vida bem complicada. Fui tomar uns chopes com ele e o homem parece que saiu de um filme do Scorsese. Disse qeu cheirou cocaína até ficar tão fissurado que cheirou até areia da praia, que ganhou muuuito dinheiro, que foi pra Nova York, que viajou o Brasil todo, que passou 6 meses numa clínica de reablitação em Curitiba, que teve 5 mulheres, que comprou vários carros e que estava esperando pra receber 500 notebooks, que vendendo tudo vai ficar com dois milhões... é tanta coisa que já me enxeu o saco. Vá à merda. Seja isso mentira ou não. Hehehe..

Bom, como o sábado foi pro brejo, no domingo vi dois filmes: AS CONFISSÕES DE SCHMIDT e ADAPTAÇÃO. Jack Nicholson versus Nicholas Cage. Os dois estavam concorrendo ao Oscar de melhor ator. Perderam para Adrien Brody. Eis os comentários:

AS CONFISSÕES DE SCHMIDT (About Schmidt)

O filme traz uma das melhores interpretações de Jack Nicholson. Nos últimos anos, ele vinha meio que se repetindo. Mas esse papel é muito bom. A direção de atores de Alexander Payne é ótima. E o filme lembra alguns filmes ótimos como CHUVAS DE VERÃO, de Cacá Diegues (a história de um homem que sente o baque da aposentadoria); HISTÓRIA REAL, de David Lynch (um road movie de um velho, conhecendo pessoas durante o percurso); MORANGOS SILVESTRES, de Ingmar Bergman (um velho reavaliando a sua vida e tendo recordações de suas origens). Além de ter todo esse potencial dramático, o filme é também uma comédia muito inteligente. A história: Schmidt se aposenta, fica triste, se sentindo inútil, fica mais irritado com a mulher e passa a mandar cheques para um menino carente na África, junto com cartas contando de sua vida pessoal. É a partir das cartas que ficamos mais íntimos dele. E mesmo com todos os seus defeitos, passamos até a nos identificar com ele. Tem momentos de tristeza e de alegria. E eu que nem gostava mais de Jack, fiquei fã dele novamente. Ah, e o filme também tem coadjuvantes ótimos, destaque para Kathy Bates. Filmão.

ADAPTAÇÃO (Adaptation.)

Já o filme de Spike Jonze não fez a minha cabeça. Desde o primeiro filme dele (QUERO SER JOHN MALKOVICH), que eu acho as idéias melhores que o resultado final. Logo, como as idéias são de Charlie Kaufman o crédito talvez seja dele. Os dois filmes de Jonze são interessantes, mas me dão uma agonia sem tamanho depois de uma hora de filme. Nicolas Cage está bem, interpretando dois irmãos gêmeos. Quando quer, até que consegue ser menos canastrão. Mas ainda assim, o Jack Nicholson lá de cima dá de dez em dois Cages. Gostei do filme sim, mas acho que ele tem tantas idéias que elas se perdem lá pelo final. Talvez o drama de Kaufman seja bem parecido com o drama do personagem do filme, que também se chama Charlie Kaufman. É um exercício de metalinguagem que não encontra o caminho.

Té mais!!
OSCAR 2003

Salve, fellas!

Viram o Oscar ontem? Foi uma cerimônia sem muitas atrações e com a duração um pouco menor. Bem que podiam ter feito um trabalho mais especial, já que era a 75a edição do prêmio. Mas com essa história de guerra, fica meio sem graça mesmo. Eis os destaques:

1. Steve Martin estava bem como o apresentador. Fez aquela brincadeira com Jack Nicholson (gay) com as mulheres e com o Michael Moore.

2. Mulheres lindas: As três Jennifers (Jennifer Garner, Jennifer Connelly, Jennifer Lopez), Kate Hudson (talvez a mais bonita da noite), Salma Hayek e Diane Lane.

3. Catherine Zeta-Jones canta bem, hein. Mesmo eu odiando CHICAGO, gostei da apresentação dela com a chefe do presídio. E está bonita mesmo com aquela barrigona. Só que Oscar pra ela, é meio exagerado, né?

4. Paul Simon está só o bagaço.

5. A feia da noite: Rennée Zelwegger.

6. Caetano Veloso, mesmo nervoso, mandou bem. Só que a voz dele é muito suave e não combinou com a da cantora que fez dueto com ele.

7. Viva Michael Moore!! O cara ganhou o Oscar de documentário e meteu bronca no pulha do George Bush, na "eleição fictícia" e na guerra imoral. Valeu!

8. Ótima a performance do U2. Mas perder pro Eminem, que nem foi cantar nem assistir, é brincadeira. Vai ver foi só mesmo pra não darem nenhum prêmio pro filme do Scorsese.

9. Surpresa 1: Adrien Brody ganhou o prêmio de melhor ator por O PIANISTA. Legal. Eu estava torcendo pelo Day-Lewis, mas o narigudo é ótimo. Sem falar que mandou a musiquinha de expulsão parar pra protestar contra a guerra. E ele que fez um filme como O PIANISTA entende um pouco disso, né?

10. Supresa 2: Almodóvar ganhou roteiro original por FALE COM ELA. Aliás, filme nenhum dali é melhor que essa obra-prima do Almodóvar.

11. Surpresa 3: Melhor diretor para Roman Polanski. Legal. O pedófilo merece. Hehehe.

12. Nada para GANGS DE NOVA YORK.

Ah, pra quem sintonizou na Tv Cultura antes de começar o Oscar, ontem teve entrevista com o nosso querido Carlão Reichenbach no programa Provocações do Abujamra. O foda é que esse apresentador fala mais que o entrevistado. E 30 minutos é muito pouco. Mas valeu!

sexta-feira, março 21, 2003

AUDITION (Odishon)



Finalmente assisti AUDITION, de Takashi Miike. Tinha comprado o DVD importado lá de Hong Kong, preciosa dica do mestre em cultura oriental Leandro Ichi the Killer. A loja, DDD House, é competente, entrega o produto em sua casa em menos de 15 dias e o preço é em dólar de Hong Kong, bem mais baixo que o dólar americano. Sem falar, que não há imposto de importação adicional. Uma boa.

Quanto ao filme, é ótimo. Estou tirando o atraso dos filmes japoneses que não conhecia. Só conhecia Akira Kurosawa, que nem é um cineasta que eu gosto muito, mas aprecio alguns trabalhos. E Takeshi Kitano eu não gosto nem um pouco. Vim começar a simpatizar com os filmes de lá vendo o anime LAPUTA, de Hayao Miyazaki, Em breve, verei PRINCESA MONONOKE, quando a fita chegar por aqui.

Mas, voltando a AUDITION, o filme é um thriller/terror de primeira. Conta a história de Aoyama, um cara que fica viúvo e depois de algum tempo, começa a pensar em arranjar outra esposa. Aproveita a idéia do amigo, que vai fazer um filme e fazer uns testes com algumas pretendentes ao papel, e a partir das entrevistas, ele vai escolher uma mulher para ser sua esposa. O problema é que ele escolhe a garota errada.

O filme começa bem lento, com o som muito baixo, quase sem trilha sonora. Tanto é que quando o som aumenta, nas partes assustadoras, toma-se um baita de um susto. Não apenas pelo som, mas também pela força das imagens. Não vou comentar aqui o que acontece pra não estragar pra quem ainda vai ver o filme. Mas adianto que o negócio é barra pesada.

O engraçado é o nome de um dos personagens: Shibata. Hehehehe.

Agora é ir atrás de outros filmes do diretor, como CITY OF LOST SOULS, FUDOH e ICHI THE KILLER.

quinta-feira, março 20, 2003

ZWAN - "MARY STAR OF THE SEA"



Billy Corgan falou no Jornal da MTV que não dá pra fingir felicidade. Você pode fingir tristeza - tem muitas bandas ganhando dinheiro com isso por aí - mas felicidade não dá pra fingir.

"Mary Star of the Sea", o disco do Zwan, a nova banda de Corgan, traz isso, essa vontade de cantar, de exaltar a vida, expor a alegria. Isso é até corajoso de se fazer - há o risco de se ficar superficial, mas Corgan tem inteligência e sorte para escrever letras inspiradas.

Na faixa "El Sol", uma das mais belas do disco, ele diz:

"soon i'll be feeling left for dead
sometimes someone saying yes
changes what you'll bet"

Isso abre as portas para um futuro excitante, onde dizer "sim" muda todo o curso da situação. Há uma consciência do que é passageiro, de que essa alegria é passageira, mas, ao mesmo tempo, há uma supervalorização desse momento. No álbum MACHINA, Billy Corgan já manifestava essa alegria em algumas faixas.

O som das guitarras também funciona como agente "exaltador". Esse som lembra o que foi feito no álbum SIAMESE DREAM dos Smashing Pumpkins. Aliás, esse disco é um raio de sol na discografia dos Pumpkins, que tem disco angustiante (GISH), melancólico e existencialista (MELLON COLIE AND THE INFINITE SADNESS), obscuro (ADORE) e enigmático (MACHINA). No documentário presente no DVD VIEUPHORIA, Corgan fala das diferentes guitarras usadas para se produzir sons tristes e angustiantes, como em GISH ou alegres como em SIAMESE DREAM.

No novo projeto, Corgan abandona um pouco os enigmas de MACHINA e traz letras mais simples e de fácil assimilação, ainda que o lado de religiosidade deixe algumas pessoas um pouco confusas.

Uma das coisas mais surpreendentes no disco do Zwan é a religiosidade. Desde o U2 não se via uma super-banda se utilizar da fé e do Cristianismo como elementos principais da obra. A faixa mais abertamente cristã é "Jesus, I", que faz dobradinha com a faixa título ("Mary Star of the Sea"), somando um épico viajante de mais de 10 minutos.

O desapego às coisas materias está presente em "Desire" e "Ride a Black Swam"; a fé chegando pra abalar em "Lyric", "Settle Down" e "Declaration of Faith"; a alegria de estar junto de quem se ama no primeiro single "Honestly"; a balada relaxante em "Of a broken heart"; a canção que fala por si mesma em "Heartsong"; o carpe diem de "Endless Summer"; a auto-estima elevada em "Baby, let´s rock"; o poder da vontade em "Yeah". O disco termina com a chamada de Corgan em "Come with me", ao som de gaitas que lembram folk.

Um super-disco. Pra ouvir, preferecialmente, quando se estiver feliz.
DEMOLIDOR - O HOMEM SEM MEDO (Daredevil)

Ontem foi feriado aqui na cidade. Dia de São José. Dizem que todo dia 19 de março chove aqui. E ontem não foi excessão. Aproveitei pra ver DEMOLIDOR: O HOMEM SEM MEDO. Como eu estava esperando uma bomba, graças ao trailler ridículo, acabei gostando do filme. O filme tem problemas, principalmente para quem leu as maravilhosas histórias criadas por Frank Miller nos anos 80. O fato de o filme não ser fiel aos quadrinhos do herói incomoda quem vai ver o filme, tendo lido as HQs. Mas como eu já sabia que no filme o Rei do Crime é negro e que o uniforme da Elektra e do Mercenário são bem diferentes dos quadrinhos, já fui não esperando muita coisa. Inclusive, a forma como o menino Matt Murdock fica cego é diferente dos quadrinhos. Nos quadrinhos, ele fica cego tentando salvar uma velhinha de ser atropelada e um caminhão vaza produtos químicos em seus olhos. No filme, a cena acabou ficando mais verossímil. A forma como ele conhece a Elektra, é que no filme, foi piorada. Foi muito brusca e aquele diálogo entre Matt e ela, se encaminhando para a luta não ficou legal. A parte boa é que, diferente do HOMEM-ARANHA, o filme não se entope de efeitos especiais CGI e tem cenas de luta mais realistas. Ben Affleck está competente e Jennifer Garner está ótima. Mas não gostei do Michael Clark Ducan como o Rei. Aquela cena dele brigando com o nosso herói cego ficou a desejar. Mas o filme é ótimo entretenimento e uma bela surpresa.

No cinema vi o trailler de X-2, que parece que está legal. E ainda esse ano tem o filme do HULK, do Ang Lee. A Marvel está invadindo as telonas. Por enquanto não está fazendo feio.

Depois do filme, fui encontrar com uma turma, a convite da Valéria, pra ver (no meu caso rever) PRENDA-ME SE FOR CAPAZ, do Spielberg. Fui mais pra encontrar com o pessoal - tô precisando de um novo ciclo de amizade - do que pela vontade de rever o filme. Mas revendo, deu pra perceber que o filme é mesmo muito bom. Não cansa, é ágil. A pegadinha foi que a tal turma que a Valéria convidou só tinha mulheres (quatro). E depois fui ao bar com as meninas, que até que não me oprimiram, são todas legais. Heheheh..

Ah, voltando ao Demolidor, o cara gosta muito de chuva. Ele deve ter gostado do dia de São José.

segunda-feira, março 17, 2003

O CEARENSE APERREADO

Passar o final de semana sem internet é perturbador. Especialmente quando a gente fica em casa e está acostumado com a bendita. Meu computador quebrou - parece que é grave - e eu estou já pensando em arranjar um jeito de comprar um novo. O problema é a falta de grana. O pior é que eu nem estou conseguindo enxergar a saída. Mas minha astróloga favorita falou esse mês: "This is a good time to upgrade your computer or telephone equipment." Impressionante como essa mulher acerta...

O final de semana em se tratando de filmes foi pouco proveitoso. No sábado, eu estava angustiado ouvindo Radiohead em casa ("Ok, Computer", apesar de o computador não estar ok..hheheheh), quando o Santiago liga combinando pra gente tomar umas no Dragão do Mar. Good. Eu estava mesmo a fim de tomar um porre. Matei a saudade dos chopes de vinho, uma bebida que pega ligeirinho. No segundo copo a gente já fica tonto. Heheheh.. Maravilha. Acompanhado de mais duas moças, a noite foi divertida. Não tanto quanto eu queria, mas "nem sempre se pode ser Deus" (Titãs) ou "you can´t always get what you want" (Rolling Stones). Mas tá bom. Acabei indo dormir lá na casa do Santiago, mais perto da Praia de Iracema. Voltar pra casa de manhã respirando o ar fresco (o tempo estava nublado) foi bom. E haja dormir.

O AMERICANO TRANQÜILO (The Quiet American)

O único filme visto no cinema foi O AMERICANO TRANQUILO (The Quiet American), mas, ou eu ando muito dispersivo e inquieto pra ver filmes, ou o filme é muito ruim. Apesar de eu desconfiar da primeira hipótese, a segunda eu tenho certeza. Pra quem achava Philip Noyce um diretor fraco, precisa ver o quanto ele está pior nesse filme (mal) feito para ganhar Oscar. Se filmes como TERROR A BORDO e INVASÃO DE PRIVACIDADE, até podem ser considerados bons filmes, nada mais que isso, O AMERICANO TRANQUILO não deixa a gente nem um pouco tranquilo. Dá vontade de sair na metade. Ou antes disso. A trama política envolvendo os Vietnãs do sul e o do norte, a França e os EUA é um saco. Os personagens de Michael Caine (gosto dele) e Brendan Fraser não conquistam o espectador e o filme é muito leeento, arrastado. Nada contra filmes assim, o problema é que o diretor é Phillip Noyce. O cara não é nenhum Visconti.

O filme acentuou ainda mais o meu espírito inquieto, que só foi se acalmar depois do Big Brother, perto de dormir.

quinta-feira, março 13, 2003

TSUI HARK



Ultimamente ando me interessando mais por cinema e cultura asiática. Depois de ter adorado o anime LAPUTA: O CASTELO NAS NUVENS do japonês Miyazake, de ter chorado com o chinês TEMPOS DE VIVER, de Zhang Yimou, de ter ficado impressionado com o coreano MENTIRAS, filme de s&m de Sun-Woo Jung e de ter ficado fã das piruetas de Jackie Chan, meu interesse aumentou ainda mais. Sem falar que conhecendo os amigos Renato Doho e Leandro "Ichi the Killer" a gente aprende muito mais. Mas tudo isso é pra comentar de dois filmes de Tsui Hark que eu vi recentemente. Eis os comentários:

O TEMPO E A MARÉ (Seunlau Ngaklau / Time and Tide)

Taí um filme impressionante. As fotografias nítidas e bonitas, os vôos de câmera de Hark, a simpatia dos personagens de Nicholas Tse, Wu Bai e das meninas do filme e cenas de ação de primeira fazem de O TEMPO E A MARÉ um marco nos filmes de ação vindos lá de Hong Kong. Uma pena eu ter me enrolado pra entender a história intrincada. É ai que eu fico imaginando se o problema foi comigo, que fui burro demais e deixei escapar detalhes importantes para a compreensão da história, ou alguma deficiência da edição do filme ou do roteiro. Mas, independente disso, as imagens falam mais forte. Tsui Hark tem mesmo é que ficar lá no oriente, em vez de ficar passando vergonha dirigindo filmes do Van Damme (IMPACTO FULMINANTE e A COLÔNIA). Destaque para a cena em que uma das mulheres, prestes a dar à luz, vai parar no meio de um tiroteio.

A história é mais ou menos assim, tirada do site ASIA-CINEDIE :
Tyler (Tse), trabalha no balcão de um bar, onde conhece Ma Hoi-ming (Tsui), uma jovem que acaba de discutir com a namorada. Os dois acabam por embarcar num lamentável e infantil concurso alcoólico e terminam a noite juntos, acordando de manhã com sérios problemas de memória. Tyler (ou Kwow-ching), entretanto, começa a trabalhar numa empresa de segurança não licenciada, chefiada pelo “Tio” Ji (Wong). Um dos seus serviços é assegurar a segurança de Hong, um milionário que gere actividades não inteiramente claras. Uma das filhas de Hong, Hui (Lo), saiu de casa e casou com "Jack" (Wu), actualmente a trabalhar como talhante, sem a aprovação do pai. Um grupo de criminosos vindo da América do Sul, procura cobrar uma divida a Jack, propondo-lhe, em alternativa, um “serviço”.

Pena que o DVD brasileiro vem em tela cheia e sem nada de extras, além do trailer.

GUERREIROS À PROVA DE BALAS (Wong Fei-Hung / Once upon a time in China)

Se a história de O TEMPO E A MARÉ me deu um nó na cabeça, a de GUERREIROS À PROVA DE BALAS é uma beleza de clareza. E olha que eu assisti gravado da televisão (Record) e, dizem, está com cortes de 40 minutos! Tem nada não. Um dia eu vejo a versão integral em DVD e em widescreen decente. Mas deu pra perceber a beleza do filme. Na história, Jet Li é um mestre de kung fu que lidera uma escola de artes marciais e, ao mesmo tempo, oferece os serviços de segurança para uma cidade, na China do final do século 19. Jet Li tem que enfrentar as gangues rivais, um cara que quer ser o melhor mestre do kung fu e os ocidentais (americanos e ingleses) que querem dominar a China. Ótimas cenas de lutas usando cabos.

Estou com outro filme emprestado com produção de Tsui Hark chamado MÁSCARA NEGRA, lançado em DVD de banca. Comento quando o ver.

segunda-feira, março 10, 2003

MAIS DOIS OSCARIZÁVEIS

Tive um final de semana bem chato. Pra completar o estrago meu computador quebrou ontem. Deu pra ver dois filmes no cinema dos filmes indicados ao Oscar. O PIANISTA adorei. CHICAGO quase me fez dormir. Seguem os comentários.

O PIANISTA (The Pianist)

Polanski continua fazendo ótimos filmes. E esse pode agradar a muito mais gente do que o anterior dele (O ÚLTIMO PORTAL). É mais um filme sobre o holocausto, a 2a Guerra Mundial, o sofrimento dos judeus. Adrien Brody é o pianista do título, um judeu polonês que toca piano divinamente bem. Até que começam as perseguições aos poloneses e aos judeus pelos nazistas. Acredito que seja necessário muitos filmes sobre o assunto para que a gente se lembre que esse absurdo realmente aconteceu. É quase inacreditável. No início, os judeus não podiam arranjar emprego, entrar em restaurantes e nem passear nas praças. Depois os proibiram de andar até pela calçada. Depois, trabalho forçado em campos de concentração e morte em câmeras de gás ou tiros na cabeça. E tudo isso por que ? Por que são judeus. Mas ainda acredito que toda essa raiva de Hitler para com o povo judeu tem uma explicação ainda oculta. Não pode ser apenas por razões econômicas. E é foda ter que sobreviver catando comida em casas em ruínas. Outra coisa interessante: quando começam os créditos finais do filme, as pessoas não arredam o pé da sala até o último instante, para ouvir o belo solo de piano. Maravilha a trilha sonora com Chopin, Beethoven, Bach e outros. Excelente.

CHICAGO

Nunca bocejei tanto no cinema. Não que eu me lembre. Acho que é porque eu não tenho paciência para esses musicais à moda antiga. Só pra se ter uma idéia meus filmes musicais favoritos são: TODOS DIZEM EU TE AMO (onde atores cantam desafinado), HEDWIG AND THE ANGRY INCH (rock and roll!!!!!) e MOULIN ROUGE (filme que inova o musical). O musical tradicional geralmente não me agrada ou, na melhor das hipóteses, gosto de alguns números de CANTANDO NA CHUVA e A NOVIÇA REBELDE. A melhor coisa do fime é a beleza de Catherine Zeta-Jones exibindo o rosto lindo e as pernas maravilhosas. Mas os personagens são odiosos. A Renee Zellweger está bem feinha. Richard Gere está bem, levando em consideração que o sujeito é muito tímido e, mesmo assim, topou fazer musical. Mas o filme não é ruim, é bem realizado, tem coreografias boas, tem "All that jazz" do Bob Fosse, mas, mesmo assim, com menos de uma hora de filme, eu estava olhando pro relógio. Resta saber se o problema era com o filme ou comigo mesmo. Mas na dúvida, melhor deixar esse tipo de filme pro Rubens Ewald ver.

Agora que vi os cinco filmes da categoria melhor filme do Oscar, vai o meu ranking na ordem de favoritos:

1. GANGS DE NOVA YORK
2. O PIANISTA
3. O SENHOR DOS ANÉIS: AS DUAS TORRES
4. AS HORAS
5. CHICAGO.

quinta-feira, março 06, 2003

HITCHCOCK ANOS 30

Continuando a série de filmes seguidos que estou vendo do mesmo diretor (já vi 4 Argentos, 3 Bergmans, 3 Spielbergs e 2 Buñuels seguidos), comento agora três filmes da década de 30 da fase inglesa de Alfred Hitchcock. É até bom ver esses filmes mais antigos depois das obras-primas feitas a partir dos anos 40 pra ver os diamantes ainda em estado bruto. Os três filmes foram lançados num único DVD nas bancas. A qualidade da imagem e do som não é excelente, mas quebra o galho e pelo menos não vai mofar como uma fita VHS. Alguns comentários rápidos:

SABOTAGEM (Sabotage)

As imagens escuras de Londres à noite ficam ainda mais escuras quando a cidade sofre um blecaute, seguido de um crime. Um agente secreto disfarçado de verdureiro investiga o caso. A sequência de maior suspense do filme é uma cena em que um garoto leva uma bomba dentro de um ônibus, enquanto o relógio corre. Não é um grande filme do Hitchcock, mas ainda assim é prazeroso. A cena inicial com Londres na escuridão e uma bilheteira de cinema tentando acalmar o público que quer o seu dinheiro de volta é um belo começo.

AGENTE SECRETO (Secret Agent)

Talvez o filme da fase inglesa de Hitch que reúne o mais famoso elenco. No filme estão John Gielgud, Peter Lorre e Robert Young. Achei que fosse um filme chato como CORTINA RASGADA, filme mais recente de Hitch e que tem um enredo político, mas eu me enganei. O filme traz uma cena que serve de embrião para JANELA INDISCRETA. Nela, John Gielgud olha sem poder fazer nada um assassinato ser cometido à distância através de lentes de aumento. Talvez não existissem alguns filmes de Brian DePalma se não fosse por esse filme, também. Ainda assim, é o que eu menos gosto dos três filmes.

ASSASSINATO (Murder!)

Esse é talvez o melhor dos 3 apesar de ser mais velho (esse é de 1930, os outros, de 1936). O filme trata do assassinato de uma atriz. Uma amiga é considerada culpada pelo crime e um dos jurados resolve investigar o caso. O filme está bem gasto e cheio de pulos. Não pelo dvd, mas por causa da matriz original, já bem desgastada. Há problemas no som também - é o filme que tem o som mais baixo - mas vale a pena ser visto. Destaque para a cena em que o investigador - um escritor de peças de teatro - convida o assassino pra interpretar um...assassino.

terça-feira, março 04, 2003

AS HORAS (The Hours)

Como estão todos? Curtindo o carnaval? Eu estou com dor no corpo todo. E com um desânimo daqueles. Sofri aquilo tudo depois da cirurgia e continuo com problemas de garganta inflamada. Uma merda. Parece que não tem jeito mesmo. Mas quem sabe, né? Pode ser que um dia eu volte a ser um sujeito saudável de novo. Vendo o horóscopo da Susan Miller, no Astrologyzone.com, vi que Urano, o planeta das surpresas, saiu da minha casa de "dinheiro dos outros" e está ingressando na casa de viagens e estudos avançados. E vai permanecer por sete anos. De repente, nesse período, coisas boas aparecem.

Por falar em coisas chatas, fui ver AS HORAS há pouco. Gostei, pero no mucho. Prefiro filmes que me fazem chorar a filmes que me fazem ver pessoas chorando. Nesse sentido, AS HORAS lembra MAGNÓLIA, com pessoas atribuladas e deprimidas ao som de música incidental perturbadora. No caso de AS HORAS, sai Aimée Mann, entra Philip Glass, que é um cara muito bom. Nunca esqueci o que ele fez em A CATEDRAL, de Michele Soavi. Fico pensando se a trilha sonora dele serve pra ouvir em casa, também. (Mas é claro que AS HORAS não é tão bom quanto MAGNOLIA, né?)

AS HORAS é um filme que tem um monte de qualidades. A começar pelo trio excepcional de atrizes. Nicole Kidman, irreconhecível como Virginia Woof; Juliane Moore fazendo a dona de casa insatisfeita que está lendo o livro Mrs. Dalloway, de Virginia; e Merryl Streep, a própria Mrs. Dalloway, mulher que por trás de uma aparente auto-confiança, tem uma pessoa prestes a desmoronar. Ela tem um amigo que está morrendo de AIDS (o ótimo Ed Harris). Por falar em AIDS, acho que no livro de Virginia não tinha nada disso. Ela é do início do século XX...

O elenco de apoio do filme também é um luxo: além de Ed Harris, tem Claire Danes, Miranda Richardson, John C. Reilly, Toni Collete e Jeff Daniels.

Pois é, mas com tantas qualidades, o que falta no filme? Não sei, mas alguma coisa falta.

A propósito, vejam o que a Band irá exibir na sexta-feira, às 22h15:

SRA. DALLOWAY
(Mrs. Dalloway)

Inglaterra, 1997, 100', cor. Dir.: Marleen Gorris. Int.: Vanessa Redgrave, Natascha McElhone, Rupert Graves, Michael Kitchen, Alan Cox, Sarah Badel, Lena Headey.

Em 1920, em meio à agitação dos preparativos para uma grande festa em sua mansão em Londres, a Sra. Clarissa Dalloway (Vanessa Redgrave) toma conhecimento de que Peter (Michael Kitchen), um antigo pretendente, retornara da Índia. A chegada de Peter desvia a atenção da Sra. Dalloway, trazendo-lhe recordações do verão de 1890, quando era jovem, bela e muito cortejada.

Baseado em romance da escritora inglesa Virginia Woolf.


Uma boa pra quem quer entrar no clima de AS HORAS, conhecer mais a obra de Virginia Woolf, sem precisar de pegar o livro pra ler.

segunda-feira, março 03, 2003

FILMES DO CARNAVAL

Comentários de alguns filmes que vi nesse feriadão:

O CONDE DRÁCULA (Scars of Dracula)

Não tinha idéia de como eram bons os filmes de Drácula da Hammer. Caramba! Esse foi o meu primeiro contato com Christopher Lee fazendo o vampirão. E dizem que os filmes dirigidos por Terence Fisher (O VAMPIRO DA NOITE, DRÁCULA - O PRÍNCIPE DAS TREVAS) são ainda melhores. Esse, de 1970, é dirigido por Roy Ward Baker e o resultado é excelente. O filme começa com um morcego jogando sangue em cima do cadáver (?!) de Drácula, fazendo com que ele volte à vida. Entre os outros persoangens do filme estão dois irmãos e uma belíssima mulher. Aliás, mulher bonita é o que não falta nesse filme. Os caras da Hammer sabiam o que o público queria e gostava de ver. Mas a mais bela de todas no filme é Jenny Hanley, que desperta a paixão até do ajudante de Drácula. Taí um filme irresistível.

MARNIE - CONFISSÕES DE UMA LADRA (Marnie)

Filme de Hitchcock que parte para o campo psicológico. Tippi Hedren é Marnie, uma ladra que sofre de problemas vindos de seu passado. Sean Connery é o homem que surge em seu caminho para causar mudanças. O DVD vem com imagem em fullscreen, mas em compensação vem com um documentário generoso de 1 hora de duração sobre os bastidores do filme. O trailler que vem no disquinho também é bem interessante. Aliás, Hitchcock sabia fazer traillers diferentes e divertidos. A história de início lembra PSICOSE, já que nesse filme também somos cúmplices de um roubo logo de início. Mas o filme é bem diferente e menos aterrorizante do que o clássico de 1960, mas ainda assim é Hitchcock dos bons.

O ESTRANHO (The Limey)

Não é tudo que eu esperava esse filme do Soderbergh, mas é melhor do que boa parte do que ele tem feito ultimamente. A história parece filme do Charles Bronson (pai quer se vingar de quem matou a filha), mas o jeito do diretor contar a história faz toda a diferença. A edição do filme é de videoclipe, mas ao mesmo tempo, o filme tem um andamento lento, remetendo aos policiais da década de 70. Outra coisa muito interessante é o elenco: Terence Stamp, como o justiceiro, arrasa, mas Peter Fonda como o responsável pela morte da filha também está muito bom - ele nem parece um vilão, parece apenas um playboy que está sendo perseguido por um louco.

BARBARELLA

Esse eu achei que fosse mais divertido. Lembro que fiquei excitado quando vi há muito tempo numa sessão de gala da Globo. Jane Fonda faz a personagem sexy Barbarella, que descobre que fazer sexo à moda antiga é muito melhor. Eu não tinha visto o filme completo na época. Dessa vez, vi que depois de meia hora o filme cai, fica chato e desinteressante. Na história, Barbarella tem que deter o Duran Duran (sim, o nome da banda veio do personagem do filme), o vilão do filme, em um planeta distante. No caminho, encontra bonecas que mordem, um anjo cego, um esquimó que a ensina a fazer sexo e uma diabólica rainha. O destaque do fime é mesmo o strip tease no espaço que abre o filme. Jane Fonda estava em plena forma. E o ano era 1968, ano magíco que nos deu o melhor filme (2001, do Kubrick) e o melhor disco (o álbum branco dos Beatles) de todos os tempos. O DVD está em widescreen.

LIVING WITH MICHAEL JACKSON

A Sony exibiu no domingo o documentário sensacionalista que tenta de todo jeito puxar informações bombásticas sobre a vida privada de Michael Jackson. O repórter tentou - mas não conseguiu - revelar tudo sobre Michael. Mas ainda assim, o que o documentário mostra é bizarro. Um cara que não tem relacionamentos com mulheres, prefere a companhia de meninos, coloca máscaras em seus filhos (todos de encomenda), muda de rosto e de pele misteriosamente, compra uma loja inteira de artigos caríssimos e manda construir um parque de diversões só pra ele, não pode ser normal. Michael Jackson deve ter se arrependido de ter dado a entrevista.

Aluguei também no pacote O TEMPO E A MARÉ mas ainda falta eu ver. Comento depois.

sábado, março 01, 2003

O BURACO (The Hole)

Primeiro dia de carnaval e eu estou aqui em casa tentando fingir que é um sábado normal. Fui ao cinema, aluguei uns filmes em DVD/VHS e estou aqui ouvindo o disco do Cake que comprei ontem. Bacana. É mais do mesmo de Cake mas é bom pra caramba.

O filme que vi hoje foi O BURACO (The Hole) . Eu não estava esperando muita coisa, mas até que eu me surpreendi e dei de cara com um bom filme de terror. O filme tem problemas, é claro, mas ele têm mais qualidades que defeitos. O que incomoda logo de cara é a burrice dos personagens. Parece que todo jovem americano é burro pra se meter em situações perigosas, vide aqueles garotos de OLHOS FAMINTOS (filme que eu gostei), que escorregam dentro daquele buraco. No caso de O BURACO, quatro jovens estão presos num buraco por alguns dias. Thora Birch, a atriz principal, é apaixonada por um dos caras mais populares da escola e faz de tudo pra ficar com ele. É uma subversão dos romances adolescentes, num filme de terror sem elementos sobrenaturais. O terror está na situação deles e no que eles são capazes de fazer ou sentir. É um filme que merece a atenção, especialmente de quem curte o gênero.

Os filmes que aluguei foram:

BARBARELLA, de Roger Vadim (DVD)
MARNIE - CONFISSÕES DE UMA LADRA, do Hitch (DVD)
O TEMPO E A MARÉ, de Tsui Hark (DVD)
O CONDE DRÁCULA, de Roy Ward Baker (DVD)
O ESTRANHO, de Steven Soderbergh (VHS) - Esse filme tá disponível em DVD???

Fora isso estou com o DVD de AUDITION, do Takeshi Miike, que chegou ontem lá de Hong Kong. Até que chegou rápido (uns dez dias).

Ah, hoje vi o documentário do George Romero da TNT. O cara é muito simpático, hein. E me interessei por alguns filmes que ainda não vi dele: MARTIN (filme de vampiro fora do comum), INSTINTO ASSASSINO (o filme do macaquinho), CREEPSHOW (só passa a parte 2 na tv), e um filme do início dos anos 80 inspirado nos cavaleiros de Camelot.

A outra novidade é que recebi o meu guia de tv por assinatura e eles estão com uma promoção: um test drive do canal de filmes pornográficos (CineSex) durante um final de semana. Acho que vou deixar pra próxima semana pra conferir. Alguém tem esse canal? Que tipo de filmes passam? Vou aproveitar pra me abastecer de pornôs gravando umas três fitas de 6 horas. Hahahah!

Até mais!

segunda-feira, fevereiro 24, 2003

SPIELBERG EM TRÊS FILMES

No final de semana eu preparei uma verdadeira overdose de Steven Spielberg. Além do novo filme, que eu vi no cinema, vi também A COR PÚRPURA e um filme da década de 60 em que Spielberg participou dirigindo um dos segmentos. Aí vão os comentários.

PRENDA-ME SE FOR CAPAZ (Catch me if you can)

O novo Spielberg já conquista o espectador com os créditos de abertura. Os créditos tem cara de anos 60, mas ao mesmo tempo são modernos. Leonardo DiCaprio está ótimo como o falsário com estilo que enganou muita gente nos anos 60, fazendo-se passar por professor, co-piloto de avião, médico e advogado. O filme é cheio de situações leves e engraçadas. Vendo o filme me lembrei de uma entrevista do Spielberg, em que ele contou que também já teve seus dias de enganar as pessoas. Ele entrava de gaiato num set de filmagens de Hollywood quando jovem. Talvez tenha feito outras estripulias. Já Tom Hanks, apenas faz o seu trabalho e Christopher Walken não passa de um canastrão gente fina. Esse negócio de indicação ao Oscar, sei não. Ah, e a trilha do John Williams está caprichada. Não é o melhor filme do ano, mas é um dos destaques.

A COR PÚRPURA (The Color Purple)

Voltando no tempo para o ano de 1985. Nesse ano, Spielberg arriscou o seu primeiro filme "sério", foi esnobado pela academia e dividiu opiniões. Eu, quando comecei a ver esse filme quando ele passou na Globo há mais de uma década, achei super-piegas aquela cena da separação das irmãs e não quis mais ver o filme. Outro que até hoje não vi por preconceito é O IMPÉRIO DO SOL. Estava num dia bom quando gravei esse filme da TNT, que exibiu esse filme com close caption em inglês. Aí eu não perdi a oportunidade pra gravar também com a tecla sap com o som original. E quanta diferença. Deu pra ver a linguagem "errada" dos negros do início do século XX, cheios de "I´s", "you´s", "womens", falta dos verbos nas frases etc. Outra curiosidade, o filme tem em sua trilha a canção "Miss Celie´s Blues", que Renato Russo gravou no disco de covers STONEWALL CELEBRATION CONCERT. Será que ele se inspirou no filme pra pegar a canção? Com relação ao lado melodramático de Spielberg, ele me incomoda na marioria das vezes. Apenas A LISTA DE SCHINDLER me "pegou", me fazendo chorar de fato. Na grande maioria dos filmes, achei esse lado melodrama muito forçado. Em A COR PÚRPURA, uma cena em particular me emocionou: a cena em que a cantora volta à igreja cantando aquelas canções gospel na frente de seu pai, pastor. Talvez por causa de meu passado gospel. É um filme de de boas interpretações (Danny Glover, Whoopi Goldberg, Margaret Avery, Oprah Winfrey), de belas imagens e de uma ótima reconstituição de época. No fim das contas, mudei de opinião a respeito do filme.

RETRATOS DE UM PESADELO (Night Gallery)

O ano agora é 1969. E Spielberg, antes da fama, dirigiu um dos episódios pilotos da série de tv NIGHT GALLERY. Aliás, em 1970 ele dirigiu outro (chequei agora no IMDB), chamado "Make me Laugh". A série é estilo Além da Imaginação ou Night Visions. O segmento do Spielberg se destaca dos demais, mais fraquinhos. O primeiro segmento, "The Cemetery", conta de um sobrinho que mata o velho tio para herdar a casa. O terceiro, "Escape Route", é o mais fraco e conta a história de um nazista aterrorizado pelos fantasmas dos judeus mortos no holocausto. O segundo episódio, "Eyes", dirigido pelo Spielberg é de longe o melhor. Traz Joan Crawford como uma cega de nascença que compra os olhos de um cara desesperado por causa de dívidas apenas pela possibilidade de enxergar por 11 horas. A história é angustiante. Sempre fico angustiado com essa coisa de se ficar cego, tirar os olhos. Lembrei na hora de MINORITY REPORT, com Tom Cruise fazendo aquela cirurgia de troca de olhos. Perturbador. Gravado da TNT.

domingo, fevereiro 23, 2003

A MÃO DO DIABO (Frailty)

Esse final de semana entrou em cartaz aqui em Fortaleza um filme que eu esperava há meses. E duvido muito que ele vá ficar mais de uma semana em cartaz - a sala que eu fui estava cheia de cadeiras vazias. A MÃO DO DIABO (Frailty) é ótimo. Ele foi escolhido o melhor terror de 2002 por um site especializado em filmes do gênero. Só acho que o título nacional não ficou muito bom. Se fosse "A Mão de Deus" combinaria mais com o filme.

A história: Matthew McConaughey chega numa delegacia de polícia para dizer ao delegado quem era o assassino que se dizia "a mão de Deus". Conta sobre seu pai (Bill Paxton) que em 1979 alegava ter recebido uma visão de um anjo. O anjo lhe encarregara da missão de destruir demônios que estavam em sua cidade.

A melhor coisa do filme é ficar em dúvida se o que ele diz é mesmo verdade ou se é tudo loucura e ele está matando pessoas inocentes e na frente das crianças. Bill Paxton tem dois filhos: um deles acredita na sua história; o outro duvida e acha tudo loucura e fanatismo do pai.

Prepare-se para a reviravolta no final que vai por em questão tudo o que o filme até então tinha dito. Mas é esse caráter dúbio que faz de A MÃO DO DIABO um diferencial entre a atual produção de terror americana. O filme não apela em nenhum momento para efeitos especiais ou efeitos gore. É na história, no clima e nas interpretações que o filme se sustenta. Quem tiver a oportunidade de conferir, não perca.

terça-feira, fevereiro 18, 2003

PHENOMENA



Nesse fim de semana eu tive o prazer de asssitir PHENOMENA, do grande Dario Argento. Quanto mais nos familiarizamos com o universo de Argento, mais gostamos. Em PHENOMENA, encontramos muitas auto-referências. A garota (Jennifer Connelly) chegando para estudar numa escola remete imediatamente a SUSPIRIA. Estão lá também o assassino de luvas pretas, uma cena de Miss Connelly mergulhando no lago e fazendo lembrar de uma cena clássica de INFERNO, o vento soprando e fazendo aquele barulhinho assustador, como em SUSPIRIA.

No filme, Jennifer Connelly é uma estudante americana que vai estudar na Suíça. Ela tem poderes telepáticos com os insetos e é sonâmbula. O local está sendo assombrado por assassinatos misteriosos. Na investigação do crime está um velho cientista (Donald Pleasance) numa cadeira de rodas, sempre acompanhando por um simpático chimpanzé. Com todos esses ingredientes, Argento ainda pôe algumas cenas de decapitação, ataques de insetos, mergulhos em poços fétidos, "monstros" escondidos, espelhos encobertos. Aliás, tem coisa mais assustadora no filme que aqueles espelhos? De arrepiar aquilo, hein?

A meia-hora final é tão repleta de acontecimentos que só vendo. PHENOMENA é filmaço. E cada vez eu gosto mais de Argento. Acho que vou ter que fazer um novo rolo com o Fab Rib. Hheheheh.. Ainda falta eu ver um monte: LA SINDROME DI STENDHAL, TENEBRE, NON HO SONNO e todos os filmes anteriores a PROFONDO ROSSO.

segunda-feira, fevereiro 17, 2003

FILMES DE DIAS SOMBRIOS

Ainda não estou bem, como gostaria, mas isso não tem impedido de eu ver os filmes que estão passando nos cinemas. Ainda estou sentindo febre todo dia e não sei quando vou ter uma vida normal de novo. A pergunta que eu mais tenho odiado ouvir é "você está melhor?". Tenho me tornado um cara cada vez mais antipático. E aqui no trabalho o ar condicionado tá quebrado e eu estou suando pra caramba. Bom, chega de reclamar. Vamos aos filmes.

EDIFÍCIO MASTER

Esse eu vi na segunda-feira da semana passada. Muito bom. Eduardo Coutinho é mesmo o melhor documentarista brasileiro. É incrível como ele tirou do nada um filme tão bonito. A idéia do filme é pegar depoimentos da vida de pessoas que moram no Edifício Master, prédio situado no bairro de Copacabana. Não existe um tema fixo como em SANTO FORTE, que abordava o tema da religião. Aqui, os moradores do prédio tem a liberdade de falar o que quiserem de suas vidas. Depois da edição final, o resultado é fantástico. Vendo um filme desses percebe-se o quanto todas as pessoas tem algo de interessante para contar. Os casos mais memoráveis do filme são: o senhor que canta "My Way" e tem orgulho da vida que levou; a garota que tem medo de olhar nos olhos das pessoas e que faz poesias simbolistas; o homem que chora ao se lembrar do tempo em que sua mãe morreu; entre outros. Eu ainda vou ver um dia o CABRA MARCADO PARA MORRER, do Coutinho. Dizem que esse filme é algo.

NAVIO FANTASMA (Ghost Ship)

Seguinte: se for pra comparar com o horroroso 13 FANTASMAS, filme anterior de Steve Beck, NAVIO FANTASMA é ótimo. Mas não quero nivelar por baixo. O filme é bem mais ou menos. Tem seus bons momentos e o final é bem humorado. Deu pra dar algumas boas risadas. Mas em se tratando de sustos, o filme é bem fraco. Mas tem um bom andamento narrativo e não cansa o espectador. O início sanguinolento do filme também é muito bom. Quem sabe no terceiro filme, Steve Beck faça algum trabalho que preste.

PARAÍSO (Heaven)

Ótimo filme de Tom Tykwer, diretor de CORRA LOLA CORRA e INVERNO QUENTE. O que torna o filme especial é o roteiro de Krzysztof Kieslowski e Krzysztof Piesiewicz (eta nomezinhos ruins de escrever. Thanks, IMDB). O filme é o primeiro de uma nova trilogia escrita pelos homens: PARAÍSO, PURGATÓRIO e INFERNO. A Miramax comprou os direitos e os filmes serão dirigidos por cineastas e elenco diferentes. Alguém tem notícia dos outros filmes? Quando chegarão? Se serão uma continuação da história de PARAÍSO? Quem são os diretores cotados? No filme, Cate Blachett (adoro ela) planeja matar um empresário utilizando uma bomba. Acontece que a bomba acaba matando quatro pessoas que nada tinham a ver com a história. Mas a história principal é a paixão do policial Giovanni Ribisi por ela. A pergunta chave do filme é: o que você arriscaria por amor? A fotografia do filme é caprichada e Tykwer mostra imagens belíssimas e de encher os olhos.

DEPOIS DA VIDA (Wandafuru raifu)

Filme bem interessante do japonês Hirokazu Koreeda. Parece que esse é o segundo título dele que chega aqui no Brasil. O primeiro foi MABOROSI, disponível em vídeo, mas posso estar enganado. No filme, pessoas, depois de morrerem, são levadas para que uns guias o auxiliem na passagem para a outra fase do pós-vida. Nessa fase, elas devem escolher um momento de suas vidas para levarem para a eternidade. O clima é bem estranho, meio surrealista (a falta de uma trilha sonora e o clima onírico me lembrou Buñuel). Além do mais, é um filme que desperta a reflexão e nos faz lembrar de ótimos momentos de nossas vidas. E vocês? Se fossem escolher o melhor momento de suas vidas, que momento escolheriam? Uma noite de sexo? Uma lembrança da infância? Um beijo inesquecível? Uma farra rock and roll? Pra se pensar.

domingo, fevereiro 09, 2003

GANGUES DE NOVA YORK



Finalmente, depois de dois dias de uma gripe que me abateu já no fim do processo de recuperação da cirurgia, hoje fui ver GANGUES DE NOVA YORK, do grande Martin Scorsese. Eu não estava esperando muita coisa. Muita gente tá malhando o filme e o trailler ficou uma grande droga. Um trailler daqueles não serve de propaganda do filme de jeito nenhum. Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, como diriam o Hermes & Renato. A verdade é que o novo Scorsese é uma maravilha. Só aquele cenário, uma cidade toda construída nos estúdios da Cinecitá, na Itália, já é de tirar o chapéu. Curti cada cena dos 166 minutos do filme. A interpretação do trio (DiCaprio, Day-Lewis e Cameron Diaz) principal está excelente. Eu destaco como uma grande cena, uma em que DiCaprio está na cama com a Cameron e o Day-Lewis chega pra conversar. Naquela cena, cheia de silencios, o público ficou caladinho e ficou tudo perfeito. A parte final do filme, apocalíptica e caótica ficou sensacional. Botaram até um elefante naquela zorra. Hehehehe.. O único problema foram os cortes que Scorsese teve que fazer por imposição da Miramax. Devem sair posteriormente numa edição em DVD. Ou não. Por causa desses cortes, a parte da história americana, a grande história por trás da história das gangues, ficou um pouco prejudicada. Mas nada que alguns livros de história não resolvam. Heheh..Ah, o final com a música do U2, instrumental, ficou lindão. Scorsese é grande, gente. É grande. Olhando pra ele não tem quem diga. Heheheh. Obra-prima.

sexta-feira, fevereiro 07, 2003

TRÊS ÓTIMOS FILMES

Hoje foi o meu dia de retorno para as ruas depois de passar dez dias enfurnado dentro de casa. Graças a Deus as coisas estão dando certo e eu estou melhorando mais rápido. Depois do curso de inglês ainda peguei um cineminha. Fui ver DEUS É BRASILEIRO, do Cacá Diegues. E comprei o VIEUPHORIA, DVD dos Smashing Pumpkins. Sou fã, né? Tem que ter esse disquinho. Já dei uma olhada em 30 minutos de material. São 160 minutos!!! Legal. Eles tocando "Today" com o público cantando junto é emocionante. Vou aproveitar pra comentar os ótimos filmes que vi de ontem pra cá. (Levei sorte.)

DEUS É BRASILEIRO

"Minha vida é andar por esse país pra ver se um dia descanso feliz..."

Eu já estava desanimado com Cacá Diegues. O cara tinha feito um monte de filmes ruins nos últimos anos(DIAS MELHORES VIRÃO, TIETA, ORFEU) e eu já imaginava que ele nunca mais iria fazer filmes legais como no passado. Pois não é que eu adorei DEUS É BRASILEIRO? O filme remete aos bons tempos de BYE BYE BRASIL e CHUVAS DE VERÃO. É uma delícia de ver e quem, como eu estava, ainda estiver com preconceito ou desânimo pra ver o filme, vá lá que é diversão garantida. Trata-se de um road movie ao estilo de BYE BYE BRASIL, apresentando Antonio Fagundes no papel de Deus. Seu objetivo é tirar férias e ele quer arranjar um santo brasileiro pra ficar no lugar dele enquanto ele viaja. O santo é um tal de Quincas. Com a ajuda de um sujeito muito malandro e de uma belíssima Paloma Duarte, o velho enjoado viaja pelas praias e pelo sertão de Alagoas e Pernambuco. As imagens de Affonso Beato estão no capricho. Divertido e tocante. Parabéns ao Cacá.

IRMA VEP

Irma Vep é um anagrama pra "vampire". É também o nome da personagem de um filme que um diretor francês quer fazer baseado num filme filme mudo. A atriz que vai fazer a personagem é Maggie Cheung, uma linda chinesa que trabalhou em alguns filmes de Jackie Chan. O filme é um prato cheio pra quem curte os bastidores de uma produção cinematográfica. Eu diria que é melhor que VIVENDO NO ABANDONO, de Tom DeCillo, e quase tão bom quanto A NOITE AMERICANA, do Truffaut. O diretor é Olivier Assayas. Nunca vi nenhum outro filme dele, mas quero conhecer mais desse sujeito. Queria agradecer muito ao Renato que me gravou esse filme. Se não fosse por ele, eu não teria nem ouvido falar, já que é um filme um pouco obscuro (pouco se fala dele). O final é chapante.

CHAGA DE FOGO (Detective Story)

Já tinha gravado há algum tempo da BAND e só ontem fui conferir essa pérola. CHAGA DE FOGO (1951) é um filme de William Wyller sobre a rotina de uma delegacia de polícia, estrelado por Kirk Douglas. Achei o estilo bem parecido com os episódios de ER. Só que em vez de se passar num hospital de emergência, se passa numa delegacia. Quando o filme estava pela metade achei que não iria ter uma história principal, apenas vários casos de prisão. Mas do meio pro final uma história se torna a principal e faz com que todas as outras histórias desaguem nessa principal. Confesso que chorei com o drama de Kirk Douglas e a esposa. Quem ainda não viu, fique de olho. A band pode reprisar qualquer dia desses. Vale muito. De novo, dica do Renato. Valeu!

terça-feira, fevereiro 04, 2003

CINCO FILMES

Depois de muito tempo de curiosidade, finalmente pude ver CANIBAL HOLOCAUSTO, graças ao amigão Fab Rib. Além do filme do Deodato, vi ainda DOG SOLDIERS, um terror inglês dos anos 60, uma ficção pop besteirol e uma comédia de humor negro de Larry David. Comento os filmes abaixo:

CANIBAL HOLOCAUSTO (Cannibal Holocaust)

Antes mesmo de eu conhecer a famosa lista de discussão do Thomaz, Carlão Reichenbach já me despertara a curiosidade pra ver esse filme na sua saudosa coluna. Fica até difícil comentar o filme, já que ele desperta sentimentos tão contraditórios. Se, por um lado, acho o filme sensacionalista beirando o cara-de-pau, por outro, quem não tem curiosidade de ver filmes de canibais fazendo pessoas em pedaços? Como eu estava com muita expectativa em relação ao lado chocante do filme, ele acabou não me chocando, não. Vale destacar o realismo das cenas de violência e selvageria. Aliás, selvagem é o adjetivo certo pra esse filme. Não apenas os canibais são selvagens, como também o grupo enviado pra "pesquisar" a tribo. E a direção de Ruggero Deodato também. Quanto à música tema do filme, achei ela muito deslocada em algumas cenas. Quanto à comparação com A BRUXA DE BLAIR, se for pra escolher o melhor, prefiro o americano. Mas o filme do Deodato é muito corajoso e primitivo. Valeu.

DOG SOLDIERS

Outro filme da fita que o Fábio gravou. O filme vai sair em VHS/DVD nos próximos meses, mas ver antes do filme chegar no Brasil dá uma sensação boa de "vi primeiro". Hhehehe.. O filme é bem bom. Tem cenas de tensão dentro da cabana cercada de lobisomens (referência a A NOITE DOS MORTOS VIVOS, do Romero). O filme parece estar dando início a uma boa safra de filmes de terror vindos da Inglaterra. (Vem aí EXTERMÍNIO, do Danny Boyle). Tomara.

CARRASCO DE PEDRA (It!)

Gravei esse filme por engano. Achei que estaria gravando o IT, adaptação do livro de Stephen King. Mas foi erro do guia de tv a cabo daqui. Trata-se de um filme de terror inglês dos anos 60. Até fiquei imaginando se não é produção da Hammer... Alguém sabe dizer? A história do filme é sobre uma estátua de pedra do século XVII que é encontrada por chefes de um museu. Um sujeito que guarda o esqueleto da mãe em casa, no estilo Norman Bates, começa a se interessar pelo lado mágico da tal estátua. Filme bacana. Gravado da TNT.

TANK GIRL

Filme bem sessão da tarde com elementos que lembram DUNA (a falta de água no planeta) e MAD MAX (o futuro decadente), só que colorido como uma história em quadrinhos. Outra curiosidade do filme é Naomi Watts (CIDADE DOS SONHOS, O CHAMADO) no elenco. Mas a melhor coisa é mesmo a trilha sonora com muita banda de rock boa. Mas se trilha sonora fizesse filme bom... Gravado da Globo.

ATÉ QUE O DINHEIRO NOS SEPARE (Sour Grapes)

Dessa safra de filmes, o que mais eu gostei foi essa comédia de humor negro de Larry David, o cabra bom que dividia a autoria de SEINFELD com Jerry Seinfeld. Pena que esse é o único longa-metragem que o cara dirigiu. A história é divertidíssima. Dois amigos vão aos cassinos de Atlantic City e um deles, depois de pedir duas moedas a outro, ganha quase meio milhão de dólares. A confusão começa quando o sujeito que deu as moedas quer metade da grana. Nem dá pra imaginar o que o filme nos reserva. Maravilha de comédia, hein. Valeu, Renato, pela dica!! Agora é esperar que CURB YOUR ENTHUSIASM venha pra alguma tv brasileira. Gravado do SBT.

domingo, fevereiro 02, 2003

OS FILMES DA CONVALESCENÇA

Alguns comentários rápidos dos 10 filmes que peguei na locadora pra ver durante esse período de recuperação. Eis os filmes:

TRISTANA

Excelente filme de Luis Buñuel. Pra mim, é uma obra-prima do nível de A BELA DA TARDE, O ANJO EXTERMINADOR e ESSE OBSCURO OBJETO DO DESEJO. Descobri que gosto mais de Buñuel do que de Bergman, apesar de me identificar mais com esse último. Acontece que o espanhol tem um poder muito maior de nos prender a atenção. Ele, assim como David Lynch, mesmo sem entregar o jogo e às vezes apresentar filmes herméticos e cheios de simbolismos, traz aquela coisa enigmática que está sempre nos convidando a continuar vendo. Sem falar na habilidade narrativa. TRISTANA é um dos filmes mais acessíveis do mestre. Não tem muitas complicações narrativas. É a história de Tristana (Catherine Deneuve) que fica órfã e vai morar com o velho Fernando Rey, que fica sendo seu tutor, mas que também a possui. Completando o trio principal tem Franco Nero como o amante de Tristana. Mas quem pensa que o filme é só mais uma trama de traições, não sabe o que vai acontecer com a moça. Quem me despertou a curiosidade pra ver o filme foi Eduardo Aguilar, que comentou de certa semelhança deste com ESTRANHO ENCONTRO, do Khouri. Está lá a mulher que vive com um velho sem sentir amor e está lá uma certa perna postiça. A diferença é que Khouri fez o seu filme em 1958 e Buñuel em 1970. Será que houve uma certa homenagem ao nosso querido diretor brasileiro?

O FANTASMA DA LIBERDADE (Le Fantome de La Liberté)

Esse filme de Buñuel é um dos que ele exercita com mais liberdade o surrealismo. O filme não tem elenco fixo, não tem uma história única, mas uma série de acontecimentos inusitados acontecendo a diferentes pessoas. O filme começa na época das Guerras Napoleônicas, mas logo vem para a época atual (anos 70). Tem cada loucura que só vendo: tem um sobrinho querendo transar com sua tia velhinha; uma casa em que as pessoas, em vez de almoçarem, sentam em privadas e conversam à mesa; uma estátua que dá um tapa no sujeito que beijou a outra estátua; um carteiro que entra de bicicleta no quarto de um casal etc. Tem muita situação engraçada e surreal. E mesmo o filme não seguindo uma linha comum e não entregando os simbolismos que aparecem na tela, é cada vez mais instigante e estimulante. Luís Buñuel é o cara. Ele ainda é o maior cineasta espanhol de todos os tempos. Será que o Almodóvar chega lá?

KEOMA

Vi em duas partes esse filme do Enzo Castellari. Pra falar a verdade, não gostei muito. A primeira metade é chata pra cacete. Os diálogos são muito ruins. O filme cresce na segunda metade com aquela cena do tiroteio, da morte do pai de Keoma. Aquelas tomadas de Keoma parecendo Jesus crucificado na chuva também ficaram muito boas. Mas o filme ainda é sub-Leone e sub-Peckinpah. O próprio Franco Nero em entrevista no DVD falou que tinha dias nas filmagens de KEOMA que o Castellari dizia: hoje vamos fazer Peckinpah, referindo às cenas de tiroteios em câmera lenta. Ah, na caixinha do DVD diz que o filme tem faixa de comentário do diretor, mas é mentira. Não dá pra confiar no que diz nas caixas de DVD. Além do filme, só trailler e entrevista de 10 minutos com Franco Nero. Mas quanto ao filme, serviu pra aumentar a vontade de ver filmes de Leone, Peckinpah e John Ford.

AMOR MAIOR QUE A VIDA (Waking the Dead)

Interessante filme de Keith Gordon sobre o amor entre duas pessoas com ideologias políticas totalmente diferentes. Billy Crudup é de direita, quer ser senador; Jennifer Connelly (linda) é uma moça de esquerda, quer defender os povos injustiçados das repúblicas ditatoriais, como o Chile, por exemplo. As coisas mudam quando ele vê no noticiário sobre a morte dela. O filme é contado em flashbacks, alternando anos 70 e 80 e trazendo um final enigmático. Bonito filme. Só achei que fosse mais...apaixonado.

POLLOCK

Filme de Ed Harris sobre o pintor americano Jackson Pollock. O filme é bem tradicional, contando vários períodos da vida do pintor, mas focalizando especialmente no relacionamento dele com Marcia Gay Harden, que ganhou o Oscar por esse papel. No elenco, num papel pequeno, a bela Jennifer Connelly. Filme interessante, mas de pouco impacto.

PERSONA

Um dos filmes mais festejados de Ingmar Bergman. PERSONA (1965) mostra a relação entre a enfermeira Alma (Bibi Anderson) e uma atriz (Liv Ullmann). A atriz se fechara em seu próprio mundo recusando-se a se comunicar com qualquer pessoa. Ela é transferida pra uma casa de praia onde as duas mulheres passarão a se conhecer melhor. Isso me lembrou na hora filmes do Khouri (AMOR VORAZ e PAIXÃO PERDIDA). Mas o filme de Bergman é mais cheio de segredos. Tantos segredos que eu queria até que alguém me explicasse. Vi que no site Kinoeye tem uma interessante análise do filme, intitulada "Woman as Vampire". O filme tem imagens belíssimas - cortesia do fotógrafo Sven Nykvist - , algumas parecem saídas de filmes de terror expressionistas. Depois vou dar uma lida a respeito pra aprender mais sobre esse filme.

O OLHO DO DIABO (Djävulens Öga)

Bergman não era muito bom fazendo comédias. Acho que o forte dele é filme de gente cortando os pulsos. Heeheh.. Mas O OLHO DO DIABO (1960) até que é legal. Tem também no elenco a Bibi Anderson. A trama do filme é curiosa: o diabo encontra um terçol no olho e descobre que isso é causado por causa de uma donzela que preserva a sua virgindade. Ele manda, então, Don Juan para conquistar e deflorar a moça. O filme começa bem, mas cansa um pouco a partir da metade.

MONIKA E O DESEJO (Sommaren med Monika)

Na capa da fita da Continental tem uma frase de Godard dizendo: "O filme mais bonito do mais original dos cineastas.". Pra mim, o mais bonito continua sendo MORANGOS SILVESTRES, mas MONIKA E O DESEJO (1952) é um filme bem legal. Pena que a Continental fez uma bruta duma sacanagem fazendo um widescreen falso para esconder as legendas em inglês antes de piratear a cópia americana. Uma vergonha. Além de perder o filme nos lados, ainda perdemos em cima e em baixo. Uma outra coisa que me incomodou foi a falta de sex appeal da protagonista. Não gostei muito dela. Ainda bem que Bergman foi encontrar mulheres mais belas nos seus filmes seguintes (Bibi Anderson, Liv Ullman).

MEU NOME É COOGAN (Coogan's Bluff)

Dobradinha Don Siegel-Clint Eastwood. Como sempre, competente. Não tem o brilhantismo de outros filmes de Siegel, principalmente O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS, mas o filme tem ritmo, tem o charme de Clint e tem humor. Por falar no charme do homem, eu como representante da classe masculina, acho o cara muito mais talentoso na arte de conquistar o mulherio do que qualquer James Bond. Lembro que minha irmã, certa vez, quis ver POR UNS DÓLARES A MAIS só por causa dele. E acabou adorando o filme de Leone. No quesito humor, legal ver a separação entre os cowboys do Texas e os novaiorquinos civilizados. E pra eles, tanto faz nascer no Texas como no Arizona. Pra eles, é tudo Texas. Até faz lembrar do pessoal do sul que chama todos os nordestinos de Paraíbas. Mesmo quando o sujeito nasce no Piauí. Hehhehe..

JAMON JAMON

Esse filme de Bigas Luna mantém a tradição de conter cenas de sexo bem sensuais como em AS IDADES DE LULU e OVOS DE OURO. Diferente de OVOS DE OURO, o filme até elogia a masculinidade, em vez de mostrar o crepúsculo do macho. No filme, Penélope Cruz é apaixonada por um rapaz, mas a mãe dele não permite o namoro dos dois e trata de contratar um amante de aluguel pra conquistar a moça. O tal amante é Javier Bardem, que logo no começo do filme fica de pau duro quando está toureando. Tem tara pra tudo nesse mundo, né? Em outra cena, ele e um amigo querem tourear à noite e nús. O filme tem um monte de situações engraçadas e a personagem de Penelope Cruz (ou Cruise?) com aquele jeitão largado e com aquele vestidinho que parece que está caindo passa uma sensualidade que só vendo. Ainda bem que eu vi esse filme antes da cirurgia. Hheheeh..

Até a próxima!

quinta-feira, janeiro 30, 2003

PÓS-OPERATÓRIO PARTE 2

Aqui estou eu de volta com notícias minhas (se é que isso interessa a alguém...hehehe). Então, seguem o 3º e o 4º dias de convalescência:

3º dia

No terceiro dia, continuou a dificuldade de engolir alimentos. Até água é difícil. Tive uma crise de choro na noite desse dia. Talvez seja o auge (tomara) da depressão pós-operação. Além do mais, passei o dia cuspindo umas salivas gosmentas que criavam constantemente na minha boca (eca!). A língua está completamente branca. Mesmo tentando tirar com a escova, não consigo. Devo estar com um puta dum mal hálito com todo esse tempo de boca fechada. Pelo menos, consegui encontrar um bom lugar pra dormir numa rede, onde a azia me perturba bem menos. O ruim é que pra piorar as coisas, os filmes que tava vendo, não me ajudaram nem um pouco: dois do Bergman. Um deles (PERSONA) acredito que seja um filmaço, mas depois vou querer a ajuda de alguém pra me explicar..hehhehe..

4º dia

Acordar nesse dia foi bem menos complicado do que nos dias anteriores. A dormida na rede ao lado de uma janela ouvindo o som da chuva até que me fez bem. Sem falar que engolir agora não está tão ruim. O entretenimento foi de qualidade: quadrinhos do Frank Miller (SIN CITY - A DAMA FATAL). Pra melhorar as coisas, a Ana Paula veio aqui me visitar, assistimos HARRY E SALLY (ela também é fã do filme) e vimos trechos dos DVDs dos Cranberries e dos Rolling Stones. Legal. A conversa foi na base de papel e caneta mesmo. A saliva asquerosa diminuiu mas ainda persiste, assim como um certo gosto de comida ruim na boca. Ah, e teve dor de ouvido também. Agora tô ouvindo Flaming Lips e terminei de ver há pouco AMOR MAIOR QUE A VIDA, de Keith Gordon.

Os comentários dos filmes, continuo devendo.

terça-feira, janeiro 28, 2003

PÓS-OPERATÓRIO

Aqui estou eu no purgatório, esperando pagar o suficiente pra ir para o paraíso. E eu que nem sou católico...hehehhe...Então vamos usar a outra expressão - No Pain No Gain. Bom, eu estou melhor agora, mas esses primeiros dias depois da cirurgia são mesmo horríveis.

1º dia

Cheguei lá na clínica cedo e dentro de poucos instantes estava na sala de cirurgia. As últimas coisas que me lembro de antes da cirurgia é do balão de oxigênio (ou seja lá o que tem ali) que me deixou tonto. Depois teve anestesesia geral e enquanto estava sob o efeito dela, me lembro do médico dizendo "abra a boca" e o retorno com o "acorda" e as tradicionais tapas na cara. Meus amigos, que coisa horrível acordar com aquela respiração de Darth Vader. Um agonia mesmo, a gente querer engolir sem poder, por causa da anestesia. Depois de alguns minutos respirando fundo, fui pra sala de recuperação e lá vi um garotinho que tinha feito a cirurgia e estava chorando e cuspindo sangue. Argh. Ao meu lado uma garota ainda zonza, depois de ter feito também. Eu, hein...

Depois fui pro apartamento passar umas horas. Fiquei lá até às 19 horas, tomando sorvete, assistindo tv ou lendo o livro do Osho que minha irmã trouxera. Ao chegar em casa(de posse das malditas amígdalas num vidrinho), mais sorvete e as drogas que o médico passou. Essa dieta me fez dormir mal pra cacete, já que eu tenho estômago fraco. Fiquei tendo azia e foi uma das mais longas noites que eu passei. Sem falar na dor na garganta.

2º dia

Acordei cedo. Já não aguentava mais a cama lá de baixo e disse que queria o meu quarto (minha mãe não me deixou subir as escadas). Tive que esperar a minha irmã (a salvadora da pátria) limpar o quarto pra, só depois de meio-dia, eu ir pros meus aposentos onde pude ver alguns dos vídeos que aluguei. A febre de 38º continua e passa com o analgésico. Mas acho que de ontem pra hoje eu tive uma melhora considerável. Tomei sopinha...hehehe..O ruim é que além dos problemas físicos, de vez em quando aparece a chamada depressão pós-operação. Muito foda. Outra coisa muito chata é não poder falar. Às vezes fico impaciente quando não me entendem aqui em casa.

Hoje vi dois filmes: MEU NOME É COOGAN, do Don Siegel e MONIKA E O DESEJO, do Bergman. Comento depois, ok?

Abraços a todos!

domingo, janeiro 26, 2003

THE ROLLING STONES ROCK AND ROLL CIRCUS

Acabei de ver o DVD THE ROLLING STONES ROCK AND ROLL CIRCUS. O espetáculo tem apenas 65 minutos e nem dá pra ver o tempo passar. Sei não, mas não me sai da cabeça de que esse espetáculo era um oferecimento para o próprio Satã. O público estava vestido de vermelho e com roupas de magos. As roupas dos músicos também estavam bem diferentes. Mas, caso realmente tenha sido, acredito que o Demo tenha gostado bastante do show. Heheheh.. As cenas com o pessoal do circo é só mesmo pra dar a idéia de circo, picadeiro e tal, já que não trazem nada de realmente novo. O show mesmo está por conta das bandas.

Jethro Tull aquece o espetáculo com o rock/folk com flautas de "Song for Jeffrey". Legal. Nunca tinha ouvido nada da banda. Na guitarra, Tonny Iommy, futuro guitarrista do Black Sabbath.

The Who, com tantos músicos bons numa mesma banda, manda bem pra caramba. O começo da canção "A Quick One While he's away", com todos cantando em coro, me lembrou o Queen, que eu nem gosto mais. Mas gostei da canção, principalmente quando entram as guitarras.

Taj Mahal é outro artista que eu não conhecia. Um negão que canta bem pra cacete blues com guitarras de rock.

Vem depois a parte fofa do espetáculo: Marianne Faithfull, a namorada de Mick Jagger, e que deve ter entrado na roda dos Stones, canta em playback a belíssima "Something better". E ela estava linda.

O espetáculo vai melhorando quando entra John Lennon, com a banda The Dirty Mac, formada por Keith Richards, o baterista de Jimmy Hendrix e Eric Clapton nos solos. Eles mandam a música pra cortar os pulsos "Yer Blues". Muito boa a performance. E essa canção tem toda uma magia em torno dela, junto com todo o álbum branco. Já até ouvi boatos de que John queria se matar, por estar arrependido em ter vendido a alma ao demônio. Lendas. A horrorosa da Yoko Ono "canta" depois numa jam com a banda. Até que ficou legal.

Mas lendária mesmo é a apresentação dos Rolling Stones, que fecham com chave de ouro com 6 canções: Jumping Jack Flash (muito boa), Parachute Woman, No expectations, You can't always get what you want (uma das minhas preferidas da banda, apesar dos tons pessimistas),Sympathy for the Devil e Salt of the Earth. As duas últimas foram as mais memoráveis. De arrepiar, ver Mick Jagger arrancando a camisa e mostrando pinturas do capeta, o homenageado da noite. Sinistro e imperdível esse show.
FEMME FATALE

Acabei de vir da sessão de FEMME FATALE, do DePalma, e o filme é mesmo algo. Mas antes de o filme começar, logo quando eu cheguei no shopping me deparei com algo depalmiano: ao sair do banheiro e passar em frente a uma loja de roupas íntimas femininas, no lugar de uma manequim, lá estava uma bela garota de lingerie, sentada no lugar. Eu mesmo fiquei meio constrangido de chegar mais perto e ficar olhando pra cada detalhe da beldade que lá estava, por isso fui embora. Depois de passar numa loja de discos (fiquei tentado a comprar aquele disco solo da Paula Toller, mas resisti), eu quis voltar pra ver a moça na vitrine. Mas ao voltar, ela não estava mais lá. Pô! Isso encheu minha cabeça de "idéias". Heehhe..Será que ela estava realizando uma fantasia fazendo aquilo? Ou era mesmo marketing da loja (Assuntos Internos)? Vai saber...

No cinema, vi os traillers de EXTERMÍNIO (28 Days Later), de Danny Boyle, e percebi que vem filme de terror bão de novo por aí. Outro trailler que me chamou a atenção foi GAROTA VENENO (The Hot Chick), com o comediante Rob Scheineder. Sei lá, não ia muito com a cara dele, mas esse filme me chamou a atenção. É a história de uma menina bonita que acorda transformada em Rob Schneider.. Hehheeh..O outro filme interessante é O NOVATO (The Recruit), de Roger Donaldson e com Al Pacino no elenco.

Quanto ao FEMME FATALE é um filme que é um banquete para cinéfilos que curtem enxergar referências de outros filmes. Principalmente do próprio DePalma. Logo no início, com a homenagem ao filme noir clássico PACTO DE SANGUE. Rebecca Romijn-Stamos (alguém sabe como se pronuncia o sobrenome dela?) está vendo o filme, quase nua. Lembrei na hora de Melanie Grifith em DUBLÊ DE CORPO. Mas as auto-referências de DePalma não param por aí. Tem uma bem explícita de MISSÃO IMPOSSÍVEL, tem de HI, MOM, de UM TIRO NA NOITE etc. Sem falar que DePalma já recicla Hitchcock. JANELA INDISCRETA e UM CORPO QUE CAI são referências constantes no filme. Lá pelo meio do filme a imagem fica em tons sépias, lembrando CHINATOWN, do Polanski. Mas isso dura pouco. A música do filme, de Ryuichi Sakamoto está sempre presente e é ótima. O cara é muito bom, não fica "invisível" mesmo. Já tinha trabalho com DePalma em OLHOS DE SERPENTE. E a música que ele fez pra O CÉU QUE NOS PROTEGE é dez.

As cenas excitantes, logo no início com a Rebecca se pegando com aquela morena linda e seminua é super-sexy, assim como a cena de lap dancing no bar. Aquela cena do bar, com aquela música tocando alto ficou boa pra caramba. Aliás, cenas ótimas é o que não falta no filme. O final que lembra CIDADE DOS SONHOS de David Lynch é bem sacado, bem legal, ainda que não traga o impacto do filme do Lynch.

Se eu tenho alguma coisa a falar contra o filme, é mais a questão da falta de mais emoção, mas isso já parece ser uma marca do cinema de DePalma, mais cerebral e menos emocional. Mas nem por isso deixa de ser divertido e bem feito. Sem falar que o cara é um autor de verdade, todos os seus filmes trazem a sua marca. Os temas do duplo e o voyeurismo estão lá mais presentes do que nunca. Ah, e nem falei de Antonio Banderas, né? ehehehe.. O cara tá muito bem no filme como o fotógrafo de paparazzis.

Bom, melhor não contar mais nada. Vão ver o filme.

quinta-feira, janeiro 23, 2003

HALLSTROM E DUKE

Eu estou com uma preguiça daquelas. Não sei se é preguiça ou se é febre. Estou resolvendo aos poucos os problemas da semana, mas ainda deixei, como sou irresponsável, o mais chato dos problemas pra amanhã. Hoje só quero ir pra casa, dormir ou ver um outro Hitchcock, ou ver U2 ou Smashing Pumpkins, no DVD, com faixas de comentário. Por falar neles, descobri tardiamente o quanto os clipes de "Please" e "If God will send his Angels" são sensacionais. E quando a gente ouve a explicação dos diretores, aí que eles crescem mesmo. Dos Pumpkins, comecei a rever em ordem cronológica com os comentários.

Vou aproveitando o tempo aqui pra comentar os últimos filmes que vi. Não tenho tantos assim pra comentar, até queria deixar pra depois, pra acumular, mas quero deixar o dia com impressão de produtivo, apesar do cansaço, preguiça, febre, desânimo ou seja lá o que esteja me abatendo. Vamos aos filmes:

CHEGADAS E PARTIDAS (The Shipping News)

Lasse Hallstrom hoje é queridinho da Miramax. Aliás, acho que depois desse filme, nem a Miramax quer mais o sujeito. O filme é um pouco chatinho, mas tem bons momentos, uma ótima música, um Kevin Spacey esforçado e duas atrizes maravilhosas: Juliane Moore e Cate Blanchett. Aliás, essa última aparece de lingerie que é uma beleza. Comecei a me acostumar com a beleza fora do comum das duas e adoro o trabalho delas. No filme, Spacey é um sujeito bem loser, que é traumatizado com os maus tratos de seu pai e hoje se acha um inútil. Trabalha na parte gráfica de um jornal. A primeira mudança de sua vida acontece quando ele conhece e se casa com Cate Blanchett, que depois de alguns anos juntos passa a sair com outros caras e humilhar o coitado do marido, que fica em casa cuidando da filha. Outra mudança acontece quando ela o abandona e ele viaja com a tia (Judi Dench) pra cidadezinha gelada de seus ancestrais. É lá que as mudanças também o afetarão interiormente. Pena que do meio pro fim o filme perca o caminho. Parece que Hallstrom está numa trajetória descendente em seus três últimos trabalhos com cara de indicados ao Oscar: começou bem com REGRAS DA VIDA, está passável em CHOCOLATE e nesse filme desce ladeira abaixo.

TRAINDO O INIMIGO (Deep Cover)

Vocês se lembram do Bill Duke? No começo dos anos 90 ele dirigiu o ótimo PERIGOSAMENTE HARLEM (1991), que trazia um grande elenco de atores negros(Forest Whitaker, Gregory Hines, Danny Glover) e a bela e exuberante Robin Givens (ex-mulher do canibal Mike Tyson), numa trama ágil e divertida. Faz tempo que eu vi e me lembro de ter gostado muito. Recentemente gravei da TNT um filme de 1992 do rapaz. TRAINDO O INIMIGO traz Laurence Fishburne como um policial que se infiltra num grupo de traficantes de cocaína, com o objetivo de fazer jogo duplo até chegar ao peixe grande. Faz amizade com o traficante Jeff Goldblum e se envolve emocionalmente com uma moça da máfia. O maior drama do filme é que Fishburne se dá melhor na vida como traficante do que como policial. O filme não é tão bom quanto o anterior de Duke, mas é entretenimento dos bons.

Eu vi também SABOTAGEM do Hitchcock, mas comento em outra oportunidade.

domingo, janeiro 19, 2003

O CHAMADO (The Ring)

Acabei de vir da pré-estréia de O CHAMADO! O que eu posso dizer? É um dos filmes mais assustadores que eu já vi. E eu não me lembro de ter visto tanta gente dizendo "caralho" e "puta que pariu" na sala. Não é recomendado para pessoas com problemas do coração. Por enquanto, é o melhor filme do ano. (Claro, o ano começou agora...hehehe..) Legal ver de novo a Naomi Watts num puta filme. Depois de sua participação brilhante em MULHOLLAND DR. ela está nesse filme de Gore Verbinski. Aliás, quem é Gore Verbinski? O cara até já tem a palavra "gore" no nome. Será um novo mestre do terror pintando por aí? Será que PIRATAS DO CARIBE vai ser um outro filme muito foda? Não sei. Só sei que ver O CHAMADO é uma experiência e tanto. E eu quero ver o filme japonês que deu origem a esse (RINGU), já que dizem que o original é melhor. Só não sei como.

Pra quem ainda não sabe, o filme traz uma história sobre uma fita de video que depois que você assiste, morre em sete dias. Naomi Watts é uma repórter que tem uma familiar morta por causa da fita e decide investigar, chegando, inclusive, a ver também a tal fita. Daí em diante, tome sustos, momentos de aflição, o tempo passando, novas descobertas aparecendo e mais e mais cenas assustadoras. Assistam. Ou não.

PS: Soube agora há pouco que Gore Verbinski, além de ter feito A MEXICANA e O RATINHO ENCRENQUEIRO, fez também aquele comercial da Budweiser com os sapos. Lembram desse? Pois é, o cara era da publicidade.

sexta-feira, janeiro 17, 2003

MINI-FESTIVAL DARIO ARGENTO

PRELÚDIO PARA MATAR (Profondo Rosso/Deep Red)/ SUSPIRIA / MANSÃO DO INFERNO (Inferno)

Acabei de ver os três filmes do Argento que o Fábio mandou pra mim. Antes de comentá-los, quero agradecer muito ao Fábio e, por tabela, ao Primati e ao Thomaz por terem fornecido as cópias para o Fábio. Se não fosse por vocês, eu não teria conhecido essa preciosidade. Bom, vamos aos filmes.

O primeiro filme da fita, PRELÚDIO PARA MATAR (1975), é um giallo com direito a assassino de luvas pretas e tal. A primeira coisa que me chamou a atenção nesse filme foi a música do grupo Goblin. A música é tão legal que ver os assassinatos acaba sendo bem prazeroso. Associamos o prazer da música da banda com as mortes cruéis mostradas com muitos tons de vermelho. Já que eu mencionei o vermelho, outra marca do cinema de Dario Argento é a fotografia estilizada, a direção de arte caprichada, a câmera que sempre pega o melhor ângulo de maneira original. Enfim, o cara é um mestre mesmo. A história desse filme é até simples: sujeito é testemunha de um assassinato e o assassino começa a persegui-lo também. Junto com ele, uma repórter com um fusquinha caindo aos pedaços e que contribui para o elemento mais leve e engraçado do filme. Outro detalhe que eu achei bem característico do cinema de horror italiano em geral percebi numa cena em que o protagonista entra num velho prédio e começa a quebrar as paredes de lá à procura de um mistério escondido. Esse ato de esconder coisas (ou corpos) atrás de paredes também é visto em A CATEDRAL, de Michelle Soavi e em THE BEYOND, do Lucio Fulci. Não sei se alguém já fez esse tipo de comparação, mas talvez isso seja uma característica européia. Muitas coisas existem dentro ou debaixo de igrejas ou prédios antigos, sem falar nos esgotos. O filme também lembra o estilo de suspense de Hitchcock, com a diferença que Hitchcock já costumava entregar o assassino logo no início do filme. Pra terminar, o filme tem uma cena gore genial e inesquecível, com um carro arrastando um homem e em seguida outro passando por cima da cabeça. Coisa de louco. O filme está com áudio em italiano e legendas em inglês.

Mas o melhor estaria pra vir. SUSPIRIA (1977) está com ótima qualidade de imagem e som, graças ao DVD especial do Primati. Além do mais, tem close caption e áudio em inglês. As imagens do filme enchem os olhos e é o tipo do filme que quando termina a gente tem vontade de assistir de novo. Impressionante. SUSPIRIA é o primeiro filme da trilogia inacabada das três mães, as três bruxas. A bruxa desse filme é Mater Suspiriorum, ou a mãe dos suspiros. A história se passa em Freiburg, Alemanha, onde uma garota chega para aulas de balé. Desde a chegada dela no aeroporto até o final abrupto e sem explicações, Argento capricha na bela fotografia (muito azul e vermelho), nas cenas gore e na música, também do Goblin. Sensacional a cena em que a moça está dormindo e ouve o ruído assustador de alguém dormindo no escuro detrás da cortina. De arrepiar. O clima de bruxaria e de mortes misteriosas é fascinante e o filme não explicar muito da história acaba o tornando ainda mais charmoso. Até me fez lembrar de A BRUXA DE BLAIR, só que mais caprichado e longe do estilo pseudo-documental. Acho que dos três filmes da fita, esse é o meu preferido.

O filme seguinte, A MANSÃO DO INFERNO (1980), é o segundo filme da trilogia das três bruxas. Nesse filme, a bruxa responsável pelo tormento dos personagens é a Mater Tenebrarum, a mãe das trevas. Esse filme foi o que me deu mais trabalho de ver, já que, além de a história ser bem intrincada e misteriosa, a fita estava sem legendas e com áudio em inglês bem baixo e muito difícil de ouvir. Acabei tendo que pesquisar na internet e, achei ótimos textos do Thomaz e brilhantes ensaios sobre vários filmes de Argento no site www.kinoeye.org . Foi então que eu pude entender o que o livro que a personagem inicial do filme dizia. Através do site eu soube que o livro misterioso falava, entre outras coisas, onde ficavam as três bruxas - a mãe dos suspiros na Alemanha (mostrada em SUSPIRIA), a mãe das trevas em Nova York e a mãe das lágrimas, em Roma. As duas últimas são mostradas nesse filme. Parece que nesses dois filmes, Argento pouco liga pra explicações, o que conta mesmo é o clima de sonho/pesadelo, as mortes e o mistério. E bote mistério nisso.

segunda-feira, janeiro 13, 2003

007 - UM NOVO DIA PARA MORRER (Die Another Day)

Bom, como sempre os filmes de James Bond não são extraordinariamente bons, tem uma fórmula que eu acho ser uma camisa de força. Ainda bem que dessa vez, o homem por trás da câmera era Lee Tamahori. O cara é dos bons. Quem ainda não viu O AMOR E A FÚRIA, drama pungente que ele fez ainda na Nova Zelândia, precisa ver. Continua sendo o melhor filme dele, ainda que ele tenha feito outros filmes legais quando Hollywood o fisgou (NO LIMITE, NA TEIA DA ARANHA). Mas acho que ele fez a diferença nessa nova aventura. Fez um James Bond mais humano e frágil, dentro do possível, é claro. Não dá nem pra comparar esse filme com o anterior, o horrível O MUNDO NÃO É O BASTANTE. Arghh.. Esse começa muito bem e a cena seguinte, o clipe da Madonna, mostrando fogo, gelo, escorpiões e James Bond sendo torturado, corre o risco de ser o melhor da série. Bem legal mesmo. E a canção da Madonna, que inicialmente eu não gostei, no cinema eu achei uma beleza. A ponta da Madonna no filme é que foi meio sem graça, mas tudo bem. O filme também acertou nas Bond girls - Halle Berry e Rosamund Pike são lindas, eu, preferindo essa última. Os vilões também não fazem feio ( Zao e Gustav Graves). Como sempre, me canso no final com esse tipo de filme, cheio de explosões. Mas apesar de tudo, esse saiu melhor que a encomenda.

DAMAS DE FERRO (Sa tree lex)

Esse filme eu assisti no primeiro domingo do ano. E nem quis comentar logo porque odiei o dito cujo. É a história real (!) de um time de voleibol formado por gays e travestis e que ganhou o campeonato nacional da Tailândia. Duas coisas que fizeram eu não ter gostado do filme: 1) não gosto de filmes sobre esportes e 2) não gosto de filmes mostrando bichas loucas desvairadas, e apelando pra piadas, estilo PRISCILA. Não curto os gêneros. E o que é que eu tava fazendo naquela sala? Eu mesmo me perguntava isso. A tortura durou 1h40min. E o pior é que a sala do Espaço Unibanco tava cheia. O pior veio depois quando voltei pra casa e ainda peguei o ônibus errado. Fui parar no terminal do Siqueira e demorei horas pra chegar na minha casa, sofrendo da maldita amigdalite. Arghh.. E eu que queria esquecer isso. Não riam de mim, por favor.

O SUSPEITO DA RUA ARLINGTON (Arlington Road)

Em 1999 eu fui ao cinema ver esse filme mas devido a problemas no projetor, eu só pude ver metade dele. O ruim é que eles deram um vale ingresso, mas na semana seguinte o filme já tinha saído de cartaz. Só agora no finalzinho de 2002 eu fui alugar o DVD. Gravei numa fitinha VHS e vi recentemente. Filmão esse do Mark Pellington. Da primeira a última cena, o filme empolga. Na história, Jeff Bridges começa a suspeitar que o seu vizinho, Tim Robbins, é um terrorista perigoso. A tensão cresce até o momento final, com uma conclusão bem fora do comum. E outro destaque é Joan Cusack como a esposa de Robbins. Assustadora com aquele sorriso dela. Caramba! Não sei se o filme teria sido feito hoje, depois dos ataques de 11 de setembro. Ah, e no DVD, tem o final alternativo também.

sexta-feira, janeiro 10, 2003

FESTIVAL DE WESTERNS



Como atualmente tá difícil ver filmes bons no cinema, temos que apelar para a telinha. Recentemente vi quatro westerns de boa (ou ótima) qualidade. Seguem abaixo os comentários dos mesmos:

WYATT EARP

Este épico de mais de 3 horas de duração, dirigido por Lawrence Kasdan (um de meus diretores favoritos) conta a história do lendário homem da lei Wyatt Earp (Kevin Costner) desde a sua adolescência, quando tentou fugir de casa para ir para a cidade, mas foi impedido pelo pai (Gene Hackman), até a velhice. Em se tratando de atores, WYATT EARP é o western que tem um dos melhores elencos que eu já vi. Além dos já citados Kevin Costner e Gene Hackman, o filme ainda traz Dennis Quaid, Michael Madsen, Isabella Rosselini, Bill Pullman, Jeff Fahey, Tom Sizemore, Téa Leoni, entre outros. O filme tem aquele estilo lentão característico dos filmes de Kasdan, mas com um tom mais épico, acentuado pela bela trilha de James Newton Howard. A história tem tons trágicos já do início quando Earp sofre pela perda da esposa e parte para uma vida errante. Quando se torna xerife, ele adota o desarmamento nas cidades por onde passa. Além de o filme ter um Kevin Costner no auge da carreira, um outro destaque é Dennis Quaid no papel de um tuberculoso Doc Holiday. Esse personagem é fascinante. Interessante conhecer essas lendas americanas do século XIX. Vale muito assistir esse filme, nem que seja "em fascículos", por causa da longa duração. Uma curiosidade: no IMDB constam 28 filmes com o personagem Wyatt Earp e 20 com Doc Holliday.

Um diálogo entre Earp e Holiday:
Wyatt Earp: You been a good friend to me, Doc
Doc Holliday: Shut up.


WILD BILL

Wild Bill foi outro lendário homem da lei do oeste americano. Ele foi contemporâneio do mais lendário ainda Buffalo Bill Cody, que aparece rapidamente no filme, interpretado por Keith Carradine. Quem faz o papel título é Jeff Bridges. No começo achei meio esquisito ver Bridges de cowboy, mas depois fui me acostumando. O grande drama da vida de Wild Bill é que ele tinha glaucoma. Ele sabia que iria ficar cego e sofria de dores nos olhos. O filme começa contando de fases importantes da vida de Bill até se centrar no último período de sua vida, quando ele está sofrendo com a doença e com a perseguição do garoto David Arquette. O elenco também é estelar: além dos já citados, tem as beldades Diane Lane e Christina Applegate e também Ellen Barkin e John Hurt. Esse telefilme não é dos melhores de Walter Hill, mas é bem melhor do que o último filme do homem (O IMBATÍVEL).

ONDE COMEÇA O INFERNO (Rio Bravo)

RIO BRAVO, de Howard Hawks, é um dos filmes mais festejados do gênero western. Depois de tanto ouvir falar de sua influência em obras de John Carpenter (ASSALTO À 13a D.P. e FANTASMAS DE MARTE), resolvi eu também conhecer o célebre filme. Não é dos meus westerns favoritos, ainda prefiro John Ford e Sergio Leone, mas o filme de Hawks tem um charme especial. John Wayne é um xerife de uma cidadezinha que toma conta de uma delegacia com um único preso. Os seus ajudantes são um alcóolatra (vivido por Dean Martin) e um velho aleijado. Ele, ao mesmo tempo, tem que lidar com a falta de jeito com as mulheres. Uma especialmente bela o assedia. O filme tem muito bom humor, uma cena final de tiroteio excelente e o eterno cowboy John Wayne. Não dá pra reclamar, né?

FÚRIA NO ALASKA (North to Alaska)

Por falar em John Wayne e bom humor, esse filme que passou no Corujão da Globo dias atrás me pegou de surpresa. É um filme de Henry Hathaway que se assume como comédia. E o legal é que John Wayne se sai como um ótimo comediante. A história gira em torno de Sam (Wayne) levar uma garota francesa até seu amigo, no Alaska. Como a mulher se casou, Wayne decide levar outra francesa, esta prostituta (a bela atriz Capucine - que nome, hein? heheheh). Acontece que ele se apaixona pela francesa e aí quando ele chega no Alaska as coisas se complicam. Filme bem legal e divertido.

segunda-feira, janeiro 06, 2003

MINI-FESTIVAL JACKIE CHAN

"I don´t use special effect, I am the special effect..."
(Jackie Chan)

Nos últimos dias assisti a três filmes com Jackie Chan, puxados pelo mais recente filme do chinês simpático nos cinemas. Alguns comentários rápidos:

O TERNO DE 2 BILHÕES DE DÓLARES (The Tuxedo) - 2002

Talvez o mais fraco dos filmes que Chan fez em Hollywood. Tem alguns momentos bons e bem engraçados, mas o problema é a história, meio boba, envolvendo um terno super-poderoso. A melhor coisa é mesmo o próprio Chan e Jenniffer Love Hewit na cena de vestidinho azul (Meu Deus! O que é aquilo?) Engraçada a cena em que ela dá um código secreto pra ele e ele quebra a cara. Outra cena que vale o ingresso é a cena em que Chan imita o James Brown, cantando "Sex Machine". É um filme fraquinho que não explora bem o grande potencial de Jackie Chan, mas que também não chega a ser ruim.

A HORA DO RUSH (Rush Hour) - 1998

Esse já funciona melhor. Há tempos tinha guardado numa cópia do SBT. Aproveitei que ia ficar em casa no dia 1º de janeiro e, depois da posse do Lula, chamei o meu sobrinho, que adora o Jackie Chan, pra assistir comigo. Apesar de falarem mal do Chris Tucker, eu acho ele divertido. A primeira cena dele contracenando com Jackie Chan e achando que esse não falava inglês é ótima. Mas como quem quer ver filmes de Chan, quer ver as lutas bem coreografadas e divertidas, A HORA DO RUSH decepciona um pouco. Mas não deixa de ser bem divertido. A continuação manteve o bom nível e vem aí A HORA DO RUSH 3.

QUEM SOU EU? (Who Am I? / Ngo si sui) - 1998

Esse já é um puta filme de Chan. Ele é um dos diretores do filme, por isso o filme é tão bom. No filme, ele é o agente Jackie Chan (mesmo nome do ator) que cai de um avião e perde a memória. Ele é salvo pelas várias árvores que amortecem a queda e pela tribo indígena africana que trata dele. De bolar de rir a cena em que ele, já vestido de índio, vai salvar um sujeito que levou uma mordida de cobra. Depois disso o filme ainda tem muita ação e muitas situações engraçadas. É o que eu chamo de diversão nota 10 e pra toda a família. É altamente prazeroso ver um filme desses, sem pretenção alguma, mas que vale muito mais do que um monte de filme metidos a intelectuais. Talvez o melhor filme de Chan nos anos 90. Gravado da Record.

Infelizmente, apesar de bem legais, os três filmes ainda não representam o melhor da filmografia do rapaz. Ainda pretendo ver os filmes dele da década de 80 produzidos em Hong Kong. Dizem que tem coisas sensacionais nessa fase.

sexta-feira, janeiro 03, 2003

TRÊS FILMES

Comento a seguir três dos últimos filmes que vi no finalzinho de 2002:

O SENHOR DOS ANÉIS: AS DUAS TORRES (The Lord of the Rings: The Two Towers)

Ainda que eu prefira o primeiro, AS DUAS TORRES é uma continuação excelente do primeiro filme. O começo do filme é genial, mostrando Gandalf lutando contra o Balrog, sendo que isso aparece como sonho de Frodo, agora no caminho com Sam para destruir o Um Anel. O astro do filme é mesmo Gollum, o mostrengo que percegue os dois hobbits. O personagem teve a sua personalidade esquizofrênica bem delineada e até cogita-se do ator ser indicado ao Oscar pela ótima performance. Com a sociedade dividida, os outros dois hobbits são sequestrados pelos orcs, e Aragorn, Legolas e Gimli vão ao seu resgate. Outro destaque do filme e que acabou o deixando com um aspecto mais trash são os ents, criaturas meio homem/ meio árvore, que habitam uma floresta. Os ents é o lado mais explicitamente ecológico da obra de Tolkien. Continuo achando que quem leu os livros com certeza vai continuar se divertindo mais do que quem não leu. É ótimo esperar como determinada cena vai ser materializada no filme. Algumas situações foram modificadas, como a intervenção dos ents na torre de Saruman, o lado mais vilanesco de Faramir e a decisão por deixar a cena da Laracna para o início do próximo filme. No livro AS DUAS TORRES, o final é bem mais dramático por conta dessa cena, com Sam e Frodo numa situação complicadíssima. Por falar em Sam, continua o lance meio gay entre eles. O público não deixa passar quando Sam diz a Frodo: "Sou eu, sr. Frodo, o seu Sam." A batalha no abismo de Helm foi muito bem feita, mas faltou sangue, faltou mais realismo. A cena ficou muito limpinha por causa dos efeitos de computador. Mas isso não chega a comprometer o filme, que tem um ritmo bem mais fluido do que o primeiro, apesar da apresentação de novos personagens. Agora é esperar pelo RETORNO DO REI (Aragorn) no final de 2003.

ESTRANHO ENCONTRO

Quando eu fui na última sexta-feira pra locadora e vi que tinha um filme do Khouri que eu ainda não tinha visto eu não pensei duas vezes e peguei a fitinha. A imagem e o som não estão lá essas coisas, mas depois que a gente esquece esse detalhe, dá pra curtir o filme que é uma beleza. Esse é de 1958 e é dos tempos da Vera Cruz. Realmente a gente sente um pouco como se estivesse vendo filme americano, diferente dos filmes posteriores mais influenciados por europeus (Antonioni e Bergman). Apesar disso, ESTRANHO ENCONTRO é excelente. A gente tem uma sensação de que tá vendo cinema noir americano da década de 40. O que não é um problema. Às vezes a gente tem impressão que tá vendo um filme do Otto Preminger ou do Nicholas Ray. Na história, mulher misteriosa aborda homem na estrada. Ele a leva para a sua casa e a esconde da esposa e dos empregados da casa. Um misto de suspense e história de amor. Uma prova de que Khouri já era fodão já no início da carreira.

A CASA ASSASSINADA

Na mesma seção de filmes nacionais, essa fita de Paulo César Saraceni me chamou a atenção. Esse filme, de 1971, tá com um som de péssima qualidade. Mal dá pra ouvir o que os atores falam, sem falar na telecinagem, que às vezes mostrava só as mãos de duas pessoas falando. Outro problema é que com meia-hora de filme eu não tava entendendo nada. Aí, dei uma paradinha, entrei na internet e vi uma pequena sinopse do filme. Muito doido, por sinal. No filme, Norma Bengell é uma mulher que vai morar numa casa no interior de Minas Gerais depois de casar. Na casa, há também o irmão enciumado de seu marido, um sujeito que passa o dia trancado no quarto bebendo vinho e vestido de mulher e mais gente pirada. Êta filminho mais chato! Quando eu fui pegar a fita, a moça da locadora me falou: "é dublado". Eu falei: "ora, mas é brasileiro..." Heheheh.. O importante é que com esse filme não dá pra rotular Saraceni de diretor difícil. Tinha visto antes apenas NATAL DA PORTELA (que gostei muito), quando o FestRio veio pra Fortaleza (!!!) em 1989 (ou 1990?) e ele tem uma estrutura bem mais clássica e apolínea.