quarta-feira, setembro 21, 2016

DE PALMA



Tem sido triste ver essa diminuição no ritmo dos filmes de Brian De Palma, e a não chegada em nossos cinemas de filmes como GUERRA SEM CORTES (2007) e PASSION (2012). Para vê-los, tive que apelar para meios alternativos. O que é ruim, levando em consideração que ver um filme do De Palma no cinema é algo muito especial. Ao menos eu tive a sorte de ver seis dele na telona: de O PAGAMENTO FINAL (1993) a DÁLIA NEGRA (2006).

E ver O PAGAMENTO FINAL no extinto Cine Fortaleza foi algo que me deixou quase paralisado de emoção. Sair daquela experiência e encarar a rua deserta do Centro da cidade enquanto pensava no filme foi muito impactante pra mim. E engraçado que no documentário DE PALMA (2015), de Noah Baumbach e Jake Paltrow, o próprio diretor conta que ao ver o próprio filme em um festival afirmou para si mesmo que jamais conseguiria fazer algo melhor do que aquilo. E de fato o drama estrelado por Al Pacino pode ser o seu ápice, embora eu coloque UM TIRO NA NOITE (1981) um pouco à frente.

O documentário é narrado apenas pelo próprio cineasta, o que confere à produção um status que o diferencia de um extra de DVD, embora eu prefira muito mais alguns extras de vários DVDs da Universal do Hitchcock. Não sei se DE PALMA funcionaria bem para um não fã do cineasta, já que os filmes são vistos de maneira muito rápida e até um pouco fria, embora seja muito interessante saber algumas histórias de bastidores, como David Koepp sendo demitido da produção de MISSÃO: IMPOSSÍVEL (1996), De Palma não gostando nada do ator de TRÁGICA OBSESSÃO (1976), o cachê milionário de Robert De Niro em OS INTOCÁVEIS (1987), etc.

Aliás, engraçado que De Niro estreou no cinema graças a De Palma, com QUEM ANDA CANTANDO NOSSAS MULHERES (1968), fazendo outro longa com ele, em seguida. Depois é que foi se tornando famoso pela parceria com Martin Scorsese. O documentário de vez em quando mostra algum paralelo entre a obra do De Palma com a de seus colegas da Nova Hollywood (Scorsese, Spielberg, Coppola, Lucas) e outros filmes marcantes.

Legal vê-lo rindo das ousadias que foi capaz de fazer, como colocar cenas de nudez e muito sangue em CARRIE, A ESTRANHA (1976) e também de DUBLÊ DE CORPO (1984). Este segundo, inclusive, contou com uma ajudinha de uma atriz pornô famosa, Annette Haven, que serviu de modelo para a construção da personagem de Melanie Griffith.

DUBLÊ DE CORPO também foi mais um filme do diretor acusado de ser um tanto misógino, por mostrar, com requintes de crueldade, uma morte bem sangrenta de uma mulher por um homem portando uma enorme furadeira elétrica. E bota enorme nisso. O vermelho de muitos filmes do De Palma, com isso, acabam por aproximá-lo dos gialli de Dario Argento, de certa forma.

Quanto à influência explícita de Alfred Hithcock nas obras do diretor americano, o documentário trata logo de começar com uma cena de UM CORPO QUE CAI, que teria sido o filme que primeiro inspirou De Palma a seguir de maneira obsessiva por esse caminho do suspense não apenas hitchcockiano, mas de homenagem direta ao mestre do suspense. De Palma fez questão de mostrar esse débito, esse tributo, em vários filmes.

O final do doc é um tanto melancólico, pois mostra um cineasta que se diz cansado e que acredita que uma pessoa que chega a sua idade não produz mais grandes filmes, citando, inclusive, o caso de Hitchcock e suas obras tardias. Podemos ainda discordar dele, e torcer para que seu próximo filme, LIGHTS OUT, ainda em pré-produção, seja especial.

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