quinta-feira, dezembro 31, 2015

TOP 20 2015 E O BALANÇO DO ANO


1. MAD MAX – ESTRADA DA FÚRIA, de George Miller
2. JAUJA, de Lisandro Alonso
3. SNIPER AMERICANO, de Clint Eastwood
4. NORTE, O FIM DA HISTÓRIA, de Lav Diaz
5. CORRENTE DO MAL, de David Robert Mitchell


6. 14 ESTAÇÕES DE MARIA, de Dietrich Brüggemann
7. O GORILA, de José Eduardo Belmonte
8. A TRAVESSIA, de Robert Zemeckis
9. A COLINA ESCARLATE, de Guillermo del Toro
10. O PRESENTE, de Joel Edgerton


11. NICK CAVE – 20.000 DIAS NA TERRA, de Iain Forsyth e Jane Pollard
12. EU ESTAVA JUSTAMENTE PENSANDO EM VOCÊ, de Sam Esmail
13. DOIS DIAS, UMA NOITE, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
14. QUE HORAS ELA VOLTA?, de Anna Muylaert
15. CALIFÓRNIA, de Marina Person


16. RESPIRE, de Mélanie Laurent
17. A PAIXÃO DE JL, de Carlos Nader
18. WHIPLASH – EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, de Damien Chazelle
19. ACIMA DAS NUVENS, de Olivier Assayas
20. DE CABEÇA ERGUIDA, de Emmanuelle Bercot

Menções honrosas (ou filmes que quase entraram no top 20): 

O CONTO DA PRINCESA KAGUYA, de Isao Takahata; FORÇA MAIOR, de Ruben Östlund; CÁSSIA ELLER, de Paulo Henrique Fontenelle; IDA, de Pawel Pawlikowski; PONTE AÉREA, de Julia Rezende; PERMANÊNCIA, de Leonardo Lacca; ÚLTIMAS CONVERSAS, de Eduardo Coutinho; WINTER SLEEP, de Nuri Bilge Ceylan; SICARIO – TERRA DE NINGUÉM, de Denis Villeneuve; STRAIGHT OUTTA COMPTON – A HISTÓRIA DO N.W.A., de F. Gary Gray.

2015 não foi um ano fácil. Na verdade, do ponto de vista global vai ficar marcado como um dos mais terríveis para muita gente. Aí a gente, pra não ficar se apegando a coisas negativas deve tomar a lição de George, o protagonista de A FELICIDADE NÃO SE COMPRA. Temos muita coisa valiosa para ficar reclamando e a vida não segue os planos que a gente quer, só porque a gente quer. Então, às vezes ficamos cegos àquilo que temos. Então, vamos falar o que teve de bom durante o ano: fora os filmes, posso dizer que os melhores momentos pra mim foram dois: uma viagem dos sonhos aos Estados Unidos e um show e um encontro e troca de conversa com a querida Fernanda Takai. Isso para citar coisas que fugiram à rotina e mexeram no bom sentido com o meu coração.

No território dos filmes, que é o principal ponto desta postagem, posso dizer que a melhor coisa que eu vi no cinema foi OS GUARDA-CHUVAS DO AMOR, de Jacques Demy, exibido em uma linda mostra dedicada a clássicos do cinema francês. Foi uma experiência intensa, arrebatadora e que me apresentou a um filme extraordinário e que vai ficar agora entre os meus favoritos de todos os tempos.

Quanto aos filmes do circuito, não há como não deixar de falar do testemunho, da glória de ver o cinema em estado puro e cheio de som e fúria apresentada por George Miller em sua obra-prima MAD MAX – ESTRADA DA FÚRIA. Foi o evento cinematográfico do ano, embora não tenha sido tão bem recebido nas bilheterias como o novo capítulo de certa franquia. Já SNIPER AMERICANO, que causou certa controvérsia por ser considerado por alguns como uma produção reacionária, foi o maior sucesso de bilheteria de Clint Eastwood como diretor. E é também um de seus filmes mais marcantes e pungentes.

No campo dos filmes mais misteriosos e desafiadores, temos os maravilhosos JAUJA e NORTE, O FIM DA HISTÓRIA. Nesse território aí, o do chamado cinema de arte ou dos filmes com cara de festival de cinema e com pouca preocupação com o aspecto comercial, podemos também incluir o bressoniano 14 ESTAÇÕES DE MARIA e o debate sobre cinema comercial e teatro no jogo de interpretações de ACIMA DAS NUVENS.

O cinema de horror comparece em dois títulos tão diferentes quanto marcantes: o independente e cultuado CORRENTE DO MAL e a homenagem ao cinema de horror europeu e aos clássicos de Roger Corman dos anos 1960 A COLINA ESCARLATE, com sua paleta de cores tão linda que é difícil de descrever. Já o suspense O PRESENTE foi uma das grandes surpresas do ano. Veio como quem não quer nada e se mostrou um belíssimo exercício de estilo, além de lidar com um assunto em pauta atualmente, o bullying.

O cinema brasileiro comparece no top 20 com quatro belos títulos. O GORILA é um trabalho que me tocou muito por tratar com muita sensibilidade a questão da solidão, que é algo que ultrapassa e muito a subtrama de mistério que o filme também possui. Depois, temos o nosso filme de temática social mais contundente, QUE HORAS ELA VOLTA?, que também traz à tona a questão da maternidade. Tivemos também um lindo retrato de uma época ao mesmo tempo mais feliz e mais soturna, os anos 1980, com CALIFÓRNIA. E fora do circuito, por enquanto, o tocante documentário A PAIXÃO DE JL, sobre a vida de um dos nossos grandes artistas plásticos, José Leonilson.

A vida real serviu de inspiração também para a realização de um dos trabalhos mais magistrais já realizados com a tecnologia 3D, A TRAVESSIA, sobre um homem obcecado com a ideia de cruzar as Torres Gêmeas como um artista de circo. É um dos mais belos trabalhos sobre a arte como transgressão em muito tempo. Já a arte sendo invadida e confundida com a ficção aparece em NICK CAVE – 20.000 DIAS NA TERRA, que nos apresenta à intimidade de um dos mais inspirados cantores e compositores do rock.

O amor como obsessão esteve presente principalmente em dois trabalhos: na história de amor em cinco atos que se revezam EU ESTAVA JUSTAMENTE PENSANDO EM VOCÊ, do criador da série MR. ROBOT; e no perturbador e claustrofóbico RESPIRE, que se revela um filme de gênero com o andar da narrativa. Podemos incluir no pacote um outro tipo de amor como obsessão: o amor à arte, ao ofício, apresentado em WHIPLASH – EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, sobre um jovem disposto a se tornar o maior baterista de jazz do seu país.

E o melodrama, ainda que não necessariamente siga a cartilha do gênero, comparece com DOIS DIAS, UMA NOITE, mais um trabalho de mestres dos irmãos Dardenne, e o tocante DE CABEÇA ERGUIDA, talvez o maior exemplar do amor maior do ano, e da necessidade de insistir e insistir quando tudo parece não valer a pena.

Top 5 Piores do Ano

Sem necessidade de tecer maiores considerações, uma listinha breve daqueles filmes horrorosos que conseguiram transformar a experiência de ver filmes em uma sala de tortura.

1. CAMINHOS DA FLORESTA
2. O DESTINO DE JÚPITER
3. A GANGUE
4. LINDA DE MORRER
5. AMERICAN ULTRA – ARMADOS E ALUCINADOS

As séries

A partir deste ano, em vez de simplesmente listar todas as séries vistas, faço também um ranking das melhores séries do ano, ok? Segue:

1. FARGO (Segunda Temporada)
2. MR. ROBOT (Primeira Temporada)
3. THE WALKING DEAD (Quinta Temporada)
4. DEMOLIDOR (Primeira Temporada)
5. THE AFFAIR (Segunda Temporada)
6. GIRLS (Quarta Temporada)
7. WAYWARD PINES (Primeira Temporada)
8. BETTER CALL SAUL (Primeira Temporada)
9. GAME OF THRONES (Quinta Temporada)
10. NARCOS (Primeira Temporada)

Top 5 – Musas do Ano


Este ano foi difícil selecionar apenas cinco, mas creio que as que estão abaixo representam bem a beleza feminina presente na telona em 2015. A jovem brasileira presente, Leticia Colin, não é cota, é pela graça mesmo. O top 5 musas é uma espécie de homenagem a essas moças que nos fazem sair do cinema apaixonados. No caso de Emmy Rossum, por exemplo, o filme ajuda. No caso de Melissa Benoist, a Supergirl, ela conseguiu brilhar mesmo em papéis mínimos, de tão linda que é. No caso de nossa Furiosa Charlize Theron, é preciso dizer mais alguma coisa? É a melhor personagem feminina do ano. E Lola Kirke é aquela garota que aparece pela primeira vez e já chega chutando a porta com os dois pés.


1. Emmy Rossum (EU ESTAVA JUSTAMENTE PENSANDO EM VOCÊ)

2. Melissa Benoist (WHIPLASH – EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, NÃO OLHE PARA TRÁS e UMA LONGA JORNADA)

3. Charlize Theron (MAD MAX – ESTRADA DA FÚRIA)
4. Lola Kirke (MISTRESS AMERICA)
5. Leticia Colin (PONTE AÉREA)

Os 20 melhores filmes vistos na telinha

Fechemos, então, a lista daqueles filmes vistos em casa pela primeira vez. Vi menos filmes em casa do que gostaria, mas até que o saldo foi bem positivo. Em ordem alfabética, para descomplicar:

A FELICIDADE NÃO SE COMPRA, de Frank Capra
A PELE DE VÊNUS, de Roman Polanski
A TURBA, de King Vidor
A VÊNUS LOURA, de Josef von Sternberg
BÊNÇÃO MORTAL, de Wes Craven
CAMINHO PARA O NADA, de Monte Hellman
COPACABANA ME ENGANA, de Antonio Carlos Fontoura
CORPO DEVASSO, de Alfredo Sternheim
DE MENOR, de Caru Alves de Souza
ESPECIAIS EFEITOS, de Larry Cohen
EX-MACHINA – INSTINTO ARTIFICIAL, de Alex Garland
FRANCISCA, de Manoel de Oliveira
GREMLINS, de Joe Dante
HISTÓRIAS DE AMOR, de Josh Radnor
LÚCIA McCARTNEY, UMA GAROTA DE PROGRAMA, de David Neves
MAD MAX, de George Miller
MARROCOS, de Josef von Sternberg
NOSFERATU, de F.W. Murnau
PROFISSÃO MULHER, de Claudio Cunha
UM SONHO, DOIS AMORES, de Peter Bogdanovich

Revisões

ALIEN, O 8º PASSAGEIRO, de Ridley Scott
CANIBAL HOLOCAUSTO, de Ruggero Deodato
CINEMA PARADISO, de Giuseppe Tornatore
ELES NÃO USAM BLACK-TIE, de Leon Hirszman
ERA UMA VEZ NA AMÉRICA, de Sergio Leone
FOGO CONTRA FOGO, de Michael Mann
FOME DE VIVER, de Tony Scott
MAD MAX 2 – A CAÇADA CONTINUA, de George Miller
O BATEDOR DE CARTEIRAS/PICKPOCKET, de Robert Bresson
O DESPREZO, de Jean-Luc Godard
O EXTERMINADOR DO FUTURO, de James Cameron
S. BERNARDO, de Leon Hirszman

Feliz 2016!

Que o ano novo seja tudo menos aquilo que os pessimistas estão prevendo: que a felicidade e o bem estar não estejam presentes apenas nos melhores filmes (e nos livros, e na música), embora sempre queiramos mais desse combustível para a vida. Amor(es), paz, dinheiro, viagens, sonhos realizados, sucesso profissional e surpresas bem-vindas a todos nós neste ano que se inicia daqui a pouco.

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