sábado, novembro 29, 2014

BOA SORTE



BOA SORTE (2014) é o primeiro longa-metragem de ficção de Carolina Jabor, filha de Arnaldo Jabor e uma das sócias da Conspiração Filmes. Venceu o prêmio do público do Festival de Paulínia e tem uma simpatia e uma ternura que são bem-vindos. Afinal, histórias de amor são sempre atraentes. Só é preciso que tudo conspire para que o resultado saia satisfatório.

A trama acompanha o envolvimento de João, rapaz viciado em remédios, que vai parar em uma clínica psiquiátrica, e a paciente que lá encontra, uma garota que está morrendo em consequência da AIDS. O relacionamento gera alguns momentos especialmente emocionantes, tanto pela entrega física de Deborah Secco à sua personagem (ela emagreceu bastante para aparentar alguém doente) e a naturalidade com que lida com o papel, quanto pelo trabalho inspirado do jovem João Pedro Zappa, um pouco por ele não ser muito conhecido e não gerar associação de seu papel com outros trabalhos.

Na clínica, ele conhece o amor pela primeira vez com alguém que já aceitou a própria morte iminente. Mas que nem por isso se sente infeliz. Ao contrário, é Judite, personagem de Deborah, que traz felicidade para a vida do até então zumbi João, desde que os dois se conhecem até a amizade se transformar em um relacionamento mais íntimo. Porém, como é previsível, essa paixão está fadada a se transformar em dor.

A história é baseada no conto “Frontal com Fanta”, do cineasta Jorge Furtado, que assina o roteiro com seu filho Pedro, e é possível perceber um pouco da espirituosidade dos diálogos do diretor de MEU TIO MATOU UM CARA (2004) em alguns momentos. Talvez o filme ficasse até melhor se fosse dirigido por ele. Mas BOA SORTE é uma bela estreia, ainda que suas passagens mais dramáticas nem sempre sejam convincentes. Sorte é que o filme aposta mais na leveza e em momentos divertidos.

Duas atrizes mais maduras interpretam personagens importantes da trama: Cássia Kis Magro, como a psiquiatra da clínica, e Fernanda Montenegro, como a avó de Judite. Fernanda, como sempre, por mais que pareça se repetir um pouco, é responsável por momentos comoventes, principalmente quando contracena com Zappa. No mais, é desejar boa sorte para Carolina Jabor neste e nos próximos filmes que dirigirá.  

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