quarta-feira, dezembro 25, 2013

O QUE TRAZ BOAS NOVAS (Monsieur Lazhar)



Um título como esse, neste dia de Natal, parece propício e até daria para confundir com algum filme sobre Jesus ou sobre o evangelismo. Mas foi o título nacional escolhido para a bela produção canadense que concorreu ao Oscar de filme em língua estrangeira em 2012. O QUE TRAZ BOAS NOVAS (2011) se enquadra na subcategoria de "filme de professor", aquele tipo de filme que costuma emocionar muitos espectadores, ao apresentar um professor em uma missão geralmente complicada, mas sempre com uma atitude amorosa para com os alunos.

No filme de Philippe Falardeau, o que traz a vinda de Bachir Lazhar (Mohamed Fellag), imigrante argelino, a uma escola para crianças na região do Quebec, é a morte terrível de uma professora. Bachir resolve, então, se apresentar à escola a fim de preencher aquela vaga. A diretora, ainda que hesitante, aceita. E os alunos precisam de um tempo para se recuperar daquele trauma. Dois alunos, em especial, um menino e uma menina, são responsáveis por alguns dos momentos mais emocionantes do filme.

São eles que introduzem O QUE TRAZ BOAS NOVAS no prólogo um tanto sombrio e que abriria espaço para aquele professor simpático e diferente que evita falar da própria vida. Ele mesmo passa por uma situação dolorosa, tendo perdido a família e com medo de voltar para o país natal, sob risco de ser morto.

Bachir Lazar não transforma a vida dos alunos tão fortemente quanto John Keatings, de SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS. Aqui o foco é outro. Mas, certamente, no período de tempo que passa com aquelas crianças, ele as conquista, ganha a simpatia delas, mesmo utilizando métodos pedagógicos um tanto antiquados segundo suas colegas professoras.

Outro elemento que se faz presente no filme é também a solidão de Bachir. Que não deixa de ser recorrente em alguns filmes de professor. Essa solidão se torna aparente nos momentos em que ele se senta no banco de uma praça, ou mesmo na hora do recreio, quando, um pouco deslocado, percebe as crianças, algumas agindo mais agressivamente, caso do menino que primeiro viu a professora morta, outros ficam mais sozinhos, caso da menina favorita da classe, de discurso e inteligência prematuros.

O QUE TRAZ BOAS NOVAS é desses filmes que encantam e emocionam do início ao fim, mas é no crescendo de sua narrativa que ele nos prepara para seu final tão belo, ainda que melancólico. Trata-se de um filme que mereceria mais atenção e que infelizmente teve pouca repercussão. Merece ser descoberto e apreciado. O espectador só tem a ganhar.

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