sábado, dezembro 28, 2013

A VIDA SECRETA DE WALTER MITTY (The Secret Life of Walter Mitty)



No campo da comédia, desde fins dos anos 1990 até os dias de hoje, Ben Stiller figura entre os grandes nomes. Jim Carrey, que seria o seu principal desafiador nesse território, acabou se apagando, enquanto Stiller permanece firme e forte, sem parecer fazer muito esforço para fazer rir. O que muita gente não associa é a figura do Stiller cineasta. Sua estreia na direção, com o drama juvenil CAINDO NA REAL (1994), foi com o pé direito. E quem viu o filme na época deve ter criado um vínculo afetivo.

Mas aí, mesmo na direção, Stiller depois foi dando preferência por comédias, ainda que comédias um tanto estranhas, como O PENTELHO (1996), ZOOLANDER (2001) e TROVÃO TROPICAL (2008). Agora ele chega em seu projeto mais ambicioso, A VIDA SECRETA DE WALTER MITTY (2013), uma mistura de comédia, com história de amor, com fantasia, aventura e lição de vida. Aliás, essa história de ter uma lição de vida pode fazer muita gente torcer o nariz, mas Stiller elabora o seu filme basicamente com imagens e muito pouco com diálogos. E isso acaba fazendo a diferença.

O Walter Mitty do título, interpretado pelo próprio Stiller, trabalha no arquivo de fotos da revista Life, que está passando por uma terrível transição: o fim da revista de papel para restar apenas a versão online. Uma transição que realmente a revista passou, em 2009. Esse tipo de transição significa a demissão em massa de quase todo os funcionários. Entre os funcionários, há a bela Cheryl (Kristen Wiig), amor platônico de Mitty, tão sonhador que muitas vezes sai de órbita, entrando num mundo só dele, cheio de aventuras em que ele é a figura heróica e merecedora de crédito, ao contrário de quem ele é, um apagado e tímido funcionário.

O filme aproveita esses momentos de fantasia de Mitty para mostrar efeitos especiais que chegam a impressionar. Não impressionariam num filme do Homem-Aranha ou de qualquer outro super-herói, mas aqui impressiona, tanto pela qualidade quanto pelo fato de ser algo que está adentrando um território realista. Há pelo menos um grande momento no filme, que é a cena arrepiante em que Mitty decide subir no helicóptero para a maior de suas aventuras, ao som de "Space Oddity", de David Bowie, inicialmente cantada pela personagem de Wiig, representando a musa inspiradora que é capaz de tirar Mitty da zona de conforto para pular, literalmente, num mar com tubarões.

E daí vem a beleza arrebatadora do filme. Por mais que no final Mitty queira provar algo para si mesmo, há também a intenção de ficar com a mulher dos seus sonhos, que desde o início do filme é de importância vital, com a subtrama envolvendo um site de relacionamentos. E assim, com um visual caprichado que aproveita o formato de tela larga (scope), um herói tipicamente stilleriano, uma história de amor simples mas eficaz, Stiller fez esse que é um dos filmes mais belos do ano.

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