sexta-feira, fevereiro 20, 2009

OPERAÇÃO VALQUÍRIA (Valkyrie)



Depois de ter feito três blockbusters baseados em personagens de histórias em quadrinhos, Bryan Singer resolveu fazer um filme de orçamento menor. OPERAÇÃO VALQUÍRIA (2008) teve o seu trailer tantas vezes exibido e seu lançamento tantas vezes adiado que o público acaba ficando desinteressado pelo filme. E Tom Cruise, ator em crise depois de uma série de eventos recentes que foram desembocar no fim do contrato milionário com a Paramount e na conscientização do ator de que deveria ter ficado calado em vez de ficar falando o tempo todo da cientologia, deixou de ser chamariz para a audiência. Parece até que o público se cansou dele. Depois do encalhamento dos DVDs nas lojas de GUERRA DOS MUNDOS e MISSÃO: IMPOSSÍVEL 3, o ator deu um passo para trás e trabalhou como coadjuvante ao lado de atores de renome em LEÕES E CORDEIROS e TROVÃO TROPICAL, onde se destacou, tendo até sido indicado ao Globo de Ouro de ator coadjuvante. OPERAÇÃO VALQUÍRIA é o seu retorno como protagonista. Ele continua com o bom senso de trabalhar com bons diretores, embora Singer seja um exemplo relativo do que se chama bom diretor. Ainda acredito que o melhor trabalho dele na direção seja o piloto de HOUSE (2004).

Outro ator que também está bem pouco popular - pra não dizer decadente - é Kenneth Branagh, que desde a separação com Emma Thompson caiu em projetos que não deram certo. E pensar que nos anos 90 ele era um cineasta respeitado e tal. Sua chance de se reerguer como cineasta pode estar em THOR, a adaptação para as telas do herói da Marvel, prevista para o próximo ano. Se o Deus do Trovão não conseguir trazê-lo de volta, nada mais poderá. Branagh está num papel bem pequeno e insignificante em OPERAÇÃO VALQUÍRIA. Quanto ao filme, seu principal mérito é mostrar para as novas audiências um "novo" ângulo de visão da Segunda Guerra Mundial. Por mais que o personagem real do Coronel Claus von Stauffenberg já tenha sido visto no cinema e em produções televisivas inúmeras vezes, para as grandes plateias, principalmente as mais jovens, os atos desse homem honrado e inteligente ainda permanecem desconhecidos. A imagem que se tem dos alemães durante a Segunda Grande Guerra é a de ou nazistas, ou de pessoas facilmente manipuláveis ou - como dá a entender em O LEITOR - de pessoas cúmplices, caladas e covardes, diante dos atos brutais de Adolf Hitler. OPERAÇÃO VALQUÍRIA foi apenas uma das várias tentativas de oficiais alemães tentarem sabotar os planos de Hitler, que por isso ficava bem protegido na Toca do Lobo.

Tom Cruise na pele de Stauffenberg não faz feio, mas também não é o intérprete ideal. Talvez seja até um dos motivos do fracasso do filme nas bilheterias. Que pelo menos se pagou, mas é pouco para Tom Cruise e uma prova da despopularização do astro. Na primeira cena de OPERAÇÃO VALQUÍRIA, vemos logo um ataque aéreo dos aliados, que culminou na perda de uma mão e de um olho do militar, que, apesar disso, ainda permaneceu trabalhando, mas cada vez mais tentado a participar em traições ao reinado de Hitler. Uma das coisas que poderia ser melhor aproveitada no filme é o relacionamento de Stauffenberg com a esposa. Ela é vista poucas vezes no filme e isso acaba por diminuir o impacto das cenas que envolvem os dois. Bryan Singer preferiu se concentrar na trama política e de suspense, que em alguns momentos chega mesmo a funcionar, mas que no fim do filme gera aquela impressão de que poderia ser melhor e de que o resultado é um filme frio demais para um thriller e com sérios riscos de cair rapidamente no esquecimento.

P.S.: Chega o Carnaval e, com ele, o final de semana do Oscar. As distribuidoras continuam comendo bola. Além de deixarem obras importantes de Tarantino, Ang Lee e De Palma em longa espera, em temporada de Oscar, eles não conseguiram soltar nem mesmo todos os cinco indicados a melhor filme a tempo. Depois reclamam quando o povo baixa os filmes em vez de ir ao cinema.

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