quinta-feira, agosto 10, 2006

ZA-05 - O VELHO E O NOVO (ZA 05. Lo Viejo y lo Nuevo)



Procurei na internet uma foto decente de um poster de ZA-05 - O VELHO E O NOVO (2006) e não consegui encontrar. Senti dificuldades em achar via Google sites argentinos ou cubanos de cinema nos moldes de um AdoroCinema ou um Allocine. Então, na falta do cartaz, segue a foto do diretor argentino Fernando Birri, que eu tirei quando estive no Memorial da América Latina, em São Paulo, em companhia dos amigos Marcelo V. e Ana Paul, durante a abertura do I Festival Latino-Americano de Cinema. Engraçado que o filme de Birri, que abriu o festival, havia sido exibido no Cine Ceará poucos dias antes e eu não tinha dado muita bola pra ver. Felizmente, de chato o filme não tem nada. Ao contrário: é bastante prazeroso.

ZA-05 - O VELHO E O NOVO, nem sei se dá pra ser classificado como documentário. É um "mega-clipe" que traz cenas de filmes latino-americanos importantes misturado com ensaios cinematográficos de estudantes de cinema da Escuela de Cine e TV de San Antonio de los Baños, em Cuba, fundada pelo próprio Birri.

Não deixa de ser uma injeção de orgulho para o brasileiro ver o filme e perceber que a nossa cinematografia é talvez a mais rica e importante de toda a América Latina. Não por acaso, Fernando Birri escolheu VIDAS SECAS (1963), de Nelson Pereira dos Santos para abrir o seu trabalho. Lá pelo meio, vemos uma cena de A ÓPERA DO MALANDRO (1986), de Ruy Guerra, e o último trecho de longa apresentado é de DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL (1964), de Glauber Rocha. Inclusive, fiquei com muita vontade de rever VIDAS SECAS. Pretendo fazer isso ainda esse ano.

Infelizmente, o brasileiro é bem ignorante em relação ao cinema produzido na América Latina, muito por culpa de uma política que privilegia e muito o cinema hollywoodiano. Dos filmes estrangeiros mostrados no "mega-clipe", os únicos que eu tinha ouvido falar eram o cubano MEMÓRIAS DO SUBDESENVOLVIMENTO (1968), de Tomás Gutiérrez Alea, e o chileno A BATALHA DO CHILE (1975-1979), de Patricio Gusmán. Há também um trecho de um filme do próprio Birri: TIRE DIÉ (1960). A julgar pelo título, é provavelmente inédito no circuito comercial brasileiro. Teve um filme que me chamou bastante a atenção, mas que eu não anotei o título. É um filme que mostra dois homossexuais se encontrando num banheiro público.

Quanto aos filmes dos estudantes de cinema de Cuba, o único que ficou guardado na memória, foi aquele que mostra uma garota portadora da Síndrome de Down falando sobre seus relacionamentos amorosos.

As duas iniciais do título ("ZA") são uma homenagem a Cesare Zavattini, um dos mestres do neo-realismo italiano, e professor de Birri, quando ele estudou cinema em Roma na década de 60. O subtítulo ("o velho e o novo") é uma outra homenagem. Dessa vez a Sergei Eisenstein.

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