sexta-feira, setembro 02, 2005

MATEI JESSE JAMES (I Shot Jesse James)



Filmaço essa obra de estréia de Samuel Fuller. Gostei mais até do que de O BEIJO AMARGO (1963). Assim como O BEIJO AMARGO era uma espécie de anti-noir, MATEI JESSE JAMES (1949) é um anti-western. Fuller apresenta a história pela porta dos fundos. Vemos o drama de Bob Ford, o homem que matou o lendário fora-da-lei Jesse James com um tiro pelas costas. Ele mata aquele que era o seu melhor amigo pelo amor de uma mulher e pela ânsia de liberdade.

Um dos momentos mais impressionantes do filme é quando o irmão de Jesse, Frank James, se aproxima de Ford e lhe diz que não vai matá-lo com uma arma, mas vai lhe dizer algo que vai acabar com a sua vida. O duelo final também é totalmente anti-convencional, com John Kelley atacando o oponente não com um tiro, mas através de seu ponto fraco: a culpa que ele carrega pelo assassinato de Jesse. Outra cena memorável: o encontro de Ford com o violeiro, que canta para ele, em versos, sua triste fama de traidor e covarde.

O filme também é famoso pelo uso abundante de close-ups, chegando a ser comparado a A PAIXÃO DE JOANA D'ARC, do Dreyer. Fuller fazia filmes totalmente diferentes do que se fazia na época. Foi um homem à frente do seu tempo que teve em seu favor o fato de fazer produções de baixo orçamento, tendo, assim, mais liberdade para inovar, para fazer filmes do jeito que desejava, para impor seu estilo e "contrabandear" à vontade. MATEI JESSE JAMES foi filmado milagrosamente em apenas 10 dias! Incrível como em tão pouco tempo é produzida uma jóia dessas. Com certeza, um dos melhores filmes que eu vi nesse ano. Não vai dar para esquecer a dor e o peso da culpa que Fuller imprime a Bob Ford.

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