segunda-feira, janeiro 03, 2005

BALANÇO 2004 E MELHORES DO ANO

TOP 20



1. KILL BILL (Vols. 1 e 2), de Quentin Tarantino
2. A VILA, de M. Night Shyamalan
3. A INGLESA E O DUQUE, de Eric Rohmer
4. PACTO DE JUSTIÇA, de Kevin Costner
5. ELEFANTE, de Gus Van Sant



6. A PAIXÃO DE CRISTO, de Mel Gibson
7. COLATERAL, de Michael Mann
8. LUGARES COMUNS, de Adolfo Aristarain
9. MADRUGADA DOS MORTOS, de Zack Snider
10. 21 GRAMAS, de Alejandro González Iñárritu



11. A SÉTIMA VÍTIMA, de Jaume Balagueró
12. RESPIRO, de Emanuele Crialese
13. HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN, de Alfonso Cuarón
14. CELULAR - UM GRITO DE SOCORRO, de David R. Ellis
15. ENCONTROS E DESENCONTROS, de Sofia Coppola



16. EFEITO BORBOLETA, de Eric Bress e J. Mackye Gruber
17. MESTRE DOS MARES: O LADO MAIS DISTANTE DO MUNDO, de Peter Weir
18. POR UM TRIZ, de Carl Franklin
19. COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ, de Peter Segal
20. SWIMMING POOL - À BEIRA DA PISCINA, de François Ozon

Antes que alguém vá estranhar a presença de alguns filmes que foram lançados no Brasil em 2003, aviso que esse meu ranking leva em consideração os filmes vistos por mim no cinema (apenas no cinema) durante o ano de 2004. Deixei de fora filmes do século passado. Senão, os filmes do Buñuel e os Contos das Estações de Rohmer encheriam o top 10, fácil.

Comparando com 2003, esse ano foi até superior. Afinal, tivemos o retorno triunfal de Mr. Quentin Tarantino com a sangrenta saga de vingança de Beatrix Kiddo. Mas foi por pouco que KILL BILL conquistou a primeira posição no meu ranking, já que o igualmente odiado e amado A VILA corre o risco de ser o melhor filme de Shyamalan, o maior cineasta surgido no cinema americano nos últimos dez anos. A VILA foi o grande filme de horror do ano, deixando claro que o filme transcende o gênero, sendo também, ao mesmo tempo, uma história de amor e um filme político e de auto-reflexão.

Falando em filmes sobre a atual situação social e política americana, ELEFANTE, de Gus Van Sant, estreou atrasado no Brasil em comparação com outros filmes de temática semelhante, como SOBRE MENINOS E LOBOS, de Clint Eastwood, e TIROS EM COLUMBINE, de Michael Moore, mas revelou o diretor Gus Van Sant no seu auge técnico e criativo.

Entre outros filmes de terror de alto nível, tivemos esse ano: MADRUGADA DOS MORTOS, o surpreendente remake do DESPERTAR DOS MORTOS, de Romero; A SÉTIMA VÍTIMA, belo trabalho atmosférico do espanhol Jaume Balagueró, trazendo de volta o prazer de ver um filme europeu de gênero na telona; e EFEITO BORBOLETA, que não é totalmente terror, mas cumpre muito bem a função de assustar o espectador durante sua primeira metade, além de brincar com as possibilidades.

Ainda dentro do cinema de gênero, o filme de suspense está bem representado pelo espetacular cinema de Michael Mann - COLATERAL - e por dois outros filmes menores, mas dignos de nota: CELULAR - UM GRITO DE SOCORRO, de David R. Ellis, herdeiro do cinema de Larry Cohen; e POR UM TRIZ, o filme noir ensolarado de Carl Franklin.

Fora do cinema americano, nesse ano, o cinema argentino mostrou sua vitalidade. Só vi dois exemplares dessa nova cinematografia, mas um desses filmes já entrou no top 10: o melancólico LUGARES COMUNS, de Adolfo Aristarain. O italiano RESPIRO, de Emanuele Crialese, é outro filme que vai além das palavras. Pura poesia e misticismo. E François Ozon nos presenteou com um thriller cheio de sensualidade e com aqueles peitos maravilhosos de Ludvine Sagnier.

Foi um ano bom para as comédias também. A que mais se destacou foi COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ, uma espécie de atualização do delicioso FEITIÇO DO TEMPO, de Harold Ramis.

A PAIXÃO DE CRISTO foi com certeza o filme mais polêmico do ano. Ficou até conhecido como o "filme que mata", já que três pessoas morreram vendo o filme. Naturalmente, muita gente não gostou. Achou apelativo, masoquista, anti-semita, homofóbico e torturante. Vai ver é tudo isso mesmo, mas eu achei espetacular assim mesmo. Junto com MINHA VIDA SEM MIM, foi o filme que mais me fez chorar no ano.

PACTO DE JUSTIÇA é o melhor western já realizado há muito tempo. Kevin Costner conseguiu realizar um filme que resgata antigos valores como a coragem e a lealdade, nesses nossos tempos estranhos. Costner sempre pareceu mesmo um sujeito dos anos 40 ou 50.

Dois cineastas mexicanos mostraram o seu enorme talento dentro do esquema industrial hollywoodiano. O 21 GRAMAS, de Alejandro González Iñárritu, eu já esperava algo de primeira, tendo em vista o seu antecessor AMORES BRUTOS, mas nada como surpreender-se com algo que você esperava ser apenas um filminho adolescente. O terceiro Harry Potter provavelmente vai se destacar de todos os que o sucederem. Pra ver o quanto a direção faz a diferença.

Entre os candidatos ao Oscar do inicio do ano, dois se destacaram: o kar-waesco ENCONTROS E DESENCONTROS, de Sofia Coppola, e o naturalista MESTRE DOS MARES: O LADO MAIS DISTANTE DO MUNDO.

A maior decepção do ano foi a má distribuição do super-aguardado ANTES DO PÔR-DO-SOL, de Richard Linklater (o Rohmer texano). Se o filme não chegou aqui ainda, pelo menos nesse ano tive a chance de descobrir o cinema de Eric Rohmer. Além de poder conferir os deliciosos Contos das Quatro Estações, tive o prazer de assistir o espetacular A INGLESA E O DUQUE.

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OS FILMES ÓTIMOS QUE FICARAM DE FORA

Antes que me perguntem se eu não gostei de tal filme, segue a lista dos filmes ótimos que não entraram na listagem final: ESCOLA DE ROCK, A ENCANTADORA DE BALEIAS, DOLLS, O RETORNO DO TALENTOSO RIPLEY, SOB O SOL DE TOSCANA, EM CARNE VIVA, NA CAPTURA DOS FRIEDMANS, HOMEM-ARANHA 2, MENINAS MALVADAS, MINHA VIDA SEM MIM, BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS, FAHRENHEIT 11 DE SETEMBRO, INTERVENÇÃO DIVINA, REDENTOR, HISTÓRIAS MÍNIMAS, MÁ EDUCAÇÃO, OS INCRÍVEIS, CONTRA TODOS e MEU TIO MATOU UM CARA.

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RANKING CINEMA NACIONAL

1. MEU TIO MATOU UM CARA, de Jorge Furtado
2. CONTRA TODOS, de Roberto Moreira
3. REDENTOR, de Cláudio Torres
4. NARRADORES DE JAVÉ, de Eliana Caffé
5. ONDE ANDA VOCÊ, de Sérgio Rezende
6. O QUINZE, de Jurandir de Oliveira
7. ÔNIBUS 174, de José Padilha e Felipe Lacerda
8. CAZUZA - O TEMPO NÃO PARA, de Sandra Werneck e Walter Carvalho
9. BENJAMIM, de Monique Gardenberg
10. NINA, de Heitor Dhalia

Esse foi um ano fraco pro cinema nacional. Os filmes que eu mais ansiava ver - GAROTAS DO ABC, de Carlos Reichenbach, e FILME DE AMOR, de Julio Bressane - nem pintaram por aqui. O filme do Bressane até teve uma exibição, mas apenas para quem estava participando de um simpósio de filosofia. Outros muito elogiados como O PRISIONEIRO DA GRADE DE FERRO, de Paulo Sacramento, e DE PASSAGEM, de Ricardo Elias, também foram ausências sentidas. ONDE ANDA VOCÊ, quinto lugar na lista, foi um dos filmes mais malhados do ano, mas achei impressionante como esse filme foi prazeiroso pra mim.

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AS GRANDES ATRIZES DO ANO

Não vou falar dos atores, mas a mulher nasceu para representar. Sem falar que elas passam um misto de sedução e entrega que homem nenhum é capaz. Destaco esse ano, entre as mais belas performances:

1. Bryce Dallas Howard (A VILA)
2. Valeria Golino (RESPIRO)
3. Uma Thurman (KILL BILL)
4. Lindsay Lohan (MENINAS MALVADAS)
5. Keisha Castle-Hughes (A ENCANTADORA DE BALEIAS)

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AS MINI-MOSTRAS

Esse foi o ano em que tive o prazer de ver na telona vários filmes de dois diretores gigantes. De Luis Buñuel, vi OS ESQUECIDOS, O ALUCINADO, A ILUSÃO VIAJA DE BONDE, ENSAIO DE UM CRIME e NAZARIN, além do documentário A PROPÓSITO DE BUÑUEL. De Eric Rohmer, os Contos da Estações são filmes que só quem viu sabe o que significa. Fora isso, vi também no cinema ROMA DE FELLINI.

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OS PIORES FILMES DO ANO

Não poderia deixar de faltar a lista dos horrorosos, horríveis e repugnantes:

1. O EXORCISTA - O INÍCIO, de Renny Harlin
2. OLGA, de Jayme Monjardim
3. A BATALHA DE RIDDICK, de David Twohy
4. SHREK 2, da Dreamworks
5. NINA, de Heitor Dhalia


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AS PRECIOSIDADES DESCOBERTAS NA TELINHA

Fui enumerar os melhores filmes vistos na tela pequena (VHS/DVD/DIVX) e a quantidade de filmes foi tão grande que resolvi colocar aqui apenas os 50 melhores títulos. A ordem é mais ou menos cronológica, que fui pegando pelo arquivo do blog. Não é um ranking. No meio de filmes em longa-metragem é possível encontrar uma série de curtas para a internet (RABBITS) e uma série em anime (BERSERK). Duas obras-primas.

1. PERFECT BLUE, de Satoshi Kon
2. O RIO, de Tsai Ming-Liang
3. RABBITS, de David Lynch
4. CRONOS, de Guillermo Del Toro
5. MILLENNIUM ACTRESS, de Satoshi Kon
6. ERASERHEAD, de David Lynch
7. O ÚLTIMO BEIJO, de Gabrielle Muccino
8. CRIME VERDADEIRO, de Clint Eastwood
9. A ÚLTIMA GARGALHADA, de F.W. Murnau
10. E O SANGUE SEMEOU A TERRA, de Anthony Mann
11. AS AMOROSAS, de Walter Hugo Khouri
12. O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ, dos irmãos Coen
13. O QUARTO VERDE, de François Truffaut
14. O AMOR EM FUGA, de François Truffaut
15. A VINGANÇA DE FRANKENSTEIN, de Terence Fisher
16. TORRENTE, de Santiago Segura
17. REPULSA AO SEXO, de Roman Polanski
18. VERDADES E MENTIRAS, de Orson Welles
19. WINCHESTER 73, de Anthony Mann
20. BROTHER - A MÁFIA JAPONESA EM LOS ANGELES, de Takeshi Kitano
21. BUFFALO 66, de Vincent Gallo
22. ANIVERSÁRIO MACABRO, de Wes Craven
23. GOZU, de Takashi Miike
24. PAT GARRET & BILLY THE KID, de Sam Peckinpah
25. FAHRENHEIT 451, de François Truffaut
26. O HOMEM DO OESTE, de Anthony Mann
27. O SILÊNCIO DA MORTE / O VINGADOR SILENCIOSO, de Sergio Corbucci
28. VIRIDIANA, de Luis Buñuel
29. VIA LÁCTEA / O ESTRANHO CAMINHO DE SANTIAGO, de Luis Buñuel
30. ESSE OBSCURO OBJETO DO DESEJO, de Luis Buñuel
31. ANJOS CAÍDOS, de Wong Kar-Wai
32. CREEPSHOW, de George Romero
33. AGONIA E GLÓRIA, de Samuel Fuller
34. STALKER, de Andrei Tarkovski
35. O SACRIFÍCIO, de Andre Tarkovski
36. A PRIMEIRA NOITE DE TRANQÜILIDADE, de Valerio Zurlini
37. A TORTURA DO MEDO, de Michael Powell
38. UM TIRO NA NOITE, de Brian DePalma
39. BERSERK, de Naohito Takahashi
40. O ASSASSINATO DE TRÓTSKI, de Joseph Losey
41. AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR, de Mario Bava
42. M - O VAMPIRO DE DÜSSELDORF, de Fritz Lang
43. OS 5 VENENOS DE SHAOLIN, de Chang Che
44. JOVEM E INOCENTE, de Alfred Hitchcock
45. A DOCE VIDA, de Federico Fellini
46. O MENSAGEIRO TRAPALHÃO, de Jerry Lewis
47. A RAINHA DIABA, de Antonio Carlos Fontoura
48. HAUTE TENSION, de Alexandre Aja
49. O HOMEM QUE BURLOU A MÁFIA, de Don Siegel
50. ROTA SUICIDA, de Clint Eastwood

Apesar de tantos filmes espetaculares, 2004 não foi um ano muito bom pra mim no que se refere à vida pessoal. Mas nada de reclamar. E torcer para que 2005 seja "o" ano.

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