sexta-feira, julho 21, 2006

MARTHA



Felizmente a Versátil, com o apoio da Fundação Fassbinder, começou desde maio a trazer os filmes do cineasta para o Brasil. Rainer Werner Fassbinder foi o maior discípulo de Douglas Sirk. No entanto, fez filmes extremamente pessoais. MARTHA (1974), embora tenha sido creditado como adaptação de um livro de Cornel Woolrich, segundo uma das entrevistas presentes nos extras do DVD, foi baseado na vida dos pais de Fassbinder. Imagino que, de propósito, Fassbinder deve ter pintado de forma exagerada o casal, já que eu não consigo conceber seres humanos daquela maneira. Principalmente o sádico, representado por Karlheinz Bohm, ator conhecido pelo papel do psicopata de A TORTURA DO MEDO, de Michael Powell.

O filme conta a história de Martha (Margit Carstensen), uma mulher nos seus trinta e poucos anos, ainda solteira, que tem um pai dominador. Passando as férias na Itália, o pai tem um ataque cardíaco e morre. Ela fica num misto de excitação e tristeza com a morte do pai. Logo em seguida, ela conhece um homem que vai mudar a sua vida. A seqüência em que os dois se encontram pela primeira vez é uma das mais memoráveis do filme. A câmera gira 360 graus em torno dos dois. O resultado conseguido por Fassbinder e seu diretor de fotografia foi fantástico. Aos poucos, a relação do casal vai atingindo um grau de sadismo e submissão insuportáveis. Entre as cenas mais chocantes, tem aquela em que Martha adormece enquanto toma sol. Helmut, o marido, não interfere e deixa a pobre mulher dormir até que seu corpo fique totalmente cheio de queimaduras. E ainda assim, ele ainda faz sexo com a mulher enquanto ela grita de dor. Chega uma hora que o principal sentimento que o filme passa é raiva e indignação. Raiva tanto da mulher, por ser excessivamente submissa, quanto dele. Poucas vezes o cinema mostrou um personagem tão frio e perverso.

Tudo isso é contado em cores bem interessantes. Fassbinder usa o technicolor de modo a deixar o seu filme parecido com um melodrama dos anos 50. A homenagem ao principal mestre de Fassbinder aparece de maneira explícita numa cena em que é mencionada uma certa Rua Douglas Sirk. Uma outra forte influência em MARTHA é a obra-prima O ALUCINADO, de Luis Buñuel. O filme do Buñuel também trazia um marido dominador, com a diferença que o protagonista do filme de Buñuel era, ao mesmo tempo, dominador e vítima. Não sei se pode-se dizer o mesmo do Helmut de MARTHA.

Espero que a locadora onde eu aluguei MARTHA também tenha comprado O DESESPERO DE VERONIKA VOSS (1982), LOLA (1981) e O CASAMENTO DE MARIA BRAUM (1979). Espero que lancem também BERLIN ALEXANDERPLATZ (1980), mini-série grande demais para ser vista no cinema - mais de 15 horas de duração! O DVD seria a mídia perfeita, nesse caso. Aguardemos, então.

quinta-feira, julho 20, 2006

O CINEMA INDEPENDENTE AMERICANO EM 4 FILMES



Quando estava na noite de abertura do I Festival Latino de Cinema, em São Paulo, não lembro quem foi que falou, acho que o João Batista de Andrade, que o nosso cinema precisava brigar por um espaço dentro do pouco espaço que o cinema americano deixava. E que dentro desse espaço pequeno, que abrigam filmes de todas as partes do mundo, haviam também filmes americanos, pertencentes ao cinema independente. Sei que é realmente uma luta desleal, mas diante de filmes tão interessantes vindos da cinematografia americana, eu não consigo vê-los como inimigos. Até porque uma das principais características desse cinema é o fato de que ele é simpatizante dos tipos marginais, das pessoas rejeitadas, das pessoas estranhas. Pode-se dizer que o que há de mais ousado no cinema americano hoje se encontra nessas produções de menor orçamento e nas produções das televisões por assinatura. Da semana que eu estive em Sampa, tive a oportunidade de ver três filmes independentes e quando retornei para Fortaleza, vi que estava passando A LULA E A BALEIA (2005) no Espaço Unibanco daqui. Como estou com uma quantidade enorme de filmes pra comentar aqui no blog, vou ter que fazer de vez em quando esses posts "coletivos".

FACTOTUM - SEM DESTINO (Factotum)

Foi o terceiro filme que eu vi inspirado na vida do escritor maldito Charles Bukowski. Como já era de esperar, não falta bebedeira, sarjeta e falta de rumo na vida. Se comparado com CRÔNICA DE UM AMOR LOUCO, de Marco Ferreri, e BARFLY - CONDENADOS PELO VÍCIO, de Barbet Schroeder, FACTOTUM (2005) sai perdendo. Há mais coisas em comum na trama com o filme de Ferreri, mas uma das principais diferenças é que FACTOTUM foca mais nas tentativas do protagonista de conseguir um emprego normal, enquanto tenta arranjar um editor para o seu livro. O problema é que ele rapidamente fica entediado ou aborrecido com o trabalho e sai para o bar mais próximo tomar umazinha. Talvez um dos problemas do filme seja a escolha de Matt Dillon para o papel. Ele, em nenhum momento, parece estar na pior, por mais que a maquiagem tente. Quem desempenha muito melhor essa função é Lili Taylor, que interpreta uma das amantes de Henry Chinaski. Senti falta de uma mulher linda como a Ornella Muti, mas nem sempre se pode ter tudo. E, se tivesse, aí que o filme não ia funcionar mesmo.

EU, VOCÊ E TODOS NÓS (Me and You and Everyone We Know)

Um dos filmes mais belos a aportar nas telas. Há uma ternura neste EU, VOCÊ E TODOS NÓS (2005) que não se vê mais nos filmes de hoje. Fiquei curioso para saber quem é essa simpatia chamada Miranda July, que debuta na direção de filmes e também comparece como uma das personagens principais. Pois bem, antes de fazer sucesso no circuito alternativo, Miranda era uma artista performática e uma escritora de contos. Soube também que ela escolheu o sobrenome "July" porque esse é o mês que mais facilita a sua vida. Até achei que ela fosse canceriana por causa disso, mas não: ela é aquariana. O filme apresenta um grupo de quatro pessoas que se conectam por alguma razão. Tem a artista solitária interpretada por Miranda, o recém-separado vendedor de sapatos que tem dois filhos; os dois garotos também têm importância fundamental na trama. Inclusive, o mais novo é responsável por um dos momentos mais engraçados do filme, quando ele e o irmão estão no chat com uma estranha, na internet. Já a seqüência do peixe em cima do carro em movimento é tão cheia de amor que faz com que uma energia toda especial contamine toda a sala de exibição. Magia pura.

BUBBLE - UMA NOVA EXPERIÊNCIA (Bubble)

Steven Soderbergh é talvez o principal nome surgido no cinema independente americano nos últimos vinte anos. Com o tempo ele foi sugado para o cinemão hollywoodiano, mas ele conseguiu reverter a situação e hoje faz o que bem entende na indústria. Nada como ter amigos na praça. E ele tem muitos, entre eles, astros do primeiro escalão, como Brad Pitt, George Clooney e Julia Roberts. Apesar disso, ele preferiu voltar às origens nesse BUBBLE (2006), que nos Estados Unidos foi lançado simultaneamente em cinema, DVD e tv a cabo. O elenco é formado por atores não profissionais. Como é um projeto menor, o próprio Soderbergh foi responsável pela fotografia e pela edição do filme, embora não tenha sido creditado. BUBBLE é desses filmes que causam angústia no espectador. A trama gira em torno de duas pessoas, um rapaz e uma senhora de meia-idade que trabalham numa fábrica de bonecas. Sua rotina triste é modificada com a chegada de uma jovem na fábrica. Não dá pra dizer muita coisa para não estragar o filme. Mas adianto que ver BUBBLE é entrar triste e sair deprimido.

A LULA E A BALEIA (The Squid and the Whale)

Qualquer filme que tenha a Laura Linney já vale a pena ser visto. Taí uma atriz extraordinária. A LULA E A BALEIA trata da repercussão de uma separação na vida de um casal e seus dois filhos adolescentes. O filme foi baseado nas experiências de vida do próprio Noah Baumbach (o diretor) quando adolescente. Tanto que o filme até se passa no começo dos anos 80, ficando, assim, mais próximo do que realmente pode ter acontecido. Mas, independente de ser ou não baseado em fatos reais, trata-se de um belo filme e que tem personagens cativantes e cheios de defeitos e problemas. Jeff Daniels é o pai mão-de-vaca e dominador que se separa depois de levar uns pares de chifre da esposa (Laura Linney). O filho mais velho é um dos personagens mais interessantes. Ele é o exemplo de uma pessoa que não busca suas próprias experiências. Ele copia uma canção do Pink Floyd e diz que é sua para participar de um concurso de música na escola; ele pergunta ao pai sobre as principais obras de determinados autores, para não "perder tempo" lendo. Hilária a cena dele discutindo "A Metamorfose", de Kafka, com uma garota. Pior que existe mesmo pessoas assim. Dia desses, estava esperando ônibus lendo "O Código Da Vinci" quando um sujeito estranho se aproxima para debater o livro comigo. Detalhe: ele nunca leu o livro. Interessante que, no filme, quem mais parece saber o que quer da vida e que tem mais sabedoria é a personagem de Laura Linney. A mulher traidora é quem sai melhor na fita.

quarta-feira, julho 19, 2006

DOIS FILMES DE INTÉRPRETES



É muito comum na época do Oscar a gente ver filmes em que os intérpretes se sobressaem. Muitos desses filmes são até subvalorizados pela crítica, às vezes com razão. Não acho que seja o caso desses dois filmes, da safra do Oscar 2006 e que só agora eu pude conferir. TRANSAMÉRICA (2005) estreou na última sexta-feira nos cinemas paulistanos, enquanto que RITMO DE UM SONHO (2005) estreou por lá já faz algum tempo, mas que nem chegou a passar nos cinemas aqui de Fortaleza. Só pude vê-lo agora, com o lançamento do DVD da Paramount, que vem com um bom documentário sobre as filmagens e comentário em áudio do diretor Craig Brewer. Os dois filmes trazem como destaque seus protagonistas: Felicity Huffman e Terrence Howard. Nenhum dos dois chegou a ganhar o Oscar - perderam para Philip Seymour Hoffman (CAPOTE) e Reese Whiterspoon (JOHNNY & JUNE). Vamos aos comentários rápidos e rasteiros sobre os dois filmes.

TRANSAMÉRICA (Transamerica)

Road movies sempre me agradam. Até mesmo os mais fracos me passam uma sensação de liberdade e de excitação que poucos filmes produzem. Talvez TRANSAMÉRICA não seja o melhor exemplo desse subgênero, mas é um bom filme, apesar de perder um pouco do brilho à medida que nos afastamos dele. Uma de suas maiores qualidades, entretanto, diz respeito ao fato de Felicity Huffman convencer de verdade na pele de um transexual louco para se livrar de seu pênis e se transformar numa mulher. Antes disso, porém, ele descobre que tem um filho adolescente, produzido numa noite de bebedeira e sexo "quase lésbico". Seguindo as recomendações de sua terapeuta, ela procura o tal garoto, que estava preso por vandalismo (ou algo do tipo, não lembro direito). Ele (ou ela, tanto faz) paga a fiança e sai com o filho em seu carro sem dizer para o rapaz que ele é na verdade seu pai, nem que ele tem um pênis por baixo do vestido. Falta ao filme uma maior densidade aos seus personagens. Quem tem um personagem mais aprofundado é só Felicity Huffman. Mas quem for ao cinema querendo apenas se divertir deve gostar do filme, que tem algumas seqüências bastante divertidas. TRANSAMÉRICA foi o longa-metragem de estréia de Duncan Tucker.

RITMO DE UM SONHO (Hustle & Flow)

Bem melhor que TRANSAMÉRICA é este RITMO DE UM SONHO, que tem uma direção elegante, um ator em estado de graça (Terrence Howard) e uma trilha sonora empolgante. A estória do filme trata de um cafetão que, cansado de sua "profissão", resolve perseguir o seu sonho, que é o de se tornar um rapper famoso e respeitado. Ele começa a criar expectativas quando encontra um amigo do passado que trabalha com aparelhagem de som. Sua intenção é gravar uma fita demo e mostrar para alguém que possa lhe ajudar a colocar uma canção no rádio. RITMO DE UM SONHO é um filme parente de outros como JOHNNY & JUNE e 2 FILHOS DE FRANCISCO, com a diferença que aqui se trata de um personagem totalmente fictício, inspirado na vida do próprio diretor, Craig Brewer. No documentário presente no DVD, Brewer conta das dificuldades que teve para conseguir financiamento para seu filme. Ele também quis prestar uma homenagem à tradição musical da cidade de Memphis, que no passado brilhou com os primeiros cantores de rock. John Singleton, o produtor, parece que teve uma influência muito forte no filme, também.

terça-feira, julho 18, 2006

SUPERMAN - O RETORNO (Superman Returns)



Superman nunca foi dos meus heróis favoritos. Sua invencibilidade, seu poder que parece não ter limites, tudo isso contribui para que ele não ganhe a simpatia de muita gente. Por isso que quando a Marvel surgiu com seus heróis mais humanos e cheios de falhas foi um grande sucesso. Sabendo disso, os roteiristas de SUPERMAN - O RETORNO (2006) procuraram trazer um Superman que tivesse suas falhas ou seus momentos de fraqueza. E eles acertaram em cheio. Talvez eu esteja exagerando um pouco ao dizer que o filme de Bryan Singer é a mais bem sucedida adaptação para o cinema de um personagem da DC Comics. Singer nos mostra um Superman que sofre de dor de cotovelo e que usa seus poderes para invadir a privacidade de Lois Lane, numa das melhores cenas do filme. Há também outros momentos mais sutis como aquele em que Superman salva Lois e usa sua visão de raio-x para verificar se sua amada estava bem. Isso acontece com o marido de Lois do lado. Ele sabe que aquele alienígena de roupa colante azul poderia muito bem estar olhando para o corpo de Lois por baixo das roupas.

Claro que SUPERMAN - O RETORNO não terá o mesmo impacto do filme de Richard Donnner, nem tem um décimo da quantidade de estrelas presentes. O maior astro do filme é Kevin Spacey, que faz um Lex Luthor mais malvado do que aquele de Gene Hackman. Se tem algum problema com o personagem de Spacey, ele está na falta de lógica de seus planos malévolos, mas isso é perfeitamente coerente com o histórico do personagem e da própria DC, que sempre se caracterizou por ser bem mais maniqueísta que a sua maior concorrente. O seu plano para a destruição da humanidade me pareceu bem idiota. Mas são assim quase todos os vilões e, quanto à sua megalomania, não daria para fazer algo de menores proporções em se tratando de Superman. Ele é tão super-poderoso que é preciso algo gigantesco para que seja verdadeiramente um desafio para ele.

Quanto à nova Lois Lane, interpretada por Kate Bosworth, ela é bem mais bonita que a Margot Kidder. Assim, fica mais fácil de a gente se identificar com o Super-Homem. Para um herói dotado de uma super-honestidade, cheguei a ficar surpreso com o fato de ele ter dado em cima de uma mulher casada. Alguns fãs dos quadrinhos do herói até reclamaram das ousadias do roteiro, principalmente com o fato de arranjarem um filho para Lois Lane. Mas é melhor eu não falar muito sobre esse assunto sob o risco de estragar um pouco as surpresas. Ainda não falei do ator que faz o Superman. Pois bem, claro que ele não chega a ser um Christopher Reeve, a maior encarnação do herói já surgida e que provavelmente jamais encontrará um concorrente à altura. Porém, Brandon Routh, desempenha muito bem sua função.

Uma coisa que a gente percebe claramente vendo esse filme é o extremo respeito que Singer tem pelo personagem. Há uma seqüência do filme que mostra fotos de Superman em ação que é uma réplica exata da capa de Action Comics #1, a revista que trouxe a primeira aparição do herói, em 1938. O respeito pelo filme original de Richard Donner também é notado, a começar pelos créditos de abertura que utilizam a mesma formatação do filme de 1978, inclusive com a música genial de John Williams.

Fico imaginando o que seria se o filme fosse dirigido por outros nomes que foram cotados anteriormente. No início, Tim Burton tinha um projeto chamado SUPERMAN LIVES e quem iria interpretar o herói era Nicolas Cage. Deveria ficar no mínimo ridículo, Cage na pele do Homem de Aço. Brett Ratner foi o primeiro cineasta cotado para dirigir o filme. Engraçado que nesse caso aconteceu uma espécie de troca: Singer ficou com o filme do Superman enquanto Ratner dirigiu o terceiro filme da franquia dos mutantes. McG também foi cotado para dirigir SUPERMAN - O RETORNO. Como eu sou fã dos dois filmes das Panteras, imagino que McG faria um bom trabalho, mas completamente distinto do filme de Singer, respeitoso e com um andamento que lembra muito o do filme de 1978, mais lento. Singer, inclusive, já foi escalado para dirigir a seqüência desse filme, prevista para estrear em 2009. Mas antes disso, o jovem cineasta vai dirigir duas produções de menor escala. Uma delas se chama THE MAJOR OF CASTRO STREET (2007), filme que conta a história de um homem famoso por sua luta pelos direitos dos homossexuais em São Francisco. Deve ser o filme que vai confirmar mais explicitamente a orientação sexual de Singer.

P.S.: Recebi ontem a TEOREMA #9. Além das sempre ótimas críticas, tem uma puta entrevista do Beto Brant que por si só já justifica a compra da revista. Quem é de Porto Alegre, São Paulo ou outra cidade que venda a revista não deve perder. Agradecimentos a Marcus Mello que me enviou a revista.

segunda-feira, julho 17, 2006

VIAGEM A SAMPA


E a viagem a Sampa foi um sucesso. Em resumo, me encontrei com o pessoal da Cinefelia, com o Aguilar e o Carlão, com o Marcelo e a Ana Paul e com a Dianah. Foi um grande prazer conversar e ver de perto pessoas tão especiais. Espero novamente um dia me encontrar com todos. Como foram muitos dias longe do blog, não vai ser possível eu fazer um relatório detalhado de todos os dias que estive em São Paulo, mas vou fazer um resumão do que aconteceu, também como forma de reviver na memória momentos tão especiais. Como adepto da narrativa clássica, começarei pelo começo.

Sexta-feira, dia 7. Pra quem ia passar tanto tempo longe de casa, até que eu estava bastante tranqüilão para essa viagem. Era dia do meu aniversário e eu nem ligaria se não ganhasse nenhum presente. Só a viagem já seria um baita de um presente que eu estava me dando. Mas ainda assim ainda ganhei vários presentinhos do pessoal aqui de casa e o namorado da minha irmã ainda foi me deixar no aeroporto. E olha que já era madrugada, início do dia 8.

Sábado, dia 8. O avião saiu atrasado mais de uma hora. Cheguei no aeroporto de Guarulhos por volta das 8 da manhã. A viagem foi horrível, super-desconfortável. Um sujeito ao meu lado estava passando mal e eu já achava que ele ia vomitar. O vôo estava lotadíssimo. O Michel me recebeu no sagüão e a gente foi dar uma volta pela Av. Paulista até que desse meio-dia e eu pudesse fazer o check-in no hotel. Andamos bastante e comemos umas esfirras no Habib's da Rua Augusta. Passamos pela 2001 da Paulista para ver o acervo, mas não comprei nada. Fiquei admirado com o preço exorbitante dos estacionamentos. Estranhei um pouco o sistema do Hotel (Formule 1), mas logo a impessoalidade do lugar passou a ser uma vantagem pra mim. Depois de almoçar e dormir, passei lá no Belas Artes e assisti O AMOR EM CINCO TEMPOS, de François Ozon. Belo filme. Adorei a cama do hotel, super-confortável. Uma beleza.

Domingo, dia 9. Dia de final da Copa do Mundo. Liguei para a Ana Paul, que tinha me deixado seus telefones. Resultado: a Ana ficou de me pegar na segunda à noite para que eu, ela e o Marcelo pudéssemos ir para a cerimônia de abertura do Festival de Cinema Latino no Memorial da América Latina. Claro que topei. A sessão de domingo à tarde foi no Unibanco Arteplex, no Shopping Frei Caneca. O filme: FACTOTUM - SEM DESTINO. Um fillme entre o bom e o mediano. Cheguei a tempo de ver a prorrogação do jogo Itália x França e a cobrança dos pênaltis. Zidane foi o grande protagonista do jogo. As duas imagens que vão ficar marcadas na memória: a cabeçada e a saída dele, ao lado do troféu. À noite, fui ao cinema com o Michel ver o ótimo EU, VOCÊ E TODOS NÓS, de Miranda July. Depois do filme, comemos uma deliciosa pizza na Rua Augusta, no Pedaço da Pizza. Acho que foi a melhor pizza que eu já comi na vida.

Segunda-feira, dia 10. Passei a manhã inteira em casa. Não parava de chover e nada parecia melhor do que aquela cama. Levantei às 7 para o café da manhã e voltei para a cama. Acordei perto do meio-dia para dar uma volta. Tive que comprar um guarda-chuva. Como o meu sapato não era à prova d'água, lá fui eu comprar outro. Comprei também o encadernado do Sandman - Um Jogo de Você. O filme da tarde foi o brasileiro A CONCEPÇÃO, no Belas Artes. Bem diferente, esse filme do Belmonte. Saí do cinema sem saber direito o que tinha achado do filme. À noite, conforme combinado, a Ana Paul foi me pegar lá no hotel. Passamos na casa do Marcelo, que é bem mais diferente (fisicamente) do que eu havia imaginado. Gostei demais deles dois. A noite de abertura do I Festival Latino foi bem interessante, com a exibição de ZA 2005 - O VELHO E O NOVO, de Fernando Birri. O velhinho estava lá e foi homenageado. O grande Nelson Pereira dos Santos também marcou presença, assim como Orlando Senna e João Batista de Andrade. Encontrei o Marcelo Lyra por lá também. Depois do filme, teve um coquetel e depois a Ana e o Marcelo me levaram para um bar bem interessante, onde tomamos um delicioso caldo de feijão. O papo foi muito bom.

Terça-feira, dia 11. Saí do hotel mais cedo com duas missões: 1) trocar o sapato que havia comprado no dia anterior pois o mesmo tinha ficado apertado; e 2) procurar um casaco de linha para uma colega de trabalho lá no Anhangabaú. Felizmente, as duas coisas deram certo, ainda que tenham dado um pouco de trabalho. O sapato, eu tive de ir lá na filial da loja no Shopping Metrô Santa Cruz. Aproveitei que estava lá para conhecer o lugar e aproveitei para assistir PREMONIÇÃO 3, filme bem fraquinho. Valeu mais para conhecer uma sala do Cinemark. À noite, fui com o Michel na Sala Cinemateca para assistir A MARSELHESA, de Jean Renoir. Antes do filme teve uma mini-palestra. Senti-me como se estivesse numa sala de aula de curso de cinema. Quando o filme terminou já era quase meia-noite, hora de dormir.

Quarta-feira, dia 12. O dia foi meio angustiante. O ar de São Paulo me pareceu hostil, senti saudades de casa, minha garganta não estava boa. Acessei a internet e li um e-mail do Renato que disse que achava que não viria para Sampa. A Dianah também acabou desmarcando o nosso encontro da quinta-feira e o PCC estava botando pra quebrar na cidade. Não foi bem um dia legal. De acordo com informação da Ana Paul, fui lá conhecer o Sebo do Messias, perto da Praça da Sé. Não vi muita coisa interessante. Levei apenas o VHS de A MARCA DA CORRUPÇÃO, de John Flynn. Voltei para a Consolação para almoçar e ver BUBBLE, de Steven Soderbergh, um filme totalmente em sintonia com o mau estar desse dia. Liguei para o Michel e ele me falou que a Fer estava chegando. Felizmente a noite foi bem melhor. Na falta de outra coisa pra fazer, eu e o Michel acabamos marcando uma outra sessão de cinema. Vimos o argentino HERÊNCIA, filme bastante simpático e agradável. Saí do cinema muito bem. Totalmente o oposto do filme do Soderbergh. Depois da sessão, encontramos a Fer, que estava com todo o pique, mas ao mesmo tempo também muito cansada da viagem. Fomos a um restaurante italiano e comemos um ótimo filé à parmegiana. Foi muito legal conhecer a Fer pessoalmente, depois de mais de cinco anos de convivência apenas via internet.

Quinta-feira, dia 13. Acho que esse foi o dia que eu mais andei. Acordei mais cedo e fui dar uma volta lá perto da estação do metrô República. Quis conhecer a Galeria do Rock, mas achei o lugar meio decadente. Acabei voltando para a Paulista e andei bastante. Encontrei por acaso o FNAC e achei o lugar muito legal. Dá vontade de ser rico quando a gente entra ali. Enquanto eu caminhava, a Dianah liga para mim avisando que dá certo o encontro para a sexta-feira. Legal. No cinema, vi o documentário O HOMEM URSO, de Werner Herzog. Achei que o filme fosse melhor, mas gostei assim mesmo. Vi lá no Cine Gemini, um lugar meio decadente e com a projeção meia-boca, mas que tem um sabor daquelas salas de cinema antigas. À noite, foi a vez de eu apresentar o Michel para a Ana Paul e o Marcelo e vice-versa. Fomos para o Centro Cultural Banco do Brasil ver um filme da mostra Japão Pop. O título: ELECTRIC DRAGON 80.000 V. Não gostei nem pouco. Sorte é que ele era curtinho: 55 minutos. Mas foi engraçado lembrar das presepadas do filme depois ("Guitar!"). Melhor mesmo foi o agradável papo depois da sessão. Fomos a um restaurante chileno onde eles servem um tipo de salgado cujo nome eu esqueci. O papo estava tão bom que deu meia-noite e a gente saiu do lugar e foi continuar a conversa num McDonalds para comer uma sobremesa. Se eu já havia gostado do Marcelo e da Ana na segunda, na quinta então eu virei fã deles.

Sexta-feira, dia 14. Acordei bem mais tarde e fui encontrar com a Dianah Barcelos, um amor de pessoa. Como ela é chegada em esoterismo, a gente bateu um ótimo papo sobre o assunto, sobre as dificuldades da vida, sobre SEINFELD (incrível como quase todos os dias essa sitcom era mencionada) e sobre nada - o que é quase a mesma coisa. Depois de subir e descer ladeira perto da Liberdade, almoçamos no Shopping Paulista e seguimos para o cinema para ver TRANSAMÉRICA, que havia estreado na sexta. Muito legal o filme. Depois, tive de voltar para o hotel a fim de me preparar para o tão aguardado Primeiro Encontro Nacional da Cinefelia. Pena que muitos não puderam comparecer. Senti falta do Renato, do Gustavo, da Cris, da Rosângela, do Leandro. Estavam presentes para a sessão de SUPERMAN - O RETORNO a Fer, o Michel, o Francisco, o Tiago e a Denise. A Ana (da lista) estava muito cansada e não conseguiu ficar para ver o filme. Depois de SUPERMAN, que eu gostei bem mais do que esperava, fomos para o restaurante América botar o papo em dia.

Sábado, dia 15. Sem ter o que fazer, fui passear de metrô. Quis ir até algumas estações por onde ainda não havia passado. No caminho, encontrei por um preço camarada O Monstro do Pântano - Vol. 3, do Alan Moore. Michel liga pra mim avisando que o Renato havia chegado. Fiquei feliz com a chegada do Renato, que é um dos amigos que eu mais gosto. Só que o encontro do sábado acabou sendo apenas do quarteto Fer, Renato, Michel e eu. Mas foi ótimo mesmo assim. Andamos pela Paulista até achar um lugar agradável para tomar um chopp. De lá, fomos comer um cachorro-quente no Black Dog e demos uma fuçada na FNAC. Lá, comprei os livros Seinfeld e a Filosofia e um do Elmore Leonard que estava na promoção - O Último Posto no Rio Sabre. Mas o dia ainda prometia, já que o Michel havia confirmado um encontro com o Eduardo Aguilar e ninguém menos que Carlos Reichenbach. Eu, Michel e Renato passamos para pegar o Aguilar e o Carlão e fomos para uma pizzaria. A pizza estava maravilhosa, a cerveja estava de dar gosto, mas a conversa e a companhia deles é que me deixaram mais feliz. Carlão contava cada história e falava de cada pérola cinematográfica que a gente ficava até meio perdido e tendo a certeza de que ainda falta muita coisa legal para se ver antes de morrer. Os momentos mais engraçados da noite foram aqueles em que o Carlão mostrava o seu pouco interesse por Wong Kar-wai e Lucrecia Martel. Ficamos lá na Pizzaria conversando até perto da meia-noite, rindo muito. Depois de deixar o Carlão, o papo ainda se estendeu até a casa do Aguilar, quando tivemos o prazer de ver em primeira mão o seu mais recente curta: OFERENDAS. Talvez seja o seu melhor trabalho. Adorei. E só quando eu saí de lá que me caiu a ficha: os filmes do Aguilar têm uma atmosfera muito parecida com os filmes do Bergman. Ajudou o fato de o Aguilar falar pra mim: "Ailton, você tem que gostar do Bergman, ele é o grande cineasta canceriano". Algo assim. Aliás, um dos momentos mais divertidos da noite foi quando começamos a falar sobre astrologia. Foi quando eu vi o quanto eu e o Edu somos parecidos. Tudo bem que nascemos no mesmo dia do ano (7 de julho), mas daí a descobrir que ele também classifica os amigos e as namoradas por signos do zodíaco foi uma baita de uma surpresa! Se eu já achava o Aguilar uma figura e tanto tendo o conhecido só pela internet, conhecê-lo pessoalmente me tornou um fã do cara. A conversa estava tão boa que eu fui chegar no hotel só depois das três da manhã!

Domingo, dia 16. A ressaca da semana começava a me abater. E a festa se aproximava do final. A Fer bateu na minha porta para se despedir. Ela foi almoçar com o Tiago e a Denise. Não deu pra eu ir, já que também teria que fazer o check-out do hotel ao meio-dia. O Michel e o Renato fizeram a gentileza de me acompanhar nessas últimas horas em Sampa. Fomos assistir ao brasileiro TAPETE VERMELHO, filme simpático e inocente. Depois bateu um sono e um cansaço. Andamos um bocado pela Paulista, onde encontrei o DVD de O PODEROSO CHEFÃO por apenas 15 pilas. Depois de jantar e conversar um bocado, o Michel foi me deixar no Aeroporto. Taí um cara fantástico. Sou eternamente grato ao Michel pelo tanto que ele me aturou nesses dias, pelo exemplo de companherismo e pela capacidade de organizar eventos. Foi ele que contatou todo esse pessoal. O Michel é mais uma prova de que os capricornianos são pessoas notáveis e generosas. Sem dúvida, ele entrou para a minha seleta lista de melhores amigos. Ao chegar no aeroporto, fui surpreendido por um overbook. A TAM me indenizou com 300 reais em créditos para passagem e me colocou num vôo com conexão em Recife. Quando peguei o avião em Recife, eu fiquei sobrando no avião. Overbook a bordo. Um senhora aceitou 300 reais para descer do avião e me ceder o lugar. O que eu mais queria era chegar logo em casa, coisa que só aconteceu às 9h30 da manhã desta segunda-feira. É isso aí. Estamos de volta. Foi um belo começo de férias.

Para ver as fotos, clique AQUI.

sexta-feira, julho 07, 2006

MOUCHETTE, A VIRGEM POSSUÍDA (Mouchette)



Provavelmente o blog vai passar alguns dias sem atualização. Vou hoje para Sampa e, quando voltar, farei um pequeno relatório do que rolou por lá, além das fotos que pretendo tirar da turma. Espero que seja muito legal. Mesmo se eu não fosse me encontrar com ninguém, Sampa por si só já seria um paraíso, com aquele monte de salas de cinema e aquela diversidade de opções. Devo ver ao menos um filme por dia nos cinemas. Antes de sair, contudo, deixo um texto sobre mais um filme do genial Robert Bresson. Um texto de alguém despreparado para a obra de Bresson, é verdade, mas o filme não poderia passar em branco.

Dos filmes de Bresson que vi, MOUCHETTE (1967) mais se assemelha a A GRANDE TESTEMUNHA (1966), o título anterior do cineasta. Inclusive, um dos atores/modelos, Jean-Claude Guilbert, até reprisa o papel de bêbado marginal do filme anterior. Uma das principais diferenças que eu mais notei entre os dois filmes é que MOUCHETTE tem menos personagens e uma trama menos complexa. Ainda assim, demorei a compreender certas situações relacionadas à personagem título. Isso porque Bresson é o rei da sintetização. Além de só apresentar cenas fundamentais para a trama, há as famosas elipses, que nos deixam com algumas dúvidas: teria Arsene matado Mathieu? Mouchette fez sexo com Arsene na cabana? Sem falar no comportamento estranhíssimo dos personagens, fazendo com que o elemento surpresa esteja presente ativamente do início ao fim.

Mouchette é uma menina pobre que é rejeitada pelas colegas e ridicularizada pelos vizinhos e pela professora. Ela tem a mania de jogar pedras em suas colegas de classe que, em vez de brigar com ela, preferem sair do lugar e fingir que ela não existe. Um dia, ela decide demorar mais a chegar em casa. Se ela chegasse em casa, teria que amamentar o filho da mãe doente e encarar a triste realidade. É quando, numa noite de tempestade, ela conhece um bêbado que acredita ter matado um homem. Por ter passado a noite com esse homem, a jovem passa a ser tratada com desrespeito pela vila. Lembra um pouco o que acontece com o sacerdote de DIÁRIO DE UM PADRE (1951). Tanto o padre, quanto Mouchette ou o jumento de A GRANDE TESTEMUNHA são exemplos de criaturas que sofrem por causa da intolerância, da maldade ou da ignorância do povo. Com a diferença que Mouchette não apresenta a mesma pureza dos dois. A menina tem uma natureza malévola que mais a aproxima de Michel, o batedor de carteiras de PICKPOCKET (1959). E como não poderia deixar de ser em se tratando de um Bresson, o final trágico está à espreita.

Estou baixando atualmente O DIABO PROVAVELMENTE (1977) e já tenho no ponto para ver L'ARGENT (1983). Mas o ideal seria eu ver antes os três filmes que antecedem esses dois. Só não sei se vou conseguir baixá-los.

quinta-feira, julho 06, 2006

HEIST



Acabei de ver o quinto e último episódio exibido de HEIST (2006), série policial sobre grupo de assaltantes profissionais, produzida pela NBC. O que me dá mais tristeza é que a série estava melhorando a cada episódio. O quinto episódio, inclusive, é o meu favorito e ainda por cima termina com um gancho. O sexto chegou a ficar pronto, mas nunca foi exibido pela emissora. Esse é o problema da indústria televisiva: por mais que a série seja ótima, se não der audiência, ela precisa ser tirada do ar.

O episódio piloto foi dirigido por Doug Liman, diretor de VAMOS NESSA (1999) e IDENTIDADE BOURNE (2002). Gostei da série desde o piloto. Só não fiquei tão entusiasmado porque não sou muito fã de filmes sobre roubos inteligentes e milionários. Mas aos poucos a série foi me conquistando, graças a seus personagens carismáticos, às duas atrizes bonitas do elenco, à química dos personagens e ao progressivo aprofundamento da trama e dos personagens. Uma coisa que eu aprendi sobre séries de televisão é que a gente não deve desistir tão rápido delas. A problematização da trama pode elevar a série a níveis estratosféricos, como foi o caso de PRISON BREAK.

No caso de HEIST, o piloto foi filmado com muita elegância por Liman, mas ainda faltava aprofundar e problematizar mais o drama dos personagens. Só com o tempo que ficamos sabendo a verdadeira motivação de Mickey (Dougray Scott) para executar o assalto; o grave problema de saúde de Pops (Seymour Cassel); só com o tempo o romance de Mickey com a policial Amy Sykes (Michele Hicks) passa a se tornar algo pelo qual a gente torce. A personagem que não deu tempo de ser minimamente aprofundada foi a Lola (Marika Dominczyk), a gostosa membro da gangue de Mickey. Do jeito que a série terminou, ela é apenas uma mera peça do tabuleiro. Em compensação, as cenas envolvendo a dupla de policiais só melhoraram com o tempo. Não é nenhuma novidade mostrar dois policiais (um negro e um branco) que a princípio não se entendem e que aos poucos vão criando um vínculo de amizade, mas a sacada de HEIST foi colocar o policial branco como um homem gordo e engraçado.

Agora, resta esperar que os episódio filmados sejam lançados em DVD para que possam um dia aparecer na internet, já que não há mais esperanças de que série volte ao ar.

Agradecimentos ao Renato, que foi quem me apresentou a essa ótima série.

P.S.: Saiu o ranking anos 70 da Liga dos Blogues Cinematográficos. A exemplo do ranking da década de 80, tem mini-textos sobre os vinte primeiros colocados.

quarta-feira, julho 05, 2006

SEPARADOS PELO CASAMENTO (The Break-Up)



Tenho impressão que a comédia romântica americana é um subgênero em ascensão. Acusado por muitos de ser água com açúcar ou filme de mulherzinha, esse subgênero tem mostrado cada vez mais sinais de inteligência. Os americanos estão se tornando mais e mais mestres nisso. Acho que se um dia fossem fazer uma comparação entre gêneros cinematográficos e gêneros musicais, a comédia romântica se equivaleria à música pop. Esse pensamento meio besta me veio à mente por causa do constante flerte do gênero com canções pop, que costumam embelezar com freqüência alguns dos melhores momentos desses filmes. No caso de SEPARADOS PELO CASAMENTO (2006), os créditos iniciais ao som de "You're My Best Friend", do Queen, é de causar entusiasmo no espectador a um filme que está mal começando. E olha que a canção é até um pouco manjada, mas, ouvindo no cinema, é impressionante como certas canções crescem.

Outro detalhe que conta pontos a favor do filme é o esforço no sentido de evitar os clichês e as fórmulas batidas. Em vez de um filme sobre dois namorados que brigam e depois se apaixonam, o que é mais comum, Peyton Reed fez um filme sobre o desgate de uma relação e o processo de separação. O diretor já havia travado uma guerra dos sexos no seu filme anterior, o criativo ABAIXO O AMOR (2003). Aqui, Reed prefere um estilo mais econômico e sem estilizações.

O filme traz dois astros que escolheram a comédia como gênero mais importante de suas carreiras. Vince Vaughn se firma como o líder do chamado "frat pack", grupo meio estranho e de caráter duvidoso cujos membros nunca estiveram todos juntos no mesmo filme. Já Jennifer Aniston, do elenco de FRIENDS, ela é a que mais se deu bem em Hollywood. Jennifer sempre me agradou - embora eu suspeite que na vida real ela não deve ser flor que se cheire -, mas Vaughn custou a conquistar a minha simpatia. Afinal, o tipo de humor que ele faz não é exatamente aquele que nos faz cair da cadeira de rir. Ele não é nenhum Ben Stiller ou Steve Carell. Mas com o tempo a gente se acostuma com o jeito dele e até passa a gostar. SEPARADOS PELO CASAMENTO tira proveito do talento cômico singular de Vaugh.

Engraçado que o tema da separação costuma me afetar, a me incomodar até. Lembro que sofri bastante vendo a crise amorosa do casal de DOMICÍLIO CONJUGAL, de Truffaut. Quase como se estivesse acontecendo comigo. Com o filme de Peyton Reed, as coisas não são assim tão dramáticas, mas, para um filme do gênero, a opção pelo final amargo até que foi bastante corajosa. Identifiquei-me com o personagem de Vaughn, um sujeito que tem dificuldade de se organizar na vida, de ser pragmático, de fazer coisas de que não gosta pelo bem da relação. Ele precisa da mulher para que sua vida entre nos eixos. Pode-se dizer que SEPARADOS PELO CASAMENTO é um filme sobre a dificuldade de comunicação e a necessidade de, sempre que necessário, engolir o orgulho e abrir o coração. Nem sempre a vida tem que ser um jogo onde os parceiros precisam de blefar para conseguir seus objetivos.

terça-feira, julho 04, 2006

CACHÉ



CACHÉ (2005) era um dos filmes mais aguardados do ano pra mim. Desses com potencial para encabeçar a lista de melhores do ano. De repente, até mesmo o fato de eu ter visto os filmes ateriores de Haneke com o pé atrás deixa de ser um fato relevante. Suspeito que isso tenha ocorrido por causa da semelhança do enredo do filme com o ponto de partida de A ESTRADA PERDIDA, uma das obras-primas de David Lynch. Mesmo com essas comparações, sabia que Michael Haneke entregaria um tipo diferente de obra e que eu também deveria estar preparado para uma possível decepção. De certa maneira, Haneke é mais subversivo do que Lynch. Ele pega um gênero popular, o thriller, e transformou numa obra estranha. O cineasta engana muitas vezes o espectador, que corre o risco de sair do cinema revoltado ou frustrado. Como aconteceu com o grupo de senhoras que estavam sentadas na fila detrás da minha. Elas saíram xingando o filme e os franceses. Uma delas chegou a dizer: "como é que pode, eu sair de casa em pleno domingo à noite para ver uma merda dessas, logo depois de ter apanhado dos franceses no jogo de ontem?".

Quanto a mim, saí do cinema sem entender direito o que Haneke quis dizer com seu filme, mas ciente de que era necessário tempo para que eu pudesse digerí-lo. Também me pareceu óbvia a importância da discussão sobre a culpa dos franceses em relação aos argelinos. Pra quem não sabe - eu também não sabia -, em 1961 aconteceu em Paris um massacre dos argelinos da Frente de Libertação Nacional (FLN). O grupo fazia passeata com o objetivo de protestar contra o toque de recolher que os proibia de sair às ruas. Por causa disso, cerca de 400 argelinos foram espancados até a morte pela polícia e seus corpos foram jogados no Rio Sena. Esse fato é uma das maiores vergonhas da história da França e está ausente da maioria dos livros de História do pais. Não saberia dizer se esse acontecimento seria o eixo central da trama ou se Haneke usou esse fato apenas para ilustrar o sentimento de culpa, independente de qualquer nacionalidade. Lembrando que Lynch, tanto em A ESTRADA PERDIDA quanto em CIDADE DOS SONHOS, também usou a culpa como eixo temático.

Na trama de CACHÉ , casal de classe média alta - o excelente Daniel Auteuil e a cada vez mais maravilhosa Juliette Binoche - recebe fitas-cassete contendo imagens da fachada de sua casa. A cada vez o conteúdo das fitas vai mudando e, aos poucos, o personagem de Auteuil vai suspeitando de quem poderia estar por trás desses atos. Durante vários momentos, Haneke frustra nossas expectativas. Quando esperamos que algo assustador aconteça, como na seqüência em que Auteuil apaga as luzes para se deitar, nada acontece. O oposto também ocorre, mas em bem menor número, embora uma cena em especial pegue todo mundo de surpresa. O plano final é daqueles que provocam sentimentos diversos no público, em geral, muito acostumado à narrativa clássica e aos finais convencionais. Algumas risadas são inevitáveis, como se o espectador se sentisse vítima de uma pegadinha do diretor. Mas é preciso prestar bastante atenção e, se possível, rebobinar a fita, para perceber o que de fato acontece nessa seqüência final, que, parece, dá uma pista de quem estaria por trás do terrorismo das fitas. Pena que no cinema, não dá pra pedir para o projecionista rebobinar a fita pra gente ver de novo. Mais um motivo para rever o filme em DVD.

Tudo indica que CACHÉ representa para Michael Haneke o que ELEFANTE representou para Gus Van Sant, isto é, um momento de genialidade que pode fazer com que toda a sua filmografia pregressa seja reavaliada. Seria Haneke um autor incompreendido?

segunda-feira, julho 03, 2006

O MONSTRO DO ÁRTICO (The Thing from Another World)



Primeiro filme de Howard Hawks que eu não gostei. Ao menos existe a desculpa de que Hawks não o dirigiu de fato. O cineasta idealizou o projeto e passou a bola para Christian Nyby, o montador de RIO VERMELHO (1948). A idéia para a realização de O MONSTRO DO ÁRTICO (1951) surgiu quando Hawks estava na Alemanha rodando a comédia A NOIVA ERA ELE (1949) e leu um conto de quatro páginas publicado numa revista de ficção científica chamado "Who Goes There?".

Hawks visitou o set durante os ensaios e ajudou nos diálogos superpostos. E como Hawks foi co-autor (não creditado) do roteiro, poderia-se dizer que o filme também é dele. Além da rapidez dos diálogos que é a sua cara, temos um grupo de homens enfrentando uma ameaça, que lembra um pouco o clima de O PARAÍSO INFERNAL (1939). Há também a típica mulher hawksiana, segura de si e bastante ativa na relação. Destaque para a cena em que ela algema um sujeito - com o seu consentimento - para beijá-lo. Considero essa cena a melhor do filme pelo erotismo sugerido. E tenho certeza de que o filme seria uma maravilha se fosse mesmo dirigido pelo Hawks. E o cineasta ainda teria tido a chance de acrescentar mais um gênero à sua já diversificada filmografia.

O MONSTRO DO ÁRTICO conta a história de uma expedição ao Ártico para investigar um estranho incidente: uma espaçonave alienígena havia sido encontrada no Polo Norte. Debaixo do gelo, encontra-se o corpo do piloto. Nota-se claramente que não se trata de um humano. O corpo do E.T., ainda dentro do gelo, é enviado para a estação para que seja descongelado e estudado por um grupo de cientistas. O que eles não imaginavam era que o bicho ainda estava vivo.

O MONSTRO DO ÁRTICO custou muito barato e fez bastante sucesso de bilheteria. Além de não contar com nenhum ator famoso, os sets custaram pouco, já que a equipe trabalhou dentro de um refrigerador. O filme cai um pouco quando o monstro aparece. Os efeitos especiais e de maquiagem estão um tanto defasados e o monstro hoje parece até meio ridículo. Bem diferente da refilmagem caprichadíssima a cargo de John Carpenter - O ENIGMA DE OUTRO MUNDO (1982). Inclusive, estou com muita vontade de rever o filme do Carpenter em DVD, na janela correta, e aproveitar para ver os extras da edição especial.

Acho que o fato de as legendas estarem fora de sincronia contribuiu para eu não ter gostado mais do filme. Visto em divx.

sexta-feira, junho 30, 2006

CLUBE DA LUA (Luna de Avellaneda)



Confesso que quando fui assistir a CLUBE DA LUA (2004), imaginei que se tratava de mais um filme argentino choramingando a crise econômica que assola o país já faz alguns anos. Vários filmes vindos da terra do Maradona, ao menos os que chegaram por aqui, têm se caracterizado por mostrar explicitamente os problemas sociais resultantes dessa crise. Mesmo os que não se propunham a isso, acabavam de uma forma ou de outra apresentando essas questões. Não digo que isso não seja importante e que filmes melancólicos não sejam do meu agrado, mas chega uma hora que isso pode cansar a audiência. Interessante notar que o cinema brasileiro, por exemplo, nunca deixou a impressão de apresentar algum tipo de auto-piedade. Ao contrário, o brasileiro parece encarar as dificuldades da vida com muita coragem e senso de humor. A boa notícia é que CLUBE DA LUA parece ser a obra definitiva sobre a crise financeira argentina. E senso de humor não falta. O filme usa um clube de dança como metáfora dos problemas do próprio país e de como a sociedade lida com isso.

Juan José Campanella trabalha novamente com o excelente Ricardo Darín, que já havia trabalhado com o diretor em UM MESMO AMOR, UMA MESMA CHUVA (1999) e O FILHO DA NOIVA (2001). Darín é um dos líderes de um tradicional clube de dança que está em decadência, mas que já teve momentos gloriosos no passado. A seqüência inicial do filme nos dá uma idéia de como era o clube no passado. Essa seqüência lembra, inclusive, Fellini, com aqueles exageros e aquele tom onírico. Depois, corta para os dias atuais, com Darin lavando o chão de um ginásio. A situação difícil em que se encontra o clube é conseqüência do arrocho salarial e do desemprego.

Com tempo tão nublado, para não tornar CLUBE DA LUA um filme pesado, há diversos momentos engraçados. Destaque para a cena em que Darin sai à procura de um perfume barato. A cena dele tentando arrancar o aparelho dos dentes do filho também é de dar boas gargalhadas. No geral, é um belo filme, ainda que não tenha nenhuma cena tão comovente quanto a cena da reconciliação de O FILHO DA NOIVA. A longa duração (143 minutos) não chega a comprometer, já que o filme vai conquistando o espectador aos poucos. Lá pelo meio é que começamos de fato a simpatizar com os personagens. Quanto ao clube em si, não me pareceu algo tão importante a ponto de eu me solidarizar com a causa do grupo. A comparação com a situação da Argentina é que acaba tornando o filme grandioso. Ou quase.

P.S.: Falando em cinema argentino, soube pelo blog do Guilherme que morreu ontem Fabián Bielinsky, diretor de NOVE RAINHAS, que também trazia Ricardo Darín no elenco. É impressão minha ou nesse ano a quantidade de óbitos ocasionados por paradas cardíacas tem mesmo aumentado?

quinta-feira, junho 29, 2006

FESTIVAL VAN DAMME



Parece que vem uma gripe por aí. Estou com aquela faringite que antecede as gripes e com o corpo dolorido. Deveria ter ficado em casa descansando e vendo uns filmes em vídeo. Até porque não tenho muito o que fazer aqui no trabalho. Mas já que eu estou aqui, melhor esquecer o conforto da minha cama e procurar me ocupar. Ontem terminei de ver o quarto filme de Jean-Claude Van Damme que faltava eu ver dos que eu tinha gravado da televisão. Os filmes foram gravados da Globo e da Record.

VENCER OU MORRER (Nowhere to Run)

O melhor dos quatro e, com certeza, um dos melhores da carreira do belga. Trata-se de uma tentativa de trazer o astro para o cinema classe A. Chamaram Robert Harmon, de A MORTE PEDE CARONA (1986), para dirigir e Rosanna Arquette para estrelar o filme ao lado de Van Damme. E a fórmula até que funcionou. VENCER OU MORRER (1993) é um belo filme. Diria que a mais bem sucedida tentativa de fazer de Van Damme um herói. O final me pareceu tão emocionante que eu quase chorei. E chorar em filme do Van Damme é algo inédito pra mim. Um dos melhores momentos do filme é aquele em que Van Damme apaga o fogo de uma casa usando uma caixa d'água. Gostei também do garotinho, interpretado por Kieran Culkin.

REPLICANTE (Replicant)

Esse é um dos três filmes de Ringo Lam estrelados por Van Damme - os outros foram RISCO MÁXIMO (1996) e HELL (2003). REPLICANTE (2001) é o mais fraco dos três. Foi o último trabalho de Van Damme a passar nos cinemas. Depois desse, seus filmes passaram a ser lançados diretamente em video. O grande barato de REPLICANTE é a trama totalmente improvável. No filme, temos dois Van Dammes: um é psicopata, o outro é um clone criado a partir de células do primeiro a fim de auxiliar no trabalho da polícia na caça ao psicopata, cuja especialidade é matar mães solteiras. Simplesmente ridícula a idéia, não? Mas é a tal coisa: uma vez que a gente releva isso, até que dá pra ver o filme numa boa. Michael Rooker faz o papel do policial que trabalha com o clone.

A IRMANDADE (The Order)

Sheldon Lettich, que já dirigiu Van Damme em DUPLO IMPACTO (1991) e no novo THE HARD COPS (2006), fez essa espécie de primo pobre de O CÓDIGO DA VINCI com ecos de Indiana Jones. Em A IRMANDADE (2001), Van Damme é um ladrão de relíquias cujo pai, um arqueologista, é seqüestrado. Ele vai até Israel para resgatá-lo. A estória é uma bagunça que só piora à medida que se aproxima do final. Salva-se uma seqüência de ação com Van Damme dirigindo uma moto e a presença de Sofia Milos, conhecida pelos fãs de CSI: MIAMI. Charlton Heston tem uma participação pequena e totalmente ridícula. Pra quem já foi Moisés e Ben-Hur, o homem está numa decadência...

VINGANÇA (Wake of Death)

Era para ser mais um filme dirigido por Ringo Lam, mas o chinês abandonou o projeto depois de algumas semanas filmando no Canadá. Entrou um substituto que logo foi demitido. Philippe Martinez assumiu, então, a direção. VINGANÇA (2004) começa bem. Até parece que Lam dirigiu as seqüências iniciais. Na trama, Van Damme, depois que sua mulher é brutalmente assassinada, parte para a vingança contra as tríades chinesas. Apesar de o filme em si não ser lá grande coisa, vale destacar a performance de Van Damme, em sua melhor interpretação. Principalmente na cena em que ele chora a morte da esposa. Pra quem gosta de filmes estilosos, vale dar uma conferida.

quarta-feira, junho 28, 2006

DIAS DE IRA (Vredens Dag)



"Não há nada tão calmo quanto um coração que parou de bater."
(Rev. Absalom Pederssøn)

O que dizer de DIAS DE IRA (1943)? Que é uma obra incomparável, que é uma das maiores obras-primas da história do cinema? Dizer isso é chover no molhado. As palavras não teriam força suficiente para convencer às pessoas que ainda não viram o filme de quão poderosa é essa maravilha de Carl Th. Dreyer. Foi o primeiro trabalho de Dreyer que realmente me deixou de queixo caído. Adoro A PAIXÃO DE JOANA D'ARC (1927), mas como eu tinha acabado de ver O PROCESSO DE JOANA D'ARC, de Bresson, o filme de Dreyer acabou me envolvendo menos.

DIAS DE IRA é uma história sombria de feitiçaria e intolerância. Mas o que mais me deixou chocado é que talvez a intolerância não seja o principal tema do filme. Há um sentido ambíguo no drama de Ann (Lisbeth Movin), uma jovem mulher que é dada em casamento a um velho pastor especializado em queimar bruxas na fogueira - estamos na Europa do século XVII. A primeira personagem a aparecer no filme é uma velha senhora acusada de bruxaria que, fugindo dos fanáticos, procura abrigo na casa de Ann. Anos atrás, a velha havia ajudado a mãe de Ann a escapar da fogueira. Ann possui uma beleza enigmática, olhos que brilham como fogo. A chegada do filho do pastor à casa já dá um sinal de que ali se formará um perigoso triângulo amoroso. Completando o caldeirão fervente, na casa mora também a sogra de Ann, que não vê com bons olhos o casamento do filho com uma moça tão jovem.

A cena da velha sendo levada à fogueira é mais forte do que a de Joana D'Arc morrendo em A PAIXÃO DE JOANA D'ARC, já que agora há a utilização do som. DIAS DE IRA foi o segundo longa-metragem sonoro de Dreyer. Mas até poderia ser considerado o primeiro, já que O VAMPIRO (1932) é quase um filme mudo. E Dreyer usa o som com maestria. Os diálogos são praticamente sussurrados, contrastando com os gritos e com o barulho da cena da tempestade.

O DVD da Magnus Opus traz duas entrevistas de cerca de quinze minutos, cada, com Lisbeth Movin e Preben Lerdorff Rye, o ator que faz o filho do reverendo. Bem interessantes as entrevistas, especialmente a de Lisbeth. Ela lembra do dia em que fez a cena do velório do pastor, conta da atmosfera criada e da interrupção das filmagens num momento crucial. Essa seqüência é um daqueles casos raros de suspensão do tempo. O que me deixou mais intrigado com essa seqüência foi a sugestão de que Dreyer estaria acreditando que as bruxas do filme eram mesmo agentes a serviço de Satanás e não meras vítimas da repressão. Mas claro que existem várias interpretações para o filme.

Agradecimentos a Carol Vieira que fez a gentileza de emprestar sua coleção de Dreyer.

terça-feira, junho 27, 2006

TRISTÃO & ISOLDA (Tristan + Isolde)



Meu primeiro contato com a história de Tristão e Isolda foi através da mini-série em quadrinhos CAMELOT 3000. Nos quadrinhos, o roteirista Mike Barr torna difícil a relação entre os dois amantes ao fazer com que eles reencarnem, ambos, em corpos femininos. Em algumas histórias envolvendo o casal, Tristão é apresentado como um dos cavaleiros do Rei Arthur. Não é o caso de TRISTÃO & ISOLDA (2006), o filme de Kevin Reynolds. Em compensação, o filme apresenta um triângulo amoroso envolvendo Tristão, Isolda e o rei Marke semelhante ao famoso triângulo Arthur-Guinevere-Lancelot. A história do casal também lembra a tragédia de Romeu e Julieta, já que os dois vêm de países inimigos (Inglaterra e Irlanda).

James Franco e Sophia Myles foram os escolhidos para viverem os personagens-título nesse filme que peca pela frieza, um problema sério em se tratando de uma história arrebatadora de amor e violência. Provavelmente, o problema está na direção pouco inspirada de Reynolds, diretor do massacrado WATERWORLD (1995). O outro problema é a interpretação ruim de James Franco. Por outro lado, a presença de cena e a beleza reluzente de Sophia Myles justificam a ida ao cinema. Quem gostou dela já pode ficar de olho: a moça poderá ser vista no novo filme de Terry Zwigoff, ART SCHOOL CONFIDENTIAL. Sophia tem um aspecto angelical, como a Emilie de Ravin, de LOST.

Acredito que hoje em dia os filmes de época que trazem cenas de batalha não podem se dar ao luxo de abdicar das cenas de violência. Um dos méritos de CORAÇÃO VALENTE, de Mel Gibson era justamente o de mostrar as batalhas agressivas e sangrentas. Reynolds optou por um registro mais tradicional, à moda antiga, o que seria até perdoável. Mas se o diretor não tem competência para elaborar um filme delicado, sutil e com pouca violência nos dias de hoje - como Terrence Malick fez em O NOVO MUNDO, outra história de amor impossível -, talvez apelar para os excessos fosse uma boa saída. Agora já era.

P.S.: Coluna nova no CCR: Futebol no Cinema Nacional.

segunda-feira, junho 26, 2006

POSEIDON



Não cheguei a acompanhar o ciclo dos disaster movies da década de 70. Tive a chance de ver vários desses filmes na televisão, mas não deu muita vontade de ver. Por isso, não tenho como comparar O DESTINO DE POSEIDON (1972) com essa refilmagem sob a batuta de Wolfgang Petersen, diretor acostumado a fazer filmes que se passam dentro d'água - O BARCO - INFERNO NO MAR (1981) e MAR EM FÚRIA (2000). POSEIDON (2006) é um de seus melhores trabalhos.

Quando vi o trailer do filme, imaginei que se tratava de um sub-TITANIC. E de certa maneira, é mesmo. O mérito do filme está, principalmente, em não deixar a peteca cair em nenhum momento. O filme de Petersen tem uma duração até menor do que o original e não se preocupa em dar um pouco mais de profundidade aos personagens. Ainda assim, é possível simpatizar com vários deles, escolher os favoritos, lamentar pela morte de alguns, festejar a sobrevivência de outros. Ver pessoas em momentos de dificuldade e agindo em equipe para salvar a si mesmo e aos outros é sempre algo que me deixa comovido.

O primeiro nome a aparecer nos créditos é o de Josh Lucas, ator de pouco brilho, mas que aos poucos ganha a simpatia por seus atos heróicos. Algo parecido acontece com o personagem de Richard Dreyfuss, um homossexual deprimido e rejeitado que pensa em suicídio justo na hora em que a onda gigante se aproxima do navio. Quem eu gostei logo de início foram das mulheres. Especialmente de Mía Maestro, a latina Elena. A jovem Emmy Rossum, que faz a filha do ex-prefeito Kurt Russell, pode-se considerar quase uma veterana dos novos disaster movies, já que esteve no elenco de O DIA DEPOIS DE AMANHÃ, na minha opinião, o melhor dessa nova safra. Não podia faltar um personagem antipático, aquele que a gente torce para que morra logo, como é o caso de Kevin Dillon.

A cena da chegada da onda e a conseqüente destruição progressiva do navio foram feitas com capricho pela produção. Tudo bem que com um orçamento de US$ 140 milhões não poderia ser diferente, mas não é nenhuma novidade a gente ver Hollywood torrando milhões em produções que nem ao menos oferecem o básico para o espectador. POSEIDON traz seqüências de deixar a gente com falta de ar e outras que dão aquele calafrio causado pelo alívio depois da sensação de perigo. Para quem esperava alguns bocejos e efeitos digitais frios, POSEIDON me deixou até bastante satisfeito.

Quanto aO DESTINO DE POSEIDON, o original, o filme está sendo lançado numa edição especial em DVD duplo.

sexta-feira, junho 23, 2006

HATED - G.G. ALLIN AND THE MURDER JUNKIES



G.G. Allin foi uma figura incomparável na história do rock. Não houve sujeito tão agressivo, violento e nojento quanto ele. Lembro que a primeira vez que ouvi falar nele foi através de uma nota na revista Bizz. A nota falava do que ele costumava fazer nos shows: cantava totalmente nu e drogado, cagava no palco, comia as próprias fezes e ainda jogava parte delas no público. A nota da Bizz ainda falava sobre o fato de ele enfiar o microfone no próprio ânus e de bater o microfone na cabeça, terminando os shows sempre ensangüentado. Pra completar, Allin havia prometido cometer suicídio em um de seus shows, o que não aconteceu pois ele morreu de overdose de heroína acidentalmente. O engraçado é que ele morreu numa festa e as pessoas que estavam lá não sabiam inicialmente que ele havia morrido, pensavam que ele estava apenas dormindo, e até tiraram algumas fotos com o corpo já sem vida dele.

Todd Philips, diretor da divertida comédia CAINDO NA ESTRADA (2000), dirigiu HATED (1994), o documentário que já tem a seu favor o tema bombástico e as loucuras de um homem que vivia dos excessos. O documentário traz trechos de shows de Allin e vários depoimentos de membros da banda Murder Junkies e de fãs do cantor. O documentário mostra também que, em alguns shows, ele às vezes pegava um espectador e metia a porrada no coitado. Geralmente seus shows só duravam dez minutos pois eram interrompidos com a confusão e a polícia chegava logo ao local. Quer dizer, quem ia para os shows de Allin corria o risco de sair de lá todo arrebentado e fedendo a merda.

Lendo sobre Allin na internet, soube que ironicamente seu nome de batismo era Jesus Christ Allin. O pai de Allin foi quem lhe deu esse nome, pois, segundo ele, um anjo o havia visitado e lhe dito que o seu filho iria se tornar um grande homem. Um outro detalhe que eu achei interessante é que o perturbado pai de Allin proibia qualquer conversa à noite em sua casa, uma cabana sem água e eletricidade. O velho era mentalmente perturbado.

Como vi o filme sem legendas e no computador (o dvd player não rodou o arquivo), não consegui entender boa parte dos depoimentos. Colocava o volume das minhas caixinhas de som mixurucas no máximo para tentar ouvir melhor, mas com certeza devo ter perdido várias coisas importantes. Eu, além de ter um listening skill ruim, sou meio surdo. O arquivo que peguei, via torrent, veio com um extra de duração maior que o filme, contendo a performance dele na Gas Station, pouco antes de morrer. Porém, ontem fui tentar rever trechos do filme e continuar a ver esse extra, mas deu erro de codec. Vai entender.

quinta-feira, junho 22, 2006

FUGINDO DO INFERNO (The Great Escape)



FUGINDO DO INFERNO (1963) foi um dos filmes mais marcantes da minha infância. Devo ter visto umas duas ou três vezes. Na época eu não era um entusiasta por filmes e nem sabia quem era John Sturges, Steve McQueen ou Charles Bronson, mas o filme, sempre que passava, me deixava com os olhos grudados na tela. Acho que o meu gosto por filmes de prisão nasceu com FUGINDO DO INFERNO, que eu considero até hoje o grande clássico desse subgênero. Sem esse filme não existiria uma série foda como PRISON BREAK.

Sturges é mais famoso por seus westerns revisionistas. Os mais célebres são SEM LEI E SEM ALMA (1957), DUELO DE TITÃS (1959) e SETE HOMENS E UM DESTINO (1960). Desses, só cheguei a ver o terceiro e, embora goste bastante do elenco e da trilha sonora antológica de Elmer Bernstein, não está entre os meus westerns favoritos. Sou bem mais os clássicos de Ford e Hawks, que falam mais ao meu coração. Mas claro que não dá pra negar a importância de Sturges e não pretendo deixar passar a oportunidade de ver mais de seus filmes.

Há, inclusive, uma estreita ligação entre SETE HOMENS E UM DESTINO e FUGINDO DO INFERNO. Além de os dois filmes compartilharem da mesma direção de Sturges e do mesmo compositor (Bernstein), três atores integram o elenco desses filmes: Steve McQueen, Charles Bronson e James Coburn, três astros do chamado cinema de macho.

A trama é simples: grupo de prisioneiros da Segunda Guerra Mundial tenta escapar de uma prisão de segurança máxima administrada pelos alemães. Em comparação com outros filmes de prisão que vi, esse até que pega leve com os prisioneiros. UM CONDENADO À MORTE ESCAPOU, do Bresson, por exemplo, passa uma visão muito mais dark da coisa. Aqui os prisioneiros até se divertem e não eram executados a não ser que fossem pegos tentando fugir. O maior castigo era a chamada "geladeira", uma espécie de solitária onde o personagem de McQueen passa boa parte do tempo, brincando com sua bola de beisebol. Cada personagem é especialista em alguma coisa: um é especialista em túneis, outro cuida da falsificação de documentos, outro consegue material para a fuga etc. A idéia dos líderes da fuga é liberar mais de duzentos presos através dos túneis.

Interessante que Steve McQueen era um ator bastante vaidoso. Ele só aceitou participar do filme se o seu personagem tivesse bastante destaque e que ele ainda pudesse demonstrar suas habilidades na moto - as cenas de moto não existem no livro no qual o filme se baseia. O livro foi baseado em fatos reais. O autor havia presenciado uma fuga na época em que foi prisioneiro dos alemães. Donald Pleasance também foi prisioneiro dos nazistas.

Pena que a edição que eu comprei do DVD não foi a dupla, mas a simples, que está sendo vendida a preço de DVD de banca nas Lojas Americanas. No segundo disco da edição especial parece que vem um bom documentário, mas não sei qual a duração, nem se vem com legendas. De qualquer maneira, o lançamento do filme em DVD é motivo para comemoração. Poder ver essa maravilha em sua janela correta (2,35:1) não tem preço.

P.S.: No Balaio Vermelho, blog de Moacy Cyrne, foi publicado hoje o top 20 dos meus filmes favoritos de todos os tempos. Ruim é que, sempre que eu olho para a lista, dá vontade de modificar. :)

terça-feira, junho 20, 2006

BANDE À PART



Depois do luxuoso O DESPREZO (1963), realizado em cinemascope, technicolor, uma estrela gostosona e muito dinheiro envolvido, Jean-Luc Godard retorna às origens mais humildes com BANDE À PART (1964). Há algumas semelhanças com ACOSSADO (1959). Ambos são filmes baratos de crimes; ambos trazem uma mulher como eixo fundamental da trama. No caso de BANDE À PART, Anna Karina, a musa maior de Godard. Pelo visto, o cineasta era mesmo interessado em histórias de crime. Além de o filme ser baseado num romance barato do gênero, há uma cena em que os dois protagonistas lêem em voz alta trechos de notícias do caderno policial de um jornal.

Quanto a Anna Karina, depois de interpretar uma stripper doida pra casar em UMA MULHER É UMA MULHER (1961) e uma prostituta desiludida em VIVER A VIDA (1962), nada melhor do que mudar um pouco. Em BANDE À PART, Karina é uma jovem inocente que é persuadida por dois sujeitos, colegas de um curso de inglês, a assaltar a casa onde ela trabalha.

Eu adoro filmes de assalto. Mas não dá pra esperar algo convencional de Godard. A história leva meia hora para chegar a algum lugar. Dos momentos anteriores ao assalto, gosto bastante da cena dos três dançando no bar ao som de um ótimo jazz. Godard tem grande talento para seqüências musicais. Karina já havia feito uma cena de dança memorável num bar em VIVER A VIDA. Outra coisa que me agradou no filme foi a narração poética do próprio Godard. Essa narração parece oferecer uma dissonância com o que é mostrado na tela. Na maioria das vezes, as imagens, pelo menos até pouco antes do final, não parecem ter o grau de melancolia que o texto recitado por Godard sugere. Um dos momento mais geniais dessa narração acontece justamente na seqüência da dança no bar, quando o diretor nos revela o que cada um estaria pensando. Ele pára a música e insere os pensamentos dos personagens. Genial. Começo a suspeitar que a cena da dança é a melhor de todo o filme. Parece que a tal cena da dança foi homenageada por Tarantino em PULP FICTION. Fora o fato de que Tarantino nomeou a sua produtora de Band à Part. Mas, se não engano, Godard não foi muito gentil com o Tarantino.

Pena que a cópia que eu vi, em divx, estava pulando, travando ou ficando com problema de sincronia. Não sei se o problema era do divx ou se meu aparelho de DVD já está começando a cansar e a rejeitar o formato. Acho que se eu visse o filme em melhores condições, teria gostado mais. E, ao contrário do que eu imaginava, o "triângulo amoroso" não é muito bem explorado. Mas vai ver não era mesmo a intenção do diretor de enfatizar a relação dos três. Poderia ficar muito parecido com JULES E JIM, do Truffaut.

P.S.: Finalmente recebi meu exemplar da Paisà #3. A seção de DVDs dessa vez está bem mais gordinha. E a revista destaca mais os clássicos.

segunda-feira, junho 19, 2006

IMPULSIVIDADE (Thumbsucker)



Felizmente a programação do Cinema de Arte está melhorando. Depois de alguns meses exibindo filmes pouco atraentes, o meu interesse pela programação se renovou. Depois de IMPULSIVIDADE (2005), estão programados para as próximas semanas: O CLUBE DA LUA, de Juan José Campanella, CACHÉ, de Michael Haneke, APENAS UM BEIJO, de Ken Loach, O HOMEM URSO, de Werner Herzog, e CRIME FERPEITO, de Alex de la Iglesias, não necessariamente nessa ordem.

IMPULSIVIDADE é mais uma interessante produção do cinema independente americano, que tem a tendência de trazer à tona assuntos pouco comuns. O filme de Mike Mills conta a história de um rapaz que não consegue largar o vício de chupar o dedo. Seu relacionamento com os pais é bem pouco convencional. Ele os trata pelo primeiro nome por sugestão deles mesmos, que não querem se sentir velhos. Seu ortodontista (interpretado por Keanu Reeves) lhe sugere uma hipnose a fim de acabar com a vontade de chupar o dedo. O problema é que a falta dessa válvula de escape no rapaz faz com que ele se torne violento e irritadiço. As coisas começam a se resolver um pouco quando lhe é receitado pílulas para administrar a sua capacidade de concentração. Mas outro problema ocorre: ele fica viciado nas drogas.

Se eu não tivesse tão impaciente para sair da sala de cinema, até teria ficado para o debate que teve no final da sessão, com a presença de psicólogos. Se bem que tenho minhas dúvidas se a psicologia é mesmo convicente na explicação desses casos. Porém, independente do que a psicologia possa dizer sobre os problemas do protagonista, o filme fala de um assunto universal, o de se aceitar ou não as diferenças, as esquisitices. Qualquer coisa que esteja distante da normalidade imposta pela sociedade deve ser ajustada. É assim que as coisas são. O final do filme tende a criticar essa busca pela normalidade, pelo ajuste.

Mike Mills, antes de se dedicar a esse filme, era diretor de videoclipes. Mills contribui mais uma vez para a tirar a idéia de que um diretor de videoclipes deve, naturalmente, fazer filmes com montagem picotada e uso exagerado de filtros. O que não é verdade, vide os belos trabalhos de Mark Romanek (RETRATOS DE UMA OBSESSÃO), Jonathan Glazer (REENCARNAÇÃO) e Mark Pellington (O SUSPEITO DA RUA ARLINGTON), só pra citar três exemplos.

domingo, junho 18, 2006

BOLEIROS 2 - VENCEDORES E VENCIDOS



No jogo de hoje, Brasil x Austrália, Fred entrou faltando poucos minutos para acabar o jogo e, mal entrou, fez logo um gol. Para a alegria da enorme torcida brasileira, com sede de gols. Em BOLEIROS - VENCEDORES E VENCIDOS (2006), aparece uma história parecida, só que com um final bem menos feliz. O novo filme de Ugo Giorgetti pode não ter as mesmas boas estórias de BOLEIROS - ERA UMA VEZ O FUTEBOL (1998), mas há muitos bons momentos. Esse que eu citei acima é um deles, a história de Barbosa (Duda Mamberti), o assistente de técnico que sonhava em se tornar técnico de futebol.

O grupo de amigos freqüentadores do bar do Aurélio reaparece nesse segundo filme. É sempre bom conferir mais uma vez o talento de craques como Adriano Stuart e Flávio Migliaccio, além de outras gratas presenças, como Sócrates, Otávio Augusto, Sílvio Luiz, Cássio Gabus Mendes, Lima Duarte, Fulvio Stefanini, Denise Fraga. Há também o ator revelação Paulo Miklos no papel de empresário canalha e a presença da eterna Tiazinha Suzana Alves. Eu já tinha percebido, vendo uma cena da moça na mini-série MANDRAKE, que ela é mais do que um corpinho bonito.

Entre as melhores estórias do filme, destaco a de Nestor, o homem que supostamente teria retornado depois de dar um chá de sumiço durante anos, quando partiu para jogar no México. O sujeito que aparece está muito diferente do Nestor que a mulher e os amigos conheciam. Pra completar, ele não está de posse de nenhum documento. A mulher o leva, então, para ver Naldinho (Flávio Migliaccio), seu amigo no passado. Quem sabe ele o reconheça. O desenrolar desse episódio é dos mais divertidos.

Há uma crítica às mudanças, à modernidade, logo no início do filme, quando Migliaccio reclama das inovações que o bar está promovendo. O bar está sendo reinaugurado e está com um novo sócio, Marquinhos (José Trassi), o herói do penta, possivelmente, representando Ronaldo. Dos vários personagens do filme, não entendi o que representariam aquele casal de ladrões de carteira. Mas no geral, é um filme bastante agradável de se ver, embora falte episódios tão bons quanto àquele do Paulinho Majestade, do primeiro BOLEIROS. Aquele, sim, foi de arrepiar.

P.S.: Não deixem de comprar o livro "Ugo Giorgetti - O Sonho Intacto", de Rosane Pavam. Faz parte daquela série de livros baratinhos lançados pela Imprensa Oficial. Dessa coleção, comprei também os de Carlos Reichenbach, Anselmo Duarte e Guilherme de Almeida Prado. E, mais recentemente, também comprei a coletânea de críticas de Jairo Ferreira.