terça-feira, novembro 18, 2003

HERO (Ying Xiong)

  

Sim, meus amigos. Finalmente eu assisti HERO, a obra-prima de Zhang Yimou. E olha que o cara é o realizador de TEMPOS DE VIVER (1994) e O CAMINHO PRA CASA (1999), obras-primas do drama. Quanto à comparação quase inevitável: sim, o filme é melhor que O TIGRE E O DRAGÃO. Consegui assistir essa preciosidade graças ao meu amigo Herbert que passou lá em casa na última semana com uns divx's pra gente fazer um escambo digital.

É mesmo um crime um filme como esse ainda estar inédito no Brasil. E parece que nos EUA também continua inédito no circuito comercial. Esse povo não sabe o que tá perdendo. Quando passar no cinema, eu vou ver de novo com certeza esse espetáculo.

Na história que o filme conta, baseada em fatos históricos (e em lendas surgidas a respeito dos assassinos do rei de Qin), Jet Li é Sem Nome, um assassino contratado para matar três assassinos super-hábeis, que se apresenta ao Rei de Qin para comprovar, a partir das armas dos assassinos, a prova de que esses inimigos do rei estavam mortos. O rei, então, pede pra que ele narre como conseguiu matar os assassinos. A partir daí o filme entra numa sucessão de flashbacks, em imagens maravilhosamente fotografadas e com uma direção de arte sensacional. O filme tem uma semelhança com RASHOMON (1950), do Kurosawa, ou com o recente VIOLAÇÃO DE CONDUTA, do McTiernan. Isso porque nem tudo que se conta é a versão verdadeira dos fatos.

As cenas de luta são coreografadas de modo que parecem uma dança e não uma luta. Dessa forma, não é bem um filme de ação. Trata-se mais de um filme de arte que se apóia na cultura chinesa e nas artes marciais para ajudar e embelezar a narrativa. Aliás, apesar de a narrativa ser complexamente rica e bonita e cheia de códigos de ética estranhos temporal e geograficamente ao que conhecemos, é mesmo o visual do filme que enche os olhos.

A cena de luta entre Maggie Cheung (de AMOR À FLOR DA PELE) e Zhang Ziyi (de O TIGRE E O DRAGÃO) é tão bonita em suas tonalidades de laranja e vermelho que eu não consigo encontrar paralelos em nenhum outro filme que vi. É algo que não dá pra descrever com palavras. Também se destaca a cena nos interiores da casa entre Tony Leung (FELIZES JUNTOS) e Maggie. E a cena não envolve lutas, é mais intimista, bem ao estilo Zhang Yimou. Muito bonita. Já as lutas, as melhores são as que o Jet Li está participando. A primeira luta com Donnie Yuen (de BATER OU CORRER EM LONDRES) é ótima. A seqüência fantástica de Li e Cheung "espantando" as flechas é de cair o queixo.A sensacional saraivada de flechas pode ser comparada em menor escala a RAN (1985), do Kurosawa, ou a HENRIQUE V (1989), de Kenneth Branagh. Mas aqui, com ajuda da computação gráfica, o efeito ficou perfeito e muito mais bonito.

Dá pra escrever montes de parágrafos sobre as qualidades do filme, mas acho que já escrevi o bastante. Bom mesmo é que as pessoas consigam um jeito de ver o filme. Ou ajudem na torcida pra que lancem esse filme aqui no Brasil, de preferência na telona. Aquele sonzinho mixuruca das caixas de som do meu computador e a telinha de 14 polegadas não fazem jus a ele.

segunda-feira, novembro 17, 2003

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (The Texas Chainsaw Massacre)



O final de semana que passou foi sem cinema. O único filme que vi foi o dvd de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (1974), filme de estréia de Tobe Hooper. Isso porque eu levei o dvd lá pra casa na Lagoa de Uruaú, onde passei o sábado e o domingo na agradável companhia dos amigos Murilo, Cacau, Valéria, Rejane e Juliana, além de outra turma que estava presente na casa. Lá ainda revi HULK, do Ang Lee. Inclusive, tive também a oportunidade de assistir os extras do dvd, que estão sensacionais. Tão (ou mais) agradáveis de se ver quanto o filme. Emocionante ver o entusiasmo de Stan Lee ao falar com orgulho de seu personagem. Mesmo quem assistiu o filme no cinema, deveria dar uma conferida nesse dvd.

Voltando, então, ao filme do Tobe Hooper. Trata-se de um marco na história dos filmes de terror. Ainda hoje continua forte e com cenas ainda chocantes e de uma crueza espantosa. Já tinha visto há um tempão em vhs, mas pouca coisa ficou na memória. Agora, na revisão em dvd, o filme se revelou pra mim como um dos grandes do gênero. A cena em que o Leatherface põe uma garota no gancho, enquanto ela assiste aterrorizada o maníaco fazer em pedaços o corpo de seu amigo, é uma das mais aterrorizantes da história do cinema. As cenas finais com a Marilyn Burns (a rainha do grito dos anos 70) tentando fugir da família "esquisita" e da moto-serra é o auge do suspense no filme. E o fato de o filme terminar bruscamente, enquanto a adrenalina ainda está a mil é ponto positivo para o filme. Nesse caso, foi ótimo Hooper não ter feito um epílogo no sentido tradicional da palavra.

O filme até hoje é referência, sendo copiado até hoje. Inclusive, está pra sair um remake do filme. E parece que essa nova versão está sendo bem recebida pelo público. Histórias semelhantes também são encontradas nos filmes QUADRILHA DE SÁDICOS (1977) e no recente WRONG TURN.

Uma pena Hooper não ter feito mais filmes tão brilhantes quanto esse. Estava vendo a filmografia dele no IMDB e me interessei pelo segundo filme dele: EATEN ALIVE (1977). Será que ele foi lançado em vídeo aqui no Brasil? Parece que ele está de volta à boa forma com o novo THE TOOLBOX MURDERS, que tem a Angela Battis (MAY) no elenco.

quinta-feira, novembro 13, 2003

DOIS MUSEUS DE CERA



Uma boa você alugar um DVD e nele estar contido dois filmes. É assim que acontece quando você aluga o disquinho de MUSEU DE CERA. No lado B do disco vem a primeira versão da história, o filme OS CRIMES DO MUSEU. Comento a seguir os dois filmes.

MUSEU DE CERA (House of Wax)

Dirigido por De André De Toth, MUSEU DE CERA (1953) é considerado um marco no cinema por ter sido rodado com efeitos 3-D. Acho que não foi o primeiro, mas pelo que eu li no IMDB, o filme é um dos mais festejados entre os que utilizaram esse efeito. Ironia do destino é que De Toth só tinha um olho e não pôde conferir os efeitos do próprio filme (li isso primeiro na Cine Monstro # 2). Ele era era diretor de westerns e de dramas urbanos de crime. Conversando com o Daniel The Walrus, ele me falou que De Toth foi uma das grandes influências para Martin Scorsese. Sendo assim, é um diretor que merece atenção.

Mas é Vincent Price, o maior ícone do cinema de horror americano, a grande atração desse filme. É só comparar com o mesmo personagem do filme de 1933 pra você notar a excelência da performance de Price. O filme, inclusive, achei melhor que as adaptações de Poe dirigidas por Corman e estreladas por Price. Seu personagem em certas horas lembra o Corcunda de Notre Dame, noutras lembra Jack, o Estripador. Talvez Sam Raimi tenha se inspirado nele para fazer o seu DARKMAN (1990) - há semelhanças entre os personagens.

Pena é o dvd não vir com os óculos e com o efeito 3-D.

OS CRIMES DO MUSEU (Mystery of the Wax Museum)

Não sei se porque eu vi esse depois da versão de De Toth, mas o fato é que eu o achei bem inferior. O filme não tem o charme de Price, o roteiro é cheio de problemas (coisa que De Toth tratou de acertar) e tirando as pernas de Fay Wray, o elenco não é tão interessante. Aliás, a Fay tinha mesmo sex appeal. E olha que o filme é dos anos 30, o colorido não é dos mais realistas e a noção de beleza que temos hoje em dia é um pouco diferente. Fay no mesmo ano (1933) ainda faria a obra-prima KING KONG.

Foi Michael Curtiz, diretor de CASABLANCA, quem dirigiu este OS CRIMES DO MUSEU. E só comprova que o cara não era lá tão bom assim. (Eu, pelo menos, sou um dos que acham CASABLACA um filme super-estimado.) O colorido do filme é bem esquisito. Não tenho muita informação sobre o Technicolor, sobre como era obtido a colorização nesse processo. Alguém sabe me explicar??

quarta-feira, novembro 12, 2003

RICHARD BROOKS EM DOIS FILMES



Comento rapidamente dois filmes vistos recentemente, ambos dirigidos por Richard Brooks, mais conhecido como o diretor de GATA EM TETO DE ZINCO QUENTE (1958), com Paul Newman. Os dois filmes a seguir foram gravados da Globo e os dois são westerns, mas de estilos bem diferentes.

OS PROFISSIONAIS (The Professionals)

Como diria o Diogenes, esse é um filme macho. Vejam só o elenco: Burt Lancaster, Lee Marvin, Robert Ryan, Woody Strode e Jack Palance. É ou não é muito macho? heehehe.. Pra diminuir um pouco a balança do lado dos homens o filme apresenta a sensual Claudia Cardinale, não tão bonita quanto em O LEOPARDO, talvez por estar no México, onde geralmente as pessoas são apresentadas suadas e descabeladas. Se for homem, tem que estar com a barba por fazer. Hehehe.

Na história de OS PROFISSIONAIS (1966), um grupo de homens é contratato para tirar das garras de Jesus Raza (Palance), um líder revolucionário do México, a esposa de um ricaço americano (Cardinale), que havia sido seqüestrada. O grupo iria faturar uma boa grana pela tarefa.

O filme é uma beleza. Mostra um grupo de pessoas rudes mas que têm bom senso de ética e humanidade. O lado mais humano fica por conta do personagem de Robert Ryan, que numa cena, por exemplo, se recusa a matar os cavalos dos mexicanos, mesmo correndo o risco de que os mesmo acabem entregando a presença do grupo em terras inimigas. O chefe do grupo e homem de ética é Lee Marvin. Já Burt Lancaster é um exemplo de mercenário, do cara que está apenas pelo dinheiro, mas que se revela também um exemplo de camaradagem para os demais. As cenas de ação e tiroteio são bem boas. Por enquanto, esse é o melhor filme de Brooks que eu vi.

O RISCO DE UMA DECISÃO (Bite the Bullet)

Esse filme de 1975 é um western atípico. Na verdade, esse é um filme sobre uma corrida, uma espécie de maratona que dura alguns dias e em que as pessoas andam de cavalo por vários kilômetros pelo deserto americano, a fim de ganhar um prêmio. Poderia se passar nos dias de hoje que não faria muita diferença. De novo o lado humanista de Brooks está nesse filme. (Quer dizer, como eu senti isso nos dois filmes, julguei que isso seja uma característica do diretor, mas posso estar errado e isso não se confirma nas outras obras dele.)

No filme, Gene Hackman é um cara gente fina, que odeia quem maltrata animais. Ele é apresentado no começo do filme, salvando um potro. Também no elenco e participando da maratona, James Coburn e Candice Bergen.

O filme é meio monótono. Assisti "em fascículos" sempre antes de dormir, durante a semana passada. Ganha um pouco de ação com uma reviravolta no final, mas nada realmente excitante. A imagem do filme, que foi rodado em wide 2.35, ficou prejudicada na tela cheia da tv. Um filme apenas razoável do Brooks. O lado "didático" do filme é que aprendemos que ingerir sal é bom pra não passar mal no deserto e não perder muito líquido.

*******************

PS: Mais uma dica boa: na Record está passando agora THE SHIELD, uma série de tv policial muito foda. Assisti o primeiro episódio na última sexta e achei ótimo. O Renato sempre falava que era boa a série, mas como eu não tenho o canal AXN não tinha como acompanhar. Está passando dia de sexta, por volta das 11 da noite (horário de verão). Vale conferir!!

segunda-feira, novembro 10, 2003

AGORA OU NUNCA (All or Nothing)



O novo filme de Mike Leigh, do ótimo SEGREDOS E MENTIRAS (1996) e do horrível GAROTAS DE FUTURO (1997), é um filme sobre gente feia, triste e pobre, que tem elementos dos dois filmes citados. A graça de SEGREDOS E MENTIRAS era o fato de podermos rir e ao mesmo tempo chorar dos dramas dos personagens. Em AGORA OU NUNCA, Leigh faz um filme muito sério e sempre com aquele tom de pena dos personagens, com aquela coisa de "ah como eu sou miserável" que chega a incomodar.

O filme mostra o drama de três famílias. Numa das famílias - a que o filme focaliza mais - temos um motorista de táxi (o ator Timothy Spall, o rosto mais conhecido do elenco, e que pode ser visto em outros filmes de Mike Leigh também) cuja esposa trabalha como caixa de um super-mercado. Eles têm dois filhos. Os dois têm problemas de obesidade, herança do pai. Cada um tem os seus problemas. O rapaz é anti-social e revoltado com os pais. A moça é triste e passiva. Nas outras famílias encontramos casos de alcoolismo, gravidez indesejada e por aí vai o filme numa sucessão de desgraças que só perde pro Lars Von Trier e seu DANÇANDO NO ESCURO.

Mas pelo menos numa coisa tem que se dar o braço a torcer: o trabalho de atuação do elenco é ótimo. Mike Leigh provavelmente deve ter utilizado o mesmo método de SEGREDOS E MENTIRAS, isto é, ensaio, ensaio, ensaio e só depois que se começa a filmar.

É verdade que no final do filme eu comecei a simpatizar mais com os personagens, mas no começo eu me incomodava com esse povo cheio de autocomiseração. Prefiro o brasileiríssimo AMARELO MANGA, de Cláudio Assis, que tem gente feia, pobre e desgraçada, mas que mostra um povo de atitude, que vai à luta e manda - se for necessário - todo mundo se foder.
ERA UMA VEZ NO MÉXICO (Once Upon a Time in Mexico)



O novo filme de Robert Rodriguez de certa forma me decepcionou. Mas talvez por eu ter esperado algo completamente diferente. Esperava um filme com mais cara de cinema pipoca, com muita ação, e ritmo parecido com o de A BALADA DO PISTOLEIRO (1995). O principal problema do filme é o roteiro cheio de buracos e a história confusa. Tanto é que isso me aborreceu no começo, fez com que eu me desinteressasse um pouco com a história. A trama envolvendo o presidente do México, policiais, traficantes e matadores não é das mais fáceis de acompanhar. Felizmente do meio para o final o filme cresce e a certa altura ficamos acostumados com toda aquela zona, que culmina na cena da revolução popular.

ERA UMA VEZ NO MÉXICO é um filme recheado de grandes cenas de ação e violência. Esse é, com certeza, o filme mais violento de Rodriguez. A cena em que o Banderas dá um tiro nos joelhos de um sujeito, por exemplo, é bem forte.

Mas a melhor coisa do filme é mesmo o personagem de Johnny Depp. Especialmente no final, quando ele ganha dimensões trágicas. Sentimos uma angústia e uma vontade de desapego da vida que chega a perturbar. Antonio Banderas está ok, mas o personagem dele é eclipsado pelo Depp, o que já era de se esperar. Uma pena Salma Hayek não aparecer mais vezes. Das poucas vezes em que aparece, ela brilha, especialmente na primeira aparição.

Outra sensação que o filme provoca, talvez por causa dos flashbacks de Banderas, talvez por causa do roteiro "problemático", é a de um sonho, ou de um pesadelo. Apesar de o filme situar o local (o México), a sensação que temos é a de que a trama se passa num lugar qualquer, num fim de mundo, sensação parecida com a que sentimos ao ver POR UM PUNHADO DE DÓLARES (1964), do Leone.

A verdade é que este filme cresceu em valor na minha mente à medida que escrevi esse texto. Quem sabe numa revisão ele não se revela um grande filme? Se bem que eu não quero experimentar a angústia da tragédia de Depp novamente tão cedo.

PS: Eva Mendes está mui bonita no filme, hein!!

domingo, novembro 09, 2003

MATRIX REVOLUTIONS (The Matrix Revolutions)



O fim de semana está acabando e não fiz muita coisa de diferente ou interessante não. Foi um fim de semana tranqüilo e de três decepções no cinema: ERA UMA VEZ NO MÉXICO, MATRIX REVOLUTIONS e AGORA OU NUNCA não foram tudo aquilo que eu esperava que fosse. Mas tudo bem. Os grandes filmes acontecem mesmo quando a gente menos espera. Por falar em boas surpresas, estou ouvindo um som bem legal aqui. O álbum “Sunlight Makes Me Paranoid” da nova banda Elefant. Good.

Vou comentando aos poucos os filmes que vi, na telinha e na telona, e como acabei de ver MATRIX REVOLUTIONS, é sobre ele que vou falar agora.

O filme não responde às perguntas deixadas em MATRIX RELOADED, tem cenas demoradas e chatas de batalhas em Zyon, e não justifica bem o fato de os Irmãos Wachowski terem divido a continuação em duas partes. Poderia ser apenas uma continuação e pronto. Eu gostei de RELOADED, gostei do clima de mistério que o filme desenvolve com todos aqueles diálogos meio nonsense. Os diálogos continuam mais ou menos assim em REVOLUTIONS, mas dessa vez enche um pouco o saco da platéia, que dificilmente vai sair satisfeita da sessão. Muita gente sai desapontada, como um amigo meu que acabei encontrando no final da sessão e me disse logo que não gostou. Outro cara perguntou pra ele se ele entendeu.

Eu também ainda não entendi direito o que era tudo aquilo. Estou mais ou menos como o Seinfeld no cinema. Heheheh. Os diálogos que servem pra fundir a cuca da platéia lembra SERIAL EXPERIMENTS LAIN, o desenho japonês, que começa bem, fica instigante à medida que o mistério vai se desenvolvendo, mas chega uma hora que enche o saco. Nem todo mundo é David Lynch, que consegue manter o mistério até o fim e ainda assim fazer a gente ficar arrepiado, emocionado, extasiado, apavorado.

A tragédia de Neo bem que poderia provocar certa angústia na platéia, principalmente pelo que acontece com ele numa luta com um Smith encarnado. Mas não é o que acontece. De qualquer maneira, vou procurar na internet um manual de explicação pro final do filme. O coquetel de kung fu + animê + cristianismo + hiduísmo + computação + filosofia + super-homem não me convenceu no final. E eu que estava até botando fé nos caras...

quinta-feira, novembro 06, 2003

WRONG TURN



Continuando a falar sobre filmes de terror, comento agora um dos melhores exemplares do gênero na atualidade. WRONG TURN (acho que ainda não tem título em português) está na lista dos ótimos filmes de terror produzidos nos EUA nos últimos meses, ao lado de MAY, PREMONIÇÃO 2 e OLHOS FAMINTOS (dizem que a continuação deste está ótima também).

O filme não perde tempo e já começa com a matança de algumas vítimas numa floresta, antes de aparecerem os primeiros créditos. Os personagens principais - também conhecidos como vítimas - irão aparecer logo em seguida. No elenco estão dois nomes conhecidos: a sexy Eliza Dushku (uma das caça-vampiros da série BUFFY) e Jeremy Sisto (de MAY e da série SIX FEET UNDER). Menos conhecidos no elenco: Desmond Harrington (de NAVIO FANTASMA) e Emanuelle Chriqui (de 100 GAROTAS).

WRONG TURN lembra um pouco QUADRILHA DE SÁDICOS (1977), de Wes Craven, inclusive na aparência da tal família assassina/canibal. Mas a principal qualidade do filme é o ritmo. O diretor não deixa a peteca cair em nenhum momento. É o tipo do filme que se você começar a ver não vai querer parar de ver ou deixar pra ver "em fascículos". E passa rapidinho, 84 minutos apenas.

A cena em que alguns dos personagens vão parar na cabana dos assassinos é de fazer a gente roer as unhas. As cenas na árvore também são de primeira, hein. E os efeitos gore estão ótimos, aparentemente feitos à moda antiga, sem utilização de computação gráfica. Ah, outra coisa boa no filme são as meninas, desfilando com aquelas blusinhas que as tornam ainda mais atraentes. (Ah, meu Deus...)

O vcd dssa maravilha, eu comprei quando passei por São Paulo. A cópia é ripada de um dvd promocional e contém algumas seqüências em preto e branco, mas que duram pouco tempo. O som do vcd tá excelente - alto e de qualidade. Esse valeu a pena. Mas ver no cinema deve ser ainda muito melhor.

O nome do diretor do filme é Rob Schmidt e tava vendo no IMDB os dois trabalhos anteriores dele no cinema. O primeiro deles é SATURN (1999), que parece ser um drama de derramar rios de lágrimas; o segundo, CRIME AND PUNISHMENT IN SUBURBIA (2000) é uma versão atual de "Crime e Castigo", do Dostoyevsky, e com Monica Keena e Ellen Barkin no elenco. Acho que os dois filmes estão inéditos no Brasil.

*************

PS: Pra finalizar, deixo duas dicas de publicações atualmente nas bancas:
- Cine Monstro # 2 - a melhor revista especializada em terror em terras brazucas; e
- Contos Bizarros, revista em quadrinhos produzida pelo pessoal da SuperInteressante e que contém histórias sobre os mais famosos serial killers. Tem Ted Bundy, Eddie Gein, Jeffrey Dahmer, Charles Mason e outros perturbados.

quarta-feira, novembro 05, 2003

COMANDO ASSASSINO (Monkey Shines)



Dia desses passando por uma das bancas aqui do Centro, fui checar algumas fitas usadas pra vender. Comprei este COMANDO ASSASSINO(1988), do George A. Romero, por 3 pilas. Há tempos que queria ver esse filme e não encontrava nas locadoras. Outros filmes do Romero, por exemplo, continuam inéditos pra mim, simplesmente porque as locadoras não os dispõem nas prateleiras. Entre eles: MARTIN (1978) e THE CRAZIES (1973). Sem falar em BRUISER (2000), que só passou no Cinemax e continua inédito em cinema, vhs e dvd.

Bom, o que aconteceu foi o seguinte: de tanto que eu tava querendo ver o filme, acabei me decepcionando um pouco. Não que eu tenha achado ruim, eu gostei sim. É que o filme tem alguns probleminhas. A começar pelo ator principal. Fazia tempo que não via um ator tão ruim. Mas até aí tudo bem - filme de terror geralmente não tem fama de ter interpretações extraordinárias mesmo. Outro problema é que a pobrezinha da macaquinha, com aquela carinha de inocente, não convencia como assassina calculista. Coitada. Mas eu gostei da bichinha. Lembro que vi um documentário sobre os filmes de George Romero na TNT e ele mesmo disse que foi um trabalhão ter que fazer as cenas com as macaquinhas. Nem sempre elas obedeciam. Acho que ele não filma com animais de novo nunca mais. Um outro problema do filme é a tal da verossimilhança. De que maneira a macaca criou ligações psíquicas com o homem? Ou a idéia é mesmo que tudo pareça sem sentido ou sem razão de ser? E se a macaca cria essa ligação, o homem teria que se conectar ao cérebro da macaca também? Não me convenceu.

Mas tudo bem. Vamos às qualidades do filme. O início do filme é muito legal. Romero daria um grande diretor de dramas se resolvesse deixar os filmes de terror de lado. Garanto que teria experiências muito melhores do que seus colegas de gênero Wes Craven (que fez o açucarado MÚSICA DO CORAÇÃO) ou Sam Raimi (que teve uma experiência com drama em POR AMOR). A primeira parte do filme, que trata do acidente que deixaria o personagem principal tetraplégico, seguida de depressão, tentativas de suicídio e readaptação da vida quando se mexe só com a cabeça, tudo isso foi muito bem trabalhado. Destaque para a única cena de sexo do filme. Muito boa. Ótimas também as tomadas em que o protagonista vê pelos olhos da macaca.

Agora, voltando um pouco ao assunto de estar tetraplégico, sem mexer os braços ou as pernas: vocês não acham que o suicídio seria a melhor solução? Viver só com a cabeça funcionando e o resto do corpo morto deve ser um inferno, hein. Mas vamos deixar os pensamentos ruins pra lá.

O importante é que Romero mostrou mais uma vez que consegue, em filmes de terror, explorar temas profundos tanto psicologica quanto socialmente. O socialmente que eu falo se refere principalmente à trilogia dos mortos. O cara é dos bons.

Tenho impressão que esse filme foi lançado nos cinemas com o título INSTINTO ASSASSINO. Ou algo parecido. Alguém me confirma?
RENATO, AILTON E TIAGO - São Paulo, 25 de outubro de 2003


terça-feira, novembro 04, 2003

OS VIGARISTAS (Matchstick Men)



Esse começo de semana começou cheio de problemas pra mim. Na verdade, eu já tinha escrito uma lista dos tais problemas, mas alguns deles já foram solucionados e eu resolvi deixar isso pra lá e não alugar os meus leitores. Dessa vez. Hehehe. Por isso, deletei dois parágrafos inteiros. Então, vamos pular pra festa na sexta-feira.

Na última sexta fui pra uma festa Halloween que não foi tão legal assim pra mim. Serviu principalmente pra eu gastar dinheiro e ficar bêbado com duas doses de uísque barato. Deprimente. Mas a companhia foi boa. A Valéria, o Igor e a Rejane. Eu é que não soube me divertir mesmo, por alguma razão. Duas bandas tocaram na Órbita. Uma banda que tocava uns rocks que não é muito a minha praia e outra banda - a Matutaia - que toca rock setentista. Já tinha visto uma apresentação da Matutaia na primeira vez que fui pra Jeri. A banda é boa. Toca The Doors, Rolling Stones, James Brown em ritmo rock e outras coisa que não me lembro bem ou não conheço mesmo.

Na saída, ainda esqueci a chave do carro da Rejane no bolso da minha calça. Tava dormindo no sábado à tarde quando ela liga pra mim. Tomei um baita susto. Ainda bem que eu tinha guardado a chave. Só não me lembrava. (Aliás, o que é que eu ando me lembrando ultimamente mesmo??) Marcamos pra gente ver um filme no Shopping Benfica e eu estregaria a chave pra ela. Ainda bem que o filme foi ótimo - DEIXA-ME VIVER, que eu até já comentei no blog. No domingo, em vez de ver o novo do Rodriguez, preferi ver OS VIGARISTAS, que com certeza não ficaria tanto tempo em cartaz.

OS VIGARISTAS é o melhor filme de Ridley Scott desde TORMENTA (1996). Abrindo um parênteses aqui só pra dizer que também gostei de 1492: A CONQUISTA DO PARAÍSO (1992) quando vi no cinema. Sou fascinado pela odisséia de Colombo. A história toda do descobrimento da América parece uma lenda, de tão fantástica que é. Os filmes seguintes dele não me convenceram: NO LIMITE DA HONRA (1997) é abominável, asqueroso; GLADIADOR (2000) eu não achei tão ruim quando vi no cinema, mas foi cada vez caindo mais de cotação em minha mente à medida que o tempo foi passando; HANNIBAL (2001) é bem desagradável; FALCÃO NEGRO EM PERIGO (2001) dá vontade da gente sair correndo no meio da sessão.

Dessa vez ele acertou com OS VIGARISTAS. O que não quer dizer muita coisa, vamos combinar. O filme tem Nicolas Cage de novo num papel de um cara estranho e perturbado. Ele já tinha feito algo do tipo em VIVENDO NO LIMITE (1999) e no horroroso ADAPTAÇÃO.(2002). Achei que até iria ficar incomodado com o personagem dele, já que tinha visto um pouco no trailler. Mas não. O personagem é até simpático.

O filme é um drama sobre pessoas que vivem aplicando golpes, como OS IMORAIS (1990), LUA DE PAPEL (1973) ou a comédia OS SAFADOS (1988). Nicolas Cage é um trambiqueiro cheio de tiques nervosos e neuras relacionadas à limpeza e ambientes externos. Seu parceiro é Sam Rockwell. Uma menina aparece pra mudar sua vida - a ótima Alison Lohman, de DEIXE-ME VIVER.

A trama é bem organizada, os personagens são simpáticos, a direção de atores está ok, a fotografia em scope é bem bonita e o final é bem resolvido. Mas ainda assim não fiquei satisfeito. Normalmente falta emoção nesses filmes de Ridley Scott. É o caso de mais esse filme dele. Mesmo assim, considero um bom filme.

domingo, novembro 02, 2003

DEIXE-ME VIVER (White Oleander)



Uma pena esse filme não estar tendo a badalação merecida. É uma obra sensível e que traz personagens complexos e interessantes. No filme, Alison Lohman é uma adolescente que é adotada por diferentes famílias depois que sua mãe (Michelle Pfeifer) é presa por assassinar o namorado. Como o elenco do filme é destaque, vamos ver uma atriz de cada vez.

Alison Lohman. Acho que essa menina merece especial atenção. Ela pode se tornar tão importante quanto Natalie Portman ou até Winona Ryder. Quem sabe, né? Ela vai estar no novo filme do Tim Burton – BIG FISH. Além disso, ela também está em cartaz nos cinemas do país no novo filme do Ridley Scott – OS VIGARISTAS, em papel de destaque. Em DEIXE-ME VIVER, ela incorpora bem a menina suscetível a mudanças de acordo com os ambientes em que passa a viver.

Michelle Pfeiffer está linda como sempre e em um de seus melhores papéis. Ainda por cima é uma grande atriz. Ela é ao mesmo tempo assustadora e sedutora nesse filme.

Robin Wright-Penn, no papel da mulher ciumenta e “religiosa”, também está ótima.

Reneé Zellweger está mais feia do que costumamos ver nos filmes. O que terá acontecido com ela? Cirurgias plásticas mal feitas?

Como se vê é um filme onde o forte mesmo são as interpretações femininas. O filme focaliza o universo feminino, mostrando desde personagens inseguras até aquelas seguras demais.

Patrick Fugit, de QUASE FAMOSOS (2000) também está aqui no filme, dois anos mais velho. O garoto está crescendo. O papel dele é importante. É um dos namorados de Alison. Bonita a cena em que os dois estão olhando as estrelas na praia.

O legal de ver filmes assim, que se aproximam mais da vida, onde a violência não é banalizada, é que a gente não se sente anestesiado. Cada etapa dolorosa da vida de Alison é também sentida um pouco pelo espectador. Aqui a cena de um único tiro de revólver é mais forte do que um tiroteio inteiro de vários filmes de ação que pululam nas salas. Estava sentindo falta de um filme assim.

Curiosamente, o diretor Peter Kosminsky dirigiu apenas filmes para tv e uma versão meia-boca de O MORRO DOS VENTOS UIVANTES. Acredito que esse é o seu primeiro grande filme.

No IMDB tem uma discussão interessante a partir de um comentário de alguém que leu o livro em que o filme se inspirou. Algumas perguntas que se pode fazer depois de se ver o filme, podem ser respondidas lá. Por exemplo, quem leu o livro sabe detalhes do assassinato do namorado de Michelle Pfeiffer; sabe que tipo de material foi usado para envenená-lo. Sabe mais detalhes sobre a insegurança da personagem de Reneé. Ou mais detalhes sobre os relacionamentos amorosos de Alison com homens mais velhos. Mas isso é normal em se tratando de adaptação de um livro para o cinema. Pra mim, o resultado final aqui foi mais do que satisfatório. Uma das mais agradáveis e prazeirosas surpresas do ano no cinema.

quarta-feira, outubro 29, 2003

FREDDY VS JASON



Estava devendo um comentário de FREDDY VS JASON. Estou aqui pra pagar, então. Pra começar, por pior que fosse esse filme, eu não ia deixar de ver um encontro histórico desses no cinema por nada. A boa notícia é que o filme não é ruim; na verdade, ele é bem legal. Mesmo para as pessoas que não assistiam regularmente as duas cine-séries.

Eu gosto mais do Jason do que do Freddy. Jason pelo menos fica na dele, é caladão, não fica falando besteira por aí. Hehehe. O filme com o encontro dos dois funcionou bem. Só não gostei muito do final, mas de qualquer maneira, o final é quase sempre um problema em todos os filmes com esses personagens. Já que eles são imortais, a derrota deles é sempre meio furada. Por isso, vamos dar um desconto pra essa parte.

Mas o início do filme é de animar, hein. Mostra logo uma bela moça tirando a roupa e indo tomar banho nua num lago. (Dá uma saudade dos anos 80.) É claro que ela vai ser assassinada pelo Jason, né? O começo do filme mostrando uma espécie de histórico da dupla ficou muito bacana, assim como os créditos iniciais, cheios de vermelho-sangue. Aliás, sangue é o que não falta e dá pra saciar a sede dos cine-vampiros.

A justificativa pro encontro dos dois foi bem criativa: Freddy estava enfraquecido porque ninguém mais se lembra dele. Se ninguém mais lembra dele, como ele vai aterrorizar os sonhos das pessoas? Dessa forma, ele traz de volta Jason, para efetuar alguns crimes na Rua Elm, o lugar famoso pelos massacres de Freddy. Dessa forma, as pessoas iriam pensar que era Freddy quem tinha matado as pessoas e não Jason. Legal, né? Pena que do meio pro final o filme caia um pouco. Achei meio cansativa a luta final, além de bem pouco convincente.

Mas não dá pra reclamar. Tentem ver o filme numa telona gigante de um multiplex e vocês vão poder aproveitar todas as qualidades técnicas do filme. O som é ótimo, com ótimos efeitos sonoros, e a imagem do filme está lindona, cristalina. O único problema é que como o som é muito alto, não dá pra ouvir os gritos do público. Se bem que eu acho que ninguém gritou mesmo. Hehehe..

Pra quem quiser saber, os meus preferidos dos dois personagens são: SEXTA-FEIRA 13 PARTE VI (1986) e O NOVO PESADELO: O RETORNO DE FREDDY KRUEGER (1994).

Repararam como o terror está em alta popularidade nesses dias? Além de surgirem vários filmes dos EUA (tanto dos independentes quanto de Hollywood), tem terror bom vindo da Inglaterra (EXTERMÍNIO, O BURACO, DOG SOLDIERS), tem terror vindo do Japão (RINGU, UZUMAKI, AUDITION) e até terror vindo do Brasil. Infelizmente a melhor safra do atual terror brazuca ainda está contida nos curtas-metragens. Mas daqui a pouco esse pessoal (Dennison Ramalho, André Z.P, André Kapel, Diogenes César, entre outros) vão estar fazendo longas-metragens no Brasil. E a volta do Zé do Caixão está praticamente confirmada. Bacana.

PS: Mexi no template e devo ter bichado os códigos do sistema de comentários do Falou e Disse. Resultado: perdi um monte de comentários legais do pessoal. Aí tive que substituir pelo sistema de comentários do Blogger Brasil. E eu nem gosto muito desse sistema. Mas pode ser que eu consiga de volta o sistema antigo. Enquanto isso, esse sistema quebra um galhão.

terça-feira, outubro 28, 2003

O DEVORADOR DE PECADOS (The Order / The Sin Eater)



Ontem pra comemorar o fato de eu ter trabalhado só na parte da manhã e de o meu amigo ter me ajudado a consertar a zona dos aparelhos eletrônicos do meu quarto, fui ao cinema fazer uma sessão dupla. Estava com fome de filmes. Assisti O DEVORADOR DE PECADOS, de Brian Helgeland, diretor de O TROCO (1999) e roteirista dos últimos filmes de Clint Eastwood - DÍVIDA DE SANGUE (2002) e MYSTIC RIVER (2003), entre outros.

O filme não me empolgou muito não, mas não é um filme que merece ser ignorado. Em algumas cenas, me lembrei de A MANSÃO DO INFERNO (1980), de Dario Argento. Em outras, lembra O ÚLTIMO PORTAL (1999), de Roman Polanski. Mas isso, é claro, sem chegar perto da qualidade dessas obras geniais. O que existe é um clima de mistério que às vezes envolve, às vezes aborrece.

Pra você entrar no espírito do filme, tem que primeiro levar em consideração os dogmas da igreja católica. Por exemplo: se você estiver cheio de pecados, você não será salvo etc. Engraçado como os americanos, apesar de serem em sua maioria protestantes, têm um interesse muito grande pela Igreja Católica e seus rituais. Isso acontece principalmente em filmes de terror. Talvez porque os protestantes desmistifiquem muitas coisas. Eu, por exemplo, como fui criado numa doutrina evangélica/protestante nunca tive medo dos mortos, nem acreditava que eles voltariam para me assustar. Também não me ensinaram a rezar pela alma dos mortos ou coisas do tipo. Para os protestantes, morreu, morreu. Agora, só no dia do juízo final, quando haverá a ressurreição e tal. Nesse sentido, a Igreja Católica e o Espiritismo são terreno muito mais fértil para esse tipo de filme. Mesmo assim, chega a incomodar a crença que o filme impõe de que a Igreja Católica é a única igreja que pode te levar à salvação e todo esse blá-blá-blá.

No filme, Heath Ledger é um padre carolíngeo que investiga o assassinato misterioso do padre líder dessa ordem. Nem sei se existe mesmo essa tal ordem, mas no filme explicam que é uma ordem que se aprofunda no conhecimento, ainda que o conhecimento e a fé não andem muito bem juntos, como explica certo personagem do filme. Achei bem original a história do comedor de pecados. Ele é uma espécie de vampiro que se alimenta dos pecados dos outros, deixa a pessoa à beira da morte com a alma leve e se torna imortal, apesar do peso de tantos pecados e junto com eles, dos conhecimentos de vida das pessoas.

Não deixa de ser original a trama. Quer dizer, se o filme está copiando outro, eu não sei. A fotografia é sempre escura. Logo, não é necessário ir pra um Multiplex ou Kinoplex pra aproveitar as qualidades técnicas do filme. Algumas movimentações de câmera são bem interessantes, como a seqüência assustadora do cachorro ou a cena das duas crianças no cemitério. Vale a conferida, mas não é pra se esperar muito. Ah, e a cena que me lembrou o INFERNO de Argento foi a cena em que Ledger cai num poço.

Depois comento FREDDY VS JASON.

segunda-feira, outubro 27, 2003

EU EM SAMPA - RELATÓRIO DA VIAGEM



Tanta coisa pra contar. Da euforia da viagem ao incômodo com o retorno à minha casa e a pane nos aparelhos eletrônicos do meu quarto. Bom, mas se eu não começar o relatório, não termino mesmo. Então vamos lá.

Voltemos no tempo para a sexta-feira dia 17.10, quando uma moça da BB Tur ligou pra mim dizendo que a gerente dessa empresa iria encontrar comigo na CABEC para me fazer um convite. Eu fiquei com uma puta curiosidade. Que convite seria esse? Seria uma festa de confraternização? Ou iriam me chamar pra trabalhar na empresa?? Não tinha a menor idéia. Foi quando ela me disse que era um convite para ir para um Famtur, um passeio para São Paulo, com tudo pago - hospedagem, viagem e alimentação. Beleza, beleza. Eu não tinha como rejeitar uma oferta dessas, não é?? Até agi de maneira irresponsável: faltei a aula na escola na sexta e deixei de fazer uma prova pra concurso que ia acontecer no domingo. "Eu resisto a tudo menos às tentações." Ainda por cima, em São Paulo está acontecendo, de 17 a 30.10., a Mostra Internacional de Cinema e eu teria uma oportunidade de ouro de ir ver pelo menos um filme da mostra, sentir o clima do evento e ainda conhecer o Renato, a Rosângela e o Tiago, meus queridos amigos da Cinefelia.

Pois bem. Depois de resolver um monte de pendências e contornar alguns obstáculos, consegui ir para a tão esperada viagem. Chegando no aeroporto foi que eu percebi que só tinha mulheres no grupo do Famtur. Dez mulheres e apenas eu de homem. Hehehe. Isso aconteceu porque geralmente quem faz pedido de passagens aéreas são as secretárias dos diretores e presidentes das companhias. E como aqui quem faz o pedido sou eu, eu tive essa sorte. No primeiro dia, eu me senti meio inibido, mas no segundo eu já tava à vontade com as meninas.

Assim que cheguei, no aeroporto de Congonhas, quem apareceu pra me ver: a Rosângela. Ela falou: "Ailton?". E eu disse "sim..?" Fiquei olhando pra ela por uns segundos e falei: "Rosângela!". O ruim foi que eu só tive tempo de conversar com ela por uns dois minutos. Tinha que seguir o mulherio para o Hotel Ibis Congonhas. Mas qual não foi minha surpresa que ao chegar lá no Hotel, minutos antes de almoçar, lá estava ela de novo. Hehehehe.. Aí tive mais tempo de conversar com ela um pouco mais. O tempo foi meio cruel pra mim. Tudo muito corrido. Pena ela não ter podido ir para o encontro com o Renato e o Tiago lá no CineSesc. Aí ela estaria nas fotos e tudo mais. Não foi dessa vez.

Bom, próximo passo foi conhecer as instalações da TAM. Afinal, a gente estava lá pra fazer principalmente isso, né? Foi a tarde inteira conhecendo a empresa. Chegou a ser cansativo, mas deu pra aprender bastante coisa. À noite fomos pra outro Hotel chique, o InterContinental, pra um desses jantares de duas horas, com pratos sofisticados, entrada, prato principal e sobremesa. Foi legal, mas eu estava preocupado com o dia seguinte. Queria mesmo me encontrar com o pessoal da lista e queria ver pelo menos um filme.

Ainda bem que deu tudo certo. As meninas foram fazer compras na 25 de março ou em outro desses lugares lotados de gente querendo gastar dinheiro e eu fui me encontrar com o Renato para uma sessão de PIANO BLUES, às 13h30 no CineSesc. Tinha confirmado de manhã com o Tiago e ele confirmou a presença também.

Peguei ônibus e metrô pra chegar lá. Acho que acabei pegando o caminho mais longo, mas tudo bem. Estava mesmo com saudade do metrô da cidade. Adoro aquilo ali. Cheguei lá ao meio-dia.

**********

PIANO BLUES



Assim que cheguei só tinha uma moça na fila. Perguntei a ela que horas a bilheteria iria abrir e ela falou que 12h30 abriria. Fiquei esperando pelo Renato lá. Quando a fila começou a se formar, fui lá pegar o meu lugar. Acontece que deu problema no computador da bilheteria e só depois de uma hora foi que decidiram liberar os ingressos através de bilhetes manuais, daqueles antigos, com as palavras meia e inteira impressos. Achei uma estupidez eles só decidirem isso de última hora. A essa altura a fila já estava enorme, formou-se outra fila, uma confusão começou, uma moça que estava atrás de mim na fila passou mal e desmaiou e uma velha cara-de-pau tomou a minha frente pra furar a fila. Não falei nada porque eu respeito os mais velhos. Heheeh. Quando o Renato chegou a confusão estava perto de começar.

O filme do Clint Eastwood é um documentário que faz parte de um projeto produzido por Martin Scorsese sobre blues. Eastwood ficou com a parte do blues tocado no piano. Ele entrevista alguns músicos. O mais famoso é Ray Charles. Muito simpático. Gostei de ver ele dando aquelas gargalhadas e dizendo que o Clint está por dentro. Hehehe. Outros blueseiros menos conhecidos deram depoimentos e imagens raras de apresentações antigas apareceram. Achei interessante o pianista pobre que achava pianos quebrados no lixo, consertava e aprendia a tocar mesmo quando algumas teclas não funcionavam. O documentário é bom, mas depois de uma hora fica meio cansativo. Foi exibido em vídeo betacam.

*************

Saímos do cinema quando acabou o filme, eu comprei o catálogo da Mostra e recebi um livrinho de presente do Renato - "O Inventor da Solidão", de Paul Auster. Ele tinha me sugerido esse livro quando estava de promoção por 5 pilas na internet e eu não pude comprar. Acabei ganhando de presente. Bom, né? Eu já disse isso pra ele, mas não custa repetir: o Renato é amigo pra vida toda.

Aguardamos o Tiago chegar com a Denise, sua simpática namorada (agora eu sei porque ele vive sempre dizendo "eu te amo" pra ela em seu blog, ela é mesmo uma simpatia); assim como o Hugo, primo do Renato, também acompanhado com sua dama.

Fomos tirar umas fotos num shopping próximo e foi tudo muito rápido. Achei que o tempo estava sendo injusto comigo. Bom, o Tiago e o Hugo tiveram que ir e fui com o Renato pra uma dessas lojas que vendem divx e vcd. Comprei os vcd's de WRONG TURN e KEN PARK. Ainda não sei como é a qualidade dos disquinhos. Espero que seja boa. Estou ansioso pra ver, mas ao chegar em casa, não consegui instalar a fiarada toda de tv a cabo, dvd e videocasssete que tinha sido removidos com a reforma do quarto. Já pedi ajuda a um amigo pra hoje à tarde ir lá ver. Estou com os dedos cruzados. Tomara que tudo volte a funcionar normalmente.

Bom, tive que ir embora. Corri pra pegar o ônibus. Aliás, Renato, diga pro Hugo que a dica do ônibus foi perfeita. Cheguei lá no hotel em menos de vinte minutos. Perfeito. Diga pra ele que eu estou muito agradecido.

*******

Cheguei no hotel e fui com as meninas pra peça de teatro no Centro Cultural Banco do Brasil. Chama-se ESTRELAS NO ORINOCO. É uma peça interessante sobre duas mulheres que ficam sozinhas num barco à deriva. Uma é pessimista e outra otimista. Não fiquei muito entusiasmado não, mas é uma peça legal.

Depois disso, teve jantar, visita a outro hotel, e em seguida, fui com cinco das meninas conhecer a noite de São Paulo. Fomos para um barzinho com banda ao vivo e espaço pequeno para dança, lá em Itaim Bibi. É meio caro, mas valeu a pena. 30 reais de consumação e 5 reais de couvert. Os 30 de consumação só deu mesmo pra três doses de red label. Ah, como é bom uísque bom. Nada de dor de cabeça, que eu geralmente sinto quando tomo cerveja. Tenho impressão que isso acontece com bebidas fermentadas.

Aí pronto. Voltamos às 3 da manhã, acordamos domingo cedo e fomos embora rapidinho. Fiquei com saudade do hotel cinco estrelas. Nunca estive num lugar tão chique. Hehehe. Cometi algumas gafes com o cartão que acende as luzes do apartamento, mas tudo bem. Na tv de 29 polegadas tinha tv a cabo com um monte de canais. Vi um trecho de PSICOSE, do Hitch, no Telecine e um programa com o Los Hermanos no Multishow. O Marcelo Camelo falando que gosta de Kelly Key foi muito engraçado. Aí cheguei a me emocionar de novo ao ouvir "Canção pra Iaiá". Lembrei da emoção que foi ouvir pela primeira vez o "Bloco do Eu Sozinho".

Bom, acho que é só isso mesmo que tenho pra contar. O relatório já está enorme.

Valeu!



O Renato



A Denise

quarta-feira, outubro 22, 2003

ANGELA - NAS ASAS DA IMAGINAÇÃO (Angela)



Nesse fim de semana, quando eu fui fazer mais uma visitinha à locadora, peguei essa fita indicada pelo amigo Renato Doho. O Renato tem uma listinha de filmes obscuros e interessantes que ele passou pra lista de discussão e ANGELA, de Rebecca Miller, se inclui na categoria "estranhos e originais". Esses dois adjetivos se adequam de verdade a esse filme.

Na história, Angela é uma garotinha que vive com sua irmã pequena, com seu pai e com sua mãe, que sofre de problemas mentais. A presença da mãe é sempre incômoda na casa. Angela acredita que o anjo que está no porão de sua casa não é um anjo bom, mas Lúcifer em pessoa que está à espreita, querendo se apoderar de sua alma, ou da alma de sua irmã. Por isso, ela inventa rituais estranhos de purificação para evitar a todo custo ir para o inferno.

Muito interessante a cena em que ela e a irmã vão para o "grande nada", ou lugar onde as pessoas vão depois de mortas, ou quando estão dormindo. O que torna o filme interessante é justamente a dúvida se tudo é imaginação da menina ou se as coisas estão mesmo acontecendo.

Um detalhe curioso: outro filme independente e estranho, DONNIE DARKO, tem algo em comum com ANGELA: ambos mostram uma velha louca e solitária que olha freqüentemente pra sua caixa de correio. Terá Richard Kelly copiado a idéia do filme de Rebecca Miller?

O mais recente filme de Rebecca Miller está em cartaz em algumas cidades do país, no circuito de arte. Chama-se O TEMPO DE CADA UM (Personal Velocity: Three Portraits) e recebeu cotação cinco estrelas no blog do Chico. Quando esse filme chegar por aqui, não pretendo perder.

terça-feira, outubro 21, 2003

DOIS NA GANGORRA

Fui ao teatro. Nem me lembro mais da última vez que tinha ido. Ah, lembrei. Foi pra ver uma peça infantil chata pra cacete com o meu sobrinho. Heheheh.. Não tenho mesmo o hábito de ir ver as peças mais badaladas - que nem são tão badaladas assim em Fortaleza - geralmente exibidas no Teatro José de Alencar.

Dessa vez a peça tinha tudo a ver com cinema. Direção de Walter Lima Jr. (INOCÊNCIA, A OSTRA E O VENTO, A LIRA DO DELÍRIO). Ele está estreando na direção de teatro. Peça de William Gibson, que já virou filme em 1962. O filme é TWO FOR THE SEESAW, dirigido por Robert Wise e com Robert Mitchum e Shirley MacLaine como protagonistas. (Nunca vi.) A adaptação da peça para o português foi feita por Domingos de Oliveira, um dos diretores brasileiros especialistas em filmes sobre relacionamentos (AMORES, SEPARAÇÕES). No elenco, dois atores que também estão familiarizados com a telona, apesar de terem ficado famosos graças às novelas da Globo: Murilo Benício e Giovanna Antonelli.

Na verdade, o teatro lotou mesmo por causa deles. Eu fui com as minhas duas irmãs. Ao chegar lá, a lotação estava esgotada. Por sorte, resolveram vender cadeiras extras. Resultado: a gente ficou sentado num lugar melhor do que se tivéssemos comprado antes da lotação. Hehhe..Ficamos ali pertinho do palco.

A peça é engraçada e emocionante. O começo já conquista a gente. Mostra Murilo ligando pra Giovanna. Ele inventa uma desculpa esfarrapada pra ligar pra ela. O que ele quer mesmo é fugir da solidão que o atormenta desde que ele vive em Nova York. Ele é um advogado desempregado. Ela uma bailarina desajeitada. A cena do primeiro telefonema é ótima. Assim como a chegada dele na casa dela. O final é inesperado. A parte técnica estava caprichada, com cenário móvel, ótima iluminação, figurino dos anos 50 etc.

A peça está peregrinando por várias cidades até estrear em 12 de novembro no Rio de Janeiro, onde ficará por um bom tempo. Vale a pena conferir. Quem sabe eu adquiro o hábito de ver peças agora.
O AMOR CUSTA CARO (Intolerable Cruelty)



A minha vida anda meio bagunçada esses dias, mas ando querendo organizar. Tenho um monte de coisa pra contar (cinema, vídeo, teatro). E nem sabia por onde começar. Vamos pelo que está mais fresco na minha mente, então. Vi ontem O AMOR CUSTA CARO, dos irmãos Coen. Não é dos melhores filmes dos caras, como BARTON FINK (1991) ou FARGO (1996), mas é um bom filme. Muita gente falou que o filme não tem muito da esquisitice típica dos outros filmes da dupla, mas se aquele chefe do Clooney não for bizarro, eu não sei mais o que isso significa. Sem falar que os dois protagonistas, George Clooney e Catherine Zeta-Jones, não são o exemplo de pessoas normais. Clooney, principalmente, é cheio de tiques. A primeira cena dele, mostrando os dentes, é bem estranha também.

Por falar em começo do fime, como é legal aqueles créditos iniciais, cheio de cupidos, e ao som de "Suspicious Minds", cantada pelo Elvis. Os desenhos me fizeram lembrar dos encartes de Mellon Colie, dos Pumpkins, bem como do clipe de "Tonight, tonight".

Catherine Zeta-Jones está linda. Na hora que Clooney diz que nunca viu uma mulher tão linda na frente dele antes, a gente acredita. E como ela é cruel. Dá até pra fazer um questionamento sobre a atual situação homem-mulher nos dias de hoje. Parece que hoje em dia os homens estão mais românticos e as mulheres mais práticas e cínicas.

O problema do filme pra mim, está mais na solução final, mas isso não chega a estragar o filme. É um filme menor dos Coen, mas eu pelo menos gostei mais desse do que de Ó MEU IRMÃO, CADÊ VOCÊ (2000), que é um filme que eu não vi graça nenhuma. Por outro lado, eu já gostei bastante de O GRANDE LEBOWSKI (1998) e até agora não vi O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ (2001), que dizem ser um ótimo filme noir.

PS: Hoje acordei ouvindo Elvis. Rolou "Suspicious Minds", "In the Ghetto", "The Wonder of You", entre outras.

domingo, outubro 19, 2003

PECADOS DE GUERRA (Casualties of War)



Depois do bom bate-papo que rolou entre o Daniel the Walrus, o Leandro César e este que vos escreve lá nos comentários do filme VIOLAÇÃO DE CONDUTA, fiquei tão entusiasmado que tive de procurar imediamentamente a fita de PECADOS DE GUERRA (1989), um dos poucos filmes do DePalma que eu não tinha visto ainda. O próprio Reichenbach considerou este o seu DePalma preferido numa de suas colunas. Então, por que diabos eu não tinha visto ainda?

Eu tinha acabado de ver um filme nacional um pouco chato chamado FELICIDADE É...(que comento logo abaixo) e ao pôr o vhs do filme do DePalma logo em seguida é que eu percebi que não é qualquer um que sabe fazer cinema não. A primeira cena do filme, com Michael J. Fox, meio que dormindo num metrô, já impressiona. Olha que é uma cena simples, que não contribui tão fortemente para a trama. Mas as imagens que ele extrai de sua câmera já mostram o excelente filme que virá. Ao olhar para uma moça oriental, talvez vietnamita, J. Fox se lembra de sua traumática experiência na Guerra do Vietnã. A partir daí somos jogados no inferno da guerra que fez os americanos saírem com o rabo entre as pernas.

Os americanos no filme são apresentados, em sua maioria, como sujeitos estúpidos, que não têm consciência do que estão fazendo, nem de porque estão ali. O único cara consciente é o recruta interpretado por Michael J. Fox, que irá entrar em atrito com o sargento canalha vivido por Sean Penn. Este irá manter cativa para estuprar e violentar uma jovem vietnamita. O tema já tinha sido explorado superficialmente em PLATOON (1987), de Oliver Stone, mas, além de aprofundar o tema, DePalma faz um filme bem mais poderoso do que Stone fez em toda a sua trilogia do Vietnã.

Uma das melhores coisas do filme é a trilha sonora do grande Ennio Morricone, que contribui e muito para acentuar a força das imagens. A música de Morricone é tão boa que quando termina o filme a gente fica olhando hipnotizado para os créditos que vão aparecendo. Isso sempre acontece comigo quando eu vejo grandes filmes.

Acho que o meu top 10 de filmes do DePalma acaba de ser alterado.

*********************

FELICIDADE É...

Peguei esta fita na locadora apenas por causa de um nome: Jorge Furtado. Até então não tinha visto nenhum filme fraco de Furtado. Seja curta ou longa-metragem. Dos curtas, vi os ótimos ILHA DAS FLORES e O SANDUÍCHE. Dos longas, os excelentes HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES e O HOMEM QUE COPIAVA. Sem falar no filme feito pra televisão LUNA CALIENTE e na participação na mini-série A INVENÇÃO DO BRASIL. Tudo muito bom. Logo, não deve existir filme fraco do Furtado, certo? Errado. Seu curta "Estrada" que finaliza a coletânea de curtas FELICIDADE É...(1995) é fraquinho, fraquinho. Fala sobre a sorte na vida do casal Débora Bloch e Pedro Cardoso.

O curta mais interessante da fita é "Bolo", que traz o saudoso Jofre Soares que faz um velho amargo que fica na cozinha conversando e provocando sua esposa Vanda Lacerda, que por sua vez também alfineta o velho. O curta é todo dividido em capítulos, sendo que as cenas são todas curtíssimas. Um belo trabalho que mostra a melancolia da velhice. Dirigido por José Roberto Torero.

O segundo melhor curta, apesar de um pouco monótono é "Cruz". Isso por causa da interpretação de Paulo Autran. Dirigido por A. S. Cecílio Neto.

Completa a fita "Sonho", com Denise Fraga e Cassiano Ricardo. Esse é perturbador e incômodo, especialmente quando mostra o sonho bizarro de Denise. É um alívio quando termina.

Bem irregular essa coletânea, mas a idéia é boa. Afinal, de que outra forma uma pessoa que não freqüenta festivais de cinema brasileiro vai poder conferir curtas-metragens, já que estes não passam no cinema comercial e nem na televisão comercial? Bom, tem o programa Zoom da tv cultura, mas pouca gente tem interesse em assistir.

sexta-feira, outubro 17, 2003

VAN DAMME, SPIELBERG E ROB SCHNEIDER



Comento a seguir três filmes vistos recentemente, todos gravados da televisão.

RISCO MÁXIMO (Maximum Risk)

Esse filme de 1996 de Van Damme é mais uma das produções dirigidas por diretores de ação trazidos de Hong Kong. Ringo Lam talvez seja o menos expressivo dos três diretores que o belga trouxe para os EUA. Os outros dois - John Woo e Tsui Hark - são bem mais famosos e respeitados mundo afora. Mas, se por um lado, falta nesse filme de Lam aquela sofisticação de câmera que os outros dois esbanjam, melhora no quesito coesão de cenas e desenvolvimento da história. Pelo menos comparando com Tsui Hark, claro, que tem uns filmes que eu sinceramente não entendo porra nenhuma. Uma verdadeira zona. Exemplo clássico disso é o estiloso O TEMPO E A MARÉ, que ele dirigiu em Hong Kong. Ainda bem que eu não fui o único a me sentir burro vendo esse filme. Muita gente reclama da história difícil de entender. O filme mais famoso que ele fez para o Van Damme, IMPACTO FULMINANTE, é igualmente uma bagunça, apesar de ter cenas muito legais.

Ringo Lam já tem um cuidado maior nesse aspecto. E dá pra perceber isso vendo RISCO MÁXIMO. Mas sabe o que mais me chamou a atenção pra ver esse filme? Foi mesmo a Natasha Henstridge (foto), bonita no cartaz, bonita no filme. E é uma atriz que não tem frescuras: fez filme com o Van Damme, fez aquela porcaria aqui no Ceará chamada BELA DONNA, e trabalhou com o mago dos filmes de terror John Carpenter em FANTASMAS DE MARTE. Se bem que ela já tinha começado bem, desfilando nua no horror-sci-fi A EXPERIÊNCIA. Ela é uma graça. Gosto da cena em que ela está de lingerie. Hehehe.

Na história, Van Damme tem um irmão gêmeo (de novo?) que é assassinado. Ele só soube que tinha esse irmão depois que ele morreu. Ele vai então investigar a vida do irmão, que tem um monte de inimigos e negócios com gente barra-pesada. O resto é só aventura, pancadaria, a beleza de Natasha e cenas de perseguição de carro. Van Damme não economiza na violência, quebrando braços ou esfaqueando seus oponentes. É um filme que se não é uma obra-prima, cumpre o esperado de um filme do gênero. Na verdade, esse é um dos meus preferidos dos filmes do Van Damme.

O filme mais recente dele, lançado há pouco nas locadoras é HELL, que tem como título original THE SAVAGE. Coincidência o próximo filme que eu vou comentar agora se chamar SAVAGE.

SAVAGE - À BEIRA DA DIFAMAÇÃO (Savage / The Savage File / Watch Dog)

Filme raro dirigido pelo jovem Steven Spielberg pra televisão americana em 1973, SAVAGE conta a história de Paul Savage (Martin Landau), que é um âncora de um tele-jornal, ao mesmo tempo que também é repórter investigativo e é uma pessoa de influência na imprensa. O filme aqui e acolá tenta ser mais cinema do que tv, mas no geral, é só uma produção meia-boca. Vale mais pela curiosidade de ver um Spielberg raro - o filme não está disponível em vhs/dvd nem nos EUA. Decepciona um pouco, já que o espetacular ENCURRALADO (1971) foi feito um pouco antes deste e já no final dos anos 60, Spielberg dirigiu o sensacional episódio "Eyes" para a série de tv NIGHT GALLERY. Mas valeu conhecer. Gravado da TNT.

GIGOLÔ POR ACIDENTE (Deuce Bigalow: Male Gigolo)

Esse passou no SBT ontem. É de mal gosto como os filmes dos irmãos Wayans, mas que é engraçado é. Rob Schneider é bom comediante. Nunca tinha visto nada dele. E nem tenho o hábito de ver o Saturday Night Live. GIGOLÔ POR ACIDENTE (1999) conta a história de um limpador de aquários que fica cuidando da casa de um violento gigolô e acaba quebrando o valioso aquário do homem. Começa a trabalhar de michê para conseguir dinheiro pra pagar o prejuízo enquanto o cara viaja. O engraçado é que só vem mulher estranha pra ele. A parte mais engraçada é a cena da giganta. Ele sai com uma mulher enorme e o pessoal da rua fica gritando: "giganta!", "girafa"! O final é coerente com o começo do filme, com as soluções acontecendo muito rápido. É diversão rasteira, mas vale ver pra garantir a risada do dia.

terça-feira, outubro 14, 2003

LUNA CALIENTE



Sexta-feira a Globo exibiu LUNA CALIENTE, de Jorge Furtado, naquele festival de filmes brasileiros. Na verdade, LUNA CALIENTE, apesar de ter sido realizado em película (linda fotografia!), já tinha passado na Globo em formato de mini-série. Mas na época que passou, eu não vi. Uma pena porque eu devo ter perdido alguma coisa com os cortes para a edição em longa, que nem é tão longo assim. Por isso, tenho dúvidas se realmente houve cortes. De qualquer maneira, a trama ficou bem redonda no formato longa-metragem.

A melhor coisa do filme é mesmo a beleza estupenda da sensualíssima Ana Paula Tabalipa. Onde foi que acharam essa moça, hein? Ela confere veracidade à personagem por causa da sua beleza hipnotizante.

A história de LUNA CALIENTE tem elementos de suspense à Hitchcock, coisa que Jorge Furtado também exploraria com sucesso no maravilhoso O HOMEM QUE COPIAVA. O sobrenatural também está presente sutilmente na trama, seja pela lua enorme e enfeitiçadora, seja pela performance vampiresca de Elisa, a personagem de Ana Paula Tabalipa.

Não dá pra contar a trama, que é cheia de surpresas e reviravoltas, mas começa mais ou menos assim: Paulo Betti é um exilado político que volta pra sua cidade natal no Rio Grande do Sul, pede emprestado o carro do amigo (Chico Diaz) e vai visitar um velho amigo de seu pai (Tonico Pereira). O que ele não sabia era que a filha do velho estava tão linda e tão cheia de sex appeal. O apelo erótico é tão forte que ele não resiste e entra no quarto da moça à noite. A cena da menina gemendo enquanto ele a acaricia com um puta tesão é das cenas mais sensuais e belas que eu já vi. Quase tão boa quanto as cenas de LUCIA E O SEXO, pra citar um exemplo de primeira qualidade.

Hitchcock parece ser a grande influência mesmo para o filme de Furtado. (Ele assina o roteiro junto com Carlos Gerbase e Giba Assis.) Assim como a gente é cúmplice dos crimes dos personagens principais de filmes como PSICOSE ou MARNIE, em LUNA CALIENTE, estamos junto com o personagem de Paulo Betti nessa tragédia de erros.

Uma pena a Globo não ter lançado esse filme nos cinemas. Na época (1999), a emissora não tinha coragem de produzir e distribuir filmes que não fossem do Renato Aragão ou da Xuxa. Mesmo assim, na telinha o filme não perde a força não.

E alguém tem notícias da Ana Paula? A do filme, eu quero dizer.

PS: Viram as fotos que eu coloquei a partir dos links com o nome da moça? Se gostaram, visitem o álbum de fotografias.

segunda-feira, outubro 13, 2003

LUSTIG, SOAVI E MATTEI



Nesse fim de semana fui garimpar numa locadora recém-descoberta, ali pertinho do North Shopping. Na semana anterior tinha entrado lá e encontrado coisas que eu queria ver há tempos e não encontrava nas outras locadoras. O que eu vou comentar agora faz parte da primeira safra que eu trago de lá. Dessa vez optei por levar três obras mais underground, optando pelos gêneros horror/giallo/exploitation, que tem me agradado bastante. E o que é melhor: tudo dentro do esquema 3 fitas por 2 pila.

MANIAC

Esse filme do William Lustig, de 1980, é muito bom, hein. Mas eu curti mais nas partes que o filme mostra o ponto de vista das vítimas. O filme fica aterrorizante nessas partes. Quando o filme se detém no ponto de vista do maníaco, ele adquire outros tons, fica mais perturbador. O final é chocante e surpreendente. O filme supera e muito os outros slashers mais famosos feitos anteriormente - HALLOWEEN e SEXTA-FEIRA 13. Muitas cenas podem ser destacadas, mas uma que eu particularmente gostei bastante é a cena em o maníaco atira na cabeça de um motorista e é pedaço de cérebro, osso e sangue pra todo lado. A cena da perseguição no metrô é a mais tensa. Quase tive cãimbras nessa hora. Os efeitos gore ficaram por conta do mestre Tom Savini, o que garante uma qualidade espetacular. Estou com um outro filme do Lustig pra ver em casa gravado da Record. Agora fiquei com mais vontade de conferir.

O PÁSSARO SANGRENTO ( Deliria / Stage Fright)

Depois que eu vi PELO AMOR E PELA MORTE (1994), Michele Soavi ganhou status de cineasta cult pra mim. Essa obra-prima que consegue ser um filme de zumbi e ao mesmo tempo uma obra poética e filosófica me conquistou de verdade. Mesmo sabendo que nunca vou ver outro filme tão bom dirigido por ele, não custa nada conferir as outras obras. Se A CATEDRAL (1989) não fez muito a minha cabeça, O PÁSSARO SANGRENTO (1987) é filmão. Nessa produção, Soavi assina Michael Soavi e o filme é falado em inglês. Interessante como os filmes italianos que se aventuram por gêneros como western e terror parecem se passar em outro mundo. O PÁSSARO SANGRENTO mostra um grupo de pessoas presas dentro de um teatro com um maníaco à solta. A trama é simplista, mas o filme é agradável de se ver e o suspense nunca cai. A violência não é tão gráfica quanto nos filmes de Lucio Fulci, mas tem gore sim. Vendo a capinha do DVD americano fico imaginando o prazer que deve ser ver esse filme no formato digital.

ESCRAVAS DA CORRUPÇÃO (Violenza in un carcere feminile / Violence in a Women's Prison)

Pra não dizer que só aluguei coisa boa, tinha que colocar uma porcaria junto. Mas é uma porcaria célebre. Hehehe. Bruno Mattei, o diretor dessa coisa, é conhecido como o Ed Wood da Itália. É picareta de mão cheia. Aluguei mais por curiosidade mesmo. ESCRAVAS DA CORRUPÇÃO (1982) mostra mais uma aventura da Emanuelle Negra, Laura Gemser. Dizem que bons mesmo são os filmes que ela fez com o Joe D' Amato: EMANUELLE IN AMERICA (1977), EMANUELLE E GLI ULTIMI CANNIBALI (1977) e CALIGOLA: LA STORIA MAI RACCONTADA (1981). Na história desse filme, a jornalista Emanuelle se infiltra num presídio para fazer uma reportagem sobre os maus tratos a que são submetidas as detendas. Com essa história, o filme ganha pretexto pra mostrar cenas de lesbianismo, nudez e tortura. No ano seguinte, Laura Gemser fez outro filme WIP com o mesmo diretor. Isso é que é gostar de prisão e filme ruim. Hehehe.

domingo, outubro 12, 2003

VIOLAÇÃO DE CONDUTA (Basic)



Que tipo de filme é esse? O que significa afinal? Esse é o tipo de pergunta que vem à nossa mente ao sair da sessão de VIOLAÇÃO DE CONDUTA. Na verdade, nem é isso que vem à mente. O que vem mesmo é: que porra é essa? ou que diabo é isso?

Qual a lógica da história? O que era a tal seção 8? Por que usaram aquela fotografia horrorosa e escura? Sinceramente, ainda estou pra saber o que passava pelas cabeças do roteirista e do diretor John McTiernan quando fizeram esse filme.

Já até li na imprensa que esse filme é sobre o governo Bush. Em que parte? Por que? Ah, deve ser porque o filme todo é uma mentira. E o Bush e seu Governo também são pura mentira. Deve ser isso.

Na história (!?!), John Travolta é um ex-militar enviado numa missão extraordinária. Sua missão é interrogar dois soldados sobreviventes de um estranho incidente que aconteceu durante um treinamento de guerra numa floresta do Panamá. O líder do treinamento era o Sargento interpretado por Samuel L. Jackson. Apenas duas pessoas voltaram desse incidente. É através dos depoimentos dos soldados que o quebra-cabeças é montado.

Uma cena em especial pega a gente de surpresa. A cena envolve Giovanni Ribisi no hospital, mas não vou dizer o que acontece pra não estragar a surpresa de quem tá a fim de se aventurar por esse filme. Gostei das cenas na floresta, do clima de opressão causado pela tempestade, pelo som do helicóptero e pelo autoritarismo sádico de Jackson. Valeu também ver Jackson e Travolta no mesmo filme de novo.

Mas se alguém souber me explicar do que esse filme fala, não apenas no superficial, mas profundamente, por favor me avise. Por enquanto, esse filme não me convenceu não. Acho que estão tentando nos enganar e nos fazer de idiotas.
VAMPIRE PRINCESS MIYU (Kyuketsu Miyu)



O primeiro DVD desse anime saiu nas bancas no ano passado. Agora está sendo relançado, mas com o preço pela metade (R$ 9,90). Comprei o primeiro pra ver se gostava.

VAMPIRE PRINCESS MIYU não é uma animação tão adulta, mas por outro lado contém coisas que não são bem infantis não. Afinal, o final de cada episódio sempre termina com uma certa amargura. Final feliz passa longe aqui.

O primeiro DVD contém 3 episódios:

- Em “Um simples desejo”, acontece uma onda de assassinatos numa escola e todas as vítimas aparecem com marcas no pescoço. Esse episódio não é tão interessante. O melhor vem a seguir.
- “Na próxima estação” foi, inclusive, censurado no Japão porque as cenas do maníaco que desaparecia com garotas no metrô coincidia com uma onda de crimes que também acontecia numa cidade de lá. Além do mais, o final é aterrorizante.
- “O chamado da floresta” envolve uma máscara que hipnotiza um jovem e o leva a agir desordenadamente.

Diferente de outros animes ou seriados, que contém vários personagens e um fio de história interligando todos os episódios, VAMPIRE PRINCESS MIYU contém apenas três personagens fixos e os episódios são independentes. Os personagens fixos são a vampiresa Miyu e seus dois estranhos amigos. A missão da menina, de 13 anos, é livrar do planeta os Shinmas, demônios de outras dimensões que perturbam as pessoas.

O DVD vem com alguns extras interessantes. Tem dois traillers, um clipe musical, um making of do trabalho de dublagem e mixagem da versão brasileira, informações a respeito da equipe técnica e um áudio de comentários bem original. Em vez de um áudio em todo o filme – o que me deixa às vezes com preguiça de ouvir ou ler – no disquinho, o áudio é falado por dois brasileiros que dão informações sobre a série e sobre o mundo dos otakus. Bem legal.

quinta-feira, outubro 09, 2003

WOODY ALLEN IN CONCERT (Wild Man Blues)



Pois é. Ando bem cheio de problemas ultimamente. Tem desde o cara que roubou as peças do meu computador antigo até os já tradicionais problemas monetários (uma dúvida me veio agora, monetários vem de money?). Aí tenho uns prazos pra cumprir e não estou conseguindo. Mas Deus tá vendo. Esquecendo um pouco o estresse, pra relaxar, vamos falar de coisa boa: Woody Allen.

Na terça-feira, passou na FOX o documentário de 1997 sobre Woody Allen e sua excursão pela Europa com sua banda de jazz. Pra mim, que sou fã do homem, foi um barato ver mais um pouquinho da intimidade dele. Ele não é tão exageradamente neurótico quanto o seu personagem Harry Block de DESCONTRUINDO HARRY, mas ele é neurótico sim. Numa certa cena, ele está fazendo uma entrevista coletiva e pede para que os jornalistas, depois da entrevista, não se levantem e esperem ele sair da sala, porque ele tem claustrofobia. Sem falar que ele se incomoda com tantos jornalistas, já que em Nova York ele leva uma vida de escritor. No mais, Allen é uma simpatia. O documentário me ajudou a gostar também da pessoa Woody Allen, e não apenas do cineasta.

Mas o que me deixou realmente de queixo caído foi Allen dizendo que Soon-Yi Previn, a atual esposa dele, nunca tinha visto ANNIE HALL!!!!!! Pode isso?? Acredito que agora (2003) ela já tenha visto. E engraçado que ela disse abertamente que achou INTERIORES um saco, que não agüentou ficar até o final do filme. Mas ela fez questão de dizer que era muito jovem quando viu o filme. E Allen, muito modestamente, diz que indica ANNIE HALL pra qualquer pessoa; que não indica nenhum de seus outros filmes. Que ela deveria ver o filme.

Ele também ficou admirado porque numa cidade da Itália (acho que era Roma) estava passando uma mostra de seus filmes e escolheram justamente os filmes que foram fracasso nos EUA - A OUTRA e INTERIORES, por exemplo.

Quanto à performance de Allen como músico, não é das melhores. Num show em Milão, ele quase não conseguiu extrair som do clarinete. Mas nos outros shows as coisas funcionaram melhor. Se ele não fosse Woody Allen, dificilmente juntaria uma multidão pra ir ver os shows.

O documentário foi feito em 1997, ano da obra-prima DESCONTRUINDO HARRY. Allen estava talvez no seu auge criativo. E Allen não parecia tão velho quanto parece hoje. Fiquei triste quando o vi em DIRIGINDO NO ESCURO. Mas é isso mesmo. A velhice chega pra todo mundo. E até pode ser considerada uma sorte.

Ah, ótimo o final, com Allen de volta à Nova York e conversando com seus pais. Sua mãe fala na maior que não gostou de ele estar casado com uma oriental, que gostaria que ele tivesse se casado com uma judia, que o povo judeu está morrendo, se misturando, que seria melhor que Allen tivesse escolhido outra profissão. Agora eu entendo porque ele fez um filme dedicado à velha sua mãe em CONTOS DE NOVA YORK, no segmento "Oedipus Wrecks". Ela merece. Hehehe

segunda-feira, outubro 06, 2003

UMA SAÍDA DE MESTRE (The Italian Job)



Esse final de semana foi um dos melhores que eu tive no ano. Não aconteceu nada de realmente importante mas eu estava em paz, esqueci meus problemas, estava feliz comigo mesmo e ainda vi dois filmaços. O primeiro foi IDENTIDADE, que eu já comentei aqui. O segundo foi UMA SAÍDA DE MESTRE, talvez o melhor filme de ação do ano e um exemplo de como pegar uma história banal e batida e fazer um trabalho de respeito.

O diretor F. Gary Gray tem sido aplaudido por muita gente boa como um dos melhores diretores de ação da nova geração. Infelizmente não vi O VINGADOR, que saiu de cartaz há pouco tempo, nem nenhum outro filme dele, mas ainda tem as locadoras para se conferir os filmes anteriores do rapaz.

UMA SAÍDA DE MESTRE é um remake de um filme de 1969 que tinha o Michael Caine como protagonista. Dizem que o filme original é muito bom, mas quer saber? Duvido que seja melhor que este.

O filme de Gray tem um elenco bem legal - Mark Whalberg, a linda e maravilhosa Charlize Theron, Donald Sutherland, Jason Stathan, Edward Norton, Seth Green e Mos Def. E o que é melhor, o entrosamento dos atores/personagens no filme é de tirar o chapéu. A trilha sonora é de dar gosto, a fotografia cristalina é ótima, as seqüencias que linkam as cenas são bem criativas. Do começo ao fim eu fiquei satisfeito com o filme, que também é engraçado às vezes. Principalmente por causa dos personagens de Seth Green e Mos Def.

Edward Norton, se não tem o melhor papel da carreira, parece estar se divertindo muito na pele do vilão, o cara que trai os companheiros depois de um roubo ousado em Veneza. Aliás, a seqüência da perseguição nas águas de Veneza ficou ótima também. Só o que me incomoda às vezes nesse tipo de filme é aquela coisa de os mocinhos - que no filme também são ladrões hehehe - conseguirem tudo graças a um expert em computação. Mas dessa vez eu dei um desconto, já que nesse caso a gente estaria falando da história, que nem é tão boa. Mas o filme é.

sábado, outubro 04, 2003

IDENTIDADE (Identity)



Finalmente, depois de duas tentativas frustradas, consegui assitir IDENTIDADE, o brilhante thriller de James Mangold. Quando digo brilhante é porque eu fiquei realmente maravilhado com a inventividade do enredo, com a atmosfera de suspense, que não cai até o final, e com aqueles flashbacks super-criativos. Pra começar eu adoro filme que mostra chuva. Hehehe. Sério. Tem um filme com o Morgan Freeman chamado TEMPESTADE, em que chove o filme inteiro. O filme foi massacrado pela crítica, mas eu gostei pra caramba. Eu me sinto bem. Adoro a chuva. E nesse filme, a chuva só falta não terminar.

Na história dez pessoas ficam presas num motel de beira de estrada, graças a uma forte chuva que cai impiedosamente (isso lembra PSICOSE, né?) e também por causa de um acidente de carro. A cena do acidente, inclusive, é dessas de fazer a gente pular da cadeira. No elenco, os ótimos John Cusack e Ray Liotta e a sexy Amanda Peet (sou doido por essa menina). Em questão de minutos, cada uma das pessoas vão sendo assassinadas misteriosamente.

IDENTIDADE é desses filmes que surpreende sempre. E a grande surpresa no final só atesta o seu valor. É o tipo do filme que não dá pra falar muito pra não estragar a surpresa de quem vai ver. Quanto menos você souber sobre o filme, mais irá curtir.

James Mangold é um diretor competente que fez coisas boas como o policial COPLAND (1997), o drama GAROTA, INTERROMPIDA (1999), e o romance de viagens no tempo KATE & LEOPOLD (2001). IDENTIDADE é o seu melhor filme. Quer dizer, a não ser que HEAVY (1995) - que eu não vi - seja muuuito bom.

sexta-feira, outubro 03, 2003

ABAIXO O AMOR (Down with Love)



Ontem o plano era sair do trabalho - apesar de não estar me sentindo 100% por causa da gripe - e ir ver IDENTIDADE no Iguatemi. Chamei o Santiago pra ir também, ele topou, e pegamos o ônibus. O problema foi o tráfego, que estava devagar-quase-parando na Av. Santos Dumont e acabamos ficando no meio do caminho mesmo. No Shopping Del Paseo estava passando ABAIXO O AMOR e foi esse mesmo que a gente viu.

Assim que o filme estreou, eu meio que descartei esse filme da lista de assistíveis. Mas depois eu vi muita gente boa falando bem e vi que não custava nada conferir. A minha cisma era mesmo a Renée Zellweger. Eu não vou muito com a cara dela e tinha odiado CHICAGO. Até achava que ABAIXO O AMOR era um musical também. Mas não é.

O filme faz parte da lista de produções que tentam captar o espírito de produções antigas (anos 50 e 60) de que fazem parte PRENDA-ME SE FOR CAPAZ, de Steven Spielberg, e LONGE DO PARAÍSO, de Todd Haynes. Só que este nem é um filme de jogo de gato e rato, nem um melodrama sirkiano. É uma comédia romântica do estilo das que a Doris Day fazia na década de 60.

É um filme que tem mais valor pela forma do que pelo conteúdo. E ao dizer isso eu não estou desmerecendo a obra não. O que dá prazer mesmo vendo esse filme são os pequenos detalhes: o começo do filme dizendo se tratar de uma produção em CinemaScope, o recurso da tela dividida, o uso de fundos previamente filmados nas cenas dentro dos carros, a lua artificial e as duas impagáveis cenas envolvendo telefonemas entre Renée e Ewan McGregor (a segunda com certeza seria censurada num autêntico filme da época).

A história é legal mas depois de uma hora cansa um pouco. Ainda bem que o filme é curtinho, mas podia ter uns dez minutos a menos. Aí ficaria redondinho. De qualquer maneira, comparando com LONGE DO PARAÍSO, até que esse filme ficou bem menos artificial nessa tentativa de fazer de conta que estamos nos anos 60. Uma bela surpresa.

quinta-feira, outubro 02, 2003

PETER BOGDANOVICH EM DOIS FILMES



Recentemente vi dois filmes de Bogdanovich. Um deles inclusive é bem popular e conhecido e até está no top 10 da Fer. Trata-se de ESSA PEQUENA É UMA PARADA (1972). O outro filme é LUA DE PAPEL (1973). São dois bons filmes que garantem diversão de qualidade para o espectador, mas nenhum deles chegou a me conquistar. Do Bogdanovich ainda prefiro NA MIRA DA MORTE (1968). Com esse filme, o cineasta tinha tudo pra ser um dos grandes da sua geração, ao lado de Scorsese, DePalma e Coppola. Mas com o tempo ele foi ficando cada vez mais apagado. Além do respeito conquistado pelos seus primeiros filmes, Bogdanovich tem no currículo uma série de entrevistas preciosas com grandes diretores de cinema. Ele é um grande estudioso do cinema. Mas como eu não sou nenhum especialista na vida do cara, vamos direto para as impressões que eu tive vendo esses dois filmes.

ESSA PEQUENA É UMA PARADA (What's Up, Doc?)

Refilmagem de LEVADA DA BRECA (1938), de Howard Hawks, esse filme é bem maluquinho. Às vezes até parece desenho animado, principalmente naquela cena final da perseguição de carros. Engraçado como os títulos brasileiros de ambos os filmes (o do Hawks e o do Bogdanovich) trazem gírias de suas épocas. Hoje em dia ninguém dia mais que a menina é "uma parada". Dizia-se isso nos tempos da Jovem Guarda. Hehehe. O filme mostra uma mulher atraente (é a Barbra Streisand, acredite) que transforma a vida de um sujeito (Ryan O'Neal) num inferno.

O que mais? Ah, deixa pra lá. Eu odeio não ter muito o que dizer de um filme. Mas quero deixar claro que eu gostei bastante. Ótima diversão.

LUA DE PAPEL (Paper Moon)

Esse filme também traz Ryan O'Neal. Dessa vez ele é um trambiqueiro nos EUA da Lei Seca que vive de aplicar golpes nas pessoas. Ele conhece uma garotinha de nove anos e ensina a menina a sobreviver através dessas enroladas. A garotinha, Tatum O' Neal, filha de Ryan, ganhou o Oscar pelo papel. Eu fiquei meio decepcionado com esse filme. Achei que iria ter um final desses de chorar e tal, mas achei meio sem graça. Depois desse filme, começou a decadência do diretor.

Sabe que eu gosto do ator dos dois filmes, o Ryan O'Neal?? O cara é o próprio BARRY LYNDON (1975) na obra-prima do Kubrick e é também protagonista de LOVE STORY (1970). Dois filmes que eu tenho especial carinho.

quarta-feira, outubro 01, 2003

DONNIE DARKO



No domingo, enquanto eu tava seco pra ver IDENTIDADE e não tinha dinheiro, fiquei vendo o DVD de DONNIE DARKO, que peguei grátis na Blockbuster. O filme é muito interessante e o diretor, o estreante em longa-metragem Richard Kelly, pode ser que tenha futuro, talvez seja um dos nomes promissores do novo cinema americano de qualidade. Se isso vai vingar ou não, eu não sei, mas parece que ele vai seguir uma linha de asssuntos parecida, já que seu próximo filme, KNOWING, terá elementos fantásticos e também vai falar sobre prever o futuro. Além do mais, um de seus curtas, VISCERAL MATTER (1997), fala sobre teleportação. O cara é meio pirado, hein! Hehehehe.

DONNIE DARKO (2001) foi lançado há pouco tempo em dvd/vhs e vale a pena conferir. A história é bem doida: Donnie Darko (Jake Gyllenhaal, de POR UM SENTIDO NA VIDA e VIDA QUE SEGUE), um rapaz pouco sociável de uma escola, sofre de alucinações envolvendo um coelho gigante que lhe dá conselhos. Certo dia, o coelho o previne de dormir fora de casa e o salva de uma turbina de avião que cai em sua casa, exatamente no lugar onde fica seu quarto. Ao mesmo tempo, ele fica sabendo que o mundo vai acabar em poucos dias.

Além dessa trama fora do comum, o filme, que se passa nos anos 80, tem uma trilha que é uma beleza. Logo no começo tem "The Killing Moon" do Echo & the Bunnymen, que me fez voltar a ouvir o cd dos homens-coelho. A seqüência que toca essa música é a minha favorita do filme. A cena mostra Donnie andando de bicicleta num dia normal. O diretor leva a gente pra passear com seus belos movimentos de câmera. Muito legal mesmo. As outras canções conhecidas são "Head over Heels" do Tears For Fears, "Notorious", do Duran Duran e "Love Will Tear Us Apart" do Joy Division. Essa, inclusive, toca na cena da festa na casa do Donnie, justamente quando faltam poucas horas para o mundo acabar.

Drew Barrymoore é uma das produtoras do filme e aparece bem bonita, de cabelo preto, como uma das professoras da escola. Pena que ela aparece pouco.

O DVD vem com um videoclipe de "Mad World" de Gary Jules, comentários das cenas deletadas, traillers de cinema e comentários em áudio do diretor. O Renato falou que tinha legenda em português para os comentários mas eu não consegui ativar essas legendas. Aí acabei não querendo tentar afinar o ouvido pra ouvir essa faixa. Ah, e quanto aos traillers, eu tive a impressão que a imagem deles está melhor que a imagem do filme em si, nessa versão brasileira do DVD. Eu acho que a imagem (em widescreen 2.35:1) não está 100%.

Quanto ao final do filme, eu fiquei realmente confuso e com algumas perguntas na cabeça. Pra quem não viu ainda sugiro parar a leitura por aqui. Seguinte: porque o mundo só acabaria se Donnie continuasse a viver? Por que, com a morte dele, as coisas voltaram ao normal??

PS: Depois de fazer essas perguntas, vi que no IMDB tem um texto explicativo sobre o final do filme, inclusive dando detalhes sobre o livro "A Philosophy of Time Travel", que é citado no filme. O negócio é bem mais complexo do que eu imaginava. Esse texto gerou uma discussão muito interessante acerca de viagem no tempo, universo tangente e intervenção divina.

segunda-feira, setembro 29, 2003

NAUSICAÄ DO VALE DOS VENTOS (Kaze no Tani no Naushika)



Já estava há algum tempo com um divx de NAUSICAÄ (1984), de Hayao Miyazaki, numa cópia que o Benuel tinha me conseguido. Até já tinha começado a ver, mas essa cópia não era muito boa. Foi aí que eu conheci o Marcelo Reis, do site Animehaus, que me propôs fazer uma troca de filmes. Resultado: ele me arranjou uma cópia muito boa de NAUSICAÄ, ripada do DVD (ou do VCD?). Inclusive, ele mesmo fez o trabalho de legendagem em português. Excelente trabalho, faço questão de dizer.

Esse filme vai ficar na história pra mim como o filme do Miyazaki que me fez chorar. O final do filme é tão bonito que eu não pude conter as lágrimas. NAUSICAÄ tem uma certa semelhança com PRINCESS MONONOKE (1997), que é a preocupação em mostrar as conseqüências da destruição da natureza pelo homem. Talvez até de uma maneira mais bonita, já que em NAUSICAÄ, o mundo já está sofrendo essas conseqüências. Sente-se na pele todos os problemas gerados pela irresponsabilidade do homem.

A história se passa num futuro relativamente distante, onde a terra está devastada e existem poucas vilas com os humanos sobreviventes. O planeta está cheio de desertos, que cada vez mais se multiplicam, e de florestas com vegetações que emitem esporos venenosos letais para os humanos, além de insetos gigantes. Nausicaä é o nome de uma garota habitante do Vale dos Ventos, um lugar que consegue viver em harmonia com a natureza. A menina tem a capacidade de acalmar os enormes insetos e ainda é bem hábil em seu meio de transporte, uma espécie de asa-delta motorizada. Certo dia, o seu reino é atacado por outro povo, que planeja destruir as florestas e os grandes insetos e, assim, trazer de novo para a raça humana o controle do mundo.

A trama é bem intricada, os personagens passam longe de serem rasos e não há uma distinção pura e simples do bem e do mal, o que é uma característica bem notada em outros filmes de Miyazaki que tive o prazer de conferir: LAPUTA: CASTELO NOS CÉUS, PRINCESS MONONOKE e A VIAGEM DE CHIHIRO.

Outra coisa que conquista a gente logo de cara é a música. A trilha sonora é uma das mais belas que eu já ouvi. Até mais bonita que a trilha de LAPUTA, que já é um primor. O som do filme, com aqueles uivos do vento, ajuda a criar uma atmosfera toda especial. É mais ou menos o que DUNA quis ser e não conseguiu. Outra parte que remete à LAPUTA é a cena que se passa no céu, com aviões atirando e explodindo. Se você entrar no clima do filme, e ver além do que o desenho simples daquele tempo mostra, você é capaz de sentir um frio na barriga na cena da batalha no céu.

É realmente um filme maravilhoso. Fica empatado com LAPUTA na minha lista de preferidos do grande Miyazaki. Eu quero mais!! Eu quero ver PORCO ROSSO, MEU VIZINHO TOTORO, KIKI'S DELIVERY SERVICE e o que mais esse cineasta fantástico tenha feito. Alguém me ajuda a conseguir??
DIRIGINDO NO ESCURO (Hollywood Ending)



O final de semana foi horrível. Além de não acontecer nada de legal, a gripe me pegou, o que me deixou bem irritado. Junta aí o calor que tem assolado a cidade e eu viro uma criatura irritadiça. Com essa história de gripe, tudo fica ruim, pouca coisa a gente curte de fato quando se está com muco até no cérebro, como diria a Fer, também acometida com esse mal, como dá pra saber pelo blog dela. Com gripe, o único prazer que a gente tem é assoar o nariz até ficar tonto e ver estrelinhas. Argh.

Cinema mesmo, só deu pra ver um único filme. É claro que fui prestigiar o filme do Woody Allen, né? É uma tradição que eu faço questão de manter. Não perco nenhum filme do Woody no cinema desde CRIMES E PECADOS (1989). E havia vários outros filmes legais pra ver, mas infelizmente não rolou. Quem sabe eu ainda asssita a algum deles (IDENTIDADE, ALEX & EMMA ou algum do festival de cinema francês) na quinta-feira.

Voltando a Woody Allen, pra começar acho meio bizarro ver filme dele em multiplex, cheio de filmes pipoca. Os filmes do Woody sempre foram exibidos em guetos como Espaço Unibanco, sessões de arte ou nos extintos Studio Beira-Mar e Cine Center Um. Quando eu falei o nome do filme pela terceira vez pro cara do caixa do cinema, eu senti que ele nem tinha ouvido falar do filme. Pelo menos foi essa a impressão que causou.

DIRIGINDO NO ESCURO não é dos melhores filmes do neurótico. Fica entre os filmes mais fracos dele, ao lado de ALICE (1990) e NEBLINA E SOMBRAS (1992). Mesmo assim, acho superior a esses trabalhos. Vendo o filme, a primeira impressão que a gente tem é que Allen está muito velho. Eu não tinha sentido isso tão forte nos filmes anteriores dele. O personagem dele nesse filme é quase tão louco quanto o Harry Block de DESCONSTRUINDO HARRY (1997), só que menos viciado em drogas de farmácia. Será que Allen mesmo chegou a ser um viciado em speed?

Outra coisa que eu não entendi foi a tal brincadeira com os franceses. Será que ele quis dizer que os franceses gostam de qualquer porcaria que o resto do mundo rejeita e eleva a status de obra de gênio? De qualquer maneira, essa é uma das melhores tiradas do filme, afinal são os franceses mesmo que influenciam a crítica mundial.

A história é tratada com muita leveza. Em momento algum o tema da cegueira do cineasta ganha toques trágicos. Allen também não está na melhor forma como ator. Ele esteve muito melhor em ESCORPIÃO DE JADE (2001). Como sempre ele escolhe bem as atrizes para o filme. Neste, temos Téa Leoni como a ex-esposa dele, Debra Messing como a namorada sarada e Tiffani Thiessen como a atriz gostosa. Infelizmente a cena dela com Allen pareceu um remake da cena com Charlize Theron em ESCORPIÃO DE JADE.

O ponto positivo do filme é a auto-crítica de Allen, ao mostrar um cineasta que gosta de escolher diretores de fotografia estrangeiros (Allen adora pegar fotógrafos suecos, chineses etc.). O fotógrafo desse filme parece que é alemão - não consta no IMDB a nacionalidade dele. Tem também aquela história de filmar em preto e branco, de se achar um diretor narcisista, que filma pra si mesmo e não para o público. Isso é tratado de maneira bem inteligente. Pena que o senso de timing não esteja em grande forma. Já dizia Jerry Seinfeld: timing em comédia é essencial.

Mas eu não desanimo. No próximo ano deve chegar por aqui ANYTHING ELSE, o mais recente filme dele. Dessa vez, com um elenco juvenil, formado por Jason Biggs e Christina Ricci. Continua forte a expectativa pelo novo trabalho de Allen.

sexta-feira, setembro 26, 2003

PARÓDIA DE PÂNICO, JACKIE CHAN E DRAMA MEXICANO



O calor tá derretendo os meus miolos e mesmo assim resolvi fazer um experimento e tentar escrever sob essas condições. É que o ar condicionado daqui tá quebrado e ainda não vieram consertar. Além do mais, não vou falar de nenhum filme que eu adoro; logo, não quero esperar pra quando tiver com a cabeça fresca.

Tenho alguns filmes que vi recentemente, gravados da tv, para comentar. Vamos lá, então.

HISTERIA (Shriek If You Know What I Did Last Friday the Thirteenth)

Esse mugango (termo cearês que quer dizer algo muito ruim e esquisito) passou na tela quente da Globo na segunda-feira. Trata-se de uma paródia de PÂNICO e EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO. Foi feito no mesmo ano de TODO MUNDO EM PÂNICO (2000), mas algo me diz que essa picaretagem foi feita na cola do sucesso dos irmãos Wayans, pra enganar o pessoal desprevenido nas locadoras. Além dos dois filmes citados, há um mundo de referências: QUEM VAI FICAR COM MARY?, BRINQUEDO ASSASSINO, PORKI'S entre outros sucessos pop. Assim como os irmãos Wayans, o cara que fez esse filme colocou montes de piadas de gosto duvidoso, sexistas e ridículas. O problema é que as piadas não tem a menor graça. A curiosidade é ver Tifanni-Amber Thiessen, a nova-iorquina de BARRADOS NO BAILE, na pele da repórter. Mas não é motivo suficiente pra ver esse troço. Em tempo: eu gosto de TODO MUNDO EM PÂNICO.

MR. NICE GUY - BOM DE BRIGA (Yatgo ho yan)

Filme com Jackie Chan é sempre divertido e movimentado. Esse foi produzido em Hong Kong em 1997 e mostra Jackie sendo perseguido por uma gangue de traficantes por causa de uma fita de vídeo que denuncia um dos crimes do bando. O filme já começa com muita perseguição e pancadaria misturada com comédia. Em alguns momentos, o filme parece um desenho animado, como na cena das portas. Eu gosto muito de ver filmes do Jackie Chan com o meu sobrinho. Assim fica bem mais divertido. Hehhe.. No final, o filme mostra os erros de gravação do filme, que comprovam o esforço de Jackie em dar o melhor de si, não aceitando dublês nem cabos, e às vezes, se arrebentando todo nas cenas de ação. Gravado da TNT.

SEXO, PUDOR E LÁGRIMAS (Sexo, pudor y lágrimas)

Filme mexicano de Antonio Serrano, que mostra a influência de duas pessoas na rotina de dois casais. Tem o cara que se recusa a transar com a namorada por se achar ruim de cama, sempre se comparando com o ex dela. Tem a mulher que sofre quando transa e cujo marido vive cheirado de cocaína. Na rotina desses casais, surgem o louco por sexo que veio de suas idas pelo exterior e uma moça meio hippie, ex do yuppie cheirador. O filme é competente em mostrar as diferentes personalidades das seis pessoas, mas não chega a empolgar nem a ser inteligente em mostrar as neuras nos relacionamentos. Melhor rever um filme do Woody Allen fase Mia Farrow mesmo. Gravado da FOX.

segunda-feira, setembro 22, 2003

FESTIVAL STANLEY KUBRICK



Na última quinta-feira, dei uma passada na Distrivideo pra levar alguns filminhos e não resisti ao me deparar com os dvds de três filmes de Kubrick inéditos pra mim. É claro que eu não ia deixar passsar uma oportunidade dessas, né?

Stanley Kubrick é um dos poucos cineastas que a gente pode chamar de gênio. Sua filmografia é irretocável. Todos os filmes são ótimos. Alguns são obras-primas. 2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO é o melhor filme do mundo. É claro que isso é a minha opinião, mas eu gosto de fazer esse tipo de sentença que dá uma impressão de que é um fato, não uma opinião. Hehehe.

Os três filmes lançados em DVD pela CineMagia estão bem bons em qualidade. As minhas únicas reclamações são:
- os filmes não estão em widescreen, mas em tela cheia. De qualquer forma, nos EUA eles foram lançados assim também.
- algumas traduções para o português nas legendas ficaram com problemas: "I'm fed up" virou "eu estou alimentado", por exemplo. Mas são poucos os erros que eu percebi.
- Na capa do DVD de A MORTE PASSOU POR PERTO, a data da produção está 1957, quando na verdade o filme é de 1955.

No mais, os filmes estão com boa qualidade de imagem e som. Outra coisa legal foi a inclusão de artigos escritos em português falando sobre cada um dos filmes, além de trazer a biografia do homem. Bastante informativos.

Com isso, eu agora posso dizer que vi todos os filmes dele, com exceção do raro e inédito no Brasil FEAR AND DESIRE (1953), que o próprio cineasta renega.

Comento a seguir, rapidamente, cada um dos filmes vistos.

A MORTE PASSOU POR PERTO(Killer's Kiss)

Esse filme foi feito em 1955 com poucos recursos. Kubrick algumas vezes teve que filmar às escondidas, por não conseguir autorização para as locações externas. É talvez o menos brilhante dos filmes dele, o que não quer dizer que o filme seja ruim. Longe disso. A cena da luta final do protagonista com o mafioso é ótima e nervosa. Na história, um lutador de boxe se envolve com uma dançarina ameaçada por uma gangue. O preto e branco das cenas noturnas é muito bonito. Lembra A EMBRIAGUEZ DO SUCESSO. È um filme curtinho - apenas 67 minutos - que passa voando.

O GRANDE GOLPE (The Killing)

Esse sim é o primeiro atestado da genialidade do diretor. Quem pensa que foi Tarantino que inventou a narrativa não-linear e circular em PULP FICTION, precisa ver O GRANDE GOLPE (1956). Na história intrincada e que ajuda a aumentar a fama do diretor em ser cerebral, um grupo de homens planeja um golpe no dinheiro das apostas das corridas de cavalos. O legal é que a gente torce pra que o assalto funcione. O estilo da história lembra 11 HOMENS E UM SEGREDO(1960), só que o filme do Kubrick é anterior. Mas mais importante não é a história e sim o modo como ela é contada. Sterling Hayden, que também está em outro Kubrick, o DR. FANTÁSTICO (1964), tem uma presença de respeito.

GLÓRIA FEITA DE SANGUE (Paths of Glory)

Sério: esse é o melhor filme de guerra que eu já vi. E o melhor filme anti-guerra também. GLÓRIA FEITA DE SANGUE (1957) é impressionante. Impressionante nas seqüências de batalha, impressionante nas cenas do tribunal, impressionante na cena do fuzilamento. É um milagre. A câmera passeando pelas trincheiras enquanto as bombas explodem, a câmera andando pelo ponto de vista dos condenados ao som dos tambores aterrorizantes. Na história, Kirk Douglas é um coronel do exército francês, lutando na 1a Guerra Mundial contra os alemães. Ele se recusa a executar uma missão impossível e suicida e vai ter que responder na justiça e evitar a execução de três de seus homens. Maravilhoso. Não preciso ver mais nenhum filme esse ano. Heheheh.