domingo, setembro 05, 2004

A VILA (The Village)



Infelizmente a sessão de um dos filmes mais esperados do ano foi, pra mim, desagradável. Não por causa do filme em si, que é extraordinário, mas por culpa de um bando de adolescentes imbecis que ficavam fazendo molecagem na hora do filme. As idiotas não atendiam aos pedidos de silêncio; ficavam falando besteira em voz alta, cantando (!!), dizendo que o filme era chato etc. Tive que me levantar pra chamar o segurança. (Se bem que outro sujeito, também puto com a situação, se antecipou e reclamou antes de mim.) Só depois que o segurança chegou, elas ficaram em silêncio. Mas o estrago já estava feito. E eu acho que estou com problema de pressão alta. Não estava me sentindo bem durante o filme, em parte por causa da raiva gerada pelas imbecis, mas de vez em quando sinto esse mal estar ? pena que perdi totalmente a fé em médicos. Quanto ao filme, estou pensando seriamente em rever durante a semana, num dia mais calmo.

Interessante que A VILA é justamente um filme que fala sobre atitudes drásticas tomadas por ocasião de ações violentas e abusivas dos outros. Mas é melhor não falar mais nada que vá estragar a surpresa de quem ainda não viu o filme.

No meio de atores consagrados como William Hurt e Sigourney Weaver, a grande interpretação do filme é de Bryce Dallas Howard como uma cega bem incomum. E de beleza incomum também. Totalmente justificável a paixão que o personagem de Joaquin Phoenix sente por ela. E um dos grandes baratos do cinema de Shyamalan é que ele consegue prender a atenção da platéia com um suspense comparável ao de Alfred Hitchcock, e ainda trazer suas lições de vida, que muitas pessoas não vêem com bons olhos - vide a pouca aceitação da demonstração de fé em SINAIS (2002).

A comparação da vila com os EUA tem tudo a ver: o país que se isola dos outros com medo do terror(rismo), o país que prefere ficar ignorante diante do que acontece do lado de fora, a enfrentar os horrores da floresta cercada de monstros. Há até a comparação com o código de cores de segurança dos EUA: do azul (tudo bem), ao amarelo (atenção), ao laranja (a cor do momento nos EUA), ao vermelho significando o horror. Lembrando que a cor vermelha também aparecia sempre que o garotinho de O SEXTO SENTIDO (1999) via os mortos.

M. Night Shyamalan confirma o seu talento e, hoje, afirmo sem medo que ele é o melhor diretor do cinema americano surgido nos últimos dez anos. E que chamá-lo de o novo Hitchcock é mesmo um exagero, mas nem tanto assim. Afinal, o homem está imitando o Hitch até nas aparições especiais.

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