sábado, dezembro 31, 2016

TOP 20 2016 E O BALANÇO DO ANO

1. ELLE, de Paul Verhoeven
2. DO QUE VEM ANTES, de Lav Diaz
3. JULIETA, de Pedro Almodóvar
4. A ACADEMIA DAS MUSAS, de José Luis Guerín



5. O PEQUENO QUINQUIN, de Bruno Dumont
6. A ILHA DO MILHARAL, de George Ovashvili
7. A ECONOMIA DO AMOR, de Joachim Lafosse
8. A CHEGADA, de Denis Villeneuve



9. A BRUXA, de Robert Eggers
10. O SILÊNCIO DO CÉU, de Marco Dutra
11. CAROL, de Todd Haynes
12. CERTO AGORA, ERRADO ANTES, de Sang-soo Hong



13. MIA MADRE, de Nanni Moretti
14. AS MONTANHAS SE SEPARAM, de Jia Zhangke
15. UM POMBO POUSOU NUM GALHO REFLETINDO SOBRE A EXISTÊNCIA, de Roy Anderson
16. AQUARIUS, de Kleber Mendonça Filho



17. BELOS SONHOS, de Marco Bellocchio
18. É DIFÍCIL SER UM DEUS, de Aleksey German
19. O QUE ESTÁ POR VIR, de Mia Hansen-Løve
20. BOI NEON, de Gabriel Mascaro

Menções honrosas

PARA MINHA AMADA MORTA, de Aly Muritiba
TRUMAN, de Cesc Gay
INDIGNAÇÃO, de James Schamus
WHITE GOD, de Kornél Mundruczó
LEMBRANÇAS DE UM AMOR ETERNO, de Giuseppe Tornatore
GÊNIOS DO CRIME, de Jared Hess
RUA CLOVERFIELD, 10, de Dan Trachtenbergh
AMOR & AMIZADE, de Whit Stillman
OS COWBOYS, de Thomas Bidegain
INVASÃO ZUMBI, de Sang-ho Yeong

Fora de competição

VISITA OU MEMÓRIAS E CONFISSÕES, de Manoel de Oliveira

Lembro que, no texto do ano passado, eu fiquei reclamando de 2015, de quanto foi pesado. Eis que tivemos um ano ainda mais difícil. Por isso, talvez seja melhor a gente ficar agradecido por ter chegado até aqui, pelo que ainda temos. Nem digo do ponto de vista material, embora isso tenha a sua importância também, mas pelos nossos familiares e amigos vivos e atuantes em nossas vidas. Pelas novas pessoas que entraram em nossas vidas e foram bem-vindas. Além do mais, há sempre aquilo que nos faz com que sigamos em frente apesar de tudo, por mais que o futuro pareça ainda bastante nebuloso. Exatamente por isso, a esperança persiste. 

Pra mim, foi um ano difícil em muitos aspectos, mas foi um ano também de sentir novamente o gostinho da paixão. E isso faz a gente se sentir vivo de novo, por mais que a duração dessa febre seja menor do que a gente gostaria. Os anos em que isso acontece acabam sendo, de certa forma, especiais. No campo pessoal, posso destacar pelo menos três grandes momentos, o show do Pato Fu, uma viagem lindona a Flecheiras e uma viagem especial a São Paulo, para celebrar o casamento de um grande amigo e reencontrar outros amigos queridos. 

No mais, foi um ano de muitos filmes, de encontros com os amigos no cinema (ou para ir ao cinema). Que bom que o cinema ainda permanece sendo não apenas um porto seguro, mas também um desses amores que ficam e nos confortam. Lembro de quando estava vendo ELIS um dia desses e do quanto um prazer indescritível tomou conta de mim na salinha escura. Um sentimento de gratidão por aquele filme imperfeito me veio. Lembro também do quanto foi especial a experiência de ver um filme de 5h30 de duração (DO QUE VEM ANTES), não pela duração em si, mas pelo quanto somos levados para um universo totalmente diferente do nosso, mas que a linguagem universal do cinema trata de nos unir. E, nisso, quero agradecer ao pessoal que faz o Cinema do Dragão, o melhor espaço de cinema da cidade. Aliás, é mais do que um simples espaço de cinema. De meu top 20, apenas dois filmes não foram vistos nessas salas. 

E já que falei de um dos filmes do ano, o do nosso amigo filipino que não prima pela síntese, podemos dizer que 2016 também foi o ano de performances grandiosas de mulheres, vistas em grandes filmes, como ELLE, de Paul Verhoeven (como é bom tê-lo de volta à telona), JULIETA, de Pedro Almodóvar, AQUARIUS, de Kleber Mendonça Filho, e O QUE ESTÁ POR VIR, de Mia Hansen-Løve. Podemos citar também a linda dupla de CAROL, de Todd Haynes. 

Não faltaram filmes desafiadores. A comédia incomum de Bruno Dumont, O PEQUENO QUINQUIN, e a experiência única, perturbadora e até mesmo nauseante de É DIFÍCIL SER UM DEUS, de Aleksey German. São filmes que merecem ser vistos, por mais difíceis que sejam. Se bem que o filme do Dumont se vê com muito prazer, com sua estranheza. Outro filme pouco comum é a comédia em esquetes UM POMBO POUSOU NUM GALHO REFLETINDO SOBRE A EXISTÊNCIA, de Roy Anderson, uma beleza singular que até remete a Monty Python, mas que tem uma cara toda própria. 

Tivemos também "cinema falado" da melhor qualidade. Não apenas o especialíssimo filme-testamento de Manoel de Oliveira, que acabei não incluindo no top 20 por sua idade e caráter único, mas a experiência intelectual e poética que é ver A ACADEMIA DAS MUSAS, de José Luis Guerín. Dois grandes diretores que se caracterizam por serem um tanto tagarelas comparecem na lista: Sang-soo Hong, com CERTO AGORA, ERRADO ANTES, e Nanni Moretti, com seu comovente MIA MADRE. O belíssimo A ILHA DO MILHARAL, de George Ovashvili, por outro lado, se caracteriza pela quase completa ausência de diálogos. 

Em 2016, um cineasta gigante do país da bota nos presenteou com um filme sobre um trauma familiar de uma beleza estupenda, Marco Bellocchio, e seu BELOS SONHOS. A família também comparece no chinês AS MONTANHAS SE SEPARAM, talvez a obra-prima de Jia Zhangke, e no coração de A ECONOMIA DO AMOR, de Joachim Lafosse, e até mesmo em uma ficção científica metafísica, A CHEGADA, de Denis Villeneuve. 

Falando em metafísica, uma das mais belas surpresas do ano foi o horror feminista/satanista A BRUXA, do estreante Robert Eggers. Do mesmo produtor (Rodrigo Teixeira), também pudemos contar com aquele que considerei o melhor filme brasileiro (ainda que feito em coprodução com o Uruguai), O SILÊNCIO DO CÉU, de Marco Dutra. Uma obra que esquadrinha o medo como poucas conseguem. E outro belo filme brasileiro que nos deixou cheio de orgulho foi BOI NEON, de Gabriel Mascaro, que também fez bonito em várias listas de melhores do ano mundo afora, junto com o merecidamente badalado AQUARIUS. 

Com relação à lista, deixo claro que constam filmes que estrearam no circuito brasileiro no ano passado também, mas que só chegaram em Fortaleza este ano. Do mesmo modo, até o momento, deixo de fora filmes vistos apenas na telinha. Esses vão ter que brigar por espaço com os clássicos lá no outro top 20. Eu sei que é injusto, mas não vejo tantos filmes novos em casa assim.  

Top 5 Piores do Ano

Este ano eu resolvi evitar alguns filmes que eu sabia que estariam neste tipo de lista, mas a gente acaba trombando com coisas como essas abaixo. Lembremos, então, desses filminhos que servem pra nos sentir gratos pelos bons filmes. 

1. A 5ª ONDA, de J Blakeson
2. UM HOMEM ENTRE GIGANTES, de Peter Landesman
3. INDEPENDENCE DAY – O RESSURGIMENTO, de Roland Emmerich
4. ESQUADRÃO SUICIDA, de David Ayer
5. INFERNO – O FILME, de Ron Howard

As séries e minisséries

Vi bem menos séries neste ano do que no ano passado. Estava um pouco impaciente e acabei ficando só com aquelas que me interessavam muito mesmo. As melhores, dentre as poucas que vi foram:

Top 5 Musas do Ano

No agora polêmico ranking de beldades do ano, há duas atrizes que já compareceram em listas de anos passados, como é o caso de Margot Robbie e de Jennifer Lawrence. E que bom que elas continuam lindas e cada vez mais poderosas na indústria. As novidades aqui são Gal Gadot, que hoje a gente não imagina uma escolha melhor para ser a Mulher Maravilha, a francesa Lola Le Lann, que leva os homens à loucura na comédia DOCE VENENO, e a linda taiwanesa Qi Shu, espetacular também nas cenas de luta. 

1. Margot Robbie ( A LENDA DE TARZAN / ESQUADRÃO SUICIDA)






















2. Gal Gadot (BATMAN VS. SUPERMAN - A ORIGEM DA JUSTIÇA / MENTE CRIMINOSA)





















3. Lola Le Lann (DOCE VENENO)
4. Jennifer Lawrence (JOY – O NOME DO SUCESSO / X-MEN – APOCALIPSE)






















5. Qi Shu (A ASSASSINA)


Clássicos revisitados (ou vistos pela primeira vez) na telona

AMOR MALDITO, de Adélia Sampaio
BLOW-UP – DEPOIS DAQUELE BEIJO, de Michelangelo Antonioni
ESTRANHOS NO PARAÍSO, de Jim Jarmusch
GRITOS E SUSSURROS, de Ingmar Bergman
REBECCA, A MULHER INESQUECÍVEL, de Alfred Hitchcock
ROSAS SELVAGENS, de André Téchiné
UM HOMEM, UMA MULHER, de Claude Lelouch



Top 20 vistos (pela primeira vez) na telinha (em ordem alfabética)

A FÊMEA DO MAR, de Ody Fraga
A VIDA DE O’HARU / OHARU: VIDA DE UMA CORTESÃ, de Kenji Mizoguchi
A PRÓXIMA VÍTIMA, de João Batista de Andrade
ABC DA GREVE, de Leon Hirszman
CIÚME À ITALIANA, de Ettore Scola
LÚCIO FLÁVIO – O PASSAGEIRO DA AGONIA, de Hector Babenco
MAIS FORTE QUE A VINGANÇA, de Sydney Pollack
MORTALMENTE PERIGOSA, de Joseph H. Lewis
O HOMEM QUE CAIU NA TERRA, de Nicolas Roeg
O INTENDENTE SANSHO, de Kenji Mizoguchi
O IMPORTANTE É AMAR, de Andrzej Zulawski
O ROUBO DA TAÇA, de Caíto Ortiz
O VENTO NOS LEVARÁ, de Abbas Kiarostami
OS AMANTES CRUCIFICADOS, de Kenji Mizoguchi
O.J.: MADE IN AMERICA, de Ezra Edelman

PHOENIX, de Christian Petzold
POLYTECHNIQUE, de Denis Villeneuve
QUADRILHA MALDITA, de André De Toth
SENHORITA OYU, de Kenji Mizoguchi
SING STREET - AMOR E SONHO, de John Carney

Revisões (na telinha)

À MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA, de José Mojica Marins
AS DEUSAS, de Walter Hugo Khouri
CONQUISTA SANGRENTA, de Paul Verhoeven
DRUGSTORE COWBOY, de Gus Van Sant
ELES NÃO USAM BLACK-TIE, de Leon Hirszman
GOSTO DE SANGUE, de Joel e Ethan Coen
KIDS, de Larry Clark
LUZES DA RIBALTA, de Charles Chaplin

Feliz ano novo!

Que 2017 traga não apenas grandes e inesquecíveis filmes, mas também muita saúde, prosperidade, novos amores, paz espiritual, sucesso profissional e boas e bem-vindas surpresas. Até o próximo ano e obrigado pelas visitas, comentários e, aos amigos mais próximos, deixo meu muito obrigado por toda a força e o carinho que tenho recebido de vocês.

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