domingo, agosto 31, 2014

NO OLHO DO TORNADO (Into the Storm)



Como um personagem lembra em certo momento do filme, tornados deixaram de ser, principalmente nos Estados Unidos, eventos especiais. Quase se tornaram eventos anuais, graças a furacões do tipo Katrina ou Sandy, que provocaram uma onda de destruição imensa em cidades americanas. E como os americanos têm esse fascínio pelo elemento destruidor, ainda mais quando ele é fruto da natureza, sem falar no aspecto estético que o vórtice de um tornado apresenta como espetáculo, é natural que vez ou outra apareçam filmes sobre o tema. No ano passado, lembremos que um dos filmes mais bem-sucedidos foi SHARKNADO, telefilme assumidamente trash que mistura tornado com tubarão. Um absurdo, mas que até gerou uma continuação.

O último filme hollywoodiano de grande escala a abordar o assunto já tem quase 20 anos: TWISTER, de Jan De Bont. Porém, até mesmo esse filme que foi bem recebido pelo público e parte da crítica na época hoje se tornou quase esquecido. Passou a ser lembrado novamente por ocasião do lançamento de NO OLHO DO TORNADO (2014), de Steven Quale, mesmo diretor de PREMONIÇÃO 5 (2011). A principal semelhança com TWISTER está no fato de apresentar personagens obcecados por tornados, a ponto de tornarem a caça a eles em uma razão de viver.

Junte-se isso a uma obsessão contemporânea em registrar tudo em imagens, pela facilidade com que as novas tecnologias trouxeram em registrar em câmeras digitais qualquer coisa. E há também essa onda de filmes que utilizam a câmera na mão, a metalinguagem do filme dentro do filme, a importância de querer registrar o momento, seja para guardar como uma espécie de cápsula do tempo para ver daqui a 25 anos, seja para ficar famoso no youtube com um vídeo espetacular de um furação visto bem de perto. Isso está muito presente no filme. Há muitos personagens empunhando uma câmera na mão. Consequentemente, há muitas imagens tremidas.

Uma pena é que o filme não consiga ser minimamente interessante como TWISTER foi. Ao contrário, NO OLHO DO TORNADO chega a ser muito chato e tedioso. Mesmo tentando a todo custo ser dinâmico, apontando alguns personagens através de legendas no canto inferior da tela no início, já que não há tempo para apresentá-los de outra maneira. Parece um recurso de história em quadrinhos, inclusive. Outro problema do filme está em não saber utilizar o humor, na figura de dois sujeitos fanáticos por tornados que não andam tão equipados quanto os profissionais.

Entre os profissionais está Allison, personagem de Sarah Wayne Callies (séries PRISON BREAK e THE WALKING DEAD), que trabalha com um grupo de caçadores de tornados. A trama paralela envolve o executivo Gary (Richard Armitage, da trilogia O HOBBIT) e seus dois filhos. E há a subtrama do filho de Gary, que tenta ajudar o seu interesse amoroso a filmar uma antiga fábrica de tecidos para um trabalho da escola.

O mais interessante do filme, até por que esses elementos dramáticos também não são muito felizes em sua construção, é mesmo o espetáculo dos tornados. Ainda assim, eles acabam nem impressionando muito, tendo em vista já estarmos tão acostumados com efeitos especiais gerados em computador. E apesar de os efeitos serem eficientes, o NO OLHO DO TORNADO passa a impressão de ser uma produção de segunda categoria. Não necessariamente por causa de seu orçamento, mas por aquilo que é mais importante em um filme: dramaturgia, roteiro e direção.

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