terça-feira, dezembro 30, 2008

TOP 20 2008



1. A ESPIÃ, de Paul Verhoeven
2. O SOBREVIVENTE, de Werner Herzog
3. 4 MESES, 3 SEMANAS E 2 DIAS, de Cristian Mungiu
4. ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO, de Sidney Lumet
5. ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, de Joel e Ethan Coen



6. CANÇÕES DE AMOR, de Christophe Honoré
7. SANGUE NEGRO, de Paul Thomas Anderson
8. FALSA LOURA, de Carlos Reichenbach
9. SENHORES DO CRIME, de David Cronenberg
10. VICKY CRISTINA BARCELONA, de Woody Allen



11. DEPOIS DO CASAMENTO, de Susanne Bier
12. BODAS DE PAPEL, de André Sturm
13. UM BEIJO ROUBADO, de Wong Kar-wai
14. ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO, de José Mojica Marins
15. FIM DOS TEMPOS, de M. Night Shyamalan



16. JUNO, de Jason Reitman
17. CLEÓPATRA, de Júlio Bressane
18. O SONHO DE CASSANDRA, de Woody Allen
19. LADY CHATTERLEY, de Pascale Ferran
20. MORTE SÚBITA, de Greg McLean

Definitivamente 2008 foi um ano bem melhor que 2007. Mas também não precisava tanto assim para ser melhor, afinal 2007 está na minha lista negra de piores anos que eu já passei na minha vida particular. Disputa pau a pau com 1991. Felizmente, em 2008 resolvi enfrentar os demônios interiores, tive novas e excitantes experiências e voltei a me sentir bem comigo mesmo. Claro que tudo isso dentro do tom realista. Nem tudo foi um mar de rosas. Quebrei a cara algumas vezes e ainda continuo a minha batalha para melhorar os aspectos financeiro/profissional e sentimental de minha vida. Mas para isso a saúde é fundamental. E que bom que as coisas melhoraram nesse aspecto e espero que melhorem cada vez mais.

No cinema, 2008 também foi melhor do que o ano passado, ainda que os melhores representantes dessa lista sejam produções de 2007 e só lançadas aqui neste ano. Não dá pra reclamar de um ano que traz dois filmes do Woody Allen: O SONHO DE CASSANDRA e VICKY CRISTINA BARCELONA. Ainda por cima levando em consideração que ele está em uma de suas melhores fases, respirando novos ares em outros países, absorvendo até as características de certos cineastas europeus, que não sejam Bergman ou Fellini.

Em 2008, até mesmo a Academia conseguiu acertar em sua escolha e o Oscar de melhor filme foi para ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, o que aponta para uma nova fase, mais ousada e com preferência por obras mais vanguardistas, como esse trabalho dos irmãos Coen. Na disputa, e ainda como representantes da excelência dos candidatos, correndo por fora, o já tradicional cinema independente americano deu o ar de sua graça com JUNO, um dos exemplares mais inteligentes dessa safra. Paul Thomas Anderson, outro cineasta que foge do lugar comum, cometeu o excepional e memorável SANGUE NEGRO, que conta com a performance intensa de Daniel Day-Lewis.

2008 também foi o ano do retorno triunfal de José Mojica Marins à sua melhor forma com o aguardado ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO. Que não foi o sucesso de bilheteria esperado, mas o importante é que o filme foi realizado e está aí para ser apreciado como um cada vez mais raro exemplar de longa-metragem de horror produzido no Brasil. Outros três filmes brasileiros - que também não foram tão bem recebidos nas bilheterias - fizeram a festa dos cinéfilos mais exigentes no circuito alternativo: FALSA LOURA, de Carlos Reichenbach; BODAS DE PAPEL, de André Sturm; e CLEÓPATRA, de Júlio Bressane. Filmes completamente diferentes um do outro, mas que são a cara de seus autores. Autênticos exemplares do cinema de autor e não modelos industrializados produzidos por uma Globo Filmes.

Chegando com atraso em Fortaleza em relação ao lançamento no eixo Rio-São Paulo, os grandes destaques foram a aventura O SOBREVIVENTE, de Werner Herzog, e o sensual LADY CHATTERLEY, de Pascale Ferran. Já DEPOIS DO CASAMENTO, até entrou em cartaz aqui em 2007, mas só tive a chance de ver o filme numa mostra retrospectiva de melhores do ano organizada pelo Cinema de Arte. Não sabia o que tinha perdido.

Aproveitando a deixa, e fazendo um link com o cinema produzido na Europa, nada como festejar o retorno glorioso de Paul Verhoeven, com seu drama de guerra A ESPIÃ, em breve retorno ao seu país natal, a Holanda. Da Romênia, chegou uma obra angustiante e tensa sobre o aborto que conquistou a Palma de Ouro em Cannes: 4 MESES, 3 SEMANAS E 2 DIAS. E da França, surgiu o musical mais gostoso do ano: CANÇÕES DE AMOR, de Christopher Honoré.

O cinema de horror, além do retorno de Mojica, ainda contou com o retorno à boa forma de M. Night Shyamalan, com o poético FIM DOS TEMPOS. A surpresa do gênero esteve por conta de um filme sobre um crocodilo gigante, que aqui no Brasil ganhou o título de MORTE SÚBITA.

Para encerrar, outros grandes nomes do cinema mundial mostraram que continuam cheios de vigor. Caso de Sidney Lumet e seu thriller ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO. David Cronenberg continua sua nova fase, iniciada com MARCAS DA VIOLÊNCIA, e entrega um filme ainda mais visceral sobre a máfia russa: SENHORES DO CRIME. Quanto a Wong Kar-wai, sua primeira experiência no cinema em língua inglesa, UM BEIJO ROUBADO, dividiu opiniões, mas me agradou muitíssimo, seja pela beleza plástica, seja pelo andamento narrativo.

Dez que quase entraram

Ficaram de fora por falta de espaço, mas entram como menções honrosas:

SOMBRAS DE GOYA, de Milos Forman; BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS, de Christopher Nolan; PARANOID PARK, de Gus Van Sant; NA NATUREZA SELVAGEM, de Sean Penn; EFEITO DOMINÓ, de Roger Donaldson; JOGO DE CENA, de Eduardo Coutinho; LINHA DE PASSE, de Walter Salles e Daniela Thomas; A ÚLTIMA AMANTE, de Catherine Breillat; BUSCA IMPLACÁVEL, de Pierre Morel; WALDICK, SEMPRE NO MEU CORAÇÃO, de Patricia Pillar.

Os piores do ano

Apesar de este ano eu ter feito peneira fina na escolha das opções, preferindo muitas vezes ver um filme antigo em casa do que pegar fila em cinema de shopping, não pude me esquivar totalmente dos filmes ruins, com destaque para a grande decepção, que foi a volta de Indiana Jones. Assim, George Lucas aparece como produtor de dois dos piores do ano.

1. P.S. EU TE AMO
2. STAR WARS: THE CLONE WARS
3. 10.000 A.C.
4. INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL
5. O CAÇADOR DE PIPAS

As séries

O ano começou com a greve dos roteiristas, que mexeu com quase todas as séries. Não houve, por exemplo, temporada de 24 HORAS esse ano, e a maior parte das séries comprometidas tiveram o número de episódios por temporada diminuído. Quanto à qualidade, mesmo com LOST bombando na excelente quarta temporada e seus flashforwards, o grande destaque do ano foi mesmo a série-revelação EM TERAPIA, criação de Rodrigo Garcia, que dirige a maioria dos episódios. PRISON BREAK encerra bem a conturbada terceira temporada e inicia uma quarta surpreendentemente ainda melhor. Continuam sendo destaque, apesar, da irregularidade: ENTOURAGE, THE OFFICE e DEXTER. Foi também o ano em que comecei a ver, com certo atraso, as ótimas HOUSE, BIG LOVE e FAMÍLIA SOPRANO.

Top 5 "Musas do Ano"

Neste ano temos o orgulho de ter três brasileiras entre as cinco musas do ano. E olha que o ano foi bem concorrido nessa categoria. Difícil deixar de fora Ellen Page (JUNO), Kate Hudson (UM AMOR DE TESOURO), Charlize Theron (HANCOCK), Helena Ranaldi (BODAS DE PAPEL), Roxane Mesquida (A ÚLTIMA AMANTE), Pilar López de Ayala (NA CIDADE DE SYLVIA), Cleo de Paris (ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO), Radha Mitchel (MORTE SÚBITA), Evan Rachel Wood (ACROSS THE UNIVERSE), Cláudia Abreu (OS DESAFINADOS), Scarlett Johansson (VICKY CRISTINA BARCELONA) e Kristen Stewart (CREPÚSCULO). As favoritas da casa:

1. Paola Oliveira (ENTRE LENÇÓIS)
2. Rosanne Mullholand (FALSA LOURA)
3. Carice van Houten (A ESPIÃ)
4. Ludivine Sagnier (CANÇÕES DE AMOR e UMA GAROTA DIVIDIDA EM DOIS)
5. Alessandra Negrini (CLEÓPATRA)

Melhores vistos em DVD, DIVX ou VHS

Uma lista que privilegia Cukor, Mojica e Truffaut, por razões óbvias. Os 30 melhores vistos pela primeira vez na telinha, em ordem alfabética:

A DAMA DAS CAMÉLIAS, de George Cukor
A HISTÓRIA DE ADÈLE H., de François Truffaut
A ILHA DOS PRAZERES PROIBIDOS, de Carlos Reichenbach
A MARQUESA D'O..., de Eric Rohmer
À MEIA-LUZ, de George Cukor
A MORTA-VIVA, de Jacques Tourneur
A NOIVA DE FRANKENSTEIN, de James Whale
A SEREIA DO MISSISSIPI, de François Truffaut
A SÉTIMA VÍTIMA, de Mark Robson
AS DUAS INGLESAS E O AMOR, de François Truffaut
APENAS UMA VEZ, de John Carney
BLOOD AND BLACK LACE, de Mario Bava
BOÊMIO ENCANTADOR, de George Cukor
CÃO BRANCO, de Samuel Fuller
DA MESMA CARNE, de George Cukor
DUAS ALMAS SE ENCONTRAM, de Howard Hawks
ELEIÇÃO 2: A TRÍADE, de Johnnie To
ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER, de José Mojica Marins
JOSEY WALES - O FORA-DA-LEI, de Clint Eastwood
LADRÕES DE BICICLETA, de Vittorio De Sicca
MINHA NOITE COM ELA, de Eric Rohmer
NA CIDADE DE SYLVIA, de José Luis Guerín
O ALBERGUE - PARTE II, de Eli Roth
O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO, de José Mojica Marins
O GÊNIO DO MAL, de Robert Mulligan
O NEVOEIRO, de Frank Darabond
O 4º HOMEM, de Paul Verhoeven
OS ANJOS EXTERMINADORES, de Jean-Claude Brisseau
SICKO - $O$ SAÚDE, de Michael Moore
SILIP - DAUGHTERS OF EVE, de Elwood Perez

Revisões

Achava que não tinha revisto muitos filmes, mas consegui ultrapassar a marca dos 7 filmes no ano passado, graças, principalmente à apreciação da obra de Mojica. Os 9 revistos:

E O VENTO LEVOU, de Victor Fleming
À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA, de José Mojica Marins
O DESPERTAR DA BESTA / RITUAL DE SÁDICOS, de José Mojica Marins
O VOYEUR / O HOMEM QUE OLHA, de Tinto Brass
O GAROTO, de Charles Chaplin
O PODEROSO CHEFÃO - PARTE II, de Francis Ford Coppola
VIDAS SECAS, de Nelson Pereira dos Santos
O ÚLTIMO METRÔ, de François Truffaut
A DELICIOSA MALDIÇÃO DA MULHER-GATO, de John Leslie

O blog entrará de recesso nos próximos dias e, por isso, deixo meus votos de feliz ano novo para todos os que visitam este espaço. Que 2009 seja um ano de transformações positivas, de amores correspondidos, de muito dinheiro, de satisfação profissional e espiritual para todos nós e de ótimos e grandes filmes. Até lá!

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