quarta-feira, dezembro 20, 2006

DEXTER



Que os seriados americanos estão vivendo uma era de ouro, disso ninguém duvida, mas jamais imaginei que teríamos a oportunidade de assistir a uma série que tem como herói um serial killer. Jamais imaginei que torceria por um assassino. DEXTER (2006) fez mais ainda comigo: fez com que eu me identificasse um pouco com Dexter (Michael C. Hall, de A SETE PALMOS, indicado ao Globo de Ouro), já que o personagem tem dificuldade de se relacionar com as pessoas e é obrigado a fingir uma certa normalidade diante da sociedade. E como eu tenho mania de me identificar com outsiders, a série me pegou. Claro que não foi só por causa disso. A série é muito bem escrita, tem momentos eletrizantes de grande suspense e aquela abertura é espetacular. Com certeza, a melhor abertura de séries em muito tempo, fazendo uma brincadeira entre cenas do cotidiano e o ato de matar. A música-tema é grudenta, ficando em nossa memória até dois dias depois que a gente assiste ao episódio.

DEXTER conta a estória de Dexter Morgan, um investigador forense da polícia de Miami que age às escondidas como assassino. O que o torna mais simpático à audiência vem do fato de ele só matar assassinos, nunca inocentes. Quando ele era criança, seu pai adotivo, sabendo de suas tendências homicidas, o ensinou a canalizar essa energia negativa, matando apenas os assassinos. Jennifer Carpenter (de O EXORCISMO DE EMILY ROSE) é sua irmã adotiva e uma policial carente de relacionamentos que funcionem. Dexter tem uma namorada traumatizada por um estupro e, por isso, eles mantêm uma relação sem sexo. Há também os coadjuvantes que vez ou outra ganham maior visibilidade na trama: o Sargento Doakes (Erik King), a Tenente Maria (Lauren Vélez) e o policial Angel Batista (David Zayas).

O principal eixo narrativo dessa primeira temporada gira em torna de um serial killer que ganhou a alcunha de "assassino do caminhão de gelo". Ele corta pedaços de suas vítimas e coloca partes do corpo, ou o corpo inteiro em pedaços, em determinados locais da cidade. O que diferencia o seu trabalho é o fato de todo o sangue da vítima ter sido drenado. Dexter logo fica sabendo que o assassino está querendo se comunicar com ele.

O fato de a série se passar em Miami é um detalhe a mais, já que o visual sempre ensolarado é destacado pela fotografia e a trilha sonora prestigia os ritmos latinos. Há também um destaque maior do que o normal a personagens hispânicos (dois dos personagens principais são latinos) e ao uso da língua espanhola. A título de comparação, NIP/TUCK, outra série que se passa em Miami, não dá a mesma ênfase à latinidade da cidade.

A série é uma adaptação do livro "Darkly Dreaming Dexter", de Jeff Lindsay. Quem fez a adaptação foi James Manos Jr., premiado roteirista de FAMÍLIA SOPRANO e consultor de THE SHIELD. Com esse currículo de respeito, não me admira a série ser tão boa. Entre os diretores convidados para os episódios, o único nome mais conhecido é o de Keith Gordon, que dirigiu o episódio "Truth Be Told", o mais eletrizante dessa temporada.

DEXTER é a série xodó da emissora Showtime, a mesma que exibe as menos vistas MASTERS OF HORROR e WEEDS. Quem comprou os direitos para exibição no Brasil foi o canal FX, que passará a série em 2007. Quanto a Michael C. Hall, ele está simplesmente genial em DEXTER, e mal posso esperar para que chegue logo nas locadoras a quinta e última temporada de A SETE PALMOS, pra eu vê-lo novamente na pele de David Fisher.

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