domingo, fevereiro 07, 2010

O FIM DA ESCURIDÃO (Edge of Darkness)



Mel Gibson, também conhecido como "Mad Mel", por seus projetos malucos na direção e por sua vida pessoal conturbada, está de volta às telas como ator. Embora seu último trabalho creditado como ator tenha sido em CRIMES DE UM DETETIVE, de 2003, filme que quase ninguém viu, desde SINAIS (2002), de M. Night Shyamalan, que eu não o via. É muito interessante ver que até os projetos não dirigidos por ele têm um caráter autoral. Como se fossem escritos exclusivamente para ele, como se ele escolhesse os papéis. É, definitivamente, o caso de ator-autor. Martin Campbell, ainda que um artesão competente, e ele mesmo diretor da premiada série britânica que deu origem ao filme – NO LIMITE DAS TREVAS (1985) -, é Mel Gibson quem brilha em O FIM DA ESCURIDÃO (2010).

O filme tem um jeitão daqueles dramas noir violentos dos anos 40 e 50, inclusive pela utilização de uma fotografia escura. E a violência é parte importante do filme. As duas sequências mais impactantes de O FIM DA ESCURIDÃO são de uma violência brutal. No começo do filme, não sabemos muito sobre o personagem de Gibson. A princípio, ele é um pai que vem buscar a filha no aeroporto. Ela veio visitá-lo e, pela conversa no carro, durante uma chuva torrencial, sentimos que a relação dos dois não é exatamente aberta. Não leva muito tempo e já vemos que há algo de errado com a filha. Seu brutal assassinato é ainda mais rápido, mas é a base para a alma do filme, que é a busca do pai, policial de Boston, pelos sujeitos que fizeram aquilo com sua filha.

O catolicismo está presente em pequenos detalhes, como no crucifixo que o personagem de Gibson carrega no pescoço, na valorização do sangue inocente e na própria jornada de sacrifício e culpa do protagonista. Como é de costume, Campbell entrega um filme competente. Tem os seus grandes momentos, mas também momentos pouco interessantes. Mas o saldo final é positivo. Gosto de alguns coadjuvantes, como o vilão, vivido por Danny Huston, e o misterioso Jedburgh, interpretado por Ray Winstone, representante da parte britânica da produção. Gosto também do jeito violento que o policial vivido por Gibson tem de resolver as coisas, bem coerente com a carreira do ator/diretor.

Quanto a Campbell, ele será o diretor de LANTERNA VERDE, previsto para estrear nos cinemas no ano que vem. Apesar de um projeto bem mais arriscado (trata-se de um herói complicado para o cinema), acredito que o diretor mais uma vez se sairá bem.

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