segunda-feira, fevereiro 08, 2010

NOVA YORK, EU TE AMO (New York, I Love You)



Tendo a gostar de filmes-antologia, mesmo já sabendo que eles serão inevitavelmente irregulares. É praticamente impossível ser regular tendo tantos diretores diferentes juntos. O barato é mesmo perceber o estilo de cada cineasta num pedacinho de filme, que pode ser banal, insignificante ou até mesmo irritante, mas também pode ser adorável e até genial. O que eu senti falta em NOVA YORK, EU TE AMO (2009) foi da discriminação dos nomes dos diretores antes ou depois de cada curta. Depois eu vi que isso tem uma razão de ser, já que aos poucos vamos percebendo que quase todos os curtas são costurados para formarem uma espécie de filme-painel e ganharem alguma unidade.

Também senti falta de grandes nomes. Até o mais pobrinho BEM-VINDO A SÃO PAULO teve um nome de peso como Tsai Ming-Liang, por exemplo. PARIS, TE AMO teve vários. E o que NOVA YORK, EU TE AMO tem? Confesso que fui ao cinema sem me lembrar dos nomes dos envolvidos e não sabia que teria que esperar até o final, quando todos já estão se levantando das cadeiras, para saber quem dirigiu o quê. E o curioso é que um dos melhores curtas do filme é dirigido por Brett Ratner! Quem diria. É aquele do rapaz que leva uma garota de cadeira de rodas pra uma festa. A menina é adorável e a cena da árvore é a que mais fica na memória de todo o filme.

Mas o meu trecho preferido é de longe o dirigido por um cineasta desconhecido pra mim: o israelense Yvan Attal. Mas isso se deve principalmente à presença de Ethan Hawke, meio que reprisando o seu papel em ANTES DO AMANHECER e ANTES DO PÔR-DO-SOL. Ele não é um ator lá muito versátil, por isso papéis como esse funcionam como prolongações do personagem da sua vida: Jesse. No curta de NOVA YORK, EU TE AMO, ele tenta dar uma cantada numa mulher que encontra na rua (Maggie Q).

Alguns filmes seguem um andamento mais lento e ainda que não sejam tão bons se destacam visualmente. Penso no segmento de Shekhar Kapur, que tem um jogo de espelhos que embeleza a tela. Mas beleza plástica não é tudo. Interessante notar a pluralidade de culturas e de pessoas de diferentes nacionalidades que compõem o filme. Tem gente de praticamente todos os lugares do mundo. Só não lembro de ninguém do Brasil – em PARIS, TE AMO tinha o Walter Salles. E sem querer dar uma de Spike Lee, onde estão os curtas sobre os negros, que representam uma parcela tão grande e importante da cidade?

Como não vou ter tempo nem vontade de falar sobre cada curta, deixo registrado aqui os nomes dos cineastas que contribuíram para o filme: Fatih Akin, Yvan Attal, Allen Hughes, Shunji Iwai, Wen Jiang, Shekhar Kapur, Joshua Marston (que dirigiu o segmento da foto acima), Mira Nair, Natalie Portman (estreando na direção) e Brett Ratner.

E no youtube, tem o curta excluído do projeto, dirigido pela multi-talentosa e gostosa Scarlett Johansson.

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