quinta-feira, maio 15, 2008

NA NATUREZA SELVAGEM (Into The Wild)























Quarto longa-metragem dirigido por Sean Penn, NA NATUREZA SELVAGEM (2007) é sem dúvida o seu mais bem sucedido trabalho. Trata-se de um filme sobre a trajetória real de um jovem que abdica do conforto e do dinheiro que herda dos pais e, assim que termina o seu curso de graduação, parte numa viagem até o Alasca, atravessando várias cidades dos Estados Unidos. Até mesmo o velho carro que ele então usava é deixado pelo caminho, depois de uma forte onda quase tê-lo destruído. Ele não aceita quando o pai (William Hurt, em pequeno mais tocante papel) resolve o presentear com um carro novo. Como um gesto extremo de rejeição ao capitalismo, ele deixa o carro pelo caminho e ainda faz questão de queimar o dinheiro que tinha disponível no bolso e todos os seus documentos, passando a se auto-entitular Alexander Supertramp. Nesse momento, eu me lembrei que Penn, sempre visto como um rebelde, foi o cara que ousou fazer um segmento sobre o World Trade Center no trabalho coletivo 11 DE SETEMBRO (2002), onde ele mostra a sombra das torres como algo até maléfico e que impedia as flores de determinado apartamento florescerem. Isso, dentro de um filme que supostamente teria que homenagear os heróis, prantear as vítimas do atentado e valorizar a imponente construção destruída.

Mas Penn não leva a sua rebeldia ao sistema e à sociedade às últimas conseqüências neste NA NATUREZA SELVAGEM, como se pode ver com a lição que é deixada no final, quando o jovem Chris McCandless (interpretado pelo mesmo Emile Hirsch, de SPEED RACER) perde a briga contra a natureza. A natureza, que ele tanto amava em detrimento das pessoas. Não que ele não gostasse das pessoas. As idas e vindas no tempo que mostram a sua trajetória comprovam que ele era um rapaz que tinha uma relação social com as pessoas bastante saudável - embora note-se que ele tinha uma atração pela solidão. Sem falar que McCandless tinha um grande carisma e atraía instintos maternais, paternais, de companheirismo e até de atração física por onde que quer que ele passasse. Nesse caminho, ele conhece os hippies vividos por Catherine Keener e Brian Dierker, a honkytonk girl vivida por Kristen Stewart, o velho veterano de guerra interpretado por Hal Holbrook e um companheiro meio malandro, na pele de Vince Vaughn, que brilha, mesmo nos poucos momentos que aparece. O relacionamento de Chris com essas pessoas que passam pela sua vida chega a ser tocante e, nesse sentido, lembra um pouco HISTÓRIA REAL, de David Lynch.

A bela trilha sonora de Eddie Vedder ajuda a compor um clima que valoriza tanto as fartas paisagens naturais tipicamente americanas, quanto o sentimentalismo que o filme deixa no espectador, apesar de todo o entusiasmo juvenil de McCandless. O filme foi inspirado no livro homônimo de Jon Krakauer e conta com a fotografia de Eric Gautier, de DIÁRIOS DE MOTOCICLETA. No filme de Walter Salles ele já havia mostrado o seu talento para fotografar paisagens. A atuação de Emile Hirsch é surpreendente. E pensar que se trata do mesmo ator que protagonizou SHOW DE VIZINHA! Uma das curiosidades mais interessantes do filme dizem respeito às locações: Sean Penn filmou-as nos pontos reais da jornada de McCandless. Inclusive, o "ônibus mágico", onde ele ficou abrigado durante meses no Alasca escrevendo apontamentos sobre os seus sentimentos em relação à sobrevivência num ambiente selvagem, é o mesmo.

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