sexta-feira, outubro 26, 2007

VERMELHO COMO O CÉU (Rosso come il Cielo)



Quando eu era criança, um dos meus maiores medos era acordar de madrugada no escuro, me levantar para ir até o banheiro, ligar o interruptor e as luzes não acenderem. Uma cena semelhante acontece em VERMELHO COMO O CÉU (2006), quando o garotinho, já com cerca de 95% da sua visão totalmente perdida, acende o interruptor e suspeita, na sua ingenuidade, que as luzes deviam estar com problema. Sempre achei o ato de poder enxergar uma das maiores dádivas que nós temos. E sempre fico bastante comovido quando assisto filmes que lidam com o tema. Agora, por exemplo, lembro de RAY, de Taylor Hackford, e de SUBLIME OBSESSÃO, uma das obras-primas do mestre Douglas Sirk.

Ficar cego é um pesadelo para os capazes de enxergar, mas como diz em "Vida Diet", a canção do Pato Fu: "a tudo a gente se habitua." E um dos méritos desse filme de Cristiano Bortone é o de conseguir mostrar um aspecto mais ou menos positivo de se perder a visão, que é o de aguçar os demais sentidos, que acabam ficando em segundo plano por causa da visão. Claro que isso não é lá uma troca muito justa e nem o fã mais ardoroso do Demolidor vai querer passar por esse tipo de experiência.

Curiosamente, o filme não me emocionou tanto quanto eu imaginava e não chega a ser um grande filme, mas claro que há momentos realmente muito bonitos. De chorar mesmo, pra mim, só a cena em que o garotinho abraça a mãe, que ele não "via" já há alguns dias (ou meses), e fala pra ela que da próxima vez que ele voltar pra casa, nas férias, não vai querer ver os seus amiguinhos, vai preferir ficar o tempo todo perto dela. Impressionante como esse tipo de cena que lida com o lado maternal mexe comigo. E acontece em praticamente qualquer filme - lembro que em CARANDIRU eu chorava mais por causa das mães dos presos do que propriamente por causa deles. Provavalmente isso vem do meu lado canceriano, signo bem ligado à maternidade.

Pra quem não sabe, VERMELHO COMO O CÉU conta a estória de um garotinho de 10 anos que sofre um acidente e perde a visão. O mais triste de tudo é que já naquela idade ele era fã de cinema. Devido à sua deficiência visual, ele não é aceito na escola e é enviado para um escola para cegos, localizada longe de sua cidade e de sua família. Lá, ele aprende a lidar - com muito sacrifício, claro - com a sua deficiência, a mostrar sua criatividade e sensibilidade artística, conseguindo contar estórias com o uso da edição de som e de um velho gravador. De quebra, ele ainda conquista o coração de uma jovem menina. O filme é inspirado na história verdadeira de Mirco Mencacci, um dos mais renomados editores de som da Itália. Só não me lembro - nem encontrei informações na internet - com quais cineastas ele já trabalhou.

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