terça-feira, janeiro 30, 2007

PERFUME - A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO (Perfume: The Story of a Murderer / Das Parfum - Die Geschichte eines Mörders / Le Parfum - Histoire d'un Meurtrier / El Perfume - Historia de un Asesino)



Tive a oportunidade de ler "O Perfume", o excelente romance de Patrick Süskind, há mais de quinze anos. Pouca coisa ficou na memória e agora com a adaptação para o cinema, as memórias se tornam ainda mais misturadas e borradas. Quanto ao filme, o resultado me pareceu pouco satisfatório, embora haja vários pontos positivos. Talvez a melhor coisa do filme seja mesmo a belíssima fotografia de Frank Griebe, habitual colaborador do diretor Tom Tykwer, dos bem-sucedidos CORRA, LOLA, CORRA (1998) e PARAÍSO (2002). Mal comparando, a fotografia do filme seria como um cego que procura entender através dos sons aquilo que não pode ver. Da mesma forma, a fotografia tenta substituir o sentido do olfato através de imagens. Em alguns momentos, isso quase se consegue, como na seqüência inicial, no mercado de peixe, ou ao vermos o vermelho das rosas e o close na pele das jovens ruivas que embelezam o filme. O fato de elas serem ruivas contribui para a idéia do desejo, sentimento (ou sensação) cuja cor mais associada seria o vermelho.

Uma das falhas do filme é justamente não tornar simpática a figura de Jean-Baptiste Grenouille, interpretado pelo inglês Ben Whishaw. Diferente de um Hitchcock, que nos faz torcer pelo assassino com uma facilidade incrível, Tom Tykwer não consegue sequer tornar simpático o seu personagem. Se a intenção do diretor era mesmo mostrar um personagem que não fede nem cheira - o que não deixa de ser coerente com a trama - pode-se dizer que ele foi bem sucedido. Mas será que foi essa mesmo a intenção dele? Acredito que não. Tanto que a própria narração de John Hurt tenta forçar um pouco a barra no sentido de que nós possamos entender as motivações do protagonista. Em vez disso, eu torcia pelas vítimas, especialmente a última delas, a bela inglesinha Rachel Hurd-Wood, que faz o papel de Laura. Aliás, como essa menina cresceu, hein. Rachel pôde ser vista anteriormente em MALDIÇÃO (2005) e em PETER PAN (2003), no papel de Wendy. Os coadjuvantes de luxo do filme são Dustin Hoffman, excelente no papel do perfumista decadente Giuseppe Baldini, e Alan Rickman, como o pai protetor de Laura. Hoffman e Rickman contribuem com os personagens mais simpáticos do filme.

Pra quem ainda não sabe, PERFUME - A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO (2006) narra a história de Jean-Baptiste Grenouille, um rapaz que nasceu com o sentido de olfato super-desenvolvido. O seu desejo inicialmente é sentir todos os cheiros do mundo. No começo, ele não tinha preconceito com nenhum cheiro. Depois que ele passa a ser mais seletivo, mais sofisticado. Após matar uma cheirosa vendedora de frutas para sorver todo o seu aroma, ele fica obcecado em capturar a essência do cheiro de uma pessoa, de modo que aquele cheiro não morra. Assim, ele procura aprender métodos de conservar cheiros. Seu principal objetivo é criar um perfume a partir da essência de 12 mulheres.

Um dos aspectos mais interesses do filme é mostrar as técnicas de conservação de aroma, coisa que não se ensina na escola e que me pareceu algo fascinante, apesar de não ter o meu senso de olfato muito bem desenvolvido - sou muito dependente da visão. Dentro da narrativa, um dos momentos mais interessantes é a já famosa cena da orgia no final, que não posso falar mais sob o risco de entregar o desfecho do filme. Pena que os pontos positivos não são suficientes para encobrir o cansaço provocado pela longa duração do filme, além das falhas já apontadas no segundo parágrafo.

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