terça-feira, dezembro 11, 2012

HOJE























Em 27 capitais do Brasil acontece(u) nos meses de novembro e dezembro a 7ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. Infelizmente só pude ir no último dia, tendo assistido a um ótimo curta e ao longa-metragem inédito no circuito comercial, HOJE (2012), de Tata Amaral. O filme é interessante e bem conduzido, mas pena que aos poucos começa a cansar, quando deixa de lado o seu aspecto instigante e misterioso. Sem falar que há todo um jeitão de peça de teatro que só sendo muito bom mesmo para funcionar na telona.

Mas não dá para negar o ótimo desempenho de Denise Fraga, em raro papel dramático. Ela interpreta Vera, uma ex-militante política que recebe uma indenização do governo brasileiro pelo desaparecimento do marido, durante a ditadura militar. No dia de sua mudança para o novo apartamento, o marido (Cesar Troncoso) aparece. Seria ele um fantasma ou um homem de carne e osso que resolveu voltar?

Essas são perguntas até um tanto ingênuas, mas que praticamente todo espectador que não sabe nada sobre o filme acaba fazendo a si mesmo. O que também se destaca em HOJE é o bom trabalho de Tata Amaral dentro de um ambiente apertado, coisa que ela fez muito bem em seu longa de estreia, o ótimo UM CÉU DE ESTRELAS (1996), possivelmente ainda o seu melhor trabalho.

Pena é que esse tema da ditadura já foi tão explorado pelo cinema que já se tornou um tanto cansativo. Há quem diga que não foi o bastante e que é preciso ainda ouvir mais vozes e testemunhos desse período, mas vendo HOJE tive a impressão de já ter visto muito filme a respeito. Inclusive, na mesma mostra foi exibido o documentário MARIGHELLA, de Isa Grinspum Ferraz, que eu infelizmente deixei passar.

Pensando bem, HOJE está lá justamente porque se enquandra no perfil da mostra, que também conta com CABRA MARCADO PARA MORRER, de Eduardo Coutinho, e BATISMO DE SANGUE, de Helvécio Ratton.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

IRRACIONAL – UMA PAIXÃO DEVORADORA (Le Festin de la Mante)























Recentemente o blog Eles Vivem publicou uma matéria que ajudou a aplacar um pouco a saudade que ainda sentimos de Carlos Reichenbach, que pra mim foi a grande perda deste ano de 2012. Carlão fez a gentileza de fazer três recomendações, a pedido dos idealizadores do blog. Uma dessas recomendações foi este estranho filme belga, que aqui no Brasil ganhou o título de IRRACIONAL – UMA PAIXÃO DEVORADORA (2003), quando de seu lançamento em DVD. Obviamente é desses filmes que acabam passando batido e ficando obscuros; por isso a necessidade de alguém trazê-lo ao conhecimento de mais pessoas.

IRRACIONAL – UMA PAIXÃO DEVORADORA é um dos filmes mais estranhos que eu já vi. Mas o que há de estranho há de atraente. Principalmente por causa da presença da protagonista, vivida pela bela Lou Broclain, em seu único filme para o cinema. Curiosamente, o diretor, Marc Levin, também só tem um longa-metragem em seu currículo. Os demais 23 títulos são todos curtas.

Neste seu único longa, Levin apresenta Sylvia (Lou Broclain), uma mulher sensual que logo chama a atenção de um rapaz como se o tivesse enfeitiçado. Mas não é assim a paixão? E no início achamos tudo normal, até que o comportamento de Sylvia passa a se tornar estranho. Nota-se que cada vez mais ela tem um contato todo especial com a natureza, seja ela representada pelas plantas, seja pelos animais (como nas cenas do cachorro e da aranha).

Mas o que o filme reserva de especial mesmo para o espectador é a excelente cena de sexo. Que é excitante e animalescamente bela, como numa dança de acasalamento de animais, só que com a dose de malícia do ser humano. Na cena, um motoqueiro que ela conhece por acaso a persegue até a sua casa, invadindo o lugar. Ela impõe resistência, mas aos poucos vai mostrando que quer jogar com ele. E nunca uma brincadeira de cabra-cega foi mostrada de maneira tão sensual no cinema. Pelo menos, não que eu tenha visto.

Aos poucos, o filme vai se tornando mais sombrio, mas creio que não vem ao caso comentar sobre esse aspecto, pois é algo a ser degustado aos poucos pelo espectador. Desde já, agradeço imensamente ao Carlão por essa incrível dica. Onde quer que ele esteja ainda está mexendo com nossas vidas. E o fará por um longo tempo ainda. Tenho certeza disso.

Veja a recomendação do Carlão, via youtube.

domingo, dezembro 09, 2012

A ÚLTIMA CASA DA RUA (House at the End of the Street)























Quando filmes como A ÚLTIMA CASA DA RUA (2012) chegam aos nossos cinemas fica uma falsa impressão que não se está se produzindo mais filmes de horror e suspense de qualidade por aí. Até porque o saldo de bons filmes do gênero no circuito durante o ano não foi dos melhores. A presença de Jennifer Lawrence explica o fato de o filme chegar aos nossos cinemas: de carona no sucesso de JOGOS VORAZES, uma das melhores bilheterias do ano.

E Jennifer Lawrence foi uma garota que chegou em Hollywood com os dois pés na porta, já recebendo indicação ao Oscar, com INVERNO DA ALMA, um filme independente que soube aproveitar o talento da jovem, que conquistou também papel em franquia de sucesso (X-MEN: PRIMEIRA CLASSE) e que estará muito provavelmente presente num dos filmes de destaque do Oscar 2013, O LADO BOM DA VIDA, de David O. Russell.

Entre um ou outro trabalho de prestígio ou de grande visibilidade, por que não encarar um filme de horror de baixo orçamento? E o que há de filmes bons e baratos do gênero não está no gibi. Infelizmente não é o caso de A ÚLTIMA CASA DA RUA, que teve sua história creditada, para minha surpresa, a Jonathan Mostow, um diretor que por algum motivo foi sendo esquecido pela indústria, mesmo tendo ótimos trabalhos no currículo. Soube que o projeto era originalmente dele como diretor e Richard Kelly, como roteirista.

Mas Hollywood tem dessas coisas e A ÚLTIMA CASA DA RUA foi parar em outras mãos. E se não é de todo ruim, é porque ainda trabalha com os velhos clichês e com algumas cartas na manga para garantir uma ou outra surpresa para a audiência. Mas desde o começo o filme se mostra bem frágil. Era para ter um prólogo violento, intenso, perturbador: uma garota mata o pai e a mãe e foge para a floresta. Se até o prólogo é tratado com desleixo, o que dizer do desenvolvimento, que é mais difícil?

Na trama, Elisabeth Shue e Jennifer Lawrence são mãe e filha mudando-se para uma casa numa pequena cidade. A casa é barata por causa da casa vizinha, palco dos acontecimentos do citado prólogo. Trata-se de um ponto de partida que já vimos em tantos outros filmes que a impressão de falta de mínima criatividade fica no ar o tempo todo.

Há o sujeito que sobreviveu à chacina e que ainda mora na casa dos pais assassinados. Na cidade, todos o tratam como uma aberração, mas a jovem recém-chegada da cidade grande vê nele algo de bom que os outros não enxergam. Até porque o primeiro sujeito que deu em cima dela se mostra logo um mau caráter.

Se visto como um assumido bad movie, dá para se divertir numa boa com A ÚLTIMA CASA DA RUA. Só assim para gostar do filme, que tem os seus momentos de tensão, embora estragados pelo roteiro ruim. Até a montagem, no clímax do filme, se revela bem vagabunda, confundindo e tentando resolver a situação de maneira muito apressada. A impressão que fica é que os membro da equipe criativa, vendo o monstro que criaram, disseram uns aos outros: "vamos acabar logo com isso de uma vez".

sábado, dezembro 08, 2012

ALÉM DA LIBERDADE (The Lady)























Com a trinca de filmes falados em inglês e confundidos com produções hollywoodianas – O PROFISSIONAL (1994), O QUINTO ELEMENTO (1997) e JOANA D’ARC (1999) –, Luc Besson passou de cineasta francês a cineasta internacional. Seus filmes são, com frequência, não muito bem recebidos pelos críticos e não dá para dizer que ele conseguiu uma reputação de prestígio entre os cultuadores do cinema de autor. Mas Besson parece não se importar muito com isso.

Tanto que se dedicou nos últimos anos a dirigir três animações sobre um personagem chamado Arthur, formando uma espécie de trilogia. Essas animações não tiveram grande repercussão por aqui. A preocupação maior de Besson parece estar sendo com suas produções internacionais, também confundidas com filmes americanos, caso da "trilogia" CARGA EXPLOSIVA (2002, 2005, 2008) e do bem sucedido thriller BUSCA IMPLACÁVEL (2008), que neste ano ganhou também uma sequência igualmente bem recebida nas bilheterias mundiais.

Seu retorno à direção para filmes mais "sérios" veio com ANGEL-A (2005) e com este ALÉM DA LIBERDADE (2011), que é mais ambicioso no sentido de dar tonalidades épicas para a história biográfica de uma mulher cujo pai foi um dia presidente da Birmânia e que foi assassinado pelos militares, que tomaram o país e instalaram uma das mais sangrentas ditaduras de que se tem notícia.

Em ALÉM DA LIBERDADE, Michelle Yeoh é Aung San Suu Kyi, que depois de saber que sua mãe está muito doente retorna a sua terra natal, onde é recebida por um grupo de pessoas que deseja trazer a democracia de volta para o país e que veem nela a pessoa ideal para iniciar esse processo. Suu, como ela é chamada pelo carinhoso e compreensivo marido (David Thewlis), aceita participar da luta pela redemocratização do país. Mal sabia ela que seria tão difícil.

A trajetória de Aung San Suu Kyi, de tão triste que é, dá até para dialogar com a de outra personagem feminina presente na filmografia de Besson: Joana d’Arc. Guardadas as devidas proporções. E levando em consideração que a história de Suu não possui elementos fantásticos como na misteriosa história da jovem que liderou o exército francês na Guerra dos Cem Anos para ser queimada em uma fogueira como bruxa logo em seguida.

No caso de Suu, o que há de mais triste em sua história é o fato de ela ter passado tanto tempo em prisão domiciliar, enquanto seus filhos cresciam na Inglaterra, com vistos negados pelo governo da Birmânia (hoje, Mianmar), e era impossibilitada até mesmo de visitar o seu marido, vítima de câncer. Assim, se ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz, essa vitória é muito pequena diante de tantas atribulações por que ela passou.

Uma pena que a direção de Besson não seja suficientemente boa nem mesmo para levar o espectador às lágrimas numa história que tinha tudo para funcionar dentro do registro do melodrama. E até se nota que ele tenta, tendo em vista a trilha sonora que busca a emoção a todo momento. Besson também carrega nas tintas ao vilanizar em demasia os chefes de estado do país, que devem mesmo ter sido bem perversos, mas a forma como o cineasta os coloca na tela funciona mais como caricaturas, vistas em muitos filmes B de ação hollywoodianos.

ALÉM DA LIBERDADE serve, porém, para apresentar para muitos uma realidade que poucos conhecem: a de um povo cheio de peculiaridades, como as mulheres-girafa e os monges budistas influenciados pela cultura local, além, claro, da própria situação política do país, que só ganhou eleições civis em 2010. O filme também traz uma bela mensagem pacifista inspirada em líderes como Mahatma Gandhi.

sexta-feira, dezembro 07, 2012

A ESCOLHA PERFEITA (Pitch Perfect)























O maior mérito de A ESCOLHA PERFEITA (2012) é conseguir transitar por um terreno muito fácil de se fazer algo vergonhoso e xarope e fazer um belo trabalho, capturando o espectador que se deixar envolver não só pela histórias, mas também pelos números musicais a capella. Dirigido por Jason Moore, diretor de musicais da Broadway e de séries de televisão, o filme é bem sucedido não apenas pelos números musicais bem orquestrados (quando essa é a intenção), mas também pela condução dos personagens com leveza.

Anna Kendrick, cada vez ganhando mais espaço em papéis de destaque, é nosso representante na história. Assim como ela, a maioria de nós, espectadores, vê aquelas apresentações a capella e com dancinhas coreografadas como algo um tanto brega e estranho. Mas, aos poucos, mesmo com tantos personagens vistos como caricaturas, como representações, torna-se fácil ser fisgado por aquele universo. Até porque o filme tem um senso de humor muito agradável.

Na trama, apresentando-se como rivais, há o grupo das meninas, as Belas do Barden, e há o grupo dos rapazes, que desde o começo se mostra bem fácil de ser odiado. O grupo das meninas sofre com um acidente feio logo no início do filme: a líder do grupo vomita litros de gosma em cima do público por puro nervosismo. Mas é fácil prever que a personagem de Anna Kendrick, Beca, será a salvação daquele grupo.

Mesmo sabendo mais ou menos que caminho o filme seguirá, com o inevitável sucesso final do grupo das meninas no campeonato, bem como a bem-sucedida união de Beca com o simpático Jesse (Skylar Astin), isso não impede que todo o percurso seja muitíssimo agradável, mesmo para quem não conhece a maioria das canções executadas. Elas não são tão populares quanto as de ROCK OF AGES – O FILME, por exemplo.

Aliás, eu diria até que A ESCOLHA PERFEITA é um filme bem melhor resolvido que ROCK OF AGES. Principalmente pela boa química das garotas. A presença de Rebel Wilson, a gordinha de O QUE ESPERAR QUANDO VOCÊ ESTÁ ESPERANDO e de QUATRO AMIGAS E UM CASAMENTO, atualmente em cartaz, é muito importante para que o filme ganhe em momentos divertidos. Mas há outras atrizes menos conhecidas que também contribuem, como a oriental que fala baixinho, a moça negra lésbica ou a líder loira controladora vivida por Anna Camp (de HISTÓRIAS CRUZADAS). A trama ainda inclui dois comentaristas, interpretados por Elizabeth Banks e John Michael Higgins, que ajudam a tornar a competição vocal ainda mais divertida.

Algumas das canções de destaque do filme são: "Since u been gone" (Kelly Clarkson); "Like a virgin" (Madonna); "Don't stop the music" (Rihana); "Eternal flame" (The Bangles); "Hit me with your best shot" (Pat Benatar); "Don't you forget about me" (Simple Minds); "Just the way you are" (Bruno Mars); entre outras.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

V/H/S























Pra que melhor propaganda para um filme de terror do que dizer que ele fez pessoas desmaiarem? Dizem que isso aconteceu no Festival de Sundance em janeiro deste ano, quando V/H/S (2012) foi exibido. O filme acabou sendo lançado nos cinemas dos Estados Unidos em poucas salas em outubro passado, mas já havia saído em agosto em video on demand. É, portanto, um lançamento de pequeno porte, mas que chamou a atenção principalmente dos amantes de filmes de horror.

Trata-se de uma antologia dirigida por vários diretores, tendo a ideia já tão explorada do found footage film como único elemento comum entre as histórias. No caso, os filmes são encontrados em fitas VHS. Porém, curiosamente, uma das histórias se passa numa conversa por computador, com uso de uma webcam. Quer dizer, o que originalmente era para ser algo composto de imagens da era do videocassete acabou trazendo também tecnologia contemporânea. Mas o que mais pode incomodar no filme é a desculpa que ele encontra para unir as histórias, dirigidas por dez diretores diferentes. Inclusive, a história que serve de apoio para as demais é a mais fraca de todas, junto com a que encerra o filme.

O diretor mais conhecido é Ti West, de THE HOUSE OF THE DEVIL (2009). Aliás, West está em outra antologia, também com vários diretores independentes, THE ABCs OF DEATH (2012), que eu não sei se já está disponível na web. O referido filme conta com 26 pequenas histórias. Deve valer para conhecer as melhores.

No caso de V/H/S, que tem seis segmentos, eu destacaria a primeira história encontrada na casa, a que traz uma bela desculpa para evitar a câmera na mão o tempo inteiro: um par de óculos com uma microcâmera instalada. O destaque do episódio é uma garota que um grupo de três rapazes leva para um quarto de hotel. Ela é assustadoramente estranha. A história dos quatro jovens que vão parar num lugar desolado, destinados a morrer pelas mãos de uma criatura bizarra também é destaque. Principalmente pelo modo como o monstro é visto (ou não visto) pela câmera.

No fim das contas, V/H/S é um entretenimento tenso e curioso que aproveita muito do que já foi visto em filmes com câmera na mão, que estão na moda hoje em dia, mas que também traz alguns momentos de criatividade. O filme é uma produção de Brad Miskaque, do site de terror Blood Disgusting. Já está na agulha uma sequência: S-V/H/S, prevista para estrear em 2013.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

SHOTGUN STORIES























O nome de Jeff Nichols ficou conhecido aqui no Brasil por causa de O ABRIGO (2011), filme de impacto que infelizmente foi lançado direto em DVD por essas bandas. E embora o trabalho do cineasta ainda não tenha me conquistado de verdade, fui atrás de seu filme anterior, SHOTGUN STORIES (2007), sua estreia na direção. Assim como O ABRIGO, SHOTGUN STORIES (inédito no Brasil) também conta com a presença de Michael Shannon. E assim como O ABRIGO, SHOTGUN STORIES traz muitas imagens de espaços abertos do interior dos Estados Unidos, o que me fez lembrar dos filmes de Terrence Malick.

SHOTGUN STORIES conta a trágica rixa entre dois grupos de meio-irmãos na região sudeste do Arkansas. Tudo começa com a morte do pai dos jovens. Durante o funeral, um dos filhos que foi abandonado pelo pai amaldiçoa o velho, cospe em seu caixão. E isso é o começo para que um e outro irmão sinta a necessidade de se vingar.

O filme nos aproxima mais dos irmãos Son (Michael Shannon), Boy (Douglas Ligon) e Kid (Barlow Jacobs). Eles vivem em situação um tanto apertada: um deles mora no próprio automóvel, outro pede ao irmão que tem uma casa alugada para acampar em seu quintal. E embora o filme enfatize mais a disputa dos irmãos, não há como não ver a situação de pobreza deles como um elemento importante para a narrativa. Até por ser algo pouco destacado no cinema americano, embora também possa ser visto em O ABRIGO.

Cheio de planos abertos que enfatizam a bela paisagem das plantações de algodão, o filme pede para ser visto no cinema. Felizmente, não sendo possível, há outros meios para poder apreciá-lo. Esperemos agora que os filmes de Nichols, que teve seu mais recente trabalho (MUD, 2012) lançado no Festival de Cannes, cheguem aos cinemas brasileiros. 

terça-feira, dezembro 04, 2012

UMA NOITE NO RIO (That Night in Rio)























"Carmen Miranda é uma hindu, mais do que uma brasileira. Há turbantes coloridos, braços de serpentes, mãos como cabeças de cobras [...] [Ela] consegue não só ser hindu – ela consegue ser a hindu e a serpente."
(Vinícius de Moraes) 

Nunca tinha visto nenhum filme com a Carmen Miranda. Acabei vendo este UMA NOITE NO RIO (1941) por ser objeto de discussão de um grupo de estudo do qual participo. Aí acabei ficando curioso e vi a cópia existente na internet. Acabei gostando do filme, uma farsa musical que se vista por alguém que não é brasileiro pode não incomodar de jeito nenhum. Já para alguns brasileiros, como eu, a própria Carmen Miranda incomoda, com a dificuldade que se tem de se ver representado como brasileiro em sua figura, em seu samba americanizado e em suas vestimentas exóticas.

UMA NOITE NO RIO traz também uma estrela hoje um tanto esquecida, Alice Faye, uma bela loira que fez sucesso em sua época. Inclusive, saiu um box nos Estados Unidos com alguns filmes estrelados por ela e que devem fazer a festa principalmente de quem acompanhou seus filmes na época. UMA NOITE NO RIO fez parte desse box.

O filme começa com uma imagem bem alegre do Rio de Janeiro e com Carmen Miranda cantando "Chica-Chica-Boom-Chica". Não deixa de ser estranho vê-la cantando e falando português misturado com o inglês. Sua personagem é uma espécie de mulher selvagem. Atira o sapato no namorado galanteador Larry Martin (Don Ameche) quando fica com raiva dele. E costuma ficar furiosa falando português. Aí Larry diz que ela deve se acalmar e falar inglês, pois you’ll never learn unless you speak [English], and you can’t speak if you get excited. English isn’t that kind of a language. So, don’t get excited. Assim, fica logo no ar a ideia de que o brasileiro é irracional e o americano é racional.

Além do mais, a personagem de Carmen acaba não sendo importante para a história em si. A história principal envolve a substituição do Barão Duarte (também interpretado por Ameche) por seu sósia, o ator americano Larry Martin. A entrada em cena de Martin acaba gerando alguns momentos engraçados, como a cena da bolsa de valores, ou as confusões envolvendo a esposa do Barão. Enquanto isso, Carmen Miranda vai ficando à margem, sendo importante mais para as cenas musicais.

Aliás, há outras cenas musicais sem ela que são bem mais bonitas, pois se mostram mais autênticas. Afinal, são americanos cantando canções típicas dos musicais americanos. Junta-se com a bela fotografia em technicolor e os cenários de estúdio, essas cenas musicais em vez de incomodar até engrandecem o filme, que é simpático, mesmo com todos esses problemas envolvendo uma brasileira americanizada agindo feito uma macaquinha dentro da chamada política da boa vizinhança do Governo Roosevelt.

Referência:
SOARES, L.F.G. Hollywood e ambivalência no Rio. In: CORSEUIL, A.R. et AL (org.). Cinema: lanterna mágica da história e da mitologia. Florianópolis: Editora da UFSC, 2009. 

segunda-feira, dezembro 03, 2012

OS PENETRAS























Em terra de sapo, de cócoras com ele. Deve ter sido mais ou menos o que fez com que Andrucha Waddington, que começou a carreira tentando fazer um cinema mais ambicioso, como se pode ver em títulos como CASA DE AREIA (2005) e LOPE (2010), aceitasse fazer mais uma dessas comédias populares da Globo Filmes sem muitas pretensões artísticas. Claro que não dá para colocar tudo num saco só, mas num ano em que tivemos coisas constrangedoras como TOTALMENTE INOCENTES e ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE e que ainda vem aí com DE PERNAS PRO AR 2, comédias desse tipo já podem ser vistas com ar de suspeita. Ou de boas referências para boa parte do público, se levarmos em consideração o sucesso comercial.

No caso de OS PENETRAS (2012), Waddington realizou um trabalho pelo menos mais decente. É um filme que até lembra as antigas comédias hollywoodianas dos anos 1930, bem como as chanchadas da Atlântida. Há a tradicional figura do malandro carioca. Figura tão explícita que até tocam a canção "Malandro é malandro e mané é mané", do Bezerra da Silva. O malandro em questão é Marco Polo, vivido por Marcelo Adnet, homem que costuma enganar as pessoas como meio de vida. Para isso, ele conta com a ajuda do amigo Nelson (Stepan Nercessian).

Mas o filme começa com a presença de Eduardo Sterblitch, que interpreta Beto, um sujeito com a autoestima lá embaixo por causa de uma mulher chamada Laura, que o rejeitou. Em ato de desespero, ele tenta se suicidar, justo quando Marco Polo está tentando lucrar em cima de um grupo de turistas. Marco Polo vê que é possível lucrar também em cima do pobre coitado, dizendo que é capaz de trazer de volta a Laura que ele tanto quer. Em um hotel de luxo, ele encontra a personagem de Mariana Ximenes, que diz ser a Laura e por quem ele logo se apaixona.

Marcelo Adnet ficou conhecido na MTV e Eduardo Sterblitch ficou conhecido através do programa Pânico na TV!. Assim, juntam-se dois atores que vieram do humor, mas de dois canais diferentes, MTV e Rede TV!. Não dá para negar que os dois têm talento, mas não chegam a ser tão engraçados assim em OS PENETRAS.

De qualquer maneira, um dos méritos do filme é não tentar forçar a barra nos momentos engraçados. Na maioria das vezes, é possível se divertir sem necessariamente rir. Para isso, o filme conta com um bom elenco. Mariana Ximenes, como o suposto pivô de um triângulo amoroso envolvendo os dois rapazes, está muito bem como a garota esperta que reconhece um malandro (como ela) assim que o vê.

E há os coadjuvantes de luxo, como Susana Vieira, Andrea Beltrão, Luiz Gustavo e Luís Carlos Miele, que contribuem de uma forma ou de outra para o relativo sucesso do filme. Assim, OS PENETRAS escapa de ser uma diversão chula para ser uma diversão razoável e despretensiosa. Andrucha Waddington, mesmo não sendo o melhor dos nossos cineastas, mostra que a direção faz a diferença.

domingo, dezembro 02, 2012

O HOMEM DA MÁFIA (Killing Them Softly)



Tenho gostado desses cineastas corajosos que burlam a velha fórmula hollywoodiana e fazem filmes sem concessões. Aliás, levando em consideração a longa duração de O ASSASSINATO DE JESSE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD (2007), pode até ser que Andrew Dominik tenha aceitado cortar algumas cenas de seu novo trabalho, O HOMEM DA MÁFIA (2012). No lugar de um thriller policial convencional, Dominik faz um filme com muita conversa. No começo lembra bastante os filmes de gângster de Quentin Tarantino e Martin Scorsese, mas o trabalho de Dominik é bem mais preocupado com a crítica ao american way of life e ao sistema político do país como um todo do que com o enredo e seus personagens.

Tanto que todo o contexto no qual o filme se insere, que acontece em 2008, com a crise financeira que quebrou várias empresas e fez com que o Governo de George W. Bush intervisse, ao mesmo tempo em que também vemos os momentos finais da campanha que elegeria Barack Obama, todo esse contexto acaba ganhando bem mais importância do que a história de assassinatos e violência dos mafiosos. Principalmente graças ao pungente discurso final do personagem de Brad Pitt.

Diferentemente do filme anterior, Dominik traz aqui uma narrativa menos lenta e contemplativa, mas nem por isso mais fácil. A própria fotografia de O HOMEM DA MÁFIA é mais suja e os cenários são soturnos, com ruas e bares vazios, bem diferente da beleza dos espaços abertos e céu azul de O ASSASSINATO DE JESSE JAMES... O diretor faz questão de mostrar os Estados Unidos numa situação tão grave quanto nos tempos da Grande Depressão. Tanto que até os carros mostrados parecem contribuir para esse ar de anacronismo que o filme carrega.

Trata-se de um filme de homens. Praticamente não há mulheres no elenco. Curiosamente, Brad Pitt só aparece depois de uns trinta minutos da trama, que se inicia com o divertido diálogo dos dois ladrões que assaltarão uma mesa de apostas clandestina. Essa mesma mesa já havia sido assaltada anos atrás pelo próprio dono, Markie Trattman, vivido por Ray Liotta. Agora o plano vem de outro veterano da máfia que contrata a dupla, acreditando que as pessoas suspeitarão de Trattman.

Brad Pitt surge como o interventor, o homem contratado para botar ordem na casa, de preferência sem ter que fazer, ele mesmo, o serviço sujo. Pitt está excelente na pele de Jackie Coogan, com seu jeito muito confiante de se portar. O elenco ainda conta com pelo menos mais dois nomes brilhantes: James Gandolfini e Richard Jenkis, que ajudam a valorizar a obra sem ter que fazer muito esforço.

Há cenas de violência gráfica, mas elas são vistas com certo distanciamento e até mesmo tentando criar uma espécie de poesia da violência, em especial numa sequência da morte de um dos personagens, vista em câmera (bem) lenta e com uma canção bela e suave ao fundo. Isso faz com que o espectador fique desconcertado quanto às intenções do diretor.

O neozelandês Andrew Dominik , com apenas três filmes no currículo, chegou àquela categoria de cineastas cujos trabalhos até se assiste com um pé atrás, como um Michael Haneke ou um Lars von Trier. No entanto, é um nome para se prestar atenção. Os festivais já o veem como um autor importante, vide a inclusão de seu filme na edição deste ano de Cannes.

sábado, dezembro 01, 2012

CORAÇÕES SUJOS



Finalmente chega a Fortaleza CORAÇÕES SUJOS (2011), de Vicente Amorim. Ainda que com poucas sessões disponíveis, oferece chance ao espectador local de poder conferir um trabalho tão bem produzido na telona, que é onde ele merece ser apreciado. Trata-se do retorno de Amorim ao Brasil, depois de filmar UM HOMEM BOM (2008), uma produção anglo-alemã com Viggo Mortensen, que teve boa recepção no exterior. E tudo começou por causa do sucesso do belo melodrama CAMINHO DAS NUVENS (2003), no Brasil e no mundo.

O que diferencia CAMINHO DAS NUVENS de CORAÇÕES SUJOS é justamente um certo distanciamento do diretor neste segundo, provavelmente por procurar não tomar partido, e em não conseguir emocionar talvez como poderia, com tanta beleza nas imagens e na trilha sonora. Assim, é um filme mais amargo e de causar indignação do que de causar lágrimas no espectador.

Porém, é um belo filme de um assunto pouco conhecido, cujo próprio autor do livro que inspirou a adaptação, Fernando Morais, foi responsável por desencavar dos porões os documentos que falavam sobre a seita nacionalista Shindo Renmei (ou Liga do Caminho dos Súditos), que aterrorizou a colônia japonesa no Brasil logo após o final da Segunda Guerra Mundial.

Esse grupo negava a derrota do Japão e a rendição do Imperador Hiroíto. Na época, os imigrantes japoneses no Brasil eram proibidos tanto de darem aulas de japonês, como de receberem jornais do país. Assim, havia essa organização que tinha como um dos objetivos matar os "corações sujos", ou seja, aquelas pessoas que duvidavam de que o Japão havia vencido a guerra. Eles eram tidos como traidores e logo eram assassinados a mando de um coronel reformado do exército japonês.

A sequência mais dolorosa é, sem dúvida, a da morte do amigo do protagonista, Takahashi (Tsuyoshi Ihara, de CARTAS DE IWO JIMA). Depois dessa, o espectador até pode ficar "escaldado" para as demais sequências dramáticas que virão. Gostei também, particularmente, da luta daqueles que não aceitavam serem mortos por não terem feito nada de errado.

O filme lida com sentimentos que para os brasileiros talvez possam ser estranhos, como o sentimento exacerbado de honra que os japoneses têm, bem como sua veneração pela bandeira e por seu país. Como, segundo um dos personagens, o Japão nunca perdera uma guerra, não seria dessa vez que isso aconteceria. O fato é que depois da guerra, o povo japonês enfrentou a derrota, sem precisar de ter que se matar. Perder também faz parte da vida. E é preciso aprender a perder.

CORAÇÕES SUJOS também lida com a situação das mulheres diante dos absurdos cometidos pelos homens, especialmente os envolvidos com a Shindo Renmei, nome que não é dito no filme, mas que pode ser visto tanto no livro quanto em resenhas e críticas sobre o filme. O sentimento de culpa é outro que atravessa essa soma de emoções que o filme proporciona: honra, culpa, amor, desespero, tristeza e mais uma série de outros sentimentos complexos que pode ter sido demais para um cineasta distante da cultura nipônica tão bem desenvolver. No entanto, o filme foi muito bem recebido pelos japoneses que o viram, bem como pelo próprio Fernando Morais, autor do livro.

Vale destacar também a performance de Takako Tokiwa, que faz o papel de Miyuki, a esposa de Takahashi, que pelo menos a princípio tenta conviver com o marido, que se torna um assassino confuso e com sentimento de culpa. Takako é bela, gentil, sensível e inteligente, um exemplo perfeito de uma companheira e isso faz a diferença nos rumos que o filme toma em seu desenvolvimento.

Dentro dos aspectos técnicos, o que mais chama a atenção é a bela música de Akihiko Matsumoto e a fotografia muito especial de Rodrigo Monte, com predominância de cores quentes e de às vezes mostrar imagens distorcidas que criam um quê de expressionismo. Esses dois elementos em especial contribuem para tornar a narrativa, além de interessante, bem prazerosa.

quinta-feira, novembro 29, 2012

MÃE E FILHA



Uma das coisas que mais impressiona em MÃE E FILHA (2011) é a luz. Seja no modo como ela entra nas portas e janelas das casas, seja quando vista durante a aurora. Não é uma luz estourada como em VIDAS SECAS ou CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS, mas uma luz suave, bela, propositalmente feita pelo cineasta Petrus Cariry para tornar os enquadramentos parecidos com pinturas. Segundo o diretor, Rembrandt foi uma referência forte no modo como ele construiu as imagens. Outro pintor que ele menciona é La Tour. Assim, logo se percebe que o diálogo deste segundo longa-metragem de Petrus Cariry se aproxima bem mais da pintura do que da literatura.

Inclusive, as palavras são muito poucas ao longo de sua metragem. Reinam os silêncios e os ruídos da natureza, seja o cantar dos pássaros, o barulho dos trovões ou o som produzido pelas personagens em atividade. E ainda que em certo momento quase sintamos o cheiro da manhã, MÃE E FILHA é um filme de opressões e angústias. Se, no início, o retorno da filha àquele universo parece ser prazeroso, aos poucos, o clima vai se tornando pesaroso e cada vez mais inquietante.

Na história, uma jovem (Juliana Carvalho) leva seu filho natimorto para receber as bênçãos de sua mãe (Zezita Matos), que habita em um casarão abandonado, numa cidade mais abandonada ainda. Trata-se da localidade de Cococi, no sertão dos Inhamuns, no interior do Ceará. A referida cidade-fantasma havia sido mostrada no curta-metragem DOS RESTOS E DAS SOLIDÕES (2006), também de Petrus Cariry.

Há, desde o início, uma relação conflituosa entre mãe e filha. A mãe quer que a filha tenha paciência a cada vez que ela lhe pede para enterrar o pequeno cadáver. Nota-se aos poucos que aquela senhora não quer se desligar do passado. Ela ainda acredita que o marido desaparecido voltará. E fica feliz com a chegada do neto, que embala nos braços como se o colocasse para dormir.

MÃE E FILHA também traz elementos fantásticos. Há a figura de quatro vaqueiros que aparecem de maneira misteriosa, como fantasmas esquecidos pelo tempo, mas ainda acolhidos pela velha mãe. Quem mais os acolheria naquele lugar totalmente abandonado? O próprio gado, quando mostrado em câmera lenta, parece também pertencer a uma outra dimensão.

O filme ganha ares majestosos, mesmo diante de tantos escombros, ao ouvirmos "The Funeral of Queen Mary", de Henry Purcell, arranjado pelo músico responsável pela trilha sonora, Hérlon Robson. Mas esse ar majestoso está relacionado sempre à morte e essa música dá ao filme algo que o torna diferente de outros trabalhos ambientados no sertão. Inclusive, o diretor rejeita essa divisão entre filme rural e filme urbano. No caso de MÃE E FILHA, esse suposto elemento diferencial deixa de ser de fato importante.

O que há de mais importante é o belo casamento entre a forma - a beleza dos enquadramentos, a ambientação das luzes e dos interiores, uma cidade-fantasma real como cenário - e o conteúdo - a angústia e a solidão que habitam o lugar e o interior daquelas personagens. MÃE E FILHA pode até não ser um filme fácil, mas é uma das mais belas realizações do cinema brasileiro dos últimos anos.

quarta-feira, novembro 28, 2012

O ESTRANHO CASO DE ANGÉLICA



Na última segunda-feira, exibi num evento literário SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOURA (2009), um filme curtinho do grande Manoel de Oliveira. Mas o público aparentemente não gostou. A maioria deve ter saído bem frustrada ou cansada. Mas, enfim, acredito que Manoel de Oliveira é um gosto adquirido, que quando mais se vê, mais se gosta. Eu mesmo estranhei alguns de seus filmes no início, mas depois deste e de UM FILME FALADO (2003), já comecei a pegar gosto e a me acostumar com seu anacronismo delicioso, seu jeito de narrar todo particular, sua vontade de compartilhar a história de seu país e do mundo conosco.

Em O ESTRANHO CASO DE ANGÉLICA (2010), novamente temos Ricardo Trêpa como protagonista. Desta vez no papel do fotógrafo Isaac, um homem que é convidado para fotografar uma jovem recém-falecida de nome Angélica (a espanhola Pilar López de Ayala). A moça morreu vestida de noiva e com um sorriso encantador e misterioso no rosto.

O caso se torna realmente estranho quando, ao procurar um lugar adequado para fotografar a moça em close, ela abre os olhos para ele e sorri. Desde esse momento, a vida de Isaac nunca mais é a mesma e sonhos recorrentes com Angélica fará com que ele fique enfeitiçado por ela. É Manoel de Oliveira novamente entrando no território do fantástico, algo que também pôde ser visto em outro trabalho recente do diretor, ESPELHO MÁGICO (2005).

O interessante do filme é que o personagem faz questão de dizer que gosta de coisas velhas: gosta de máquinas de fotografia analógicas, de fotografar homens usando enxadas para trabalhar, em vez de maquinaria pesada. E acaba por gostar do que está morto. No caso, uma morta. Uma bela e atraente morta, que o leva para passear e vira sua cabeça. Manoel de Oliveira, no alto de seus mais de cem anos, mostra que não tem medo da morte. Flerta com ela, inclusive. Num jogo mórbido poético, até. Aliás, já que eu falei de DAGON, de Stuart Gordon, no post passado, creio que o final dos dois filmes podem até dialogar, por mais diferentes que sejam.

P.S.: Saiu no blog do meu amigo Renato Doho meus comentários rápidos sobre os últimos cinco livros que eu li, para o levantamento bienal literário que ele faz. Confiram AQUI

domingo, novembro 25, 2012

DAGON (Dagon / H.P. Lovecraft's Dagon)























É realmente uma pena que o último filme para cinema de Stuart Gordon tenha sido EM ROTA DE COLISÃO, já no distante ano de 2007, e para a televisão o assustador média-metragem EATER (2008), para a série/antologia FEAR ITSELF. Mas não estou aqui para reclamar do descaso que dão aos mestres do cinema de horror que foram revelados por volta dos anos 1980, mas especialmente para falar do quanto gostei de DAGON (2001), um dos trabalhos mais subestimados do gênero. Como bom especialista e admirador da obra de H.P. Lovecraft que é, Gordon fez um dos filmes mais respeitosos ao trabalho do escritor.

Pelo menos essa foi a impressão que ficou, já que recentemente eu li a sensacional HQ de Alan Moore, Neonomicon, que saiu lá fora pela Avatar e aqui no Brasil pela Panini. Trata-se de uma obra imperdível tanto para quem é fã do talentoso roteirista, quanto para quem se interessa pela obra de Lovecraft e por temas como cultos a deuses monstruosos. Nesse sentido, até mesmo aquele símbolo parecido com um olho que aparece na HQ está também presente em DAGON, na igreja dedicada ao culto à divindade das águas Dagon.

O filme já começa bastante interessante, com o protagonista (Ezra Godden) pesquisando algo no mar até levar um susto ao presenciar uma bela mas sinistra moça, que aparece a ele com um estranho sorriso no rosto e tentáculos saindo pela boca. Aquilo é um pesadelo recorrente e ele está no barco com a namorada (Raquel Meroño) rumo a Espanha. Aliás, vale lembrar que DAGON é uma produção espanhola, e que conta com um dos últimos trabalhos de Francisco Rabal para o cinema. O ator trabalhou com mestres como Luis Buñuel, Michelangelo Antonioni e Jacques Rivette. Em DAGON, ele é o único humano não transformado, no pequeno povoado de Imboca.

O estilo dinâmico de direção de Gordon faz com que vejamos o filme com os braços agarrados na poltrona e sem desgrudar os olhos da tela até o final. Os homens transformados em monstros do vilarejo são uma atração à parte, bem como a figura da princesa Uxia Cambarro, vivida pela bela Macarena Gómez. No mais, a tensão de ter que fugir do local se mistura com o senso de humor todo particular de um cineasta que já fez uma obra sem igual como RE-ANIMATOR (1985). Porém, esse humor um tanto sutil serve talvez para tornar o filme menos pesado. Outro cineasta, por exemplo, mostraria o rosto de um homem sendo arrancado de maneira bem mais perturbadora. E quanto ao final... que final. Sinceramente não consigo entender porque Stuart Gordon não é costumeiramente citado como um dos maiores nomes do horror mundial.

sexta-feira, novembro 23, 2012

MENOS QUE NADA



Lembro-me de quando, doze anos atrás, eu vi TOLERÂNCIA (2000) nos cinemas. Na época, tanto o Carlão Reichenbach quanto o Carlos Gerbase tinham uma coluna semanal no portal Terra. Para a seção de cartas do Carlão eu escrevia com mais constância, mas cheguei a escrever também umas duas vezes para o Gerbase. E quando saiu o filme, eu me lembro de ter gostado, mas lembro também que era quase unanimidade a crítica classificá-lo como um filme ruim. Eu, naquela época, só com as cenas mais picantes com a Maitê Proença e a Maria Ribeiro já ficava satisfeito. Mas via também a boa condução narrativa.

Seis anos depois, quando estreou SAL DE PRATA (2005), foi a minha vez de descer a lenha em um trabalho do diretor. Acho que até me senti mal depois, mesmo tendo recebido o aval dos vários amigos que comentaram sobre o filme no blog. Tratava-se mesmo de um trabalho problemático, mas havia ali, apesar de tudo, algo que me agradava, embora o tempo não me deixe me dizer bem o quê.

Agora, com MENOS QUE NADA (2012), novamente um filme de Gerbase me agrada, mesmo eu percebendo alguns problemas. Mas os méritos ultrapassam os problemas. Só em conseguir nos manter atraídos até o final, com uma história sobre o passado de um homem que ficou louco e psicótico num hospital, só isso já merece consideração.

Na trama, Paula (Branca Messina) é uma estudante de psiquiatria que faz residência em um hospital psiquiátrico e que fica bastante interessada em determinado paciente, que ela vê como um tipo ideal para ser o seu objeto de pesquisa de seu trabalho científico. Este homem é Dante (Felipe Kannenberg), que passa os dias a escavar a terra, simular sexo com uma cadeira e se fingir de morto por vários minutos.

Aos poucos, Paula vai procurando pessoas que pudessem formar o passado daquele homem, a fim de que ela possa entender o que aconteceu para que ele ficasse naquele estado. E assim o filme adota uma estrutura de depoimentos diante da câmera e de flashbacks, que reconstituem o passado de Dante, cujo nome talvez não tenha sido escolhido em vão.

É aí que entram em cena personagens importantes, como sua namoradinha de infância que reapareceu em sua vida, Berenice (Maria Manoella), e a mais interessante, a especialista em arqueologia René, vivida por Rosanne Mullholand. Aliás, a Rosanne foi um dos principais motivos para que eu quisesse ver o filme. O que viesse a mais era lucro. E de fato saí no lucro, pois a história que envolve fósseis, marido ciumento e mulheres que confudem a cabeça de um homem frágil até que rendeu bem.

P.S.: Confira no Blog de Cinema do Diário do Nordeste os dez melhores filmes de 2012 segundo a Cahiers du Cinéma. AQUI

quinta-feira, novembro 22, 2012

QUATRO CURTAS



A vida anda corrida esses dias, mas vamos ver se com objetividade dá pra falar rapidamente sobre estes quatro curtas-metragens vistos nas últimas semanas (ou meses). São dois curtas brasileiros de diretores que admiro e outros dois que foram vistos por acaso, mas que não poderiam deixar de ser comentados por aqui.

LA MAISON ENSORCELÉE

Assisti este curta, disponível no youtube, no curso de cinema de horror ministrado pelo Carlos Primati. Aliás, deixo registrado que o curso é ótimo. A estrutura do lugar é que não foi muito boa para passar os filmes. Mas o mais importante foi o passeio pela história do cinema de horror e as discussões e os bate-papos entre os participantes. Este LA MAISON ENSORCELÉE (1908), de Segundo de Chomon, é um dos filmes mais antigos do gênero horror. Na verdade, serve mais como uma curiosidade, pois é mais uma obra que procura brincar com os recursos que o cinema dispunha. Vale a espiada.

MARVEL ONE-SHOT: ITEM 47

Este curta vem no Blu-Ray de OS VINGADORES – THE AVENGERS (2012) que o meu amigo Zezão comprou e me mostrou. MARVEL ONE-SHOT: ITEM 47 (2012) não é grande coisa, mas é divertido, embora eu tenha achado tudo rápido demais. Quem sabe se o diretor Louis D'Esposito desenvolvesse melhor a história, eu teria achado mais interessante. A trama envolve um casal que encontra uma arma alienígena e dois agentes da S.H.I.E.L.D que estão em seu encalço.

RECIFE FRIO

Foi sem dúvida um balde de água fria pra mim. Eu, como fã do trabalho de Kleber Mendonça Filho, e já tendo ouvido tantos elogios de RECIFE FRIO (2009), esperava algo tão impactante quanto um VINIL VERDE (2004) ou um NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO (2007), que continuam sendo meus curtas favoritos do diretor. Ainda assim, é um trabalho bem interessante e já se nota a queda de Kleber pelo gênero fantástico, que se pode ver também em seu excepcional longa, O SOM AO REDOR (2012). RECIFE FRIO utiliza um registro de falso documentário para mostrar uma mudança climática drástica em Recife, que torna a cidade de quente para intensamente fria e triste.

NINJAS

Disponível na internet, este curta de Dennison Ramalho segue a trajetória de horror e violência que permeia a sua obra, mas sem o mesmo impacto de AMOR SÓ DE MÃE (2003). Em NINJAS (2010, foto), Ramalho se utiliza da transgressão (ou agressão) à religião cristã como forma de incomodar. E dá para dizer que ele consegue. A própria cena que começa o filme, com um culto evangélico de uma igreja pentecostal, já é algo bem perturbador. Mas isso é só o começo. Quem não viu ainda e ousar assistir, o curta está disponível no Vimeo.

terça-feira, novembro 20, 2012

JORGE MAUTNER – O FILHO DO HOLOCAUSTO



É o filme que faltava eu comentar dentre todos os que eu assisti no Festival de Gramado. Demorei a escrever sobre ele porque não tenho intimidade com o trabalho do poeta, compositor e cantor Jorge Mautner para que eu pudesse fazer um texto digno do filme. Aliás, uma das coisas que eu mais lembro nesse festival foi de algo que eu vi na noite de encerramento: Mautner numa cadeira, sozinho, sem nenhum jornalista o entrevistando, talvez esperando que alguém se aproximasse, enquanto outros tantos diretores e artistas de menor importância estavam respondendo às perguntas dos jornalistas.

O fato é que me deu arrependimento de não ter ido lá falar com ele. Mas o que eu falaria? Não me achava suficientemente preparado para entrevistar um artista que conheço tão pouco. E o documentário musical que trata de sua vida e que conta com cenas dele cantando chegou a me dar sono. Acho que estava cansado demais no dia. E quando não se conhece o repertório, a parte musical não fica assim tão interessante. Eu, como conhecia "Vampiro", graças a Caetano Veloso, pude pelo menos saborear esta canção.

O filme fala de sua vida a partir de sua infância, quando seus pais fugiram do Holocausto e se mudaram para o Brasil. O seu interesse pelo candomblé veio por influência de uma babá com quem teve forte contato durante os primeiros anos. Inclusive, para mostrar sua visão miscigenada da religiosidade, ele saiu do palco, logo após apresentar o filme com um dos diretores, Heitor D’Allicourt, dizendo a frase: "Jesus de Nazaré e os tambores do candomblé!", frase que é repetida no filme. Ele também chegou a dedicar a exibição do filme ao músico Nelson Jacobina, que tocou com ele, aparece no filme (ele está na foto, acima) e que faleceu este ano.

JORGE MAUTNER – O FILHO DO HOLOCAUSTO (2012) ganhou surpreendentes três prêmios em Gramado: melhor roteiro, melhor fotografia e melhor montagem. Todo mundo ficou surpreso, principalmente pelo prêmio de melhor roteiro, que geralmente é dado para um filme de ficção. E tendo na competição obras tão boas quanto O SOM AO REDOR, O QUE SE MOVE e SUPER NADA, aí é que não entendemos o motivo do prêmio mesmo. Há quem diga que foi para agradar ao Pedro Bial, um dos diretores, não presente no festival. Mas acredito que não foi por isso, não.

segunda-feira, novembro 19, 2012

I’M A STRANGER HERE MYSELF



A imagem que fica neste documentário simples que flagra Nicholas Ray longe de Hollywood e tentando passar os seus conhecimentos para um grupo de jovens é a de um senhor velho, abatido e sem um pingo de vaidade. Descabelado, com seu tapa-olhos saindo do lugar, revelando o seu olho cego, Ray já havia sofrido demais na vida e pouco ligava para as aparências físicas. No entanto, ele mostrava um carinho bem forte por aqueles jovens. A cena que o mostra incentivando uma garota a ficar com raiva dele é bem interessante.

Falta a I’M A STRANGER HERE MYSELF (1975), porém, mais consistência, já que ora ele tenta falar da carreira de Ray, exibindo trechos de filmes, ora ele se concentra mais nos bastidores de WE CAN’T GO HOME AGAIN (1976), que recebeu um novo tratamento e foi lançado recentemente em DVD nos Estados Unidos. Inclusive, estou doido pra que alguém faça a gentileza de colocar na rede este filme (com legendas), já que não estou disposto a pagar imposto de importação.

De início, a impressão que fica é que o documentário vai seguir uma linha mais tradicional, já que começa mostrando uma sequência do primeiro filme do cineasta: AMARGA ESPERANÇA (1948). Ray fala do quanto é grato a Elia Kazan, que foi um dos responsáveis por sua entrada em Hollywood, a mesma Hollywood que também o maltratou. E falando em Kazan, ele também o cita, quando questionado sobre sua relação com James Dean em JUVENTUDE TRANSVIADA (1955). James Dean já havia trabalhado com Kazan e já conhecia o "método".

Entre os entrevistados, destaque para François Truffaut, que diz que tem certeza de que JOHNNY GUITAR (1954) é um filme mais importante para a sua vida do que para a vida do diretor. Outra convidada muito bem-vinda é Natalie Wood, que fala de quando foi levada para uma delegacia e, em vez de chamar seus pais, ligou para Ray. Segundo ela, isso foi fundamental para que ele a aceitasse para integrar o elenco de JUVENTUDE TRANSVIADA. No mais, I’M A STRANGER HERE MYSELF cita outros filmes do diretor e acaba sendo um registro meio torto da obra e da vida do poeta da noite.

P.S.: Confiram matéria sobre a vitória do filme AVANTI POPOLO, estrelado por Carlos Reichenbach, em uma mostra especial no Festival de Roma. Há também lista dos premiados do festival. Confira AQUI.

domingo, novembro 18, 2012

A TEMPESTADE (The Tempest)



A peça A Tempestade, de William Shakespeare, é considerada a sua última. E ela guarda umas características bem peculiares, não se enquadrando bem nem na comédia nem na tragédia. É um objeto estranho na obra do dramaturgo inglês. Para o cinema e principalmente para a televisão, a peça foi adaptada inúmeras vezes, sendo as versões mais conhecidas as de Derek Jarman (A TEMPESTADE, 1979), Paul Mazursky (TEMPESTADE, 1982) e Peter Greenaway (A ÚLTIMA TEMPESTADE, 1991).

Esta versão de A TEMPESTADE (2010) é bem próxima do texto shakespeariano, mas tem a vantagem que o cinema proporciona, que são os efeitos especiais, que ajudam na apreciação da obra. Julie Taymor, a diretora, é mais conhecida por títulos que ganharam maior repercussão no cinema: FRIDA (2002) e ACROSS THE UNIVERSE (2007). Sua versão da peça de Shakespeare, creio eu, não chegou a ser lançada nos cinemas.

Confesso que achei o filme maçante. Parei diversas vezes para retomar depois. Aí voltava para a peça, lia, parava e me cansava. Enfim, foi aos poucos que eu terminei de ver o filme e de ler o pequeno livro. Uma das coisas que chamam a atenção nesta versão é o fato de o personagem de Prospero ser interpretado por uma mulher, Helen Mirren. No caso, seu nome é Prospera.

Os efeitos especiais se devem principalmente ao contato de Prospera com seu elfo Ariel, que possui diversos poderes, mas que deve à sua dona por ela tê-lo libertado da maldição de estar preso em uma árvore. Prospera diz a ele que um dia o libertará, mas que por enquanto ela precisa de seus favores.

Vivendo num ilha semideserta com a jovem Miranda (Felicity Jones, de LOUCAMENTE APAIXONADOS), sua filha, e um escravo deformado, Calibã (Djimon Hounsou, de DIAMANTE DE SANGUE), chamado várias vezes de monstro ao longo do filme, Prospera prepara sua vingança àqueles que tiraram sua coroa anos atrás.

No fim, parece uma morna história de vingança, por mais que possa ter significados enigmáticos nas entrelinhas. Mas o curioso é o personagem Calibã, que não é muito diferente de tantas pessoas que foram subjugadas pelos colonizadores e que agora precisam da língua de seus dominadores para conquistar sua liberdade. Pelo menos foi essa a visão que foi destacada no grupo de estudos culturais do qual participo.

O filme ainda tem no elenco vários nomes de prestígio, como David Strathairn, Chris Cooper, Alfred Molina, Ben Wishaw e Russell Brand. Se bem que este último não é lá tão prestigiado assim.

sábado, novembro 17, 2012

SELVAGENS (Savages)



A primeira impressão que tive logo no início de SELVAGENS (2012) foi que o filme é uma espécie de OS BONS COMPANHEIROS do Oliver Stone. Só que sem o mesmo talento e inspiração que Martin Scorsese teve em seu clássico de 1990. A semelhança se dá principalmente à voz off de O, a personagem de Blake Lively, que dá uma de Brás Cubas e diz que só porque está contando a história não quer dizer que esteja viva. Então, desde o início já sabemos que sua vida corre perigo.

O, abreviatura que ela usa para Ophelia, vive com seus dois namorados, de personalidades distintas: Taylor Kitch é Chon, um sujeito bem mais esquentado e pronto pra briga, pois já lutou no exército; já o outro, Ben, vivido por Aaron Johnson, é mais "paz e amor" e costuma usar o dinheiro que eles ganham com o negócio da maconha para fins humanitários, passando dias às vezes em lugares distantes. Aliás, outro elemento que o filme de Stone remete a OS BONS COMPANHEIROS é o negócio das drogas. Aqui, no caso, a maconha, uma droga que está até perto de ser legalizada, mas nem por isso deixa de gerar violência entre traficantes.

E é porque não aceitam se filiar ao cartel de Elena (Salma Hayek) que a dupla de traficantes do bem sofre ao ver sua adorada O sendo sequestrada por seus inimigos mexicanos. Para a soltura de O, Elena e seu braço direito, vivido por um violento e sádico Benicio Del Toro, exigem uma quantia em dinheiro bem aviltante. Mas as coisas não são tão simples assim.

Afinal, a personagem de Elena tem os seus tons de cinza no quesito maldade, e temos ainda a figura do policial federal corrupto, vivido por John Travolta. Uma série de reviravoltas na trama e a necessidade de os mocinhos terem que sujar as mãos e a consciência no difícil jogo de nervos e sangue de seus inimigos faz com que o filme ganhe em tensão. Há, também muita violência gráfica, especialmente numa sequência em que um sujeito é torturado a chicotadas.

Mas o que SELVAGENS lembra mesmo é da fase noventista de Oliver Stone, graças à paleta de cores quentes. Os dois filmes que mais vêm à mente são ASSASSINOS POR NATUREZA (1994) e REVIRAVOLTA (1997), dois trabalhos que também se excedem nas cores quentes, especialmente no vermelho. Aliás, lembrar desses dois filmes é também lembrar o quanto Stone foi popular no passado e hoje está em declínio, com poucas pessoas realmente interessadas em seus novos trabalhos.

Outra coisa que chama a atenção, especialmente do público masculino, é o fato de o filme evitar a nudez de Blake Lively nas cenas de sexo com os seus dois namorados. E isso foi imposição da atriz. Em entrevista para o site Acess Hollywood, Salma Hayek disse, se referindo à plateia masculina e aos atores do filme: "Vocês querem ver bundas? Mostrem as suas". As coisas não estão fáceis pra ninguém mesmo, hein?