
Fazia tempo que eu não via tantas pessoas saírem no meio de um filme como na sessão do último sábado de TODO MUNDO TEM PROBLEMAS SEXUAIS (2008). O filme de Domingos de Oliveira, exibido em festivais em 2008, ficou de molho todo esse tempo e só foi lançado no circuito comercial este ano. Quanto ao fato de tanta gente ter desistido do filme no meio da sessão, acredito que é por ter sua exibição em cinema de shopping e em horários normais e não em uma "sessão de arte" ou em cinemas alternativos, em que o público está mais preparado para ver algo minimamente diferente do feijão com arroz exibido no circuitão.
E olha que TODO MUNDO TEM PROBLEMAS SEXUAIS é um filme bem divertido. É curto, dividido em cinco episódios e ainda conta com o talento de um ator popular e que se dá muito bem em comédias como Pedro Cardoso. Aliás, o único episódio em que ele não aparece é justamente o mais fraco. O filme deve muito a ele. O que talvez tenha incomodado à audiência é o principal diferencial: o fato de o diretor ter optado por intercalar cenas feitas exclusivamente para o filme com cenas exibidas no teatro, quando a obra ainda era uma peça teatral de sucesso - um recurso bem interessante, aliás, e que torna o filme maior do que ele seria se fosse apenas uma adaptação convencional da peça.
Nos episódios, há situações bem engraçadas, como a do sujeito que sofre de impotência e esconde da amante o fato de ter tomado Viagra para dar uma surra de cacete na mulher. O problema é quando ela descobre. Outro episódio divertido é aquele que mais usa palavrões, mas nada muito grave. Pedro Cardoso é um atendente de farmácia doido para pegar a sua colega de trabalho, que é aquele tipo de mulher que adora deixar os homens excitados, mas que não "dá". O episódio final, do rapaz com tendências homossexuais, também com Pedro Cardoso, causa muitas gargalhadas. Ah, e o filme ainda conta com a participação sempre bem vinda da sempre linda Cláudia Abreu.
A intenção de Domingos de Oliveira de fazer esse diálogo com o teatro, ele mesmo fazendo questão de explicar pessoalmente sua opção no início do filme, é perfeitamente compreensível. A obra tem muito mais chances de agradar no teatro do que no cinema, mas fico feliz que ela tenha sido transportada para as telas, tornanda-se de mais fácil acesso a um público maior. Afinal, uma peça de teatro, por melhor que seja, não viaja o país inteiro.
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