
Enquanto os amigos paulistanos podem se dar ao luxo de ver vários filmes de Vincente Minnelli no cinema numa mostra dedicada ao autor, eu vou fazendo a minha parte aqui, tendo o prazer de rever – dessa vez, com olhos mais generosos e mais abertos – esta maravilha que é A RODA DA FORTUNA (1953). A vontade de rever o filme veio com o documentário SANTIAGO, de João Moreira Salles, quando o momento mais belo é mostrado. Era a cena favorita do mordomo da família do documentarista e não dá para dizer que ele tinha mau gosto, já que se trata de um dos momentos mais mágicos e belos da história do cinema.
A cena em questão é a de "Dancing in the dark", em que Fred Astaire e Cyd Charisse dançam de maneira sublime. Ela, vindo do balé e estreando no cinema; ele, já famoso em Hollywood por dançar com leveza. O resultado é tão belo que é impossível descrever em palavras. É preciso ver para sentir a grandeza da música de Howard Dietz e Arthur Schwartz. Não há letra; apenas a música orquestrada e os corpos que se movimentam com uma tal graciosidade que é como se eles não estivessem no plano físico. E, no entanto, há uma sensualidade nos gestos de Charisse que a aproxima do terreno. Afinal, não tem como não se encantar com suas pernas - as mais belas da história do cinema - e sua elegância. Uma sequência que definitivamente já vale o filme inteiro.
Todavia, A RODA DA FORTUNA ainda conta com outros momentos musicais brilhantes, como Fred Astaire cantando "By myself" no início, seguido do ambicioso número "Shine Your Shoes", que mostra o quão longe quis ir Minnelli para tornar a sua obra grandiosa. Em entrevista contida no documentário HOMENS QUE FIZERAM O CINEMA, presente nos extras, ele afirma que gostava de tratar os musicais como filmes dramáticos. Talvez por isso eles tenham ficado tão bons.
No outro documentário presente no dvd, o que trata especificamente de A RODA DA FORTUNA, é muito bom ver Cyd Charisse ainda bela, apesar da idade. Mesmo assim, não duvido que ela tenha muitas saudades de seu auge e de sua juventude. O documentário só aumenta o entusiasmo do espectador em relação ao filme e principalmente a "Dancing in the dark", descrita por Charisse como a sua música favorita de todos os tempos e também o número musical favorito. Mas o documentário também não deixa de lado a beleza de coreografia e uso de cores e sensualidade que é a sequência do "Girl hunt ballet", no qual Charisse aparece como uma mulher fatal, de vestido vermelho e tudo. Entre outros números memoráveis, claro.
E eu acabei escrevendo apenas sobre os números musicais e não falando nada do enredo. Mas a história é o de menos, ainda que seja bem bonita.
Entre os extras, o dvd duplo da Warner ainda conta com o curta-metragem JACK BUCHANAN COM O GLEE QUARTET (1930), sobre um sujeito que não ensaiou para uma apresentação com um quarteto e que foi visto por mim com gargalhadas. Quem quiser conferir e rir também, ele está disponível no youtube.
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