domingo, janeiro 30, 2005

HITCHCOCK E INGRID BERGMAN



Ingrid Bergman foi uma das estrelas mais importantes de Hollywood. Hoje ela é mais lembrada pelo seu papel em CASABLANCA (1942), mas também é conhecida por ser uma das principais musas de Alfred Hitchcock, que a dirigiu em três filmes: QUANDO FALA O CORAÇÃO (1945), INTERLÚDIO (1946) e SOB O SIGNO DE CAPRICÓRNIO (1949). Em 1949, ela foi para a Itália filmar STROMBOLI, de Roberto Rossellini, por quem se apaixonou. Ela largou o marido e a filha nos EUA pra ficar com o diretor italiano e recebeu uma publicidade escandalosa. Teve três filhos com Rossellini, entre eles, as gêmeas Isotta e Isabella Rosselini, que viraria estrela de um outro grande diretor nos anos 80. Ingrid trabalhou com Rossellini de 1951 a 1955 e se divorciou dele em 1957. Hitchcock jamais a perdoou por tê-lo trocado por Rossellini.

QUANDO FALA O CORAÇÃO foi visto num DVD de banca que, ao contrário do DVD de CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO (1940), está com a qualidade bem decente, valorizando a bela fotografia do filme. Já INTERLÚDIO, vi numa horrorosa cópia em VHS da Continental. Já tinha visto esses dois filmes há muito tempo, mas eles estavam quase perdidos na minha memória. Fez-se necessário revê-los.

QUANDO FALA O CORAÇÃO (Spellbound)

Ficou conhecido por ser o primeiro filme a falar de psicoterapia freudiana. Também recebeu destaque por causa de uma cena de sonho do personagem de Gregory Peck, que foi idealizada pelo mestre surrealista Salvador Dali. É uma seqüência bem interessante e um dos pontos altos do filme. Na história, Ingrid Bergman é uma médica de um asilo de doentes mentais. O diretor do hospício se aposentou e aguarda-se a chegada do seu substituto, o Dr. Edwardes. O substituto (Gregory Peck) chega. Ingrid se apaixona por ele à primeira vista, mas descobre que ele não é de fato o Dr. Edwardes, mas alguém com amnésia, que suspeita ter matado o médico. Numa famosa cena no final do filme, o médico diretor do hospital aponta uma arma para Ingrid, e Hitchcock usa um recurso interessante: coloca uma mão e um revólver gigantes e uma imagem de Ingrid em retroprojeção. O filme envelheceu bastante, ficou cafona, a solução da trama é um pouco ridícula e é talvez o mais fraco filme de Hitchcock da década de 40. Mesmo assim, é essencial para os fãs do mestre do suspense.

INTERLÚDIO (Notorious)

A segunda parceria de Ingrid Bergman com Hitchcock foi bem melhor. INTERLÚDIO é um dos meus favoritos do diretor. Até porque o par romântico da atriz é um autêntico astro hitchcockiano: Cary Grant. A trama do filme se passa logo no fim da guerra, quando um espião nazista é condenado por um tribunal americano. Esse espião é o pai de Ingrid Bergman, que é convidada por um funcionário do governo (Grant) para uma missão secreta. Ela aceita e parte para o Rio de Janeiro, onde está escondido um outro espião nazista (Claude Rains), que era amigo de seu pai. Sua missão é se aproximar dele o máximo possível para descobrir algum segredo. Como é de se esperar nos filmes de Hitchcock, a moça se apaixona pelo funcionário do Governo. Mas a surpresa aparece quando Claude Rains pede a ela em casamento. Há duas seqüências inesquecíveis nesse filme: a cena da chave durante uma festa; e a seqüência final, em que Cary Grant sobe as escadas da casa de Rains para resgatar Ingrid, que estava sendo envenenada pela família nazista. Emocionante. Um detalhe interessante: na época, a publicidade do filme anunciava "o beijo mais longo da história do cinema". Os beijos nos filmes de Hitchcock são quase sempre especiais. O meu preferido continua sendo o beijo na porta do apartamento entre Grace Kelly e Cary Grant em LADRÃO DE CASACA (1955).

Infelizmente SOB O SIGNO DE CAPRICÓRNIO, o último filme que Ingrid fez com Hitch, aparentemente não está disponível em vídeo no Brasil. Esperemos, então, uma cópia em DVD decente para esse grande filme num futuro próximo. Lembro de tê-lo visto numa madrugada na Globo e o achei espetacular.

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