segunda-feira, junho 25, 2012

BELEZA ADORMECIDA (Sleeping Beauty)























Muito interessante este filme australiano da estreante Julia Leigh e que conta com os talentos físicos e artísticos de Emily Browning, que passa parte do filme nua. BELEZA ADORMECIDA (2011) é desses filmes hipnóticos e intrigantes, cujo andamento narrativo lento está longe de ser um convite ao sono. Ao contrário: cada momento do filme é interessante. Muita coisa da trama não é contada e fica para o espectador entender nas entrelinhas, nas elipses, naquilo que é apenas sugerido, como o amigo da protagonista, as constantes idas da moça a um médico para fazer um exame desconfortável e a maneira displicente como ela trata o trabalho e as coisas do cotidiano.

A personagem de Browning tem algo de irresponsável com relação à própria vida, sujeitando-se a conseguir dinheiro inicialmente em atividades múltiplas para pagar a faculdade e o aluguel, depois aceitando prestar um serviço para um grupo de velhos pervertidos, que durante um jantar sofisticado, querem ser servidos por garçonetes nuas ou seminuas. Em seguida, o mesmo grupo de senhores idosos oferece outro serviço: uma vez aceitando a oferta, a protagonista teria que ficar completamente sedada e nua numa cama e o velho que estaria com ela poderia fazer o que quisesse, mas sem penetrá-la ou machucá-la.

A moça foi corajosa em aceitar o papel e apesar de muitos considerarem o filme doentio ou algo do tipo, não deixa de ser muito interessante pelo horror que também pode causar. Não um horror convencional; não se trata de um filme de horror; mas um horror que lida com a perda, com a impotência, dos dois pontos de vista. O fato de não compreendermos as motivações da personagem contribui ainda mais para torná-la interessante e imprevisível. Pelo que andei lendo nas poucas críticas que li, o filme não foi bem recebido. Não entendi bem o motivo. Pra mim, filmes estranhos assim são raros e muito bem-vindos.