terça-feira, fevereiro 13, 2007

O DONO DA BOLA



Já faz mais de um ano que escrevi esse texto para o Cineprojeto 365, site que acabou não vingando por culpa dos próprios membros - eu incluso - que não se esforçaram o suficiente para levar adiante o projeto. Tratava-se de um projeto um tanto quanto complicado de manter, devido principalmente à necessidade de atualizações diárias. Como hoje estou cheio de trabalho, resolvi postar esse texto, com pouquíssimas alterações - sem nem mesmo a "caixa alta" para os títulos dos filmes, que costumo utilizar como padrão aqui no blog.

O DONO DA BOLA

Título(s) Alternativo(s):
Título Nacional: O Dono da Bola
Direção: J.B.Tanko
Elenco: Ronald Golias, Grande Otelo, Norma Blum, Vera Regina, Costinha,
Carlos Imperial
Ano: 1961
País: Brasil
Duração: 85 min
Sinopse: Carlos Bronco decide concorrer ao prêmio de TV "O Dono da bola" para salvar sua amada de uma ação de despejo.

Comentário:
Assistir hoje em dia O Dono da Bola pode não ter a mesma graça do que na época em que o filme foi exibido. A não ser, é claro, pelo caráter saudosista da coisa. As comédias de J.B.Tanko têm uma inocência que o cinema brasileiro hoje em dia já não encontra mais. A não ser nos filmes do Renato Aragão, mas esses também já perderam a graça. Falando em Renato Aragão, Tanko chegou a dirigir alguns dos melhores filmes de seu bando nos anos 70 e 80: Robin Hood, o Trapalhão da Floresta (1974), O Trapalhão na Ilha do Tesouro(1975), O Trapalhão no Planalto dos Macacos (1976), Simbad, o Marujo Trapalhão (1976), O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977), Os Saltimbancos Trapalhões (1981), Os Vagabundos Trapalhões (1982), Os Trapalhões na Serra Pelada (1982) e Os Fantasmas Trapalhões (1987).

Há, inclusive, um pouco do espírito moleque de Renato Aragão no personagem de Ronald Golias em O Dono da Bola. Pena que as piadas não funcionam mais. Algumas chegam a ser até constrangedoras, como aquela em que Golias tem que subir com um jipe numa escadaria e, no meio do caminho, decide subir com um jipe de brinquedo e a pé. Um tipo de piada que deve ter funcionado com a criançada da época.

Apesar desse humor meio infantil, o filme ganha um ar cult para as gerações que hoje tem perto dos 30 anos de idade e que só tem lembrança de Golias através dos programas televisivos de humor, como A Praça É Nossa. Um outro comediante famoso que aparece de maneira discreta no filme é o Costinha, o típico humorista que se valia de sua feiúra para fazer sucesso. Quem não se lembra de suas caretas e piadas na Escolinha do Professor Raimundo?

Mas quem brilha mesmo em O Dono da Bola é Golias, que acabou utilizando o personagem do filme (Carlos Bronco) em programas de televisão de sucesso como A Família Trapo, exibido na Tv Record a partir de 1967, e depois em Superbronco, na Rede Globo, em 1979. Quando morreu, em setembro de 2005, ainda era o maior humorista do programa A Praça É Nossa e um dos maiores do Brasil. Em O Dono da Bola, um dos destaques do tipo que ele cria é o andar desengonçado, com a parte superior do corpo bem adiantada à parte inferior, como se tivesse pressa de chegar a algum lugar.

O diretor, o croata J.B.Tanko, era um apaixonado pelo cinema. Conta-se que em sua primeira ida ao cinema, ficou hipnotizado pelas imagens, assistiu a várias sessões e teve de ser retirado da sala pelo gerente. Como ele tinha adquirido muita experiência com cinema na Europa, quando mudou-se para o Brasil, contribuiu bastante com sua experiência para a profissionalização da indústria cinematográfica nacional, tendo trabalhado na Cinelândia, na Atlântida e na Herbert Richers. Foi um dos principais diretores de celebridades da comédia popular como Ankito, Grande Otelo, Zé Trindade, Costinha e o já citado Golias.

Grande Otelo, aliás, já aparece em O Dono da Bola com jeitão de estrela. Ele interpreta a si mesmo e já surge como uma celebridade, no momento em que Bronco precisa conseguir um artista bem conhecido para o programa que dá nome ao filme. O programa é uma espécie de gincana onde os participantes concorrem a uma bolada em dinheiro e tem que efetuar as tarefas que a direção do programa lhes impõe. A seqüência mais divertida é quando a gincana pede para que os participantes procurem um cachorro desaparecido.

O interesse amoroso de Bronco é Eva (Norma Blum), uma jovem que corre perigo de perder a casa, caso não consiga uma certa quantia. No começo, ela se apaixona pelo amigo de Bronco, um sujeito metido a galã e que traça todas as meninas que chegam por lá. É um tipo de situação que remete bastante aos filmes do Renato Aragão, onde ele ora perde para o galã do filme, ora consegue o seu objeto de desejo.

Tem uma cena de O Dono da Bola que fez eu me lembrar de quando eu era criança. Naquela época, poucas pessoas tinham televisão no bairro e algumas crianças costumavam se aproximar da janela da frente da minha casa só pra ficar vendo o que a gente estava assistindo. Era uma situação meio constrangedora, pois às vezes eu tinha vontade de desligar a tevê ou de mudar de canal. No filme, o Bronco assiste tv através da janela do vizinho, e do lado de fora. Bom saber que certas coisas mudaram pra melhor.

P.S.: Como não consegui encontrar nenhuma foto do filme em questão, nem do cartaz, acabei ilustrando o post com essa foto do Golias com o Carlos Alberto de Nóbrega. É o velho problema da falta de fotos de filmes brasileiros antigos na internet.

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