segunda-feira, setembro 22, 2003

DOM



A exemplo do que aconteceu com A LIGA EXTRAORDINÁRIA, fui ver DOM apenas por curiosidade, nada esperando além de um filme que maltrata a obra-prima de Machado de Assis. No entanto, o filme não é bem uma adaptação da obra literária. Apenas repete nos dias de hoje o jogo de suspeita e ciúme do livro "Dom Casmurro". No filme, Marcos Palmeira é Bento, que por causa de seu nome é desde a infância apelidado de Dom, por causa do livro de Machado. Ele namorou na infância uma garota chamada Ana, que ele chamava de Capitu, por causa de seus olhos (de ressaca?). No filme, o melhor amigo de Dom é Miguel (Bruno Garcia) e não Escobar. Um dia ele reencontra Ana (Maria Fernanda Cândido), se apaixona perdidamente e casa com a moça. Acontece que a sombra do amigo e o ciúme doentinho de Bento acabam por transformar sua vida num inferno.

Dizem que o filme CAPITU (1968), de Paulo César Saraceni, mostra a personagem como uma traidora. Já no filme de Moacyr Góes, a Capitu (Ana) é inocente e vítima do comportamento e sentimento doentios do marido. Ambos os filmes, então, seguem caminhos diferentes do livro, que deixa a dúvida até hoje e que é tema de diversos trabalhos de pesquisa em universidades. DOM é mais um filme sobre ciúme. Não tão bom quanto CIÚME - O INFERNO DO AMOR POSSESSIVO (1994), de Claude Chabrol, que pra mim é o filme definitivo sobre o tema. Mas ele trabalha bem esse sentimento plutoniano.

O melhor do filme está no começo, mostrando o início da paixão avassaladora dos dois personagens. Maria Fernanda Cândido é excelente na tela. O mesmo não pode-se dizer de Marcos Palmeira, que fica ofuscado pelo brilho de Maria Fernanda. Diria até que Bruno Garcia está melhor do que ele. E que negócio é esse de mostrar a bunda do Marcos Palmeira e não mostrar a da musa? Isso parece que tá virando moda, né?? Heheeh

O final do filme deixa a desejar, mas acredito que a sua primeira metade tornam o filme de Góes digno de ser prestigiado. Principalmente por mostrar a intimidade do casal de maneira bonita. A parte engraçado do filme ficou por conta da cena da sala de espera da maternidade, com o Bruno Garcia mais nervoso que o pai da criança. O foda é que com essa história de DNA que o filme inventou, todo mundo lembra logo do programa do Ratinho.

sexta-feira, setembro 19, 2003

SWEET MOVIE



"A nossa pátria é o mundo inteiro
Nossa lei é a liberdade
E com um pensamento
Faremos nossa revolução"


Esses são versos de uma das canções do filme que eu vi ontem. Talvez o problema do filme pra mim foi eu não ter conseguido absorver direito a idéia principal, a intenção do diretor. SWEET MOVIE (1974), de Dusan Makavey, é desses filmes que atraem a nossa atenção pelas cenas ousadas. Algumas delas me pareceram gratuitas e sem graça. Outras, achei bem excitante. O começo do filme é genial com um apresentador de um programa de tv, apresentando um concurso de Miss Universo. A vencedora do concurso irá casar com um milionário, que tem dinheiro até pra comprar as Cataratas do Niágara. O interessante da situação, meio surreal, é que as candidatas ao concurso devem tirar suas calcinhas para que seja comprovado que elas são virgens. Muito engraçado quando apareceu a Miss Congo, nua e vestida apenas com pencas de bananas. Hehehehe.. O especialista pede pra ela tirar a calcinha e ela diz: as bananas, você quer dizer. Hehehe.

Bom, uma das moças é escolhida. E ela é uma das protagonistas do filme. Ela ainda vai passar por situações bem interessantes como viajar nua dentro de uma mala, masturbar um negão, transar em local público. Aliás, essa cena é uma das melhores do filme, quando eles ficam feito cachorros, sem conseguir desgrudar e são socorridos pela emergência. Hehehe. Outras situações como a cena do banquete e do povo vomitando e mijando na mesa não vi tanta graça. E nem acho que essas cenas cheguem a chocar. Por outro lado, é até bonita a cena em que a protagonista tira o pênis das calças de um cara e fica o acariciando com o rosto.

Talvez pra se entender de fato o filme tenha que se entrar no espirito dos anos 70, quando ser subversivo, ler Karl Marx e se libertar através do sexo eram quase regra na juventude intelectual. O filme também cita Marx, fala de revolução, até se utiliza de canções pegajosas para ganhar adeptos para a bandeira vermelha comunista. Hoje em dia, com a queda da União Soviética, do muro de Berlim e até da esquerda brasileira, as coisas são bem diferentes. Até a Ioguslávia do diretor se fragmentou. O filme é visto hoje com um certo distanciamento. Com certeza, se visto nos anos 70, ele seria bem mais interessante e significativo. Pena que na época ele foi proibido pelo regime militar e só deixou de ser inédito no Brasil quando estreou em São Paulo nos anos 90.

Ah, o título do filme se justifica em duas cenas: um casal transando num "piscina" de açúcar e uma moça nua banhada em chocholate, fazendo uma performance para uma câmera.

quinta-feira, setembro 18, 2003

A LIGA EXTRAORDINÁRIA (The League of Extraordinary Gentlemen)



Eu sabia. Me avisaram que o filme era uma bomba. Mas eu fui assim mesmo, movido pela curiosidade mórbida de ver uma história em quadrinhos de um dos seus autores preferidos ser transformada num filme horroroso. "As Aventuras da Liga Extraordinária", escrita pelo genial Alan Moore e desenhada por Kevin O´Neill é uma HQ bem diferente. Pega personagens clássicos da literatura inglesa do século XIX como o Homem-Invisível, Alan Quatermain, Capitão Nemo, O Médico e o Monstro e Mina Harker de Drácula, e coloca tudo no mesmo pacote. O resultado nos quadrinhos ficou bem legal. Destaque para o Homem-Invisível sendo encontrado estuprando freiras, que achavam que estavam sendo possuídas pelo Espírito Santo, e para Alan Quatermain velho, acabado e viciado em ópio.

No filme, quase tudo vai pro ralo. E ainda colocaram mais dois personagens: Dorian Gray e Tom Sayer. Dorian, o personagem que nunca envelhece do livro do Oscar Wilde, pelo menos é inglês, mas colocar Tom Sawyer só pra agradar os americanos é forçar a barra mesmo. E Dorian Gray indestrutível é de lascar. Sem falar que as boiolices do personagem, sempre presente no livro, passam longe do filme.

Mas há mais problemas no filme. Podia falar dos "defeitos especiais" do Mr. Hyde, dos diálogos bestas, do Capitão Nemo que mais se parece com uma mistura de Enéias com Bin Laden lutando kung fu, dos morceguinhos de Mina Harker, da falta de noção de geografia que o filme sofre e de mais uma porrada de coisas. Mas é claro que deixando de lado tudo isso aí, pode-se até agüentar o filme. Heeheheh. Talvez uma pessoa que não tenha lido a obra de Moore até goste. Não sei.

Algumas coisas eu gostei: da Londres chuvosa do início do filme. Muito legal aquilo. O monstro que luta com o Mr. Hyde ficou legal, assustador e tal. A atriz que faz a Mina Harker é até interessante. E as cenas que mostram os heróis separados lutando contra os vilões até que ficou boa. A cena do carro nas ruas de Paris com os prédios caindo, se vista fora do contexto da história e sem querer nenhuma verossimilhança, até que são de qualidade.

Olha aí. Ainda consegui enumerar qualidades no filme. Hehehhe

Mas não dá pra agüentar a frase final de Alan Quatermain (Sean Connery) para o garoto Tom Sawyer. (Quem ainda não viu o filme não leia.) Ele fala, enquanto está morrendo: "esse século (o XIX) foi meu. O próximo século será seu." Algo do tipo. Dando a entender que o século XX foi dos EUA, enaltecendo a grandeza do Império Americano. Como se os americanos ao mostrarem a riqueza dos personagens ingleses se sentissem humilhados e precisassem dizer: "o século XX foi nosso e não desses ingleses nojentos." Pfff... Pelo menos dá pra gente sair do cinema se perguntando: será que o século XXI vai continuar sendo dos americanos? Qual será o país do futuro?

quarta-feira, setembro 17, 2003

GHOST DOG (Ghost Dog - The Way of the Samurai)



Nesses dias de greve nas escolas do município, onde dou aula à noite, estou aproveitando pra ver filmes na telinha e vez ou outra levar alguma coisa de interessante na locadora aqui do centro. Nesses tempos de vacas esqueléticas, a gente que curte cinema tem que procurar caminhos alternativos e baratos pra ver filmes. Cinema está cada vez mais sendo diversão de burguês. Por falar em liseira, hoje recebi um e-mail engraçadíssimo de um amigo dos tempos do coral do IBEU, o Nilberto. Falando sobre falta de grana e tal, ele disse:

Rapaz, esse mal é epidêmico e se alastra longitudional, horizontal, transversal, sagital, aboral e fudidalmente. ahahaha. Mas infelizmente não mata! Isso é que é pior. Temos que sofrer deste mal como quem come mulher feia. Com resignação. ahahah. Rapaz a preguiça é sintoma da liseira. Liso fica logo com preguiça. naum tem perigo de querer sair e gastar. Os homens chamam e ele apela pra preguiça para negar. É mais chique. É Lundum. É depressão. É naum. É Liseira! hahahah

O legal é que apesar dos pesares, o senso de humor do brasileiro continua afiadíssimo. Tá certo que o Nilberto é o cara mais sarcástico e ácido que eu já conheci, mas ainda tem muita gente rindo da desgraça por aí. Hehehe

Pois bem, vamos ao filme:

Ontem levei pra casa o vhs de GHOST DOG (1999), do cineasta cult Jim Jarmursh, que está nas locadoras há uns dois anos. Depois de ver o filme na lista de melhores dos anos 90 de várias pessoas (e mais recentemente no blog do Filipe), resolvi tirar o atraso e ver essa obra do Jarmursh. O ruim foi que os primeiros 15 minutos da fita são de dar dor nos olhos. Mas depois a fita se acalma e a gente consegue ver o filme com calma. Aliás, "calma" é uma das palavras-chave do filme. A trilha sonora de RZA, o andamento lento do filme e a expressão zen do matador vivido por Forrest Whitaker deixam a gente leve feito uma pluma. GHOST DOG é hipnótico pra caramba. E cresce na minha memória afetiva quando me lembro de determinadas cenas.

Adorei ver aqueles pássaros voando ao som da música meio trip hop do RZA(fiquei com vontade de ter a trilha sonora). Adorei ver aqueles trechos do livro que ensinam a filosofia do Samurai escritos na tela e narrados pelo Whitaker, assim como as citações a diversos livros, entre eles "Rashomon", o livro que deu origem ao filme clássico do Kurosawa. As citações também incluem diversos desenhos animados clássicos como Pica-Pau, Simpsons, Gato Félix e Betty Boop. Os três chefões mafiosos lembram bastante personagens dos filmes de David Lynch. O clima todo do filme, aliás, lembra Lynch. Talvez por isso eu tenha gostado tanto.

Há quem vá dizer que o filme não tem uma história consistente, mas eu não tô nem aí. Há coisas mais importantes no filme do que o enredo. Bom saber que Jarmursh continua tão bom quanto nos tempos de ESTRANHOS NO PARAÍSO (1983) e DAUNBAILÓ (1986). Na internet (IMDB e Amazon), há vários comentários legais de pessoas que adoraram o filme, que dizem entusiasmadas que o viram dezenas de vezes. E com razão.

sábado, setembro 13, 2003

MEU TIO (Mon Oncle)



Se tem uma coisa que me enerva é sentir calor dentro do cinema. Hoje de manhã fui mais uma vez para o Shopping Benfica, pro segundo dia da mini-mostra Jacques Tati. Resultado: acabei não curtindo o filme por causa do calor. Isso já tinha acontecido antes com PIRATAS DO CARIBE. Desse jeito, fico sem saber o que teria sido se eu tivesse visto o filme no friozinho de uma sala refrigerada de verdade e no período da tarde ou da noite (pela manhã eu fico facilmente irritadiço). Mas como o meu objetivo aqui principalmente é narrar as minhas impressões e minhas experiências sobre o filme, aqui vai.

MEU TIO (1958), tido como a obra-prima de Tati e ganhador do Oscar de filme estrangeiro, é inferior a AS FÉRIAS DO SR. HULOT. As piadas são bem menos engraçadas e sua crítica à tecnologia se torna sem sentido nos dias de hoje, onde a internet se tornou uma das alegrias da humanidade. Charles Chaplin teve resultados muito melhores com o seu TEMPOS MODERNOS (1936), mas isso se deve porque Chaplin expôe o tema da desumanidade cometida aos operários das fábricas do início do século. Não é uma crítica da tecnologia em si.

MEU TIO, porém, comparando novamente com AS FÉRIAS..., é mais caprichado na fotografia, nos detalhes mostrados à distância, na exploração maior dos personagens - nesse filme, M. Hulot é o principal, mas a sua irmã e o marido também são protagonistas da história. A melhor cena do filme é quando os dois vão receber uma vizinha e a confundem com uma vendedora de tapetes.

Bom, de qualquer maneira, não pretendo ir ver PLAYTIME no próximo sábado, pois o filme é longo e eu não iria agüentar ficar num calor dos diabos de novo. Hoje quase que reclamo com a administradora das salas, mas acabei deixando pra lá. Defeito meu, admito.
A ÚLTIMA NOITE (The 25th Hour)



Existem filmes que transcendem o mero entretenimento, que tornam esse nosso vício pelo cinema em algo que realmente faz sentido; que fazem a gente sair do cinema satisfeitos e respirando fundo, olhando para as pessoas e para o que existe ao nosso redor de uma maneira diferente. A ÚLTIMA NOITE, mais recente longa de Spike Lee, é um desses filmes especiais. Desses que a gente lamenta não ser poeta para homenageá-lo. Mas eu faço um esforço em pelo menos deixar claro a minha paixão pelo filme sempre que ele provoca uma dessas experiências que a gente não sabe bem como explicar.

Spike Lee pode ter cometido o seu melhor filme. Arrisco dizer que sim. Até então, o bombástico FAÇA A COISA CERTA (1989) ainda era o grande filme desse nova-iorquino que faz a diferença no cinema americano. Com A ÚLTIMA NOITE ele chegou num nível de excelência na direção que dá gosto. É claro que ele conta com um dos melhores atores da atualidade, Edward Norton, além de dois ótimos coadjuvantes, Barry Pepper e Philip Seymour Hoffman. A música orquestrada do filme está perfeita, mas o filme também conta com música eletrônica de primeira, nas cenas que se passam dentro da boate.

No filme, Norton é um traficante de drogas que quer se livrar do negócio, mas é dedurado e condenado a sete anos de prisão. Ele tem, então, apenas uma noite de liberdade. Convida os amigos e a namorada para celebrarem esse último momento. Isso, num momento em que as torres gêmeas tinham acabado de cair.

O final é foda: fecha o filme com chave de ouro, traz momentos de reflexão, faz uma metáfora com os EUA. Sério candidato a melhor filme do ano.

quinta-feira, setembro 11, 2003

COLUMBUS, SHERIDAN E HAWKS



Pra não deixar acumular muitos filmes para eu comentar, vou falar um pouco sobre os últimos que vi na telinha. Vamos lá, então.

O HOMEM BICENTENÁRIO (Bicentennial Man)

Eu peguei esse dvd emprestado do Santiago. Não vi o filme no cinema. Acho que, na época (1999), fiquei meio cismado por causa da direção do Chris Columbus. Por incrível que pareça, o filme é bem legal. Desses que quando a gente começa a assistir nem vê o tempo passar. Aliás, "tempo" é uma das palavras-chave do filme. Robin Williams é o robô Andrew, comprado por uma família americana do ano de 2005 para cuidar dos afazeres da casa e entreter as duas meninas. No início, ele não é bem recebido pelo mulher e filhas de Sam Neill, o homem da casa; mas depois, ele passa a ser amado por todos. O que distingue o robô Andrew dos outros robôs fabricados é a capacidade de "gostar", de ter uma personalidade, de se aproximar da complexidade de um ser humano. O filme lembra um pouco A.I. - INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (2001), do Spielberg, só que inferior. Curiosamente Robin Williams fez a voz do Dr. Know no filme de Spielberg. Nesse filme, Columbus fez o seu melhor trabalho, melhor até do que o divertido ESQUECERAM DE MIM (1990). Emocionante a tentativa do robô de se tornar mais e mais humano, tanto exteriormente como interiormente e a passagem do tempo, com Andrew vendo morrer as pessoas que ele gosta. Uma adaptação bem sucedida da obra de Isaac Asimov, ainda que muita gente vá achar lacrimoso ou "padrão Disney". No DVD, de extra, vem apenas um mini-documentário com o "making of" de menos de 5 minutos e uns traillers.

O LUTADOR (The Boxer)

Depois dos sucessos MEU PÉ ESQUERDO (1989) e EM NOME DO PAI (1993), o diretor Jim Sheridan e seu ator preferido, Daniel Day-Lewis, se deram mal nesse terceiro filme juntos. O LUTADOR (1997) é um filme chato, monótono, não vai a lugar nenhum. Ainda por cima desperdiça o talento de dois gigantes da interpretação: Day-Lewis e Emily Watson. Aliás, vou aproveitar aqui pra dizer que eu gosto demais dessa menina. Sua interpretação é arrebatadora em ONDAS DO DESTINO (1996) e em HILARY E JACKY (1998), dois dos meus filmes favoritos dos anos 90. Além de tudo, gosto da beleza dela. Em O LUTADOR ela é a antiga namorada de Day-Lewis, que depois de amargar vários anos na cadeia, volta para a comunidade onde morava. O filme trata das discussões e brigas ridículas entre católicos e protestantes na Irlanda, do problema com a polícia repressora, do IRA, da opressão da cidade de Belfast. Pena que é tudo muito frio e sem emoção. Gravado da TNT.

A TERRA DOS FARAÓS (Land of the Pharaohs)

Ainda que não fosse dirigido pelo Howard Hawks, um dos melhores diretores de Hollywood, A TERRA DOS FARAÓS (1955), com sua história sobre a construção da grande pirâmide Quéops no Egito, já teria motivo suficiente para despertar o interesse do público. Muitas pessoas hoje nem acreditam que seres humanos foram capazes de construir tal obra. Há até teorias que dizem que as pirâmides foram construídas por extra-terrestres, tal a perfeição delas. No filme, há uma trama envolvendo o Faraó e uma de suas escravas, além dos escravos capturados durante batalhas que o faraó promove para conseguir mais e mais ouro e jóias. A construção da pirâmide é idealizada por um desses escravos, que é arquiteto. Muito interessante. Além do mais é Hawks na direção, né? O cara sabe fazer de tudo: filme de gângster (SCARFACE), comédia musical (OS HOMENS PREFEREM AS LOIRAS), western (os filmes com "rio" no título, RIO VERMELHO, RIO BRAVO, RIO LOBO). Ótimo filme. Gravado da Globo.

terça-feira, setembro 09, 2003

FESTIVAL CHARLES BRONSON



De uns tempos pra cá, uma coisa que eu aprendi, pelo menos no que se refere a cinema , foi não ter preconceito com nenhum filme. Acho que o fato ter sido leitor assíduo da saudosa coluna do Reichenbach e de ter conhecido vários amigos cinéfilos muito bacanas em listas de discussão me ajudou a perder esse preconceito. Lembro que antes ficava cismado com vários filmes de ação, por exemplo. Hoje sou capaz de encarar qualquer tipo de filme. Até os filmes de ação mais vagabundos e picaretas. Se bem que não consegui ainda parar pra ver um filme sequer com o Chuck Norris ou o Steven Segal.

Mas Charles Bronson é diferente. Alguns dos filmes que ele participou, eu começava a ver e continuava assistindo até o final. Durante um tempão, DESEJO DE MATAR III era o meu guilty pleasure. Digo "era" porque de uns tempos pra cá, começaram a falar tão bem desse filme, que hoje chego a pensar que ele talvez seja realmente bom. Hehehe.

Bronson fez ótimos filmes, mas em alguns dos melhores, ele não é o protagonista, como os clássicos SETE HOMENS E UM DESTINO (1960), de John Sturges, e ERA UMA VEZ NO OESTE (1968), de Sergio Leone. Um papel bonito dos mais tardios é o do homem velho que, desamparado com a morte da esposa, tira a própria vida. Isso foi no filme UNIDOS PELO SANGUE (1991), de Sean Penn. O papel caiu com uma luva pra Bronson, que tinha perdido a esposa Jill Ireland, também atriz, para o câncer de mama.

Bronson morreu há alguns dias. No dia 30 de agosto, pra ser mais exato. De pneumonia. Mas ele já estava bem debilitado. Estava com o Mal de Alzeheimer. Nem se lembrava mais que tinha sido ator. Rubens Ewald Filho fez uma bonita homenagem a ele no site E-Pipoca. Vale ler.

A Rede Globo homenageou o homem, colocando quatro filmes estrelados por ele no Intercine. Os filmes dão uma boa mostra do que ele fez. Tem filme bom e filme ruim. Comento rapidamente cada um deles.

DESEJO DE MATAR (Death Wish)

Talvez DESEJO DE MATAR (1974) seja o filme mais famoso de Bronson. Eu nunca tinha assistido e gostei bastante. È claro que a história é bem simplista e muita gente acusa o filme de ser fascista e tal, mas é um filme que tem suas qualidades. A vantagem desse filme em relação às suas continuações é que o personagem Paul Kersey, o matador de bandidos, está começando ainda a sua carreira de caça-bandidos. Logo, no começo, ele sente tremedeiras, fica nervoso. Isso torna o personagem de Bronson bem mais humano, diferente do que ele iria se tornar nas outras quatro continuações: um matador frio. O diretor Michael Winner ainda dirigiu duas seqüências do filme. Uma curiosidade: Jeff Goldblum é um dos bandidos que matam a mulher de Bronson no começo do filme.

FUGA AUDACIOSA (Breakout)

Esse filme de 1975 traz Robert Duvall (bem novo e ainda com cabelos) como um homem que é preso injustamente. Sua esposa (Jill Ireland) contrata um homem (Bronson) para tirá-lo da prisão, no México. O filme é muito divertido, especialmente quando mostra as tentativas frustradas de Bronson de tirar o homem da prisão. Mas cá pra nós, que prisão fuleira é aquela que bastar entrar de helicóptero que você leva quem quiser?? hehehe O filme ainda traz no elenco o diretor John Huston, como um dos malvados da história.

DESEJO DE MATAR IV - OPERAÇÃO CRACKDOWN (Death Wish 4: The Crackdown)

DESEJO DE MATAR IV (1987) é o pior filme de Bronson que eu já vi. Horroroso. E dizem que DESEJO DE MATAR V é ainda pior. Uma vergonha. Nesse filme, o matador de bandidos Paul Kersey, vira um verdadeiro terrorista (do bem ?), jogando bombas para explodir vários bandidos de uma só vez. A direção não é mais de Michael Winner, mas de J. Lee Thompson, parceiro de Bronson em vários outros filmes. De qualquer maneira, vale pela cena das duas gangues se degladiando.

À QUEIMA-ROUPA (Family of Cops)

FAMILY OF COPS foi a última série de filmes que Bronson fez. Esse é o primeiro da trilogia, iniciada em 1995. Ainda houve duas continuações, em 1997 e 1999, mas parece que nessa última Bronson estava muito mal de saúde. O filme lembra um pouco séries policiais de tv que enfatizam também os relacionamentos em família. Eu achei o filme surpreendentemente bom. Bronson é o inspetor de polícia que tem dois filhos policiais, uma filha advogada e uma que é maluquinha rebelde. A filha rebelde acorda na cama de um milionário. Ele está morto com um tiro na cabeça. Bronson e a família tenta inocentar a filha e descobrir os verdadeiros assassinos. Em algumas seqüências, o filme chega a ser emocionante. Muito boa a carga dramática, o sentimento de união da família. Gostei do aspecto sereno de Bronson, que curiosamente no filme também era um viúvo. Bom filme de Ted Kotcheff, diretor do bom RAMBO: PROGRAMADO PARA MATAR (1982). Feito para tv.

segunda-feira, setembro 08, 2003

O HOMEM DO ANO



Em 1998, José Henrique Fonseca, Arthur Fontes e Cláudio Torres dirigiram em conjunto seu primeiro longa-metragem: TRAIÇÃO, filme em três episódios baseados na obra de Nelson Rodrigues. Eu gostei, mas muita gente torce o nariz para esse cinema luxuoso da Conspiração Filmes. (A Rede Globo depois exibiu os três episódios separadamente com outro título, como se fosse uma produção da emissora. Cara de pau...)

Agora é a vez dos três começarem as suas carreiras-solo. Arthur Fontes dirigiu SURF ADVENTURES - O FILME, documentário sobre surf com imagens bonitas (que eu não assisti.) Cláudio Torres acabou de terminar O REDENTOR, filme com grande elenco (Pedro Cardoso, Miguel Falabela, Fernanda Montenegro, Camila Pitanga, entre outros). E José Henrique Fonseca estréia com o seu O HOMEM DO ANO.

O elenco do filme de Fonseca, filho do grande escritor Rubem Fonseca, é um luxo: Murilo Benício, Cláudia Abreu, Jorge Dória, José Wilker, Agildo Ribeiro, Natália Lage, André Gonçalves, Paulinho Moska, Wagner Moura, Paulo César Pereio, Lázaro Ramos, Mariana Ximenes. Não me lembro de ter visto um filme nacional com um elenco tão cheio de atores famosos. O roteiro foi escrito pelo papai Fonseca, baseado na obra de Patrícia Melo. E tem mais: a trilha sonora é do Dado Villa-Lobos, que já tinha mostrado competência em BUFO & SPALANZANI, filme baseado em obra de Rubem Fonseca. A fotografia do filme em scope chama logo a atenção. Há um cuidado técnico todo especial. Tecnicamente, o filme é ótimo.

Mas como nem tudo é perfeito, o desenvolvimento do filme e a direção irregular comprometem um pouco o resultado final. De qualquer maneira, a história do zé ninguém Máiquel (Murilo Benício), que ganha respeito depois de matar um bandido do bairro, é boa pra caramba. Deu vontade de ler o livro da Patrícia Melo, pra saber o que tem de diferente do filme.

A primeira metade do filme é bem saborosa. Por falar em saborosa, Cláudia Abreu está linda como nunca. E o filme ainda tem a gracinha da Natália Lage e uma aparição sapeca de Mariana Ximenes, como a filha do dentista Jorge Dória. A "trindade satânica" formada por ele, José Wilker e Agildo Ribeiro é muito legal, hein!

Paulo César Pereio, um dos reis da pornochanchada nacional, aparece sempre falando os velhos dizeres de que mulher depois que casa vira um cão etc. Quando engorda, fica feia e chata; quando vai pra academia se cuidar, é porque tá botando chifres no sujeito.

A história lembra um pouco SCARFACE, de Hawks, e OS BONS COMPANHEIROS, do Scorsese. O problema é que José Henrique Fonseca não é nenhum desses grandes. Mas se você for ver o filme sem esperar muita coisa, vai curtir pra caramba. Muito legal essa fase atual do cinema nacional. E a tendência é melhorar.
AS FÉRIAS DO SR. HULOT (Les Vacances de M. Hulot)



Tenho vários assuntos pra falar aqui. Então vou tentar contá-los na ordem em que aconteceram. Começarei com o filme de Jacques Tati que assisti no sábado de manhã no Shopping Benfica. Pra começar, fiquei bastante supreso quando vi a sala de cinema lotada pra ver um filme de um diretor pouco popular, em plena Fortaleza ensolarada e quente, onde normalmente as pessoas vão à praia no sábado de manhã. Ver uma sala lotada pra ver filme francês dos anos 50, e em preto e branco, é realmente de se ficar feliz. E dá pra ficar ainda mais feliz sabendo que as pessoas estavam realmente curtindo o filme. Muita gente rindo e até gargalhando das presepadas do Sr. Hulot. (Tudo bem que muita gente era da aluno da Aliança Francesa ou da Cultura Francesa, mas vamos dar um desconto. ) Eu só fui começar a rir a valer depois de meia-hora de filme. É só questão de se adaptar ao humor de Jacques Tati.

Acho que tinha visto um filme de Tati em vídeo. Não lembro se foi ESCOLA DE CARTEIROS (1947) ou AS AVENTURAS DE M. HULOT NO TRÁFEGO LOUCO (1971). Mas o ruim de ver filme dele na telinha é que a gente perde os detalhes. Ou vê tudo muito pequeno. O filme tem que ser visto na telona pra ver os detalhes ao fundo e todo o trabalho minucioso que o homem fazia. E ele era um mestre dos detalhes e um perfeccionista do nível de um Kubrick. Um de seus últimos filmes, PLAYTIME (1967), levou nove anos para ser finalizado, por exemplo.

AS FÉRIAS DO SR. HULOT (1953) é uma delícia de comédia que resgata o melhor da comédia muda de Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd. O filme não é propriamente mudo, mas é como se fosse. Tati trabalha com pouquíssimos diálogos, com situações cômicas tendendo mais para o humor físico e um ótimo uso do som e da sonoplastia. A música insistente do filme dá um ar bem relax durante todo o filme. Mas o melhor mesmo são as piadas visuais. Tem a cena do "tubarão", do jogo de tênis (essa eu gargalhei mesmo.hehehhehe), a do sorveteiro, da pintura da canoa, do jogo de cartas. Excelente.

Se tudo der certo, no próximo sábado verei MEU TIO (1958), considerado por muitos a obra-prima de Tati.

sexta-feira, setembro 05, 2003

A MALDIÇÃO DE FRANKENTEIN (The Curse of Frankenstein)



Ontem eu vi numa cópia feita pelo Fab Rib (essa fita rendeu...hehehe) A MALDIÇÃO DE FRANKENSTEIN (1957), produção da Hammer, que na época resgatava os monstros clássicos filmados pela Universal nos anos 30 (Drácula, a múmia, Frankenstein) e os atualizava para as novas platéias.

Como não cheguei a ver o FRANKENSTEIN de 1931, minha comparação é com o desastroso filme dirigido pelo Keneth Branagh em 1994. Perto do filme do Branagh, essa versão da Hammer, dirigida pelo Terence Fisher, dá de dez. Consegue até ser um pouco mais verossímil, coisa que é bastante difícil nessa história da Mary Shelley, que está mais para uma fábula sobre a tentativa desastrosa do homem de tentar ser igual a Deus do que realmente um filme de ficção científica. Como a história da Torre de Babel da Bíblia, por exemplo.

Mas no cinema, e em especial nessa produção, essa moral da história fica em segundo plano. O que vale são as cenas, as imagens, as interpretações e a capacidade de entreter ou emocionar a platéia. A MALDIÇÃO DE FRANKENSTEIN cumpre bem esse papel. Mas com um diretor como Fisher e a dupla de celebridades Peter Cushing e Christopher Lee não poderia ser diferente. Interessante que assim como em DRÁCULA: O PRÍNCIPE DAS TREVAS (1965), Christopher Lee não emite uma palavra sequer no papel da criatura. Ainda assim ele é bem expressivo.

Não lembro no filme de Branagh se o Dr. Frankenstein chegava a matar para conseguir partes do corpo para compor a criatura. Por isso, nesse filme, essa parte chegou a me surpreender.

Ainda assim, o melhor filme de Frankenstein que eu assisti continua sendo disparado FRANKENSTEIN: O MONSTRO DAS TREVAS (1990), de Roger Corman, que não é uma adaptação do livro da Mary Shelley, e envolve uma viagem no tempo e traz a própria Mary Shelley, interpretada por Bridget Fonda, participando da história. Esse filme do Corman é muito foda. E o cara tinha passado mais de vinte anos sem dirigir nada.

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Na mesma fita que tinha o FRANKENSTEIN estavam gravados curtas do Eduardo Aguilar e do André Kapel. Acho difícil comentar curtas, mas vou tentar:

OS ÚLTIMOS DIAS DO PAPAI NOEL

Divertido filme que parece ter sido inspirado diretamente na música dos Garotos Podres. Ótima a seleção das músicas. Inclusive tem faixa do Euthanasia do Heráclito também. Muito boa a inclusão da música nas cenas. Dá um gás e um ritmo no trabalho que só vendo. O vídeo mostra o lado fã de terror do Aguilar, diferente das suas incursões mais pessoais e introspectivas anteriores (PUTA SOLIDÃO e DIAS CINZENTOS). Ótima edição. Sem falar que a tal música do Papai Noel é bem contestadora e manda à merda o "bom velhinho", que só dá presente pros ricos. Hehehehe

ATO 13

Vídeo do André Kapel de apenas dois minutos e que introduz um livro misterioso que vai ser importante para o próximo curta dele.

NOTURNO

Continuação de ATO 13. Caramba!! Fiquei realmente surpreso com a qualidade do filme. Tanto no que se refere à atmosfera quanto com relação aos efeitos e à qualidade da produção. A Samantha, a atriz do filme, é muito boa, hein. Seria o Kapel o Shyamalan brasileiro?? (Nem sei se ele vai gostar dessa comparação. hehehe)

HOTEL

Esse curta infelizmente tava no finzinho da fita e não pude ver como termina. Achei o clima, o visual, os efeitos, tudo muito legal. Mas tem uma coisa bem Lucio Fulci: trama confusa. O que tem dentro daqueles vidrinhos? O que acontece com as pessoas? Viram zumbis? Por que aquele cara usa uma máscara? Não achei tão bom quanto NOTURNO, mas é coisa fina também. Se bem que se eu tivesse visto o final talvez entendesse tudo.

Parabéns para o Aguilar e para o Kapel!!! O futuro do nosso cinema está em boas mãos.

quarta-feira, setembro 03, 2003

A MARCA DA PANTERA (Cat People)



Assisti dia desses A MARCA DA PANTERA (1982), do Paul Schrader. Já tinha visto quando criança na Globo, mas não me lembrava mais de nada. Mas acredito que a versão que passou na tv não mostrou a nudez frontal de Nastassja Kinski (dessa vez eu não erro mais o nome da moça). Também não lembro se passou sem cortes a cena da pantera (ou é puma? Ou leopardo?) arrancando o braço de um sujeito. Que cena forte, hein!?!

Bom, dizem que o CAT PEOPLE original (SANGUE DE PANTERA,1942) é bem melhor. É um dos preferidos do Scorsese e tal. Mas quando é que alguma distribuidora vai lançar isso aqui?? Alguma boato sobre o lançamento em DVD no Brasil?

O filme do Schrader é bem bonito. Tem imagens belíssimas, um vermelho que remete a SUSPIRIA, do Argento. Se eu não me engano, o filme seguinte dele, MISHIMA (1985), também tem vermelhos fortes e outras cores como numa pintura. Por falar em MISHIMA, vendo os extras do DVD soube que depois que Schrader filmou A MARCA DA PANTERA, um monte de coisas deu errado na vida dele. Ele até se separou da mulher (parece que por ter se envolvido com a Nastassja) e foi parar no Japão pra pensar sobre a vida. Foi lá que ele teve a idéia de fazer MISHIMA. E quando ele voltou para os EUA, nunca mais trabalhou para grandes estúdios, com muito dinheiro. Só em esquema independente. Ele mesmo encara isso como se fosse uma maldição do filme. Mas o interessante disso tudo é que recentemente ele foi despedido da filmagem de EXORCISTA IV, uma seqüência de um dos filmes de terror mais malditos que existem. Ele deve estar bem cismado com tudo isso.

Aparentemente o filme é uma variação dos filmes de lobisomens, só que com panteras. Mas a sexualidade é mais forte em CAT PEOPLE do que nos filmes sobre lobos. A cena da transformação é boa, mas perde para os efeitos de O LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES, para comparar com um filme da mesma década.

O dvd da Universal está como todo dvd deveria estar: com montes de extras. Há duas entrevistas com o diretor. Uma de 1982, quando ele tinha acabado de fazer o filme e outra de 2000. Os documentários são do mesmo cara que fez os especiais para os dvds do Hitchcock e para A NOITE AMERICANA, do Truffaut. Quer dizer, sinônimo de coisa fina. Há ainda mini-documentário com o técnico de efeitos especiais e entrevista com Robert Wise, diretor de THE CURSE OF CAT PEOPLE (1944), continuação do CAT PEOPLE original. Gostei das fotos mostradas ao som da música tema de David Bowie. Há também comentário em áudio do Schrader (única coisa que eu não vi). Tudo legendado em português. A Universal parece que tem feito os melhores dvds do mercado.

segunda-feira, setembro 01, 2003

PECKINPAH, O. RUSSEL E ALMODÓVAR



Uma boa pedida pra quem quer ver filmes pagando barato é locar na King Vídeo (ah se eles me pagassem por essa propaganda). Lá o acervo não é tão bom quanto o da Distrivideo, mas o preço é bem melhor. Vhs, 1 pila; Dvd, 2 pilas. Levei três fitas e um dvd por apenas 5 pilas. Aluguei três filmes que eu deveria ter visto há tempos. O comentário sobre o dvd de A MARCA DA PANTERA fica pra próxima vez. Seguem os comentários das hoje desprezadas fitinhas em vhs.

CRUZ DE FERRO (Cross of Iron)

Sam Peckinpah, o mestre da violência, comanda esse ótimo filme de guerra narrado do ponto de vista dos alemães. Diretor dos festejados MEU ÓDIO SERÁ TUA HERANÇA (1969), A MORTE NÃO MANDA RECADO (1970), SOB O DOMÍNIO DO MEDO (1971) e TRAGA-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA (1974), entre outros, Peckinpah é influência até hoje para os novos nomes do cinema de ação. Acho que o maior discípulo dele hoje é John Woo, que usa nos seus filmes a câmera lenta nas seqüências de tiros, assim como o sangue sendo cuspido na tela.

CRUZ DE FERRO (1977) traz James Coburn como o Sargento Steiner, um homem que abomina os chamados caçadores da cruz de ferro. A cruz de ferro é um brasão (é esse o nome?) que é o símbolo da bravura dos oficiais enviados para a guerra. Como se fosse uma medalha de honra ao mérito. Maximilliam Schell, como o Capitão Stransky, é um desses caçadores, que sobrevive graças à sua covardia, ao enviar apenas os seus subordinados para o combate. Ainda assim, é canalha o suficiente pra querer a tal cruz de ferro. Mas pra isso ele enfrenta a determinação de Steiner. A história acontece em 1941, com a Alemanha prestes a desistir da guerra, e perdendo as batalhas para os russos. Como um dos personagens dizem em certo momento do filme: o império alemão já não luta para vencer, mas para sobreviver. Era essa a situação dramática do momento. Em outra seqüência, Steiner se pergunta se um dia os outros países vão perdoar o que os alemães fizeram.

O filme tem muitas seqüências de lutas, excelentes diálogos, ótimo elenco e a direção poderosa de Peckinpah. Há um belo discurso anti-bélico, ao mesmo tempo em que é mostrada a obsessão dos homens pela guerra. A mulher de Steiner, em rápida aparição no filme, pergunta pra ele se o seu desejo de voltar para a guerra é por medo de descobrir o que ele é de verdade sem ela (a guerra). Até lembrei de uma entrevista de Susan Sontag sobre a vontade (ou necessidade?) do homem de fazer guerra, numa recente edição da revista Veja.

Filmão esse do Peckinpah.

A MÃO DO DESEJO (Spanking the Monkey)

Filme de 1994 de David O. Russell, diretor do ótimo TRÊS REIS (1999). E só não vou dizer que é melhor porque os filmes são de gêneros distintos. Ainda não sei se há autoralidade na obra de Russell, se há pontos em comum entre os dois filmes. A MÃO DO DESEJO é um filme que fala sobre a opressão da família sobre um rapaz. È um filme ousado. Trata do tema do incesto de maneira original. Não tenta utilizar do tema para colocar cenas de sexo como AMOR, ESTRANHO AMOR, do Khouri (filme que, aliás, eu gosto pra caramba). Russel mostra mais o inferno que é viver na pele do personagem de Jeremy Davies, que não consegue nem se masturbar em casa, porque o cachorro que ele tem de tomar conta não deixa. Resultado: ele acaba comendo a própria mãe. Hehehhe. Pior é que a mãe dele é mesmo bonita. Jeremy Davies já tinha feito um papel parecido em INDO ATÉ O FIM (1997), de Mark Pellington. Ele tem mesmo uma cara de gente perturbada. Ótimo filme.

A FLOR DO MEU SEGREDO (La Flor de Mi Secreto)

Em 1995, Pedro Almodóvar iniciou a sua fase mais brilhante: a fase atual. Depois de A FLOR DO MEU SEGREDO(1995), o cara cometeu as três obras-primas de sua carreira: CARNE TRÊMULA(1997), TUDO SOBRE MINHA MÃE(1999) e FALE COM ELA(2002). Este último é o meu favorito dele. E um dos melhores filmes que eu já vi na vida.

A FLOR DO MEU SEGREDO se não tem o brilhantismo dos três filmes antecipa várias coisas. Há até uma cena de ballet que lembra na hora o comecinho de FALE COM ELA. Almodóvar começou a fazer menos comédias e ser mais "sério" com esse filme. A partir desse filme ele se tornou um mestre em melodramas sofisticados.

No filme, Marisa Paredes é uma escritora de livros sentimentais que sofre com o abandono e o desprezo do marido. Chega a incomodar o amor excessivo que ela tem pelo cara, que não lhe dá a mínima. Mas por mais que em certos momentos eu deseje que ela mande ele ir pra puta que o pariu, não dá pra ficar indiferente à cena em que ela vai pro bar e na televisão pássa uma mulher cantando uma dessas canções latinas meio cafonas sobre abandono e dor de cotovelo. E ela chora pra caramba. Por falar em canções, o filme termina com a voz de Caetano Veloso. Taí mais um ponto em comum deste filme com FALE COM ELA. Filme indispensável pra quem curte os filmes do maior diretor espanhol da atualidade.
PIRATAS DO CARIBE (Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl)



Esse acabou sendo o único filme que vi no cinema no fim de semana. No sábado fui para a Praia de Iracema com o Santiago, a Aleksandra e a Arisia. Só mesmo pra dar uma volta e tomar uns chopes. Teve até uma sessão de fotos da câmera digital chique dele. Hehehe.

O filme que eu mais tava a fim de ver era mesmo QUEM SABE, do Jacques Rivette, mas o filme é um pouco longo e a sessão é tarde pra mim, que não tenho carro. Quem sabe....eu vejo se colocarem em outro horário na próxima semana...

PIRATAS DO CARIBE é um filme legal, mas não me conquistou. Talvez eu estivesse meio incomodado com o calor que batia na sala de cinema, que tava lotada. Acho que em algumas salas de cinema o povo conserva o hábito de desligar o ar condicionado no meio da projeção. Herança da fase "apagão". Não deviam fazer isso quando a sala estiver cheia.

Vamos às coisas boas do filme: Johnny Depp é sempre original. O personagem dele, o capitão Jack Sparrow, é muito legal. Principalmente pelo fato de ele não tentar ser agradável. Ele é propositalmente desagradável com aquela voz de bêbado o tempo todo, mas ainda assim recebe a simpatia do público. Diferente de Orlando Bloom, que faz um papel mais certinho e fica apagado diante de Depp e da musa do filme: Keira Knightley (ô nomezinho ruim de escrever), que é uma gracinha. Onde foi encontraram ela, hein? Ela tem um rosto que lembra Winona Rider. Vendo no IMDB vi que ela estava no elenco de O BURACO, mas meio que passou desapercebida por mim.Também estava num papel pequeno em STAR WARS: EPISÓDIO I.

Os efeitos especiais são bons e o filme é movimentado. Mas confesso que eu fico meio aborrecido com tanto clichê de filme de ação, aquela música empurrando as cenas de ação etc.. Prefiro filmes menos redondos, mais tortos, mas que ofereçam uma experiência diferente.

Quanto a Gore Verbinski, provou-se que ele não é autor. Apenas um bom diretor que teve a sorte de dirigir um filmão como O CHAMADO.

quinta-feira, agosto 28, 2003

LISBELA E O PRISIONEIRO



Ontem fui para uma sessão do novo filme do Guel Arraes. Sabem o que eu mais gostei? Foi ver a sala de cinema quase lotada pra ver um filme brasileiro. Foi bom ouvir o pessoal gargalhar das situações engraçadas do filme. Tá certo que tem a máquina da Rede Globo por trás e o filme é comercial e tal. Mas o legal é que ele é uma filme de diversão popular. E no meu caso, ele foi visto num cinema popular. É como se a platéia estivesse indo para um circo ver palhaços ou para uma peça cômica.

Não teria ido com boa vontade ver o novo filme se não fosse o Jorge Furtado no roteiro (junto com Arraes e Pedro Cardoso) e Los Hermanos na trilha sonora, ainda que no filme eu não tenha ouvido quase nada da faixa cantada por eles.

Talvez o principal problema do filme é estar à sombra de O AUTO DA COMPADECIDA, que já é um filme que eu nem gosto tanto assim. Guel Arraes repetiu um monte de coisa. Além de ter escalado Selton Mello e Marco Nanini, repetindo papéis bem parecidos com o de Chicó e do cangaceiro, algumas situações são idênticas, como a cena em que Selton Mello, na cama com a mulher casada, se esconde do marido. O sotaque é o mesmo também.

Mas vamos ao lado positivo: Debora Falabella está bem bonita no papel, o filme é ágil... Mas a melhor coisa do filme é mesmo Tadeu Melo como o Cabo Citonho. Pra quem só conhece ele como um arremedo de Zacarias no programa do Didi, vai ter uma surpresa em vê-lo tão engraçado.

O humor é bem ingênuo, circense, e ao mesmo tempo com uma tendência a mostrar sensualidade. Pelo menos até o que se pode de um filme censura livre.

A piada sobre cornos é bem coisa de nordestino mesmo. Lembro de um cara que mora lá perto de casa e que só fala de corno, faz brincadeiras desse tipo. Alguns exemplos:

Corno 120: Vê a mulher fazendo um 69 e vai correndo pro bar tomar 51

Corno 7 de setembro: Aquele que a mulher só dá bandeira.

Corno Abelha: Vai pra rua, faz cera e chega em casa cheio de mel

Corno Amnésia: Esse sabe que é corno mais não se lembra

Corno Analfabeto: Esse leva os bilhetes da mulher para o Ricardão

Corno Arquivado: É o corno que conseguiu o divórcio

Corno Ateu: Aquele que leva chifre e não acredita

Mais dessas bobagens no site Brega Puro

quarta-feira, agosto 27, 2003

FESTIVAL TAKASHI MIIKE



Puta que pariu!! É o que mais a gente fala vendo alguns dos filmes desse doido de pedra chamado Takashi Miike. Principalmente o mais violento de todos os filmes que eu já vi: ICHI THE KILLER. Todos os filmes ainda estão inéditos no Brasil e parece que ICHI não saiu nos EUA por causa da violência extrema. Vou comentar três filmes do homem, vistos, mais uma vez, graças ao amigo Fab Rib. Já tinha visto um filme desse diretor: AUDITION (2000), que tenho em DVD importado.

ICHI THE KILLER (Koroshiya 1)

O que diriam de um filme que mostra um homem cortando a própria língua para pagar um débito com a máfia? Essa cena talvez seja a mais absurdamente doentia do filme, mas ainda tem muito mais. ICHI THE KILLER (2001) ainda tem uma cena de tortura envolvendo ganchos que penduram um homem pelo couro das costas e o desgraçado ainda recebe óleo quente de camarão frito (!!!); uma mulher tendo seus mamilos arrancados aos gritos; um homem tendo seu lado da bochecha arrancado com as mãos; um outro que mata as vítimas deixando seus corpos em pedaços e fica de pau duro quando vê sangue; um homem que arranca um braço do outro com as próprias mãos... Melhor parar por aqui. E o pior é que ainda sobra tempo pra história. E a história é um pouco intricada e deu até vontade de começar a ver de novo pra entender melhor. Mas tem que ter coragem pra ver de novo, porque, sinceramente, não acredito que exista filme mais violento que esse. Fico imaginando um filme desses passando no cinema. A quantidade de pessoas deixando a sala deve ser enorme. Dois personagens são muito interessantes: Ichi, um rapaz meio retardado que mata as pessoas violentamente depois de hipnotizado; e Kakihara, o sado-masoquista braço direito do chefe da gangue, que tem os lados da boca cortados e presos por piercings. Esse último personagem é realmente assustador. E depois falam da cena de tortura de CÃES DE ALUGUEL, do Tarantino... Eles não viram nada.

FUDOH - THE NEW GENERATION (Gokudô sengokushi: Fudô)

FUDOH (1996) é também bem violento, tem litros de sangue espirrando pela tela, mas como o tom do filme é comédia, a coisa fica bem mais leve. Esse é o tal filme que ficou famoso por ter uma garota que atira dardos pela boceta, e ainda esconde um segredinho que não vou contar aqui. Na história, um garoto da família Fudoh, vê seu pai matando o próprio filho e arrancar a cabeça para pagamento de dívidas com a máfia. Ele cresce e planeja se vingar daqueles responsáveis pela morte do irmão. O filme é totalmente irresponsável: mostra garotinhos de menos de dez anos atirando com armas (quem reclamou de CIDADE DE DEUS deve repudiar esse filme), jogando futebol com a cabeça de um homem como bola e participando da gangue de Fudoh. A tal garota que atira dardos é bem sexy. Só vendo, hein. No filme, Miike manda pro espaço a ética e mostra a família despedaçada. Mas o tema "família" vai aparecer mais forte em VISITOR Q (2001).

VISITOR Q (Bizika Q)

Esse curiosamente acabou sendo o filme mais agradável do Miike. Agradável de se ver, de se acompanhar. Apesar de ter cenas de pai transando com filha, filho espancando a mãe, pai transando com uma mulher morta, sadomasoquismo, mãe jorrando leite dos peitos a litros. (Isso me lembrou da bizarrice de AGUA QUENTE SOBRE PONTE VERMELHA, do Shohei Imammura, que mostra uma mulher que jorra litros d´água quando goza. Hehehe). Pois bem. Apesar de tudo isso, o filme é incrivelmente leve. Faz oposição direta ao peso e à violência explícita de ICHI THE KILLER. O tema de Miike dessa vez é a família, a base familiar. Há, por incrível que pareça, uma moral nessa comédia surrealista. Mas é uma moral distorcida, coisa da mente doentia de Miike mesmo. Hehehe.. Também gostei de ter visto o filme em divx, com imagem muito boa em fullscreen. Dá até pra assistir com uma certa distância do computador, como se fosse mesmo uma tv de 14 polegadas. As legendas grandes ajudaram. Um detalhe que incomoda é o fato do pudor que os japoneses tem em mostrar a genitália. Incomodam aquelas bolinhas nas cenas de nudez. Soube depois que isso acontece porque é proibido, é crime mostrar a genitália ou os pêlos pubianos nos filmes japoneses. Bela canção que toca no final. No IMDB há vários comentários elogiosos dos usuários.

segunda-feira, agosto 25, 2003

AMENÁBAR E MACKENDRICK



Salvaram o fim de semana (além dos filmes do Miike que comento depois) dois filmaços que vi em vídeo, gravados pelos chapas Fab Rib e Renato Doho. São dois filmes que quase nada têm em comum entre si, a não ser o fato de serem bons pra cacete.

MORTE AO VIVO (Tesis)

Eu já virei fã de Alejandro Amenábar logo nos primeiros minutos de OS OUTROS - na minha opinião, o melhor filme exibido em 2001. OS OUTROS é um filme de terror à moda antiga que assusta de verdade. TESIS (1996) é uma ótima estréia em longa do diretor. O filme mantém o interesse até o final, cheio de suspense. Tá certo que o tema ajuda, né? "Snuff movies" são sempre objeto de interesse pra quase todo mundo. A história: uma estudante de cinema prepara uma tese sobre a violência nos filmes. A coisa esquenta de verdade quando uma fita que mostra uma morte real de uma ex-estudante da faculdade vai parar em suas mãos. Os clichês são bem trabalhados e ora a gente acredita que fulano é culpado, ora outro. Ótimo suspense, excelente timing. Esse filme é melhor que o seguinte de Amenábar, o ABRE LOS OJOS (1997). Inclusive um dos atores do filme - Eduardo Noriega - está nos dois filmes. E considero um ponto positivo o filme não mostrar as cenas de tortura e morte que os personagens vêem na tela da tv. Já bastava eu ter visto ICHI THE KILLER um dia antes. Hehehe. Comparando com outro cineasta latino especialista no gênero fantástico - Guilhermo Del Toro - Amenábar é muito melhor.

EMBRIAGUEZ DO SUCESSO (Sweet Smell of Success)

Que filmão esse, hein! Certo dia estava folheando umas revistas de cinema antigas e numa delas tinha votações da crítica dos melhores filmes de todos os tempos. EMBRIAGUEZ DO SUCESSO (1957), de Alexander Mackendrick estava lá entre os cinqüenta, se eu não me engano. E talvez seja merecido. É um exemplo de contar uma história de uma maneira moderna. Não há um narrador contando desde o início a história pra você. È pegar o bonde andando, com muitos eventos já acontecendo e as coisas se explicando aos poucos. Aliás, ninguém explica nada. Você é que vai entendendo a trama aos pouquinhos. Isso é instigante, excitante. Os dois atores principais são dois filhos da puta, que gostam de dominar os outros em benefício próprio. Tony Curtis é o assessor de imprensa do poderoso colunista Burt Lancaster. E não vou dizer mais nada porque bom mesmo é ver o filme sem saber de nada, como eu vi. A fotografia do lendário James Wong Howe é de primeira. A música do filme é dez. Dá vontade da gente ir pra um desses clubes de jazz esfumaçados e encher a cara. Seria o caso de conhecer mais filmes de Mackendrick??

domingo, agosto 24, 2003

THE SMITHS - THE COMPLETE PICTURE


Nesses dias de tristeza, falta de grana e de amor, me sinto como se estivesse voltando no tempo há 10 anos, quando a vida não fazia muito sentido. Pelo menos, pra mim, que me achava um excluído pela sociedade por causa de meus próprios temores. Naquele tempo, comecei a cursar inglês e comecei a tirar o atraso em relação às bandas de rock de décadas passadas, que eu não pude conhecer durante os anos 80. Foi nessa época que eu conheci Beatles e conheci também Smiths, banda que foi muito importante pra mim por causa da identificação imediata que tive. As letras falavam de dificuldade de adaptação ao mundo, de timidez, de solidão. Aquilo ali era perfeito pra mim. Não era querer me lamuriar, me afundar mais ainda na minha tristeza. Era querer ficar feliz (ou relativamente feliz) em saber que alguém do outro lado do Atlântico também sente o que você sente. Era como se eu tivesse vendo um filme do Woody Allen, em certo sentido.

O que a Legião Urbana de Renato Russo fazia aqui no Brasil, os Smiths faziam na Inglaterra. Assim como Renato Russo dizia "quero ouvir uma canção de amor, que fale da minha situação" (Em "O mundo anda tão complicado"), Morrissey dizia "Hang the dj, because the music that they constantly play says nothing to me about my life" (em "Panic"). No fundo o que existia naquele momento era uma necessidade de extravazar suas angústias através de canções românticas no melhor estilo byroniano. Comento sobre isso por ocasião de uma fita gravada pelo amigo Ernando (já há algum tempo) do dvd THE COMPLETE PICTURE, contendo videoclipes da mais inspirada banda de Manchester. Os videos presentes no dvd/fita vêm com close captions em inglês pra gente acompanhar, cantando junto. Eis as faixas:

"This Charming Man" - Morrissey canta rodeado de flores por todo lado. (Até lembra o clipe da Legião para "Perfeição", só que menos mórbido.) A canção fala de falta de dinheiro e de sentir-se um marginal. Adoro o ritmo dela. Uma das mais dançantes da banda.

"What Difference Does it make" - A banda toca num lugar cheio de luzes, como uma discoteca dos anos 80. Morrissey de óculos e o famoso topete. A canção fala de preconceito, de sacrifícios que uma pessoa apaixonada faz e do amor que resiste apesar de tudo.

"Panic" - A imagem está puxada, fazendo um widescreen forçado. Gosto das cores do vídeo. Há a cor da guitarra que destoa da cor geral, coisa que o Oasis também fez num clipe. A mensagem da canção eu até já comentei lá em cima.

"Heaven Knows I´m Miserable Now" - Esse video está muito parecido como o de "What Difference...". A letra fala da tristeza que vem depois do porre, da fuga da realidade que não adiantou muito e temas do tipo. Não é das minhas favoritas.

"Ask" - talvez a melhor canção sobre timidez já feita. É um video que já tem um roteiro, um cuidado visual maior e não apenas a banda tocando. Um dos mais belos da coletânea. Dirigido pelo cineasta Derek Jarman.

"The Boy with the Thorn in His Side" - Morrissey cantando com a palavra "bad" escrita no pescoço. Bem mais efeminado do que o costume. Hehehe. De novo, é o mesmo visual de "What Difference.." e de "Heaven Knows...".

"How Soon Is Now? - a canção mais climática dos Smiths. Novamente, o tema é a timidez. A frase "I am human and I need to be loved" é clássica. Talvez o melhor dos videos da coletânea. Tem uma excelente edição, cores caprichadas, uma garota bonita, imagens das fábricas da Inglaterra naquele clima "foggy". Excelente.

"Shoplifers of the World Unite" - antes do Jane´s Addiction convidar as pessoas para roubar super-mercados, os Smiths já fizeram isso. Dá até pra lembrar da Winona Rider. Um hino politicamente incorreto. O clipe é só a banda tocando.

"Girlfriend in a Coma" - excelente canção pop e um dos melhores trabalhos de Johnny Marr. Foi escrita para o álbum "Strangeways, Here we Come", que destaca mais Marr do que Morrissey, tal a sofisticação musical do guitarrista na época. O clipe mostra Morrissey cantando e ao fundo uma fotografia em preto e branco de uma garota.

"Sheila Take a Bow" - outro clipe mostrando apenas a banda tocando. Dessa vez em tons azulados. Na canção, Morrissey dá conselhos pra uma garota pessimista.

"Stop me if you think you´ve heard this one before" - Outro vídeo caprichado. Morrissey mostra que é fã de Elvis Presley, passeia com a camiseta da capa de "The Queen is Dead" junto com a banda. Detalhe: todos no clipe usam óculos - tanto a banda quanto os meninos que aparecem. Belíssimo o finalzinho: "nothing´s changed/ I still love you/ Only slightly less than I used to/ My love".

"The Queen is Dead" - a faixa título do disco mais festejado da banda recebeu um vídeo dos bons. Mistura temas de natureza universal, como a solidão, com outros temas bem ingleses. Tanto que começa com uma canção tradicional inglesa.

"There is a light that never goes out" - uma das minhas canções favoritas. Costumava cantarolar constantemente na época da faculdade. O vídeo é bonito, em tom sépia. Adoro o ultra-romantismo da letra que fala do privilégio de morrer num acidente de carro com a pessoa amada.

"Panic" - outro vídeo dessa canção. Dessa vez não mostra a banda tocando. Há uma fotografia em preto e branco, câmera tremida, Londres pichada, fogo, um homem beijando uma caveira. Bem interessante. Derek Jarman na direção.

Tenho impressão que ainda tinha um curta-metragem dirigido por Derek Jarman, mas o cara não gravou. Mas não tenho do que reclamar. Agora o que eu queria mesmo era ver o dvd de videoclipes do Morrissey, que até agora só saiu lá fora, mas andei checando e está muito mais recheada. Chama-se Oye Estebán.

quarta-feira, agosto 20, 2003

WINTERBOTTON, PREMINGER, YIMOU E SCHRADER



Solução econômica para cinéfilo quebrado: ver os filmes gravados da tevê acumulados em fitas empilhadas no meu quarto. Comento brevemente quatro filmes vistos recentemente.

BEM VINDO A SARAJEVO (Welcome to Sarajevo)

Michael Winterbottom está no auge da popularidade: ganhou o Urso de Ouro em Berlim esse ano pelo seu filme IN THIS WORLD (já tem título nacional?), está em cartaz nos cinemas brasileiros pelo festejado A FESTA NUNCA TERMINA e está tendo seus filmes apresentados no Telecine. Eu, como não tenho o canal, não estou podendo conferir a filmografia do homem.

Mas tinha em casa gravado BEM VINDO A SARAJEVO (1997), um dos filmes mais famosos dele. A primeira impressão, vendo os primeiros minutos do filme, é que ele é um filme com muitos personagens, mas que não se aprofunda em nenhum. O filme demora a dizer a que veio e a centrar a história no drama do personagem Michael (Stephen Dillane) e na sua luta pra adotar uma garota de 9 anos, evitando assim que ela morra durante a guerra da Bósnia. Ele é um dos jornalistas responsáveis pela cobertura da guerra. Fiquei na dúvida se a menina que interpreta a Emira (Emira Nusevic) é mesmo a Emira verdadeira, já que o filme é baseado numa história real, conforme se fica sabendo no final.

Woody Harrelson e Marisa Tomei também estão no elenco, formado em sua maioria por pessoas da região (Bósnia, Sérvia, Croácia, Macedônia). Winterbottom também utiliza imagens documentais, até já conhecidas pra quem viu telejornal na época. Há, por exemplo, a imagem daqueles rapazes esqueléticos presos no campo de concetração feito pelo Milosevic. Há depoimentos dos presidentes americanos George Bush (o pai) e Bill Clinton. Bush é igual ao filho: "Não dá pra negociar com terrorista.", ele diz. Sei lá. Vai ver ele tem razão nesse ponto.

Gravado da Warner.

CARMEN JONES

Musical de 1954 de Otto Preminger, baseado na ópera CARMEN de Bizet. È uma versão americana da ópera, cantada em inglês, e com um elenco inteiramente de atores negros e transposta para os EUA da Segunda Guerra Mundial. Os protagonistas são Dorothy Dandrigde - uma espécie de Marilyn Monroe negra dos anos 50 - e Harry Belafonte.

O ruim foi ver o filme dublado e mutilado. Não que eu tenha gostado muito do filme (prefiro outros de Preminger), mas é que ele foi feito em cinemascope e a dublagem em português quando os personagens estão falando destoa demais de quando eles estão cantando, com o som original e legendas. Podiam ter passado inteiramente legendado.

Outra coisa que incomoda e tira um pouco o realismo é o fato de só ter atores negros. Pô, nos quartéis do exército da 2a Guerra só tinham negros? E nas ruas também? Tá certo que Woody Allen só usa atores brancos nos seus filmes, como alfinetou Spike Lee certa vez, mas pelo menos ele fala de um universo que ele vive: a classe alta intelectual nova-iorquina. Pra quem gosta de ópera, pode ser que curta mais do que eu.

Gravado da Globo.

NENHUM A MENOS (Yi ge dou bu neng shao )

Filme do chinês Zhang Yimou que até lembra um pouco o cinema iraniano, falando de crianças muito pobres de uma escola do interior. A história: garota de 13 anos é chamada para substituir o professor da escola, mesmo sem ter habilitação para isso. No começo, ela sente muita dificuldade de "domar" as crianças e de evitar a evasão, mas depois passa a ganhar a simpatia e a confiança dos pestinhas. O filme ganha mais dramaticidade quando um dos garotos abandona a escola e vai pra cidade e ela vai em busca dele.

(Vendo o filme, até me lembrei das minhas primeiras aulas em escola. Um horror. Não sabia como fazer pra calar a boca daquele povo. Acho que hoje as coisas estão melhores pra mim, ganhei mais segurança.)

Yimou se especializou mesmo no melodrama, hein. Talvez ele seja o grande mestre do gênero atualmente. Difícil conter as lágrimas no final. Mesmo assim, NENHUM A MENOS (1999) é inferior a CAMINHO PARA CASA (1999), a JU DOU (1990) e principalmente a TEMPOS DE VIVER (1994), o meu favorito. Não entrei no clima de LANTERNAS VERMELHAS (1991), o seu primeiro sucesso comercial no Brasil. Talvez revendo...

Gravado da Globo.

ESTRANHA PASSAGEM EM VENEZA (The Comfort of Strangers)

Quando eu sei que tem filme de Paul Schrader na tv, faço questão de gravar pra conferir. Gosto dos seus trabalhos. Um cara que dirigiu HARDCORE (1979), GIGOLÔ AMERICANO (1980), A MARCA DA PANTERA (1982), MISHIMA (1985), O SEQÜESTRO DE PATTY HEARST (1988) e TEMPORADA DE CAÇA (1997) não pode ser menosprezado. Sem falar nos roteiros para grandes filmes do Scorsese como TAXI DRIVER, TOURO INDOMÁVEL e A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO. Para 2004 está previsto EXORCIST IV: THE BEGINNING, a ser dirigido por ele. Quem sabe ele dá um gás na franquia.

ESTRANHA PASSAGEM EM VENEZA (1990) tem no elenco Ruppert Everett, Natasha Richardson, Christopher Walken e Helen Mirren. Everett e Natasha são dois namorados que vão para Veneza para reavaliar o relacionamento, que não anda muito bem. Até encontrarem com um estranho casal (Walken e Mirren) que mexem com suas vidas, no mal sentido. Veneza é mostrada como um lugar labiríntico e sinistro. O final deixa dúvidas sobre que mensagem o filme quer passar, mas o clima de mistério do filme é ótimo. E com um elenco desses...

Gravado da TNT.

segunda-feira, agosto 18, 2003

UZUMAKI



Com essa história de conhecer cinema oriental, acabei conhecendo coisas que jamais imaginaria existir. UZUMAKI (2000), filme dirigido pelo estreante Higuchinski é inspirado no mangá homônimo de Jungi Ito. Além de conferir o filme, tive a sorte de conhecer também o mangá, disponível para download na internet.O filme, em certos momentos, é exatamente igual ao mangá, tanto na história quanto no visual, nos enquadramentos, no clima. (Bom, eu acho o mangá muito mais assustador.)

A história é muito louca, o que dá até pra questionar a sanidade dos japoneses. Hehehehe. Numa cidade do interior do Japão, um homem fica obcecado por espirais, quer seja visto através de um caracol, de cachos de cabelos ou de um pirulito. A coisa vai crescendo a níveis insuportáveis e o terror toma conta da cidade, cada vez mais amaldiçoada pelo espiral. Não vou contar mais nada da história, já que só vendo a doideira que é o filme pra ter certeza de que isso existe.

UZUMAKI foi comparado ao surrealismo de David Lynch e ao visual dos filmes Tim Burton e Jean-Pierre Jeunet. O visual do filme realmente é muito bonito e os efeitos especiais estão caprichados. Nem parece a economia de recursos de RINGU, só pra citar um filme de terror japonês conhecido.

O filme é inédito no Brasil e consegui vê-lo graças ao Fab Rib, que copiou o DVD importado do Leandro.

Ficou curioso? Pegue uma amostra grátis do mangá aqui.
AMARELO MANGA/MAY



A crise financeira continua andando a passos largos e me sinto como se tivesse entrando num funil, de tão apertada que está a situação. Com isso, minhas idas ao cinema estão diminuindo consideravelmente. Vi um único filme no fim de semana. Dei prioridade ao brasileiro AMARELO MANGA. Por outro lado, a pirataria saudável de filmes pegos pela internet e vistos em computador só tem crescido. Hehehe.

AMARELO MANGA e MAY são filmes bem diferentes, mas os dois têm pontos em comum. Ambos são de diretores iniciantes, cheios de frescor e vitalidade e com muito tesão de fazer filme pra marcar logo de cara. Faz até a gente lembrar dos primeiros filmes de Peter Jackson e Sam Raimi, antes deles começarem a dirigir blockbusters. Tanto AMARELO MANGA quanto MAY não são filmes leves, podem não cair no gosto comum. Os dois são filmes de horror, sendo que o brasileiro fala do horror de cada dia, escondido ou exposto no boteco mais próximo. Comento um pouco de cada filme.

AMARELO MANGA

O filme de Cláudio Assis é vibrante, manda o cinema convencional e bonitinho tomar no cu logo nos primeiros minutos e traz de volta o cinema nacional mal comportado. Ainda bem. A história tem vários personagens e Assis soube dar unidade ao filme, soube trabalhar com um elenco excepcional, que não se incomodou em participar desse show de horrores. Tem o cara que gosta de cadáveres (Jonas Bloch), o homossexual obstinado (Matheus Nachtergaele), o matador de bois (Chico Diaz) que tem uma mulher crente que odeia traição (Dira Paes), a garçonete enjoada (Leona Cavalli), a gorda asmática, o padre esquisito, entre outros. De todos esses atores, quem deu um show mesmo foi Dira Paes. Excelente performance. Sem falar que, com sua beleza cabocla, ela é a única coisa de bonita que existe nesse filme, cheio de gente feia, podridão e miséria. A trilha sonora está ótima, feita pelos astros da musica pop pernambucana Fred Zero Quatro, Nação Zumbi e Otto. Vão ver o filme, nem que seja pra odiá-lo, xingar o diretor e os jurados dos vários festivais que o premiaram.

MAY

Taí outro filme estranho com gente esquisita. May (Angela Bettis) é uma garota esquisita que tem um olho vesgo e se apaixona por um rapaz (Jeremy Sisto). E principalmente por suas mãos. Ela tem uma amiga lésbica (a gracinha Anna Faris, de TODO MUNDO EM PÂNICO) que a assedia. Ela não oferece muita resistência. Pena que o filme não tem muitas cenas de beijo das duas. Hehehe. O filme tem alguma semelhança com CARRIE, A ESTRANHA (1976) e POSSUÍDA (2000), dois filmes que trazem uma personagem feminina freak. O barato de MAY é que o horror pega mesmo o espectador já que ele começa como um drama de jovens fora do padrão. Legal a homenagem a Dario Argento. O personagem de Jeremy Sisto é um diretor iniciante fanático pelos filmes do mestre. Até usou no final de um de seus curtas "Regia di" em vez de "Directed by". O final é muito foda e tem certas cenas que realmente dá vontade de virar a vista. Eu tenho um especial medo por cenas envolvendo olhos e esse filme mexeu com os meus nervos. O diretor do filme chama Lucky McKee e pelo que eu vi no IMDB ele só fez um filme anteriormente: ALL CHEARLEADERS DIE. Parece que o cara é dos bons. O filme foi visto em divx, cortesia do amigo Fab Rib. MAY até o momento está inédito nos cinemas, nas locadoras e na tv.

sexta-feira, agosto 15, 2003

O IMPÉRIO DO DESEJO



Ontem, ao voltar pra casa depois do trabalho, dei uma passadinha numa locadora meio fuleira aqui do Centro da cidade, só pra ver como é que estava o acervo lá. Quando eu já estava indo embora, dou de cara com uma fita que me despertou logo a atenção. O IMPÉRIO DO DESEJO, filme raro de se encontrar em locadoras, aqui pertinho, no Centro, onde geralmente não tem muito filme legal. Não sei como que há mais de dez anos que visito a dita cuja, nunca vi esse filme nas prateleiras. Acho que porque ele estava antes na seção de filmes pornôs. E o legal é que a fita está em excelente estado de conservação. O meu vídeo, geralmente "fresco" pra fitas velhas (não rodou AMOR VORAZ, do Khouri), rodou a fita sem nenhum problema.

Do texto escrito na contra-capa da fita da Look Video, reproduzo o último parágrafo:
"Humor, ação e muito sexo explícito numa formulação perfeita, que vai prender sua atenção desde o início."

Sexo tem sim. Mas explícito, eu não vi, não.

O IMPÉRIO DO DESEJO é uma pornochanchada dirigida por um dos grandes cineastas desse país: Carlos Reichenbach. Reich e Khouri são os cineastas brasileiros que mais me despertam interesse em conhecer a obra completa. Império é bem diferente dos outros filmes dele que vi da fase madura(ANJOS DO ARRABALDE, ALMA CORSÁRIO, DOIS CÓRREGOS), mas ainda assim vê-se o seu lado autoral em cada cena. A política e o sexo parecem ser uma constante nos seus filmes, em menor ou maior escala. Pelo menos até onde eu pude ver.

Para não falar muita besteira, andei lendo uns textos que procurei no Google. Não são muitos. Os melhores são textos do próprio Carlão e alguns outros da Contracampo, escritos pelo Daniel Caetano, que parece ser um entusiasta da cinematografia nacional. Li e reli sobre o cinema da boca do lixo, sobre o início das pornochanchadas, sobre o cinema cafajeste e malicioso, sobre o deboche em cima dos costumes da sociedade da época da ditadura militar.

O IMPÉRIO DO DESEJO (1980) é um filme anárquico de verdade. Tem fusão de gêneros como nos filmes de Godard, tem personagens que entram e saem sem aparentemente ter muita utilidade na trama, muita gente tirando a roupa, orgias, swing. Por falar em swing, melhor do que ver filmes contemporâneos que tratam do tema da "libertinagem" dos anos 70, como TEMPESTADE DE GELO, de Ang Lee, é ver autênticos filmes da época. As pornochanchadas são espelhos daquele período de sexo livre, drogas, rock and roll e vontade de fazer socialismo.

O filme é muito agradável de se ver. As cenas do canibal de branco são de um humor negro dos mais estranhos. Principalmente se vistos dentro de uma comédia erótica. Os personagens são muito legais: o casal de hippies, a dona da casa e o seu namorado boçal, o velho que se descobre bissexual, os dois bandidos desastrados, que parecem saídos de desenhos animados (um deles tem a voz do dublador do Fred Flintstone), as mulheres gostosas e sempre ávidas por sexo.

Os diálogos são bem espirituosos. Gosto da cena em que uma intelectual vai querer ensinar o hippie como se comportar numa transa. Engraçado e excitante. Gosto da cena do Nick (o hippie) com ciúme da namorada que estava transando com o velho na sala. Já tô com saudade do filme. Agora é esperar a sorte de um dia ver os outros títulos da filmografia do Reich.

quinta-feira, agosto 14, 2003

8 MULHERES (8 Femmes)



Como aconteceu com KAMCHATKA, acabei vendo 8 MULHERES depois que saiu de cartaz no Espaço Unibanco. Como o filme voltou em cartaz no Shopping Aldeota, fui lá conferir, pra ver o que tinha perdido. Pra uma comédia musical misturada com "filme de adivinhar quem matou quem", dois gêneros que geralmente não curto, até que eu gostei bastante. Outra coisa que foi pro ralo com esse filme foi o preconceito que eu tinha com a música francesa. Achava toda canção francesa cafona. As canções são as melhores coisas do filme, junto com a interpretação do time de atrizes.

Aliás, um time de atrizes e estrelas desse nível, não vi em filme nenhum. Vou falar um pouquinho de cada uma delas.

1. Catherine Deneuve - talvez a mais famosa do filme. Hoje não está tão bonita - o tempo é impiedoso - mas ela era uma das mulheres mais desejadas do mundo nos anos 60 e 70, quando fez A BELA DA TARDE, TRISTANA, REPULSA AO SEXO, entre outros. No filme de Ozon, ela está bem, mas encontra concorrentes à altura.

2. Isabelle Huppert - é talvez a grande atriz do cinema francês atual. A mulher é um espetáculo. Quem viu A PROFESSORA DE PIANO sabe do que estou falando. A cena que mostra ela cantando e com as lágrimas descendo é um dos destaques de 8 MULHERS.

3. Emmanuelle Béart - talvez a mais bonita no filme. Ela faz a empregada, por isso não aparece tão produzida. Está linda em CIÚME - O INFERNO DO AMOR POSSESSIVO e A VIAGEM DO CAPITÃO TORNADO.

4. Fanny Ardant - ainda é uma mulher bonita. Está ótima no filme. O filme mais importante dela talvez seja A MULHER DO LADO, de François Truffaut.

5. Ludivine Sagnier - No filme, ela é só uma garotinha. Nem parece aquela gostosa cheia de sex appeal do filme anterior de Ozon - GOTAS D'AGUA EM PEDRAS ESCALDANTES. Em GOTAS..., só de lingerie, ela está um arraso. A boa notícia é que o próximo de Ozon - SWIMMING POOL - também vai trazer a moça. Oba!

6. Danielle Darrieux - Olhando no IMDB, acho que não vi nenhum filme dessa senhora, que nasceu em 1917. Deve ter sido notável na juventude. Ela chegou a protagonizar uma versão de O AMANTE DE LADY CHATTERLEY em 1955. Em 8 MULHERES ela é a matriarca da família que é chegada a umas doses de álcool e uma das personagens mais engraçadas.

7. Virginie Ledoyen - ela faz a jovem e bonita Suzon. Esteve em A PRAIA, filme com Leonardo DiCaprio.

8. Firmine Richard - Não conheço. Ela faz a outra empregada da casa.

Todas no filme tem um segredo e o que acontece é uma grande lavagem de roupa suja. O homem assassinado nunca é mostrado de frente. Mesmo nos flashbacks, ele é visto só de costas. Todo o filme acontece dentro da casa.

Do diretor François Ozon já tinha conhecido GOTAS D'AGUA EM PEDRAS ESCALDANTES, que é um deboche só. O clima debochado também impera em 8 MULHERES. Vai ver é uma característica dele, que tenho impressão que é gay, já que nos dois filmes a temática homossexual aparece com destaque. É um diretor que merece atenção.

PS: Cliquem nos links de A PRAIA e SWIMMING POOL para verem as fotos.

quarta-feira, agosto 13, 2003

IRREVERSÍVEL (Irréversible)



Asssisti ontem ao polêmico filme de Gaspar Noé. Consegui baixar pela internet. Primeira vez que eu baixei um longa-metragem pela net. E também a primeira vez que consegui ver um filme completo, sem dar pausa, pelo computador. Uma prova de que o filme pode ser qualquer coisa, menos chato.

Realmente IRREVERSÍVEL é bem violento. Talvez o filme mais violento que eu já vi. Ou pelo menos ficaria num top 5 se eu fizesse um hoje. Além da famosa cena de estupro de Monica Bellucci, há uma cena bem mais forte, em que Albert Dupontel esmaga a cabeça de um homem com um extintor de incêndio. A cena é bem forte. Mas a violência sexual na persoangem de Bellucci chega a ser mais incômodo, por levar mais tempo. É um exercício de tortura para o espectador. IRREVERSÍVEL é filme pra deixar os seus batimentos cardíacos mais rápidos.

Narrado de traz pra frente, como AMNÉSIA, de Christopher Nolan, o filme começa bem hardcore, pra depois ir se acalmando no final. A idéia do filme de trás pra frente pode também ser vista no curta PALÍNDROMO, de Philipe Barcinski (um dos melhores curtas que eu já vi); no excelente videoclipe do Coldplay para a canção "The Scientist"; num episódio da série ARQUIVO X; e até num episódio do SEINFELD, que infelizmente eu ainda não pude conferir e fico aguardando a reprise na Sony. Vê-se que a idéia não é totalmente nova ou original. Mas o pulso que Noé dá ao seu filme é digno de nota. E a violência inicial ganha sentido à medida que o filme se encaminha para o final/começo.

Monica Bellucci nunca vi tão bonita. Interessante que ela já tinha feito um outro filme em que era torturada e humilhada - MALÈNA (2000). Vai ver ela gosta da idéia. No próximo ano poderemos vê-la como Maria Madalena no filme THE PASSION, de Mel Gibson.

Quer tentar baixar o filme também? Clique aqui.

terça-feira, agosto 12, 2003

HAYNES, WILDER E IRMÃOS FARRELLY



Comento a seguir três filmes. LONGE DO PARAÍSO foi visto no cinema; os outros dois, na telinha.

LONGE DO PARAÍSO (Far from Heaven)

Ótimo filme de Todd Haynes (VENENO, VELVET GODMINE). Em 1995 Haynes já tinha trabalhado com Julianne Moore em A SALVO, filme que infelizmente ainda não vi. LONGE DO PARAÍSO tenta resgatar o clima e a maneira de se fazer melodrama nos anos 50, ao estilo Douglas Sirk. Por falar em Sirk, ando devendo a mim mesmo ver mais filmes desse diretor, considerado um mestre do gênero. O único filme de Sirk que vi foi SUBLIME OBSESSÃO (1954), que já dá pra perceber seu estilo.

A história: Julianne Moore é uma mulher casada que tenta manter as aparências e parecer sempre feliz e simpática. Na verdade, ela é uma mulher mal amada e que é casada com um marido homossexual não assumido(Denis Quaid). Ao mesmo tempo, sofre o preconceito da sociedade hipócrita e preconceituosa por ter saído com um jardineiro negro (Dennis Haysbert, sempre com jeitão de gente boa, a exemplo de seu papel de presidente em 24 HORAS.)

O filme foi feito para recriar o melodrama americano dos anos 50, desde os créditos até o tradicional "The End". Isso, de certa forma, deixa o filme um pouco artificial, já que Haynes está seguindo uma fórmula. Mas é tudo tão bem feito e agradável que não dá pra não se render ao filme. Julianne Moore, nem é preciso dizer, é um espetáculo de atriz. Talvez sem ela o filme não fosse tudo isso que é. Só achei que fosse chorar com o filme, o que não aconteceu.

A MONTANHA DOS SETE ABUTRES (The Big Carnival / Ace in the Hole)

Por falar em drama dos anos 50, ontem vi mais um filme do grande Billy Wilder, gravado da BAND. A MONTANHA DOS SETE ABUTRES (1951) traz Kirk Douglas como um jornalista inescrupuloso que acha que notícia que vende é notícia ruim e é capaz de tudo para se promover. Um dia, viajando pelo deserto dos EUA, encontra um homem que está preso numa caverna que desmoronou e torna as coisas mais dramáticas ainda para que virem notícia. O filme vai ficando melhor a cada minuto até o seu final, chapante. Pode não ser tão bom quanto CREPÚSCULO DOS DEUSES, mas isso seria quase impossível.

Estava vendo no IMDB a filmografia dele e percebi que vi poucos de seus filmes, mas todos os que vi são excelentes.

Tinha visto apenas 5 filmes dele, a maioria, comédias:

CREPÚSCULO DOS DEUSES (1950)
O PECADO MORA AO LADO (1955)
QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (1959)
SE MEU APARTAMENTO FALASSE (1960)
A INCRÍVEL SUSANA (1942)

Agora é esperar que lancem a filmografia dele em DVD e, de preferência, com montes de extras.

KINGPIN - ESTES LOUCOS REIS DO BOLICHE (Kingpin)

Se nos anos 50, tinha-se Billy Wilder, com comédias cheias de classe; nos 90 e 00 temos os irmãos Farrelly. Não foi bem uma evolução. Hehehe. Mas eu gosto bastante das comédias da dupla. QUEM VAI FICAR COM MARY? (1998) já é um clássico e o melhor filme deles. Mais atrás vem, em ordem de preferência, O AMOR É CEGO (2001), DEBI & LÓIDE (1994) e EU, EU MESMO E IRENE (2000). KINGPIN (1996) é um filme menor dos caras.

Mesmo assim, estão lá as piadas politicamente incorretas, ainda que mais leves. No filme, Woody Harrelson é um hábil jogador de boliche que perdeu a mão e que escolhe Randy Quaid, um Amish tímido e que pratica boliche escondido de seus familiares, para participar do campeonato nacional de boliche. Como a família está passando por dificuldades financeiras, ele topa participar do campeonato para conseguir o dinheiro necessário. Destaque para a ótima participação de Bill Murray. O filme é meio bobo, mas é bem divertido. Gravado de uma sessão da tarde da Globo.

segunda-feira, agosto 11, 2003

CONFISSÕES AMOROSAS (Ten Tiny Love Stories / Women Remember Men)



Acima estão quatro das beldades que embelezam o filme de Rodrigo Garcia. Da esquerda para a direita: Radha Mitchell, Kimberly Williams, Alicia Witt e Deborah Unger.

Um pouco do background das quatro musas:

- Radha está brilhante no primeiro filme de Marc Forster, que eu já comentei aqui: GRITOS NA NOITE.
- Kimberly Williams tem como filme mais famoso a nova versão de O PAI DA NOIVA (1991).
- Alicia Witt pode ser vista em VANILLA SKY, AMOR À SEGUNDA VISTA e CECIL B. DEMENTED.
- Deborah Unger é talvez a mais conhecida das quatro. Quem viu CRASH não vai esquecer dela nunca. Especialmente por causa da primeira cena de sexo do filme. Ela ainda pode ser vista em O JOGO, SUNSHINE e HURRICANE.

O filme ainda tem as atrizes Kathy Baker, Lisa Gay Hamilton, Debi Mazar, Elizabeth Peña, Rebecca Tilney e Susan Traylor.

Garcia, filho do grande escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez, prova o seu talento em falar da alma feminina. Nesse filme, ele apresenta apenas depoimentos de experiências amorosas narradas de frente pra câmera por cada uma dessas mulheres. Algumas histórias são ótimas, outras nem tanto.

A história que eu mais gostei foi a narração de uma primeira transa. Outra história muito boa: a da mulher negra que se sentiu abusada e rejeitada numa noite por um homem. As melhores histórias são as primeiras. Ótima também a narrada por Kimberly Williams, uma gracinha. É uma história longa, mas que prende muito a atenção.

Quem viu o filme anterior de Garcia, COISAS QUE VOCÊ PODE DIZER APENAS OLHANDO PARA ELA, com certeza, vai ficar curioso pra ver mais esse filme desse talentoso e jovem diretor.

Gravado pelo Renato do canal Telecine.
VIAGEM A SALVADOR E KAMCHATKA



Cheguei ontem de Salvador. Como o dinheiro tá cada vez mais raro, tive que economizar bastante. Foi uma viagem normal, mas bem legal. O curso foi bom. Só achei meio chato no começo, que tive que ler sentenças judiciais. Um saco essa linguagem de advogado. Me dá logo sono.

Gostei do hotel em que o curso se realizou no segundo dia: o Hotel Tropical, cinco estrelas, onde ficou hospedado o Michael Jackson. Chique o negócio, hein? hehehe..Já o hotel que eu fiquei, passa longe de ser chique. Hehehe. Mas é bem localizado, lá na ladeira da Barra.

Filmes, só vi um mesmo. O argentino que eu tinha deixado passar aqui em Fortaleza.

Nas três noites, fui para o Shopping Iguatemi de lá, que é grande e fácil da gente se perder. Sempre que entro lá, me perco.

Infelizmente não deu pra eu me encontrar com o Chico Fireman. Até falei com ele por telefone na sexta, mas no sábado não consegui entrar em contato com o homem. O celular não atendia e ele não estava em casa. Fica pra próxima, então.

Mesmo sem poder gastar, ainda gastei com um sapato, e no aeroporto, levei EVANGELION #16 e DYLAN DOG # 9. Aliás, DD tá ficando ruim pra caramba, hein. Nesse último número, a edição faz uma homenagem à PSICOSE, de Hitchcock, com participação de Norman Bates e tudo. Hehehe.. A personagem Marion Crane aparece com o nome de Janet Crane (mistura de Marion Crane com Janet Leigh, a atriz que morre no chuveiro no filme). Até parece que é boa, mas não é.

Legal ter conhecido dois sujeitos muito bacanas no curso:

- John é um maranhense que mora em Salvador há 12 anos e que até hoje não conseguiu se adaptar à cidade. Sonha em morar em Fortaleza. Puxei conversa com ele quando vi ele lendo revista em quadrinhos. Gente que gosta de comics só pode ser legal. Conversamos sobre quadrinhos Marvel e DC anos 80, cinema americano antigo e rock and roll.
- Luiz era o sujeito engraçado do curso. Fui às compras com ele no shopping. Ele ainda me chamou pra eu conhecer o Morro de São Paulo, perto de onde ele mora, que dizem ser um dos lugares mais bonitos da Bahia. Mas com grana curta, a gente fica sem disposição pra esse tipo de turismo.

Lá em Salvador há várias salas dedicadas ao circuito de arte, onde dá pra se ver filmes alternativos por preços até legais. Aqui infelizmente só tem o Espaço Unibanco e as mirradas sessões de arte, que custam bem caro.

Vou falar um pouquinho do filme argentino agora.

KAMCHATKA

Não sei como é que eu tinha deixado passar um filme tão legal quanto esse de Marcelo Piñero. Talvez por não ter gostado tanto assim do filme anterior dele, PLATA QUEMADA, que era uma espécie de "Bonny e Clyde gay". KAMCHATKA mostrar que o diretor tem uma puta habilidade de construir boas imagens, bons diálogos, emoção. O elenco é claro que ajuda: Cecilia Roth (TUDO SOBRE MINHA MÃE, UMA NOITE COM SABRINA LOVE), Ricardo Darin (O FILHO DA NOIVE, NOVE RAINHAS) e as duas crianças do filme, todas excelentes. Acho que esse é o melhor filme do ano no quesito interpretações. É tudo feito com extrema delicadeza, sem exageros nas seqüências dramáticas, mas ainda assim extraindo uma sensibilidade que leva às lágrimas. A história fala de uma família que é perseguida pelo regime militar da Argentina e que se esconde numa casa de campo. Muito bonito o amor materno de Cecilia Roth, a atenção do pai e do avô da criança, a família unida em momentos atribulados. Ajuda o filme ter toda essa atmosfera terna o fato de ser narrado pelo garoto. E que final! Que imagens! Excelente. Uma grata surpresa. É o melhor filme argentino que eu já vi. E um dos melhores filmes do ano. Imperdível.

quarta-feira, agosto 06, 2003

DUAS METRÓPOLES



Recentemente, curioso pra ver o anime METROPOLIS, aluguei junto o clássico de Fritz Lang para poder ver as semelhanças entre as duas obras e começar a tirar o atraso que eu tenho na obra de Lang. Na verdade, os dois filmes são bem diferentes. Têm pontos em comum, mas há muitas diferenças. O ruim foi que eu peguei esses DVDs quando não estava muito bem para me concentrar. Então, já fiquei com uma má impressão dos dois filmes logo de cara. Por isso, demorei pra vê-los. Vi tudo em pedaços, o que não é a melhor maneira de se ver um filme, mas se eu não fizesse isso, não teria visto os dois trabalhos. Comento a seguir os dois filmes separadamente.

METROPOLIS (1927)

O filme de Lang não fez a minha cabeça. Achei cansativo, com uma moral meio esquisita e com um personagem principal com cara de babaca. Sem falar nas tradicionais oscilações de luz, presentes em quase todo filme mudo. Mas METRÓPOLIS tem mais problemas do que, por exemplo, os filmes do Chaplin, que não envelheceram tanto. A história tem um quê de Romeu e Julieta, de Shakespeare, mostrando o amor do filho do homem mais rico de Metrópolis por uma moça pertencente às classes mais baixas da sociedade, a dos trabalhadores braçais, que ficam escondidos na parte subterrânea da cidade. Achei meio confusa a idéia que Lang quis colocar no filme: afinal, os trabalhadores não devem mesmo se rebelar contra os maus tratos? Se eles fizerem isso eles sofrerão as conseqüências? Meio estranho. Tanto é que Hitler até convidou Lang pra ser o cineasta de propaganda nazista do Terceiro Reich. Felizmente, Lang rejeitou a proposta e durante a Guerra ele fugiu para os EUA para fazer uma carreira bem sucedida. Hoje ele é cultuado como um dos gênios do cinema. Talvez eu tenha começado mal com a filmografia de Lang, mas isso não diminuiu nem um pouco a vontade que eu tenho de me aprofundar na sua obra. Ah, a trilha sonora, produzida nos anos 90, ficou muito boa, com excelente sincronização com a imagem. Nem parece a vez que eu vi EM BUSCA DO OURO, do Chaplin, com uma trilha chata e totalmente dissonante com o filme.

METROPOLIS (2001)

É até covardia eu ter visto esse desenho em longa-metragem, logo depois de ter visto CHIHIRO e EVANGELION. Resultado: não curti o filme e nem a história me comoveu, apesar de ela ser bem melhor do que a do filme de Lang. O filme foi dirigido por Rintaro (no IMDB tem escritoTarô Rin), foi baseada nos mangás de Ozamu Tezuka (que eu não conheço) e tem roteiro de Katsushiro Otomo, o diretor de AKIRA (1988). O filme, com certeza, é melhor apreciado na telona, já que é muito bem desenhado e cheio de detalhes. A parte técnica é impecável. A semelhança com o filme de Fritz Lang é que no anime existe uma cidade super-desenvolvida que sobrevive graças à massa de trabalhadores injustiçados. As semelhanças param por aí. No anime, o filho do homem mais rico é avesso aos robôs e é o vilão da história. Vendo os extras do DVD, vi que esse personagem não existia nos quadrinhos de Tezuka. A parte mais bonita do filme é a robozinha que conquista o coração de um rapaz e que sofre de tristeza por causa de sua condição inumana. A música do filme é jazz de Nova Orleans, típico da década de 20, época do filme de Lang. É um bom filme com final apocalíptico. Só não me conquistou.

segunda-feira, agosto 04, 2003

EXTERMÍNIO (28 Days Later...)



Ontem fui assistir EXTERMÍNIO e, embora tenha gostado do filme, não gostei o tanto que esperava. Pra mim, o melhor filme de terror do ano ainda é O CHAMADO, do Verbinski. E o melhor filme do Danny Boyle ainda é COVA RASA. Mas EXTERMÍNIO é um bom filme. A fotografia em câmera digital feita pelo mesmo cara que fotografou FESTA DE FAMÍLIA do Dogma 95 e a trilha sonora fora do comum para filmes do gênero faz do filme uma obra única.

Boyle soube aproveitar bem as idéias de George Romero para a trilogia dos mortos e fez um trabalho quase que original. Sobre os filmes do Romero, percebe-se em ordem a influência de cada filme da trilogia. A seqüência da chegada à casa de Frank tem um quê de A NOITE DOS MORTOS-VIVOS; a parte da invasão ao shopping center remete diretamente ao DESPERTAR DOS MORTOS; e a parte da chegada ao "quartel" homenageia DIA DOS MORTOS, inclusive com um zumbi que lembra bastante o zumbi Bub do filme do Romero. Gostei do final. Boyle não é tão cruel quanto Romero. Tanto com relação ao final, quanto na exposição das cenas gore. (Romero mostrava as tripas expostas à toda luz.)

O ruim pra fim foi ter que ficar agüentando quatro marmanjos falando o tempo todo durante a projeção, rindo e reclamando do filme. Felizmente os quatro saíram da sessão com meia-hora de filme. Já foram tarde. Curiosamente, havia vários senhores e senhoras idosos que assistiram ao filme até o fim, sem nenhum problema.

Estranho como ultimamente tenho visto filmes que tratam sobre o "fim do mundo" ou a iminência dele. No dia anterior, eu tinha visto EXTERMINADOR DO FUTURO 3. E no mesmo dia, vi também METRÓPOLIS, de Rintaro. Ainda teve EVANGELION, o anime japonês, com final apocalíptico, e a guerra iminente da série 24 HORAS. Esses países desenvolvidos (EUA, Japão, Inglaterra) devem estar morrendo de medo de perder tudo o que conquistaram.

domingo, agosto 03, 2003

T3, THE PLEDGE E TAPE



Cheguei há pouco do Iguatemi. A idéia inicial era ver EXTERMÍNIO no North Shopping, mas tiraram a sessão de 7 da noite e lá fui eu pegar um ônibus pro shopping dos ricos. Acabei vendo T3 mesmo. Não sei se já falei, mas ver filmes numa sala dessas da UCI é outra coisa. É tudo muito bom. O som, a imagem, o conforto das cadeiras. O ruim mesmo é o preço. Um copo de refrigerante de 500 ml custa R$ 3,50!!!! Absurdo. Eu vou na praça de alimentação e no Mini Kalzone a mesma coca custa R$ 1,50. Dois reais de diferença. Fala sério, hein. Vou comentar dois filmes que vi no cinema e um que vi na tela pequena.

O EXTERMINADOR DO FUTURO 3 (Terminator 3: Rise of the Machines)

"John Connor. It is time."

É o velho Schwarza de novo num filme de vergonha. Desde TRUE LIES, em 1994, que ele não fazia um filme que prestasse. E foi voltando com o personagem T-800 que ele parece que vai se reerguer. O filme é surpreendentemente bem legal. Eu não esperava nada, já que esse negócio de exterminador já tinha esgotado. Mas Jonathan Mostow trouxe fôlego novo e fez um filme bem ágil e divertido. Quase tão bom quanto os dois de James Cameron. Nick Stahl está bem como John Connor e Claire Danes é muito boa, bem mais madura. Nem parece a menininha de ROMEU + JULIETA. A nova exterminadora é muito bonita, mas fez tão bem o papel que em certos momentos chega a assustar. Gostei das cenas de quebra-quebra dos carros na estrada. Parece que eles quebraram montes de carros mesmo. Quase não dá pra perceber CGI nessas cenas. O final também é muito legal. Deu até vontade de ver uma continuação. E nem iria precisar do Schwarzeneger.

A PROMESSA (The Pledge)

Sean Penn é foda. O cara deveria dirigir mais filmes. Em A PROMESSA ele quebra montes de clichês e faz um filmaço. Jack Nicholson tem o seu melhor papel em anos. Melhor até do que o de AS CONFISSÕES DE SCHIMT. O começo do filme até lembra. Ele faz um personagem que está pra se aposentar também. A diferença é que no filme de Penn ele é um policial, que resolve investigar durante as suas últimas horas antes da aposentadoria o assassinato de uma garotinha. Por causa da promessa que ele faz à mãe da garota de pegar o assassino, suas férias prolongadas acabam indo pro brejo. O filme tem um elenco de respeito. Além de Nicholson, aparecem na tela Vanessa Redgrave, Robin Wright Penn, Benicio Del Toro, Aaron Eckhart, Mickey Rourke, Harry Dean Stanton e Sam Shepard. Além da trama do assassino, o filme ainda focaliza a velhice, tema já mostrado antes no curta que ele fez para o projeto 11 DE SETEMBRO.

AMARGO REENCONTRO (Tape)

Richard Linklater já é um dos meus diretores favoritos por causa de filmes como ANTES DO AMANHECER e WAKING LIFE. Nesse filme de baixo orçamento ele, munido de duas câmeras (eu acho), três atores e um quarto, mostra novamente porque é o rei dos diálogos. Desde Woody Allen que não vejo um cineasta com tal habilidade. Ele faz um filme tenso, envolvente, claustrofóbico. E com a ação se passando toda entre quatro paredes. Não dá pra dizer muita coisa pra não estragar a surpresa de quem vai ver o filme um dia, mas adianto que o filme tem Ethan Hawke e Robert Sean Leonard como dois amigos que se encontram depois de muito tempo pra resolver alguns grilos do passado. Achei muito legal ver esses dois atores novamente, já que eu tenho especial carinho pelo tempo em que os dois fizeram SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS. Ethan Hawke era o garoto tímido. Sean Leonard era o idealista e apaixonado por teatro. Em TAPE, eles fazem papéis totalmente diferentes. A esposa de Hawke, a bela Uma Thurman, também aparece para embelezar o filme. Mais um filme da fita que o Renato gravou pra mim.