sábado, novembro 05, 2011

A PELE QUE HABITO (La Piel que Habito)



Ao sair da sessão de A PELE QUE HABITO (2011), de Pedro Almodóvar, fiquei impressionado, comovido, arrepiado. O plano final, fechando com um fade out lindo, é um dos mais inspirados da filmografia deste que é indubitavelmente o maior cineasta espanhol vivo. Há uma relação estreita com ABRAÇOS PARTIDOS (2009) e podemos vê-los como filmes-irmãos, embora pareçam tão diferentes. Ambos começam in medias re para depois usar do flashback a fim de esclarecer a trama; ambos apresentam personagens que tiveram suas vidas modificadas. E se esse recurso não alavancou ABRAÇOS PARTIDOS ao posto de um dos grandes trabalhos de Almodóvar, só o tempo dirá se ele conseguiu com A PELE QUE HABITO.

O filme se inicia apresentando os dois personagens principais: o cirurgião plástico vivido por Antonio Banderas, em seu retorno ao cinema espanhol depois de uma longa temporada trabalhando só nos Estados Unidos, e Elena Anaya (uma das protagonistas de UM QUARTO EM ROMA, de Julio Medem), como a jovem que é mantida trancada num quarto, usando uma roupa colante parecida com a cor de sua pele. Há também uma personagem muito importante e Almodóvar a deu de presente para uma de suas atrizes favoritas, Marisa Paredes. Quem é aquela jovem e por que ela é mantida trancada são algumas das perguntas que inicialmente são feitas.

A PELE QUE HABITO, desde suas primeiras fotos publicitárias prometia ser uma espécie de homenagem à obra-prima OS OLHOS SEM ROSTO, de Georges Franju. E embora haja muitas semelhanças, trata-se de uma história bem diferente. Na verdade, o ideal é mesmo contar o mínimo possível da trama para não estragar as surpresas que o filme proporciona ao espectador.

E quem estranhar A PELE QUE HABITO, achando tratar-se de uma obra muito diferente do estilo do diretor, é sempre bom lembrar que na década de 1980 ele já havia enveredado pelo gênero suspense em duas ótimas obras: MATADOR (1986) e A LEI DO DESEJO (1987). Além do mais, na própria trama há algo que é bem típico de Almodóvar, que é a utilização do fetiche, mais presente do que se imagina no filme. Enfim, assinaturas não faltam ao longo dessa bela obra. A melhor dele, desde FALE COM ELA (2002).

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