sábado, janeiro 22, 2011

COMO ESQUECER



Vendo COMO ESQUECER (2010), senti no ar um pouco de Walter Hugo Khouri. É como se o espírito do cineasta estivesse ali no ar, pairando sob aquele filme que trata de uma professora de literatura inglesa que está passando por maus bocados, depois da difícil separação com "a mulher da sua vida".

Embora depressão não seja um assunto exatamente novo, foram nos últimos anos que essa praga se alastrou de modo alarmante pela sociedade. Assim, ao mesmo tempo em que o filme tem uma forte ligação com um tema bem atual, além de também lidar com relacionamentos homossexuais de modo natural, COMO ESQUECER tem um elo com o cinema que se fazia no Brasil nos anos 70 e 80, especialmente com o existencialismo de Khouri. E isso pode incomodar muita gente, que pode achar que o filme é pretensioso. Pode até ser, mas não vejo mal algum em se fazer um cinema mais intimista e com a voz dos personagens ao fundo, com pensamentos ou citações literárias.

Na trama, Ana Paula Arosio é a professora de faculdade que tem um temperamento difícil e que é ajudada pelo amigo homossexual vivido por Murilo Rosa. O amigo também perdeu um amor, através da morte. A outra personagem que divide uma casa com os dois é uma jovem que se separou do namorado estando grávida (Natália Lage). Com tanta gente sofrendo junta, o filme tem coragem de mostrar situações extremas, principalmente da personagem de Arosio, que lida com cenas envolvendo pensamentos de suicídio.

Outra coisa que pode incomodar a audiência é o temperamento agressivo e egoísta da protagonista. Mas até achei interessante isso, principalmente a sua relação com uma aluna do curso, quando estão discutindo Virginia Woolf, o ultrarromantismo de "O Morro dos Ventos Uivantes" ou mesmo a vida privada da professora. A cena de sexo lésbico também está entre os destaques do filme. É um pouco contida e comportada, mas tive a impressão que Arosio estava curtindo de verdade aquele momento.

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