quinta-feira, agosto 01, 2019

14 CURTAS BRASILEIROS

EU QUERIA SER ARREBATADA, AMORDAÇADA E, NAS MINHAS COSTAS, TATUADA

Uma das coisas de que eu mais gostei neste filme foi da cena de sexo, não pelo sexo em si, mas pelo fato de os atores estarem tão bem, dialogarem de maneira dramática e intensa durante o ato. A trama me pareceu um tanto confusa, mas como é um curta, nada que uma revisão não possa ajudar na compreensão. Temos aqui a história de uma mulher cansada da vida que leva e precisa tomar alguma atitude urgente. Direção: Andy Malafaia. Ano: 2015. (foto)

AQUELES DOIS

Belo documentário sobre a situação de duas pessoas trans, a questão da aceitação perante à família e à sociedade, tudo isso mostrado com muita sensibilidade pelo diretor. Os relatos das mães e familiares às vezes entram em choque com a necessidade da identidade dos rapazes, mas por isso mesmo é importante que estejam presentes, especialmente nos dias de hoje, em que a intolerância está tão explícita. Direção: Émerson Maranhão. Ano: 2018.

AZUL VAZANTE

Um dos aspectos mais interessantes deste filme é o que ele causa de estranheza, inclusive para as pessoas que passam pela Praça da Sé, em São Paulo, onde fica deitada em uma cama de hospital uma mulher (alguns perguntam: é um homem ou uma mulher?) enquanto algumas pessoas supostamente chegam para cuidar dela. Demorei a entrar no filme e a comprar sua proposta, mas não há como negar que é uma obra que faz a gente ficar pensando depois. Direção: Julia Alquéres. Ano: 2018.

CATADORA DE GENTE

Um documentário extremamente simples, apenas contando com o depoimento de uma senhora que trabalha como catadora de lixo. Aos poucos vamos conhecendo e vendo o quanto essa mulher progrediu através da leitura e o quanto ela mudou as vidas das pessoas ao seu redor. É uma pedrada ouvir o que ela diz e vê-la ainda tentando sorrir e mostrar o quanto deixou de ser tão bruta como era antes. Direção: Mirela Kruel. Ano: 2018.

MAIS TRISTE QUE CHUVA NUM RECREIO DE COLÉGIO

Um filme que causa um mal estar intenso, sobrepondo imagens da reconstrução do Maracanã e também de um homem brincando com uma bola com áudios terríveis da história recente do Brasil. Desses que deixam a gente inconformado. Diria que ver isso condensado em um curta de 14 minutos foi muito mais incômodo para mim do que ver o longa da Petra Costa. Não tá fácil, Brasil. Direção: Lobo Mauro. Ano: 2018.

ADEUS À CARNE

Carnaval, diversão, maconha, tesão, tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. Mas aí acontece algo para cortar o barato das três amigas. Um filme que engrossa o coro de obras que lidam com a questão da sororidade. Uma das meninas eu conhecia de CONFISSÕES DE ADOLESCENTE - O FILME. Direção: Julia Anquier. Ano: 2017.

ABISMO

Filme perfeito para quem tem medo de elevador: nunca mais vai querer entrar novamente. Com uns dois minutos a menos ficaria perfeito. Gosto muito da sensação de aflição em que se encontra o porteiro do prédio. O diretor sabe construir uma atmosfera de pesadelo admirável. Direção: Ivan de Angelis. Ano: 2018.

ALMA BANDIDA

Interessante como o filme consegue unir um tipo de dramaturgia próxima do documentário, como nos filmes vindos de Minas Gerais, com algo um pouco mais tecnológico, com a inclusão do videogame. Mas nem é por exibicionismo não, mas serve à narrativa de tentativa de vencer na vida do protagonista. Pena que eu não consegui comprar a proposta. Fiquei curioso para saber a repercussão internacional do filme lá em Berlim. Direção: Marco Antônio Pereira. Ano: 2018.

DE VEZ EM QUANDO, QUANDO EU MORRO, EU CHORO

Um filme que tem um quê de suspense na relação que surge a partir do encontro de dois completos estranhos para uma relação sexual. Boa a conversa inicial, bom o prólogo para o ato, e também gosto do modo simples como termina, embalado por uma melancolia. Mas o suspense parece ficar mais na tentativa ou ensaio, não sei. Talvez fosse eu tentando imaginar um filme que se tornaria algo diferente. Direção: R.B. Lima. Ano: 2017.

ALMAS

O poema "Não sei quantas almas tenho", de Fernando Pessoa, dá o tom de profundidade a esta animação. Mas também não podemos desmerecer o filme pela grandiosidade da obra que lhe serviu de inspiração. É tão bonita a animação, pintada e que cabe nos versos de Pessoa. Destaque também para a música de Zeca Baleiro. São apenas três minutos. Dá vontade de mais. Direção: Marco Faria. Ano: 2018.

BOLHA

Que filme bonito e viajante. Um claro exemplo do quanto se pode abstrair usando a animação, com resultados lindos. A história parte da descoberta de algo estranho no pescoço do protagonista. A partir daí o filme tanto segue por um caminho de paranoia dentro da sua vida cotidiana até chegar a uma viagem astral pelo universo ao som de uma música que muito lembra Pink Floyd. Não por acaso, a banda está entre os agradecimentos do diretor ao final dos créditos. Outro da lista de agradecimentos é Franz Kafka. Imagina-se o porquê. Direção: Mateus Alves. Ano: 2018.

CELULOUKOS

Animação bem divertida sobre dois celulares antigos relembrando os velhos tempos e reclamando do fato de estarem sendo abandonados. Além de a animação ser bem cuidada, ainda que simples, traz uma história com algumas situações bem engraçadas. Lembrei de quando eu parei de anotar os telefones das pessoas numa agenda de papel pois havia agora o celular. Mas depois corria-se o risco de perder tudo ao perder o celular. Direção: Oziel Pereira. Ano: 2018.

DISEXTA

Mais um filme que faz um apanhado dos absurdos da história política recente no Brasil, desde 2013 até 2018. Não fala de Bolsonaro, mas já se pode imaginar para onde ia chegar tudo aquilo. A animação é inspirada nas manchetes e chamadas dos telejornais e mostra alguns fatos marcantes, como a conversa de Aécio sobre matar fulano de tal, além de outras barbaridades que não deram em nada nesse país que parece não ter jeito. Direção: André Catoto. Ano: 2018.

SONDER

Um encontro de um menino "normal" e um outro cheio de estranhos símbolos no rosto e no corpo. A animação é simples mas bonita, com um apelo para a sentimentalidade por causa da música pianinho e um caminho para uma compreensão de mundo dos meninos. Cabe metáforas várias, mas que chegariam ao mesmo ponto, creio eu. Direção: Nicole Janér. Ano: 2018.

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