segunda-feira, abril 06, 2026

ANDAR NA PEDRA – A HISTÓRIA DO RAIMUNDOS



Acompanhei o surgimento do Raimundos desde antes do lançamento do primeiro álbum da banda, de 1994. Não lembro quem escreveu a matéria na Bizz, se o Forastieri ou o Barcinski ou outro redator, mas o relato do show da banda até então conhecida apenas em alguns lugares de Brasília, com sua mistura de forró com punk rock hardcore, me deixou bastante entusiasmado para conhecer. Soube, então, do disco produzido por Carlos Eduardo Miranda, e do selo Banguela, para bandas independentes dentro da poderosa Warner Music, e um dia, estava eu na barraca Biruta, quando ouvi pela primeira vez “Puteiro em João Pessoa”. Aquilo era diferente do que eu havia ouvido até então e eu sabia que era uma canção dos Raimundos. Se não me falha a memória, já na semana seguinte comprei o CD na saudosa Aky Discos, e foi um sucesso também entre alguns amigos, inclusive dois deles falecidos e de quem sinto muito a falta, Santiago e Érico, que acharam um barato aquela molecagem de colocar tanto palavrão e putaria numa sonzeira que mal dava para entender o vocal sem a ajuda do encarte. Na época, o consumo de música era diferente: o encarte era fundamental, fazia parte do prazer, da graça de ouvir um disco.

O documentário ANDAR NA PEDRA – A HISTÓRIA DO RAIMUNDOS (2026), com os cinco episódios dirigidos por Daniel Ferro, é um dos melhores do gênero (musical) que já vi na vida. E o formato em cinco episódios de cerca de uma hora funciona muito bem, pois se resolvessem transformar num único filme de duas horas para cinema muita coisa boa seria perdida. Tudo o que ficou na montagem final desta minissérie é essencial para a história contada. Mesmo o quinto episódio, que relata o momento mais delicado e triste, que é a fase pós-saída do Rodolfo, é um retrato duro e humano de sobrevivência e busca de novos caminhos para todos os envolvidos.

O primeiro episódio é mais leve por razões óbvias: havia ali quatro jovens que se conheceram por uma paixão em comum. O primeiro encontro de Rodolfo e Digão é muito divertido, a partir de quando Digão ouve, do outro lado da rua, a bateria do vizinho da frente, o Rodolfo, e resolve ir lá se apresentar. Foi o começo da criação de um dos grupos mais originais, bem-sucedidos e empolgantes da música brasileira. Claro que, até o disco Só no Forévis (1999), o público-alvo eram os fãs de rock pesado e/ou barulhento, mas no auge de popularidade da banda o Raimundos passou a ser querido por uma parcela altíssima dos brasileiros. Pode-se dizer, inclusive, que 1999 foi o ano que trouxe os últimos hits gigantes de rock até hoje, “Mulher de Fases” e “Anna Júlia”, do Los Hermanos. O século XXI tem sido mais difícil para o rock em termos de popularidade.

Um dos grandes méritos de ANDAR NA PEDRA é o quanto o documentário não se furta de contar histórias duras, dolorosas de cada um dos membros, seja a morte de um irmão do Digão, sejam as várias brigas e os inúmeros desentendimentos que havia entre o grupo, coisa que pouca gente sabia, e isso faz com que alguns desses relatos entrem em conflito. Por isso o fim da banda, ou o primeiro fim, o que de fato conta para mim e para a maioria dos fãs, com a saída do Rodolfo e sua conversão a uma igreja evangélica, pegou todo mundo de surpresa. Não só pelo estilo de vida da banda e pelas letras de sacanagem explícita, mas porque a banda estava no auge. O documentário, inclusive, mostra o quanto foi duro para Rodolfo sair. Ninguém aprovava esse seu movimento, levando em consideração tanto sucesso, tanta popularidade, tanto dinheiro envolvido, tantos discos de ouro, platina etc.

Tive oportunidade de ouvir, anos atrás, o testemunho ao vivo, numa igreja evangélica do Rodolfo Abrantes e peguei em sua mão, cumprimentando-o ao final do culto, mas naquele dia não fiquei conformado com o modo agressivo com que ele renegava a banda e seu estilo de vida, talvez por estar numa igreja. Vendo agora seu emocionado testemunho no documentário, porém, compreendi melhor seu drama, sua necessidade de sair da banda. Ele provavelmente estaria morto se não mudasse de vida. E nem falo do diagnóstico das irmãs da igreja, mas da própria tristeza que ele sentia, dos pensamentos de que aquele seria o último ano de sua vida.

O segundo episódio é outro momento muito gratificante para os fãs da banda, pois mostra outro auge, o lançamento de Lavô Tá Novo (1995), que conta com duas canções com os riffs de guitarras mais pesados e acertados da turma, “Eu Quero Ver o Oco” e “Tora Tora” – ah, e eu adoro “Sereia da Pedreira” também. Talvez não seja um disco tão regularmente ótimo quanto o primeiro, mas a sonoridade foi um avanço até mesmo para o tipo de produção que se costumava fazer aqui no Brasil, cujos discos sofriam muito em comparação com os produzidos nos Estados Unidos ou Inglaterra. No documentário SEM DENTES – BANGUELA RECORDS E A TURMA DE 94, de Ricardo Alexandre, podemos ver com detalhes esse aspecto.

Os caminhos para o terceiro álbum, Lapadas do Povo (1997), foram tortuosos, e uma tragédia ocorrida logo no início da turnê, em Santos, culminando na morte de oito fãs, fez com que a turnê do disco fosse abortada. O curioso é que a opção por um caminho menos engraçado veio pelo fato de eles não gostarem da comparação com os Mamonas Assassinas. A volta para a alegria e a brincadeira veio com o megassucesso Só no Forévis, mas por trás do sucesso havia muita coisa pesada acontecendo, um relacionamento tóxico entre os integrantes e um desconforto cada vez maior por parte de Rodolfo. Mesmo assim, sair da banda era um passo difícil de dar, conforme o próprio Rodolfo conta. Ele disse que quase volta atrás para dizer que era uma brincadeira, uma pegadinha, mas foi algo que fez bem para ele. O problema é o quanto foi complicado para os demais, levando em consideração as finanças, os comprometimentos com imóveis e outros bens, as famílias formadas etc. E o documentário entrar nesses detalhes só torna tudo ainda mais humano.

Ver ANDAR NA PEDRA me fez querer ouvir Raimundos de novo, me deu saudade da banda, me fez lembrar de como também foi uma pedrada para mim a saída do Rodolfo lá naquele maio de 2001. Lembro que até citei esse fato numa carta à coluna do Carlão Reichenbach. Quem tem interesse pela banda com certeza vai adorar o documentário e até quem não conheceu ou se interessou vai se comover com os aspectos humanos dessa história tão singular, cheia de amor, ódio, morte e renascimento.

+ TRÊS FILMES

BECOMING LED ZEPPELIN

O que temos aqui é um documentário para os fãs da banda. BECOMING LED ZEPPELIN (2025), de Bernard MacMahon, não é perfeito e nem tão inventivo, além de não saber como terminar, mas sua estrutura tradicional é gostosa de acompanhar, mostrando a gênese do Led Zeppelin, desde a infância de cada um dos quatro, passando pelo primeiro contato deles com a música, depois seus primeiros trabalhos, culminando com a junção mágica de Plant, Page, Jones e Bonham, nessa que é a segunda maior banda do mundo. Ver na tela IMAX também traz a vantagem de podermos ouvir a música numa qualidade de dar gosto, mesmo aquelas que foram retiradas de apresentações ao vivo, mas que ganharam, com uma limpeza bonita para o filme. Podia ser mais ousado, até no que escolhe mostrar de cada um dos músicos, mas é emocionante acompanhá-los em seus primeiros shows, no intenso ano de 1969, quando eles lançaram o primeiro e o segundo disco, os únicos abordados nesse doc. Bom demais ver as imagens das primeiras impressões das pessoas ouvindo o som da banda pela primeira vez. Gostei de como uma canção que eu nem gostava tanto como "What Is and What Should Never Be" vai voltar a ser ouvida por mim, desta vez com mais carinho. "And if I say to you tomorrow / Take my hand, child come with me...".

CAZUZA – BOAS NOVAS

O foco deste documentário sobre Cazuza está em seus anos após ter contraído o vírus da AIDS mais do que o início de sua trajetória artística, como vocalista do Barão Vermelho. Então, de certa forma, CAZUZA – BOAS NOVAS (2025), de Nilo Romero e Roberto Moret, tem um caráter até mórbido, uma vez que a morte é uma das palavras mais citadas ao longo do filme. Até na famosa entrevista que o cantor e compositor deu a Marília Gabriela há a pergunta a partir do trecho “Eu vi a cara da morte e ela estava viva”, o que já denunciava a doença que Cazuza ainda não havia assumido publicamente ter. O filme tem uma característica de documentário mais convencional, com convidados que ajudam a contar a história, mas essa costura é bem feita e é aliada a imagens de shows e de filmagens caseiras, como também de telejornais, como é o caso da cena da repercussão da horrenda capa da revista Veja de abril de 1989. Consta que, ao dar de cara com a revista, o cantor passou mal e foi internado. As imagens de baixa resolução ajudam a passar um ar quase fantasmagórico à história de Cazuza, como se fossem imagens quase etéreas. Senti mais falta de mais cenas que levam ao choro. Mas talvez a ideia seja mesmo ser fiel ao espírito do cantor, que nunca quis que ficassem com pena dele em sua trajetória de pessoa pública cujo corpo foi sumindo a olhos vistos.

3 OBÁS DE XANGÔ

Pode não ser o documentário mais bem-sucedido de Sérgio Machado - prefiro bem mais A LUTA DO SÉCULO (2016) –, mas 3 OBÁS DE XANGÔ (2024) tem um trunfo. Aliás, três trunfos: os seus personagens-título. Não conhecia Carybé, o pintor, mas já era mais ou menos familiarizado com a simpatia e a inteligência de Jorge Amado e Dorival Caymmi (aliás, quem não viu ainda o doc DORIVAL CAYMMI – UM HOMEM DE AFETOS não sabe o que está perdendo). Sou um ignorante em cultura afrobrasileira, em candomblé, mas me acostumei a apreciar quando vejo em filmes. Sem falar que a música brasileira é muito devedora da música baiana, que por sua vez não se furta a falar dos orixás, dos terreiros, de tantas coisas que para mim são um mistério ainda. O problema que talvez eu tenha encontrado neste filme de Machado foi a falta de um final, de algo que desse uma melhor liga entre as cenas usadas. Gosto muito de ver imagens de filmes, e não faltam, uma vez que Jorge Amado foi tantas vezes adaptado, até mesmo pelo próprio Machado, que fez QUINCAS BERRO D’ÁGUA (2010) e a minissérie PASTORES DA NOITE (2002). No mais, adoro a cena final, mesmo assim, ainda mais depois que a gente sabe mais sobre Jorge Amado e sua defesa dos terreiros em tempos mais duros para praticar essa fé, e depois que já nos encantamos com o jeito mágico de Caymmi e sua intimidade com o mar.

quinta-feira, abril 02, 2026

KILL BILL – THE WHOLE BLOODY AFFAIR



Quanto sangue, quanta luta, quanto amor. Foi lindo rever esta obra-prima, ou melhor, ver, já que é bem nova a experiência de ter os dois volumes juntos com mais uns minutos adicionais, inclusive com uma animação excelente contando a história de Oren Ishi-i (Lucy Liu), além de outra pós-créditos, que me pegou de surpresa. E pensar que eu quase não via KILL BILL – THE WHOLE BLOODY AFFAIR (2004) por causa da longa duração e por uma série de complicações de logística. Que bom que deu certo ver, mesmo que nos 40 minutos do segundo tempo, quando só restavam mais duas sessões do filme nos cinemas. E que bom que foi na gloriosa sala 2 do Cinema do Dragão. (Re)ver no cinema e desta maneira esta que eu considero desde muito tempo a melhor obra de Quentin Tarantino só a torna mais épica, mais dramática, mais cheia de sentimento.

Além do mais, como já faz uns anos que chamam o Tarantino de misógino, eu diria que ver KILL BILL pode ajudar a repensar essa afirmativa, já que são as mulheres as grandes estrelas deste épico pós-moderno, feito a partir de uma salada que inclui muita coisa produzida principalmente nos anos 1970, que fizeram a cabeça do realizador. Tarantino mistura filme japonês de samurai (Kenji Fukasaku ganha uma dedicatória logo no começo), filmes de kung fu de Hong Kong, westerns spaghetti (principalmente na trilha sonora), filmes de horror mais sangrentos, policiais americanos da época da Nova Hollywood e, mais uma vez, um pouco de blaxploitation. Sem falar nos animes.

E ele faz isso com uma vontade tão grande de realizar o melhor filme de pancadaria de todos os tempos, que o resultado é muito empolgante. Eu sempre fico muito emocionado com a cena inicial, com o tiro na cabeça de Beatrix Kiddo (Uma Thurman), seguido dos créditos ao som de "Bang Bang (My Baby Shot Me Down)", na voz de Nancy Sinatra. E o filme inicia depois disso com a incrível sequência de luta com a personagem de Vivica A. Fox, uma briga de facas maravilhosa. E aqui Tarantino também injeta aquele um elemento que faz com que essa luta se torne também dolorosa para nós, espectadores: a presença da filha de quatro anos da personagem de Fox, que chega da escola quando o pau estava comendo na sala de estar.

Tarantino foi tão esperto em colocar essa cena no início, desobedecendo mais uma vez as regras da linha temporal, como havia feito em PULP FICTION – TEMPO DE VIOLÊNCIA (1994), que fica óbvio que a cena de luta com a personagem de Lucy Liu, por ser maior e cheia de preparativos, teria mesmo que acontecer perto do final da primeira parte. Aliás, toda essa preparação para enfrentar a personagem de Liu ganha ainda mais força dramática com a cena em animação adicionada. Ela deixa de ser só uma adversária perigosa e passa a ser alguém que também sofreu quando criança até galgar à posição de muito poder dentro da Yakuza, mesmo sendo sino-americana. A câmera de Tarantino passeia em tomadas de cima por aquele ambiente regado a um rock cantando por uma banda feminina de moças com os pés descalços. E tudo é apresentado com muita elegância, inclusive as split-screens, que devem ter deixado o De Palma com inveja (ou batendo palmas).

A minha lembrança da segunda parte era de um momento menos dinâmico, mas não foi isso que vi desta vez. Até aquela conversa final de Beatrix com Bill (David Carradine) é também muito bom, cheio de emoção, pois estamos diante ali de duas pessoas que tiveram um envolvimento amoroso no passado. Aliás, a cena de Kiddo sorrindo para Bill na igreja, em momento anterior à chacina, é de cortar o coração. Ela linda, grávida, sorrindo para ele, com um sorriso encantador, enquanto a morte está a caminho. Acho que Tarantino nunca mais fez uma heroína tão incrível quanto Beatrix Kiddo, nem mesmo Shosanna Dreyfus de BASTARDOS INGLÓRIOS (2009), até por ela não ser a única protagonista, ao contrário de Uma Thurman. De todo modo, são duas heroínas adoráveis.

Há tanto o que elogiar no filme, seja a fotografia linda de Robert Richardson, a montagem de Sally Menke, o número imenso (e maravilhoso) de pedaços de trilhas sonoras (principalmente do cinema italiano, mas também do cinema japonês), a quantidade incrível de piscadelas de olho que estão mais para declarações de amor ao cinema popular, algumas cenas que nos dão um misto de aflição e excitação, como a cena do cemitério e a luta contra a jovem Gogo (Chiaki Kuriyama) e as cenas com a personagem de Daryl Hannah, tudo isso é assustador, cada cena à sua maneira.

Infelizmente, Tarantino está preso agora nessa promessa besta que fez de encerrar a carreira com um décimo filme e não sabe que grande filme será esse. Enquanto ele se vê enrascado e publicando livros e fazendo peças de teatro por aí, ter a sorte de rever KILL BILL integralmente nos cinemas é para glorificar de pé.

+ TRÊS FILMES

A QUADRILHA (The Outfit)

O livro Especulações Cinematográficas, de Quentin Tarantino, tem rendido boas dicas e belas descobertas. Não que esses filmes estivessem escondidos, tanto que boa parte deles eu encontro nas coleções da Versátil, que contêm inúmeras pérolas que ainda não vi. A QUADRILHA (1973), de John Flynn, ganhou um capítulo à parte no livro de Tarantino. No livro, ele destaca principalmente a série de romances de Richard Stark com o personagem Parker, um fora-da-lei casca grossa que enfrenta uma quadrilha que comanda um império. O personagem, no filme com o nome de Earl Macklin (parece que o romancista não permitia que usassem o nome Parker, ou algo assim), é vivido por Robert Duvall. A trama, que é uma continuação da trama de À QUEIMA ROUPA, de John Boorman, se inicia com ele saindo da cadeia depois de um par de anos em reclusão. Ele é recebido do lado de fora pela esposa (Karen Black). Mais à frente conheceremos seu parceiro de crime Cody (Joe Don Baker). Os dois farão um inferno na vida dos chefões dessa quadrilha, mais especificamente do chefão-mor, vivido por um Robert Ryan muito bom. O legal de ver A QUADRILHA é perceber o quanto o faroeste, o filme noir e o cinema policial moderno estão intrincados, como eles são quase a mesma coisa, com a diferença que no cinema dos anos 1970 havia uma possibilidade maior de explorar a violência em doses mais brutais. O diretor John Flynn equilibra elegância e brutalidade e nos presenteia com uma obra visceral e muito divertida.

COFFY – EM BUSCA DA VINGANÇA (Coffy)

Não sei o que passava pela minha cabeça de não ter visto ainda algum filme desse cinema blaxploitation maravilhoso. Havia visto só BLÁCULA, mas não sei se conta tanto. E digo “maravilhoso” levando em consideração essa belezura que é COFFY – EM BUSCA DA VINGANÇA (1973), de Jack Hill, um dos títulos estrelados pela diva Pam Grier. Este e também FOXY BROWN estão disponíveis na Mubi, então não façam como eu para deixar pra ver só depois. Além do mais, a Versátil já lança há algum tempo a coleção Blaxploitation. Então, hoje em dia o acesso a esses filmes é mais facilitado. Na trama de COFFY, a personagem-título é uma mulher com um desejo de vingança aos homens que deram heroína para sua irmã pequena. Então, ela começa o filme dando cabo de um traficante e um “avião”. Depois disso ela ainda ingressaria no submundo da prostituição para pegar mais peixes graúdos nesse seu projeto. O filme possui diversas cenas antológicas e que de fato me impressionaram, não apenas por seu aspecto apelativo, mas pelo quanto também funcionam nos registros de drama, suspense, ação, espionagem e até comédia. Quero mais!!

FOXY BROWN

Embora não seja tão bom quanto COFFY – EM BUSCA DA VINGANÇA (1973), FOXY BROWN (1974) sabe usar o melhor da fórmula acertada da primeira parceria do diretor Jack Hill (do cultuado SPIDER BABY, 1967) com a atriz Pam Grier, novamente interpretando uma mulher que segue numa cruzada de vingança, penetrando espaços perigosos, como os habitados por traficantes e casas de prostituição. Ainda acho que COFFY vai mais longe na exploração da violência e do sexo que FOXY BROWN, mas é difícil não pensá-los como filmes irmãos. Aqui, Foxy quer se vingar da rede de criminosos que mataram seu namorado, um agente federal que teve que fazer uma cirurgia plástica para poder escapar de uma rede de crime que havia se expandido para a esfera judicial. Algumas cenas memoráveis incluem Foxy humilhando um juiz, depois Foxy sendo abusada sexualmente para depois se vingar de homens brutos; e Foxy aparecendo para ajudar o irmão logo no início do filme. Assim como COFFY este filme também valoriza a música soul na trilha sonora de modo tanto a trazer dinamismo quanto a evidenciar e valorizar a rica música pop negra vigente naqueles incríveis anos 1970.