terça-feira, novembro 24, 2020

SEIS FILMES FRANCESES



Mais um dia com pouco tempo e pouca disposição para pensar de forma mais ordenada e calma sobre os filmes que vi para elaborar um texto maior. Então, vamos de drops, desta vez de filmes franceses, ou filmes com coprodução francesa.

APAGAR O HISTÓRICO (Effacer l'Historique)

Achei este APAGAR O HISTÓRICO (2020), de Benoît Delépine e Gustave Kervern, bem simpático e há momentos em que dei boas gargalhadas (em especial, a cena do entregador de aplicativo ou da mulher que fala de um de seus vícios), mas o humor é muito irregular e nem sempre funciona. Podemos dizer que há um senso de humor bem peculiar, que equilibra a estranheza com algo de vulgar (o que mais me agrada, talvez). O drama dos personagens é que parece bobo, principalmente da personagem que é chantageada por causa de uma sex tape. A fotografia tem uma granulação curiosa, como se fosse filmado em 16 mm. Não sei qual é a razão dessa preferência pela baixa definição. Vencedor do Prêmio Especial do Júri do Festival de Berlim deste ano.

A BOA ESPOSA (La Bonne Épouse)

Os franceses são ótimos nessas comédias dramáticas que equilibram sutileza com momentos quase de humor pastelão. E tratando de um assunto muito sério, que é a questão da educação que era dada para a mulher para ser a rainha do lar na década de 1960, já pertinho dos anos da revolução. Em A BOA ESPOSA (2020), de Martin Provost , Juliette Binoche é diretora dessa escola para educar adolescentes para se tornarem boas mães e boas esposas. Há um elenco jovem muito simpático e que equilibra um pouco o drama dos mais velhos, embora no final seja a história da personagem de Binoche mesmo o grande foco. Achei o final muito bonito e coerente com um diretor que já fez um filme explicitamente feminista como VIOLETTE (2013). Aqui ele só parece comportado. Afinal, a ação se passa no interior e em uma instituição de educação bem tradicional e rigorosa.

BELLE ÉPOQUE (La Belle Époque)

Gosto da temática de se voltar no tempo, escolher um determinado ponto no passado para reviver aquele momento. É mais ou menos isso que é proposto para o personagem de Daniel Auteuil, já cansado da vida e principalmente triste por ser enxotado de casa pela mulher (Fanny Ardant). Apesar do título, BELLE ÉPOQUE (2019), que remete aos anos 1920, o momento a que ele "volta no tempo", por assim dizer, é 1974, ao dia mágico em que conheceu a esposa. O problema do filme é que é muito metido a dinâmico, a rapidinho, não dando tempo para que se construa algum sentimento de parte alguma. O filme acaba por dever muito de sua força à beleza e ao encanto de Doria Tillier, que esteve (e foi corroteirista) do filme anterior de Nicolas Bedos, o muito melhor MONSIEUR & MADAME ADELMAN (2017).

DEZESSEIS PRIMAVERAS (Seize Printemps)

Não sei se gostei do fato de a diretora (Suzanne Lindon) ser a própria protagonista, mas isso pode trazer algo de biográfico e bastante pessoal para o projeto. As cenas de DEZESSEIS PRIMAVERAS (2020) que envolvem música e coreografia ajudam a elevar o filme de um simples projeto sobre uma menina de 16 anos que se apaixona por um homem de 35 para algo mais poético. Gosto em especial da cena do café. Às vezes me incomoda os personagens quase não falarem, não terem muito assunto. Para a adolescente, tímida, é até compreensível, para o sujeito, não tanto. Outro ponto curioso é ter uma história de amor sem sexo. Não sei se por pudor, por medo ou simplesmente por tentar trazer um sentimento puro da paixão na adolescência.

MIGNONNES

Dá pra entender os motivos que fizeram com que MIGNONNES (2020), de Maïmouna Doucouré, se tornasse polêmico, ainda mais nos dias de hoje. Mas todos os momentos em que as meninas ensaiam ou mostram sua dança para o público são vistos ora com um olhar crítico pela câmera, ora entendendo que o que as meninas fazem é simplesmente reproduzir o tipo de dança de linha mais sensual adotada na música pop em todo mundo já faz algumas décadas. A história é uma conto de maturidade juvenil de Amy, pré-adolescente descendente de senegalezes com tradições religiosas e culturais bem distintas da francesa, e de como ela se sente atraída em fazer parte de um grupo de meninas de sua escola.

MATTHIAS & MAXIME

Vi poucos filmes de Xavier Dolan e os que vi não me animaram muito. Gosto de algumas cenas deste MATTHIAS & MAXIME (2019), mas no geral é muito arrastado e desinteressante. Dolan como ator é muito bom, ele dá mais força ao drama dos dois homens que, depois de se beijarem para um curta-metragem, se sentem um tanto estranhos em dar prosseguimento a suas amizades. É um drama que se passa mais na cabeça dos personagens do que na sociedade, que não se apresenta exatamente homofóbica. As cenas de tensão entre os dois são as melhores do filme, mas seria talvez melhor se tivesse meia hora a menos. Também senti falta de um maior trabalho de interação entre os amigos, de modo que achássemos pelo menos parte da turma quase tão importante quanto Matt e Max.

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