quarta-feira, novembro 05, 2008

LÍRIOS D'ÁGUA (Naissance des Pieuvres)



Confesso que o que me atraiu para assistir LÍRIOS D’ÁGUA (2007) foi o fetiche de ver duas meninas se beijando. Acredito que todo homem acha lindo e excitante a imagem de duas mulheres beijando na boca. Tudo bem que aqui estamos falando de garotas adolescentes, mas uma delas é deslumbrante: Adèle Haenel, que lembra um pouco a Kate Winslet quando mais jovem. Ela é Floriane, a garota que é considerada puta pelas colegas do grupo de nado sincronizado. Ela costuma ficar com os caras e na hora H ela cai fora, não tem coragem de ir até o fim e deixa os caras literalmente na mão. Ela é a mais bela do grupo e é desejada por Marie (Pauline Acquart), uma garota magrinha que fica encantada por Floriane desde o dia em que ela a viu numa apresentação do grupo. A melhor amiga de Marie é Anne (Louise Blachère), uma menina gordinha e cheia de recalques, mas que depois de ser flagrada nua por um dos rapazes no vestiário, passa a ficar interessada por esse rapaz, que por sua vez é desejado por Floriane, que na verdade nem sabe bem o que quer da vida e gosta mesmo é de satisfazer o seu ego, pois é consciente do poder de sua beleza e sensualidade, embora seja também consciente de sua covardia de perder a virgindade.

LÍRIOS D’ÁGUA tem momentos bem interessantes, como a cena em que a câmera flagra o nado sincronizado debaixo d’água, na visão de Marie. Eu diria que esse é um dos melhores momentos do filme, que tem a seu favor o fato de mostrar sem muita cerimônia os momentos constrangedores que as adolescentes passam. Talvez essa seja a fase de nossas vidas em que mais passamos por situações constrangedoras, pois ainda estamos nos adaptando às normas da sociedade e, portanto, mais propensos a cometer burradas. Claro que a gente continua fazendo burradas durante a fase adulta, pois a vida é um eterno aprendizado, mas eu, por exemplo, quando penso nas situações em que estive, principalmente no que se refere a namoros e paqueras, no passado, bate um arrependimento de não ter feito determinada coisa, de ter ficado parado feito besta enquanto a menina se declarava na minha frente. Nesse caso, a timidez entra como um dos fatores mais agravantes para as minhas burradas. Ela não foi embora, continua me assombrando, mas acredito que agora eu melhorei um pouco, ou pelo menos consigo disfarçar, às vezes.

No caso das meninas de LÍRIOS D’ÁGUA, o problema não é nem a timidez, mas há algo semelhante: a falta de coragem para tomar determinados atos. Ou a total falta do senso do ridículo em outras situações. O filme de Céline Sciamma foi recebido com certa frieza pela crítica em geral e acho que um pouco por mim também. Considero-o mais interessante do que exatamente bom, pois ele fornece ótimas ferramentas para que se possa refletir sobre as ações que fizemos no passado e sobre o fato de que na adolescência, a personalidade e o futuro daquelas pessoas já estão praticamente formados. Talvez o filme não tenha sido muito bem aceito por causar um certo incômodo na platéia. Ou, então, falta de fato ao filme mais vigor na direção, aquele "algo mais" que faz de um trabalho aparentemente mediano uma grande obra.

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